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BAZI DİNLERDE VE İSLAM’DA İNZİVA

Belgede DİNİ YAŞANTIDA İNZİVA (sayfa 41-62)

Durante a apresentação dos créditos do filme (primeiros 50 segundos), nos é apresentada sob as sombras a figura de Matt Cvetic que caminha ao longo de um corredor escuro, ao som de uma música que nos remete ao clima de suspense, e se aproxima da câmera até escurecer a imagem (figura 6).

Figura 6: Print Screen do filme I Was a Communist for the FBI, 00:03s

Apesar de o filme ser citado como tendo “a forma e o estilo de filmes de sindicatos de gângster”100, essa primeira cena nos traz a influência do estilo noir, com um forte

contraste ou chiaroscuro, ou seja, sombras e áreas de escuridão juxtapostas a áreas mais iluminadas, o foco em profundidade101, para além da música, que de pronto nos remete ao clima de pessimismo, medo e incerteza do ambiente urbano dos anos 40 e 50, lembrando que o noir está ligado à conjuntura sociocultural do período pós-guerra, marcado exatamente pela Guerra Fria e pelo Macarthismo, explorando a podridão onde morreria o sonho americano102, mesmo que não estivesse diretamente ligado ao anticomunismo. A partir dai Matt Cvetic já nos é apresentado mergulhado nos subterrâneos desse ambiente corrompido, que rapidamente iremos identificar como sendo o ambiente do Partido Comunista.

A cena que se segue nos situa em Nova York, a partir de uma rápida tomada da Ponte do Queensboro, um corte nos leva, então, ao Aeroporto de La Guardia, onde um agente do FBI acompanha a decolagem do avião do líder comunista Gerhardt Eisler para Pittsburgh, passando por telefone a informação a alguém. A partir disso, em uma série de pequenas tomadas nos é apresentado o Federal Bureau of Investigation, destacando a rapidez com que as informações são passadas aos diferentes escritórios de Washington e Pittsburgh, além de se destacar o clima frenético, porém agradável, de trabalho nos

100 LEAB, Daniel J. - 2000. op. cit. pp. 02-03. 101 Cf. PARK, William – op.cit. pg. 55.

escritórios. É importante salientar que essa apresentação do FBI segue a linha da imagem da instituição divulgada pelos meios de comunicação na época. Como nos coloca a historiadora Ellen Schreker, Edgar Hoover tinha consciência do valor das relacões públicas para expandir o poder de sua agência. Assim, buscou uma série de meios - como discursos, livros, artigos, filmes, programas de rádio e televisão - para trabalhar a imagem da respeitabilidade, competência e profissionalismo do FBI.103

Entretanto, não obstante toda a rapidez e competência do FBI, quem nos apresenta Gerard Eisler é Matt Cvetic. Com o corte da cena do escritório do FBI para tomadas de cena da cidade de Pittsburgh, em voz over Cvetic faz considerações sobre Eisler, sobre Pittsburgh e se apresenta:

- Gerhardt Eisler, agente comunista, espião, perjúro condenado... estava vindo

para Pittsburgh... o coração do poder industrial americano... onde os comunistas se infiltraram para descompassar esse coração. O que tenho a ver com isso? Meu nome é Matt Cvetic. Cvetic é um nome esloveno. Há muitos eslovenos em Pittsburgh. Eu nasci aqui há 38 anos. Meus pais são boa gente, vieram para cá há 40 anos... tornaram-se cidadãos... e criaram uma família com 6 filhos... que cresceram e agora têm suas famílias.104

Com tais considerações, apesar de ainda não sabermos exatamente quem é Matt Cvetic, já podemos reconhecê-lo como um homem de família respeitável, bem informado sobre o comunismo e, principalmente, contrário a ele. Ainda a citação da origem eslovena de Cvetic, que conhecia sete diferentes línguas do leste europeu105, tem certa siginificância, pois é citada por Daniel Leab como um fator primordial para que o FBI o considerasse um informante valioso, juntamente com seu real patriotismo e anticomunismo.

