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Bazal; E5: Egzersiz sonrası 5 dakika; E60: Egzersiz sonrası 60 dakika.

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“O anno derradeiro foi o anno em que mais se abriram novas ruas e novas avenidas nesta capital. Em numero realmente consideravel. Até egrejas fôram postas abaixo para dar logar ao espaço das praças confortáveis”218.

Referido ao ano de 1924, este trecho de matéria publicada na Revista Era Nova expressa bem o tipo de intervenção que vinha sendo realizada na capital paraibana. A atuação governamental das primeiras décadas do século XX é amplamente embasada no discurso higienista, sempre implícito nas documentações oficiais referentes às obras, sobretudo nas mensagens de governo. A institucionalização de serviços e atividades, a exemplo da regulamentação da Repartição de Hygiene, responsável pela “execução de medidas preventivas

de moléstias infecciosas (...) e divulgação dos preceitos gerais de higiene pública e privada” 219, e do Serviço de Hygiene Municipal, responsável “pelo saneamento local; pelo enxugo do solo, dessecamento e drenagem

dos terrenos úmidos e pantanosos; calçamento, arborização, asseio e irrigação de vias públicas; remoção e incineração do lixo”220, criadas em 1911, ressalta bem essa postura.

As preocupações sanitárias também incentivam a intervenção administrativa através da manifestação de intelectuais, médicos, engenheiros e demais profissionais que enfatizam a necessidade de higiene e conforto para os usuários da cidade. As obras realizadas também são refletidas em publicações, promovendo uma grande quantidade de artigos divulgados em jornais e de matérias literárias apresentadas em Almanaques.

Os serviços até então recorrentemente reclamados como indispensáveis à organização sanitária - “abastecimento d’agua, esgottos e illuminação, que acarre[tam] como consequencia immediata o calçamento

das ruas, a viação electrica, arborisação, deposito, remoção e destruição de lixo, que representam medidas complementares de alto valor”221 – realizam-se no governo de João Machado (1908-1912). Já em 1908 é publicado um edital de concorrência para execução dos serviços de esgotamento sanitário, iluminação pública e particular, eletrificação das linhas de bonde e abastecimento d’água.

Atrelada a esses serviços, a intervenção no meio urbano prolonga-se nas formas das ruas, praças e edificações, segundo os discursos higienistas que impulsionam e justificam tais modificações. As novas formas elencadas a esses elementos urbanos renovam a trama, apontando uma nova postura urbanística que, a partir de então, redesenha de maneira mais regular o traçado da cidade, distinguindo-o daquele consolidado222. Nesse sentido, um dos marcos dessa administração é a abertura da avenida João Machado,

“com 22 metros de largura e 1350 metros de extensão”223. Para além de sua importância pelo destaque no cenário urbano, promovido por suas características físicas diante da predominância de vielas estreitas e algumas vezes tortuosas, está seu papel fundamental de vetor de expansão da cidade, que até então crescia de forma inibida, a partir do núcleo urbano original, nas proximidades do Tambiá e das Trincheiras224. A avenida João Machado acentua o direcionamento do crescimento urbano para a região das praias.

219 PARAHYBA DO NORTE. Mensagem apresentada à Assemblea Legislativa do Estado, em 1º de Setembro de 1911, por ocasião da

abertura da 4ª Sessão da 5ª Legislatura, pelo presidente do estado dr. João Lopes Machado. Imprensa Official, MCMXI, p.60.

220 Ibid.

221 PARAHYBA DO NORTE. Mensagem apresentada à Assemblea Legislativa do Estado, em 1º de Setembro de 1910, por ocasião da

installação da 3ª Sessão da 5ª Legislatura, pelo Presidente do estado dr. João Lopes Machado. Imprensa Official, MCMX, p.28.

222 Apesar do traçado de implantação da cidade ter sido regular, no referido momento em análise são as formas irregulares que

prevalecem no conjunto urbano, consolidadas na aparência geral da cidade.

223 PARAHYBA DO NORTE. Mensagem apresentada à Assemblea Legislativa do Estado, em 1º de Setembro de 1911, op.cit., p.60. 224 Como mostrou o Capítulo 2.

Dissertação de Mestrado - Maria Cecília Almeida

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Capítulo 3 - A cidade nas décadas de 1910 e 1920: a transformação dos espaçoes públicos segundo o discurso higienista O processo gradativo de intervenção urbana promove um volume tal de obras que leva o governo Castro Pinto (1912-1915) a criar a Directoria de Obras Publicas. Inicialmente, esse órgão existe mais a nível legal que de atuação, porém constitui um importante marco no processo de intervenção no espaço dessa capital, efetivando suas atividades articuladoras com a intensificação das obras a partir de 1916, ano que marca o início do primeiro ciclo de reformas.

