2.5. Karaman İlinde Geçiş Dönemlerinde Yapılan Geleneksel Uygulamalar
2.5.1. Bayramlar ve Mevsimlik Törenler
Os entrevistados são abordados também com a pergunta: “A prática da participação na Organização prepara a prática cívica na grande sociedade?”
6.4.4.1 No Centro de Educação Profissional
Para F1 a prática da participação na organização prepara sim a pessoa para atuar na sociedade, especialmente porque nas Organizações aprendem a trabalhar em rede e, ainda, porque a instituição contribui com a mudança social:
A nossa instituição, por ser uma organização bastante grande, ampla, possui certas redes internas, e as pessoas aprendem a trabalhar em rede. A participação vivenciada aqui é também levada para fora. Então, havendo uma formação na instituição para uma prática participativa, esse jovem, esse colaborador levará essa prática adiante, e nisso está o poder da instituição, que pode também mudar a sociedade. (F1)
A participação surge aos poucos a partir de uma base sólida na Organização. Com o tempo, fortalece-se e as pessoas a levam para a vida e “também para outros movimentos; e reivindicando, quem sabe, melhores condições dos órgãos públicos, que deveriam assegurar isso para todas as pessoas que fazem parte da sociedade”. (F2)
Trabalhar em rede, como refere F1, e como relata também Putnam (1996), tem o significado de concretizar relações de confiança e cooperação em benefício recíproco, fortalecendo os fundamentos da democracia.
As palavras de F2 remetem à linha de ação Pastoral que tem como um dos principais itens a formação humana, cidadã e espiritual dos educandos e colaboradores, com o objetivo de “integrar mais as diversas dimensões do ser,
nos aspectos: humano, profissional, cidadão e espiritual dos colaboradores e educandos”. (CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, 2005, p. 15).
Mas é diferente se a Organização é fechada "porque quando [um de seus participantes] vai lá fora (...), vai encontrar uma outra realidade. Então, quem já trabalhou a participação internamente eu creio que, com certeza, sente-se mais capacitado”. (F1). Também Pateman (1992) defende a função educativa da participação numa Organização, pois não somente as questões ali tratadas atingem os indivíduos em sua vida cotidiana, mas também eles têm a oportunidade de agir no corpo administrativo local. Participando em âmbito local, o indivíduo aprende a prática da democracia.
6.4.4.2 No Sindicato dos Gráficos
Os representantes dos sindicatos afirmam que um dos elementos mais importantes a serem trabalhados é a questão da reivindicação, da mesma forma que é importante trabalhar a questão dos deveres.
Nós não podemos trabalhar somente os direitos; em primeiro lugar eu tenho que saber os meus deveres, eu tenho que cumprir a minha atividade com bastante competência para depois reivindicar aquilo que me é direito. Eu acredito que não importa quem seja, se o empregado ou o patrão; qualquer ator dessa sociedade tem que ter consciência disso. (S1)
Para S2, é fundamental lembrar que atualmente o movimento sindical tem menor influência em relação à formação dos trabalhadores. "E é uma pena, porque temos dados indicando que no congresso e no senado não existe a participação de trabalhadores”. Observa que no Congresso, os que representam o povo “são empresários (...), o trabalhador mesmo, aquele da base, que toca, que faz o Brasil andar, nós não temos lá representando os trabalhadores e a realidade do trabalhador é diferente da realidade do empresário”. (S2)
Além disso, há a questão da formação dos participantes do Sindicato porque quem trabalha "uma carga horária de 10h ou 12h encontra dificuldade para ter uma participação em sua formação política”. (S2).
No jornal do Sindicato O Gráfico, a coluna “Papo sindical” enfatiza a importância da Organização hoje para manter tudo o que foi conseguido pelos
trabalhadores no decorrer da história. Solis Souza da Silva, que pesquisou para a coluna, relata que desde o final de 1890
os trabalhadores aprenderam que era necessária uma organização permanente através dos sindicatos. Numa longa história de mais de 200 anos; nada veio de graça. A jornada de trabalho de 8 horas tem como símbolo os quatro operários norte-americanos enforcados em Chicago em 1887, num primeiro de maio. Por isso, o 1 de maio é considerado o Dia Internacional do Trabalhador. O salário, o direito de greve, a regulamentação do trabalho da mulher e do menor, a aposentadoria; tudo isso é resultado de muita luta dos trabalhadores em todo mundo. (SOUZA DA SILVA, 2007, p. 3)
Direitos, deveres, consciência histórica, soluções para as dificuldades da carga horária são iniciativas que podem se concretizar no âmbito do Sindicato, como um exercício de cidadania. Putnam (1996) constata que no norte da Itália, onde existe maior participação de pessoas em Associações, há maior empenho institucional, porque as pessoas já estão acostumadas a participar das soluções dos problemas e das vitórias locais. Pateman (1992) lembra que em pequenos grupos sociais a democracia participativa proporciona que cada membro participe dos debates e dos processos de decisões. Nos grupos maiores, os cidadãos devem participar, direta ou indiretamente, dos processos de decisão e devem estar presentes de alguma forma. Então, como diz Pateman (1992), a disputa pela riqueza começa pela participação local.
