3. MATERYAL VE YÖNTEM
4.1. Morfolojik Sonuçlar
4.2.3. Bazı taze fasulye genotiplerinde Kümeleme analiz
No Brasil, a saída dos militares e a construção de uma nova ordem democrática no país não foi suficiente para criar uma nova cultura política. A vontade de colocar o ―novo‖ frente a ―velha‖ política brasileira não se deu de forma homogênea no país. Pois, segundo Araújo (1996) para que isso se realizasse era necessário muito mais que a ação dos governantes ou as leis que regulam a vida dos cidadãos. Era necessário que estes fossem portadores de valores e atitudes da democracia.
Moisés (1992), em pesquisa realizada logo após a promulgação da nova Constituição apontou para a falta de consenso sobre o valor da democracia e a fragilidade de nossa transição democrática. Segundo o autor, a demora para que processos políticos apresentem resultados substantivos frustra os cidadão e corroem as instituições . Em consequência, o entusiasmo dos primeiros momentos cede lugar, ao desencanto, a apatia e, mesmo, à hostilidade frente à democracia.
O que acontece é que a simples existência de instituições democráticas não é suficiente para acostumar os cidadãos às exigências dos procedimentos democráticos.
Para o autor, ―...embora contando com uma base razoável de apoio de massas para a sua estabilização, o reconhecimento dos valores democráticos ainda seria insuficiente para produzir, propriamente, a estabilização da democracia‖. (MOISÉS, 1992, p. 48). Haja vista, que a democratização não decorre somente da vontade das elites, mas também de uma cultura democrática que impulsione o processo. Não basta simplesmente mudar as regras do jogo. È necessário que os participantes saibam jogar para que tenhamos resultados significativos. (ANDRADE, 2000).
Fica evidente que, construir a ordem democrática é um processo longo, difícil e, por vezes, bastante penoso. Mesmos depois de estabelecidos, instituições e procedimentos democráticos nem sempre tem o mesmo significado para todos os atores da vida política. Por isso, é necessária uma cultura política que envolva entre outras coisas, ―a generalizações de um conjunto de valores, orientações e atitudes políticas‖ (MOISÉS, 1992, p. 7).
Compreendemos que a apreensão da cultura política de uma sociedade passa necessariamente pela sua história, pelo modo de vida do seu povo, pelos padrões
culturais dominantes e sobretudo pela experiência política dos membros da comunidade cívica. A análise comparativa das duas capitais por nós investigadas demonstra diferenças, principalmente, em relação à história do associativismo e da participação dos municípios.
Quando olhamos comparativamente para essas duas capitais, chama-nos a atenção para as diferenças em relação à história de organização social das duas cidades. Em Porto Alegre, a tradição de associativismo permitiu que o movimento de bairro conquistasse seu espaço no debate público e acima de tudo contribuísse para o êxito das experiências participativas. Ou seja, há uma relativa tradição e permanência na história da cidade de práticas associativas com claros sinais de consolidação e principalmente de contribuições. Os movimentos em Porto Alegre se politizam tanto que sente a necessidade de passar para o plano da política institucional. As classes populares tiveram um papel fundamental nesse processo, o que reflete a confiança que a população tem nesses espaços.
Já em Natal isso não existe: os partidos de esquerda não trilharam suas ações nos movimentos populares. Aqui, os próprios espaços de participação: conselhos comunitários, associações e centros sociais, foram criados por iniciativas do governo. Ou seja, faltou das organizações, independência das forças políticas tradicionais.
Outra diferença é a própria trajetória da cidade de Porto Alegre, que durante anos foi governada por partidos de esquerda, o que permitiu um legado institucional favorável à continuidade dos trabalhos desenvolvidos. Os partidos tiveram um importante papel a desempenhar sobre as estratégias mobilizadoras. Em Natal, a pouca representação institucional dos partidos de esquerda, fragiliza qualquer tentativa de progresso participativo. A falta de continuidade de alguns projetos é outro ponto negativo para o sucesso das experiências. Isso acontece, principalmente, por falta de governantes comprometidos com as mudanças. Pois, o que prevalece são práticas clientelistas e assistencialistas.
A capacidade de um governante implementar ações depende do respaldo que ele tem, principalmente, no legislativo. Assim, o apoio político que o gestor é capaz de sustentar no plano legislativo é fundamental para o sucesso das ações. Em Porto Alegre, essa relação acontece em maior sintonia, já que parte dos que compõem a
bancada vieram de movimentos de base, possibilitando uma maior aceitabilidade das propostas e projetos. Em Natal, o que prevaleceu foi a desarticulação do executivo com o legislativo. E principalmente do executivo com seu próprio secretariado. Pois o que predomina em suas relações são a desconfiança e o interesse político.
As duas capitais tiveram a iniciativa de implantar um projeto com o discurso de trazer o cidadão para dentro do governo, tentando demonstrar que existe um espaço aberto à participação da sociedade.
As ações do OP de Porto Alegre e as experiências de Natal nos levam a compreender que em Porto Alegre, o projeto do Orçamento Participativo serviu de modelo para outras experiências, haja vista, o seu sucesso em termos de resultados práticos e em termos pedagógicos. Mas as mudanças de governo e consequentemente a mudança de agenda está desagradando à sociedade civil como um todo. Em Natal, as tentativas de se implantar um modelo de gestão mais democrático entraram em choque com as políticas tradicionais da cidade. A falta de apoio dos líderes comunitários diminuiu as chances de sucesso das experiências participativas. A pressão política local e as dificuldades operacionais fizeram com que práticas conservadoras tivessem continuidade e a participação acabasse sendo relegada para segundo plano.
Diante disso, podemos dizer que a existência de uma cultura participativa marcada por uma participação da sociedade nas discussões políticas tem relação com:
1. Governantes comprometidos com as mudanças; 2. Permanência dos projetos governamentais;
3. Uma história sólida de associativismo no contexto da cidade; 4. Partidos políticos engajados com o movimento;
5. Líderes comunitários comprometidos com a realidade social na qual estão envolvidos;
6. Existência de experiências participativas exitosas;
7. Independência do movimento em relação as forças políticas; 8. Confiança da população nas instituições políticas.
Por tudo que foi exposto, podemos concluir que, em Natal, a adesão de um modelo de gestão participativa comparado com a experiência de Porto Alegre ficou
longe de corresponder a esse ideal. Os fatores que vieram agravar essas diferenças estão: na história do associativismo de ambas as capitais, e do papel desempenhado pelos protagonistas políticos: líderes comunitários, partidos políticos e governos.
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