A criação desse órgão já vinha sendo reivindicada, como se observa nos artigos publicados em 1889 pelo engenheiro João Claudino, que atribui inclusive à “ausencia de uma directoria de obras publicas”, “o atraso da

provincia”225. A forma desarticulada de intervir no espaço urbano, a partir de uma organização administrativa aleatória e descentralizada, é denunciada pelo engenheiro que mostra a inviabilidade do bom funcionamento de uma estrutura provisória, formada a cada trabalho em andamento. Assim, segundo João Claudino, “de

todas as provincias do Imperio é esta a unica talvez que não conta [com] uma repartição de obras publicas, e este é um dos motivos que concorrem para a decadencia de varios importantes serviços”226.

“Parece que a provincia realisa grande economia não tendo ao menos um engenheiro que se encarregue dos diversos trabalhos que a toda hora apparecem. Seria de todo preferivel ter ella um funccionario que lhe pertencesse, a viver mendigando os serviços de uns e de outros”227.

A atuação desse órgão se acentua a partir do ano de 1916, com o aumento de execução das obras, as quais apresentam as primeiras mudanças que alteram de forma significativa a trama urbana. As administrações consecutivas de Camillo de Holanda e Solon de Lucena - esse último atuando em parceria com a administração municipal de Guedes Pereira, chamado de “Pereira Passos parahybano” - apresentam as principais intervenções desse momento, reordenando a trama e a aparência dos espaços públicos a ela articulados.

3.2 AS CONSTRUÇÕES

Apesar dos espaços públicos representarem os principais alvos das reformas, tomados como principais expositores das novas formas urbanas, as edificações também participam desse processo de embelezamento da cidade, passando por diversos melhoramentos, a exemplo de reparos, limpeza, aumento do número de aberturas, o que se reflete na aparência urbana. Assim, orientados pelos preceitos higienistas e por conceitos estéticos em renovação, ainda sob influência dos novos hábitos burgueses, as edificações recebem alterações na sua organização interna e nas suas fachadas.

Tais intervenções se dão nas casas e na suntuosidade dos edifícios públicos, que assumem maior ênfase no meio urbano. No conjunto desses melhoramentos, a capital paraibana tem como destaque em seu espaço urbano as intervenções no Teatro Santa Roza, a reconstrução do prédio da Escola Normal e a ampliação do Mercado de Tambiá.

Durante o governo Castro Pinto, são construídos prédios escolares, justificados pelas deficiências desse setor, cujas atividades são desenvolvidas em casas “com capacidade acanhadissima para uma collectividade

de crianças, sem rigoroso asseio”228, pois “desde 1889 o único predio escolar construido pelo governo do

Estado foi o da Cruz das Almas, subúrbio desta Capital, o que demonstra o nosso atrazo nesse departamento

225 CRUZ, João Claudino de Oliveira. “Melhoramentos da capital da Parahyba”. Gazeta da Parahyba, n. 196, 9 jan. 1889, p. 9. 226 Ibid.

227 Ibid.

228 PARAHYBA DO NORTE. Mensagem apresentada à Assemblea Legislativa do Estado, em 1º de Setembro de 1913, por ocasião da

abertura da 3ª Sessão Ordinaria da 7ª Legislatura, pelo presidente do estado dr. João Pereira de Castro Pinto. Parahyba, 1913, Estabelecimento Graphico Torre Eiffel. p.10

administrativo”229. Essa postura fez de Castro Pinto, “no regimen republicano, o

administrador que creou o maior numero de escolas neste Estado”230.

A renovação arquitetônica através da recuperação dos edifícios públicos também tem como viés o interesse em transparecer a prosperidade administrativa, a exemplo do Palácio do Governo, Lyceu Parahybano, Chefatura de Polícia e Cadeia Pública, reformados repetidas vezes, em diferentes administrações.

A participação da arquitetura no processo de reformulação do cenário urbano ocorre por construções, reformas e reconstruções. O intuito de apagar os sinais do passado, que referenciam a

cidade de características coloniais, passa a ser explicitado nas freqüentes demolições promovidas pela administração pública. Esse processo busca o embelezamento e saneamento da cidade, criando praças e jardins geralmente sobre os escombros de construções seculares. As novas formas estabelecidas e os discursos que as legitimam apresentam uma transformação da paisagem urbana dessa capital marcada por um caráter “modernizador”, onde embelezar expressa os valores de uma sociedade com pretensões de “modernidade”, que apaga marcas materiais de sua história.