6.4.4.3 Na Federação das Associações dos Moradores
Para A1, a prática participativa na Organização é muito importante, pois “são os próprios sujeitos (...) que organizam seus interesses”.
Da mesma forma o Boletim Informativo de fevereiro de 2007, após sintetizar as principais atividades realizadas, confirma: “É só com a nossa mobilização e a nossa organização que temos condições de dar os passos que precisamos”. (BOLETIM INFORMATIVO, 2007, p. 1).
E A1 especifica que a participação comunitária deve começar nos bairros, nas vilas e nas escolas:
A participação comunitária pode levar à participação nos espaços institucionais, nas decisões dos orçamentos públicos. Mas esta participação na disputa do orçamento público, as definições de prioridades na aplicação do orçamento público devem também nos impulsionar a entender que nós devemos ir mais longe, que devemos
disputar a riqueza que está aí e que está muito mal distribuída; e que só é possível efetivamente haver essa distribuição, quando o controle sobre ela, os mecanismos de sua geração, os meios de produção não forem privados. E eu acredito que o tempo está maduro para retomar isto, talvez mais maduro do que nunca. cada participação, começando pela mais elementar lá no bairro, na vila é de alguma forma uma escola. E dificilmente quem não começar a participar nesses espaços primários vai ter oportunidade de se conscientizar dessas coisas. No bairro, para se dar conta do limite do Estado, tem que participar, lutando, brigando, mobilizando. (A1)
Como se percebe, A1 rejeita o passivismo e conclama à disputa da riqueza mal distribuída, valorizando a formação política a partir da escola.
Com base em um curso sobre formação política, organizado por seu partido, no qual é realizada uma releitura de Gramsci, que escreve na prisão
Cadernos do Cárcere, um dos pontos de análise é o autor ter escrito da forma que
pode ser entendido pelos seus e de modo a não ser entendido pelos que fazem o controle. “Falar de classes é muito difícil, porque se ele escrevesse abertamente a partir da visão dos trabalhadores comunistas havia muita censura e ele talvez não conseguisse fazer chegar ao destino desejado os seus escritos” (A1)
E o que se quer hoje? Na percepção de A1, são os seguintes aspectos: Nós não queremos somente os empresários financiando um pouco mais o processo; nós não queremos os empresários dando um pouco mais de dinheiro para o programa “Fome Zero”; nós não queremos o governo ampliando somente as políticas sociais, que são importantes, sem dúvida nenhuma, ao passo que continua a pagar a dívida, e a manter uma política de juros que continua sendo um paraíso fiscal para os especuladores, e que continua a não taxar as fortunas, a não controlar a circulação de capitais, a circulação do dinheiro. Então se entende participação cívica também por essa luta, não somente para dividir aquele bolo que o Estado controla, mas que o modelo popular possa incidir sobre ele; uma luta que incida sobre a disputa da riqueza que está aí.
Mas hoje o sindicato não consegue com facilidade o atendimento de suas reivindicações. E isso, segundo A1, ocorre porque
[...] a lógica do modelo atual, o modelo capitalista, é altamente predador. Marx tocou muito rapidamente nessa questão; o capitalismo destrói a natureza, destrói as pessoas, e Marx trabalhou mais a questão da alienação; não desenvolveu muito a questão da natureza. Hoje em dia as conseqüências desta lógica predadora são assustadoras; a lógica do consumo das grandes indústrias, da produção da guerra, da destruição da natureza, não é ação dos indivíduos, é ação do modelo fundamentado a partir dos que buscam lucro a qualquer preço. Ajudar as pessoas a defender a natureza é importante, ajudar a consumir de outro jeito é importante, mas é fundamentalmente importante também mobilizá-las para quebrar a grande máquina destruidora.
Por isso A1 lembra, além de Marx, o próprio Gramsci. Ele sabe, como também refere Duriguetto (2005, p. 97), que no conceito gramsciano, a concepção de sociedade civil é o “espaço em que se desenvolvem os processos políticos que objetivam organizar os interesses de classe e projetá-los em termos de ação hegemônica no sentido da construção de um novo projeto societário”.
Nessa concepção, qual é o pressuposto organizativo? É aquele relacionado com o que expôs A1 acima: “uma práxis política consciente, coletiva e articulada das classes subalternas” (DURIGUETTO, 2005, p. 97), que é o contrário do que A1 denuncia na entrevista: “a cultura do individualismo é o consumismo”, por contribuir com a alienação, que dificulta a participação dos trabalhadores em reuniões, mobilizações e sindicatos.