Ao terminar suas considerações Cvetic chega à celebração do aniversário de sua mãe. Onde nos é apresentado o drama familiar pelo qual passa o personagem, ao ponto que, mesmo buscando ser gentil e amoroso com todos, é cercado por olhares desconfiados. Ao ser interrompido pelo telefonema de Blandon, chefe do Partido em Pittsburg, que o chama para uma reunião com Gerhardt Eisler, os olhares desconfiados acabam por ter a confirmação de que Cvetic, chamado por seu irmão de “comunista asqueroso”, era um traidor. Matt, apesar de todo o sofrimento, suporta a humilhação em nome de sua luta contra o comunismo. Durante cerca de 20 minutos o filme nos apresenta uma série de

103 Cf. SCHRECKER, Ellen - 1998. op. cit. p. 204. 104 I Was a Communist for The FBI, 3m 37s – 4m 20s.

105 São citadas: esloveno, croata, sérvio, lituano, russo, eslovaco e polonês. LEAB, Daniel J. - 2000. op. cit. p.

eventos que nos coloca o quão insuportável é a situação de vida de Cvetic. Cvetic tem que lidar com o desprezo de seus irmãos, de seus vizinhos e de seu próprio filho, depois de assumir a ele que faz parte do Partido Comunista. Após a morte de sua mãe, que parecia ser a única capaz de relevar o fato de seu filho ser comunista, Cvetic apresenta seu primeiro sinal de fraqueza. Em um encontro com os agentes do FBI Matt desabafa:

- Escutem-me. Agora eu sei o que é estar em uma prisão! Estou preso há nove anos. Nove anos fingindo ser algo que odeio e sendo odiado. (...) Vocês têm uma casa e uma família. Após o trabalho vão para casa e a família fica feliz. Eu só tenho comunistas que cortariam minha garganta... e me jogariam no rio após me usar. Escute, Ken, precisa tirar-me disso. Precisa tirar essa mancha vermelha. Não aguento mais. 106

Porém, Ken lembra a ele que “ao trabalhar para o FBI está sozinho”107, mesmo podendo

demitir-se, sendo ajudado pelo FBI, será desonrado publicamente para que outros espiões não corram riscos.

Não podemos dizer que o filme tenha distorcido essa questão de uma maneira geral. No tocante à representação de Matt Cvetic como um pai atencioso e que sofria com a separação de seu filho, Daniel Leab destaca a distorção, afirmando que os relatos de amigos de Cvetic o colocam como um marido infiel e que teria abandonado a esposa e os filhos em 1932, por causa de outras mulheres e do alcoolismo.108 Porém, o FBI teve cerca de mil informantes dentro do Partido Comunista e seus grupos de frente durante a década de 1940 e 1950,109 e, segundo Ellen Schrecker, muitos deles realmente sofreram com a situação de serem considerados párias da sociedade. Schrecker cita o exemplo de Robert Dunham, um informante de Ohio que, além de assediado por seus vizinhos, via-os impedir suas crianças de brincar com seus filhos.110 Nesse sentido também, Ellen Schreker coloca que o FBI buscava formas de recompensar seus informantes, que passaram a se questionar sobre o que estavam fazendo, lembrando ainda que muitos dos que foram a julgamento no Comitê de Atividades Antiamericanas, e não se declaravam informantes do FBI para protejer os trabalhos do Bureau, foram execrados pelas pessoas do partido e por seus advogados. Porém, Schrecker destaca que Cvetic foi um verdadeiro constrangimento ao FBI, que não conseguiu impedí-lo de contar à imprensa as operações secretas do Bureau,

106 I Was a Communist for The FBI, 39m 55s. 107 Ibid., 40m 36s.

108 Cf. LEAB, Daniel J. - 2000. op. cit. pp. 07-08. 109 Cf. SCHRECKER, Ellen - 1998. op. cit. p. 228. 110 Ibid. p. 229.

nem de entregar ao HUAC nomes de outros informantes.111 Assim, o filme traz um drama real no que diz respeito aos informantes do FBI e, possivelmente, se utiliza dessa base real para distorcer a história de Cvetic na busca por fazer dele um herói.

Nesse sentido, destaca-se a discussão de Wilbur Zelinsky sobre a construção de figuras ideais que nutririam um sentimento de comunidade nacional, onde observa que, mesmo quando essa figura ideal é baseada em um ser humano real, bem documentado, a imagem pode ter apenas uma ligeira semelhança com a pessoa original, pois para que se tornem efetivas, essas figuras precisam ser simplificadas, purificadas, idealizadas.112 Podemos pensar ainda que, possivelmente, essa distorção seja muito interessante para construir um melodrama convincente, com o “bem” bem representado na figura de Cvetic, e o “mal” encarnado na figura dos comunistas. Lembrando a discussão já desenvolvida sobre as características do melodrama e destacando que, segundo Leif Furhammar e Folk Isaksson, mesmo que o teor político de um filme não seja bem recebido, as construções feitas fazem com que o espectador escolha o lado “certo”, observando que “os filmes de propaganda têm o bem e o mal tão bem ordenados, com seus personagens bem definidos e seus conflitos tão bem desenhados, que há pouca escolha além de reagir com as violentas emoções que são provocadas”.113

2.2.3. O comunismo demoníaco e a manipulação das minorias: Stalin entre Washington e

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