Empenhadas no que julgam uma melhoria do espaço urbano, sucessivas administrações passam a eliminar os ‘obstáculos’ ao processo de reforma, utilizando-se da legislação municipal para legalizar desapropriações justificadas pela “utilidade pública”, onde são extintas as edificações que se configurem como empecilho para o embelezamento da cidade. Esse tipo de intervenção recebe apoio de parte da população que reivindica medidas administrativas para extrair da paisagem urbana características indesejáveis, inclusive a presença de “pardieiros sem hygiene”, os quais, “com pequenas indemnisações a Prefeitura podia ir

desapropriando (...), onde seriam construidos edificios simples, mas que não envergonhassem o povo”231. Dessa forma, a administração exclui uma parcela da população formada por pobres e miseráveis: “...desapropriei

por utilidade pública, seis casebres na rua Marciel Pinheiro, em cuja área está sendo construída uma pequena praça a ser embellezada pelo futuro edifício da Associação Commercial;...”232.

Tal postura revela que parte dos habitantes, moradores de ‘casebres’ também chamados de pardieiros, representa um estorvo para a administração e incômodo para as elites, jogados para o mundo das “hierarquias

naturais” composto por exclusões e discriminações, onde “o povo é figura ausente e o indivíduo é reduzido à pessoa desprovida dos atributos da razão, da moralidade e da autonomia”233. De fato, a igualdade expressa nas leis de desapropriação legitima a desigualdade e, excluindo as maiorias, proclama uma justiça social

Teatro Santa Rosa. FONTE: Acervo Walfredo Rodrigues.“Os teatros eram

pontos de reunião dos grupos sociais mais importantes em toda colônia. As Casas de Ópera ofereciam oportunidade e espaço para uma convivência intelectualmente mais elaborada, dos vários membros desses segmentos sociais. Mas eram também um ensejo de crítica social e de articulações políticas. Assim também existiam teatros em Salvador e Rio de Janeiro, Recife e Belém” (REIS, Nestor Goulart. “A Urbanização e o Urbanismo na

Região das Minas”. Cadernos de Pesquisa do LAP. Série Urbanização e Urbanismo. Jul-dez 99, n. 30. São Paulo, FAU- USP, p.9).

229 PARAHYBA DO NORTE. Mensagem apresentada à Assemblea Legislativa do Estado, em 1º de Setembro de 1914, por ocasião da

abertura da 3ª Sessão Ordinaria da 7ª Legislatura, pelo presidente do estado dr. João Pereira de Castro Pinto. Imprensa Official, MCMXIV, p.4.

230 PARAHYBA DO NORTE. Exposição apresentada ao coronel Antônio da Silva Pessoa, 1º vice-presidente do Estado, em 24 de julho

de 1915, pelo presidente do Estado João Pereira de Castro Pinto. Parahyba: Imprensa Oficial, 1915, p. 10.

231 AS CASAS de palha. A União, Parahyba, n 8, p1, 12 jan. 1.

232 Mensagem apresentada à Assembléia Legislativa do Estado, em 1917, pelo presidente do Estado Dr. Francisco Camillo de Holanda. 233 TELLES, Vera da S. A cidadania inexistente: incivilidade e pobreza. São Paulo: FFLCH/USP, 1992. (Tese de Doutorado), p.23

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Capítulo 3 - A cidade nas décadas de 1910 e 1920: a transformação dos espaçoes públicos segundo o discurso higienista ao mesmo tempo em que bloqueia os direitos igualitários das relações sociais. Assim, a questão da aparência urbana estabelecida no início do século XX tem um viés social que se vincula à intenção de prosperidade aparente que, por sua vez, não condiz com a heterogeneidade social e econômica que compõe o quadro urbano.

São inúmeras as intervenções executadas nesse período, construindo um cenário urbano que, se não em tudo, muito difere da cidade apresentada no fim do século anterior. Para tanto, muitas das ruas realinhadas, alargadas, prolongadas ou abertas, assim como várias praças criadas, são viabilizadas por meio de desapropriações e remoções de casebres e demais edificações que julga-se ferirem a estética da cidade ou se configuram empecilhos à expansão e instalação de novos espaços.

3.3 OS NOVOS ESPAÇOS PÚBLICOS

Benzer Belgeler