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Tomando como referência os conceitos apresentados sobre o desenvolvimento do ato colecionador em três tempos: renascimento, iluminismo e idade contemporânea foram selecionados três manuais de cada uma das áreas:

1. Arquivologia

 De Archivis Liber Singularis – Baldassare Bonifacio (1632): ligado a uma visão renascentista, trata-se de um manual muito influente tendo sido publicado em latim para facilitar a sua difusão mundial à época;

 Manual dos Arquivistas Holandeses (1898): apesar de já estar no século XIX pensamos que ainda guarda importantes traços do iluminismo. Trata-se de um dos manuais mais importantes para a Arquivologia e que vai servir de base para os novos manuais que iriam surgir pouco tempo depois e que iremos caracterizar como contemporâneos;

 Manual ICA (terceiro) - International Council on Archives - Committee on Appraisal - Guidelines on Appraisal (2003-2005): busca capturar uma visão atual da área de Arquivologia naquilo que tem de central para a formação das “coleções” arquivísticas que é a seleção e avaliação dos documentos.

2. Biblioteconomia

 Advis por dresser une bibliothèque (1627) Gabriel Naudé: manual importantíssimo na área da Biblioteconomia, sendo Gabriel Naudé um expoente da biblioteconomia francesa;

 A classification and subject index, for cataloguing and arranging the books and pamphlets of a library (1876) Melvil Dewey: a opção por este manual se dá por conta da caracterização do espírito iluminista com o acirramento do espírito ciêntífico demonstrado na busca por arranjos mais elaborados. Esta obra antecipa talvez o mais reconhecido código de classificação de todos os tempos “Dewey Decimal Classification”;

 Manuais IFLA (2001; 2008) - Guidelines for a collection development policy e using the conspectus model e Gifts for the Collections: Guidelines for Libraries: o objetivo é captar o espírito contemporâneo do ato colecionador na Biblioteconomia através de manuais contemporâneos a exemplo do que ocorre com a Arquivologia e Museologia neste trabalho.

3. Museologia

 The First Treatise on Museums: Samuel Quiccheberg's Inscriptiones, 1565 (Texts & Documents) (1565): talvez o primeiro registro em forma de manual sobre museus no mundo. Possui uma notável influência em todo o mundo e o mais importante produzido no auge do colecionismo e renascimento europeu;  Museographia Oder Anleitung Zum Rechten Begriff Und Nutzlicher Anlegung

Der Museorum Oder Raritaten-kammern: Darinnen Gehandelt Wird I. Von Denen ... (1727) Kaspar Friedrich Jencquel: manual importantíssimo para a museologia sobretudo por conta da aparição do termo museografia que inaugura um novo campo de pesquisa para a área. Importante fazer ressalva que frequentemente o autor desta obra aparece como Caspar Freidrich Neickel que é na verdade seu pseudônimo;

 Manual ICOM – Como gerir um museu ICOM (2004): a exemplo dos manuais anteriores este se encaixa no trabalho como um exemplo do ato colecionador contemporâneo. Importante ressaltar que para permitir certa coerência entre os manuais contemporâneos utilizados neste trabalho nos valemos de instituições congêneres, ou seja, que tenha abrangência internacional em suas respectivas áreas.

Uma vez apresentados os manuais que serão analisados no capítulo seguinte resta- nos fazer pequenas ressalvas que já foram pontuadas na identificação de alguns destes, mas que valem para o todo elencado. A primeira diz respeito à questão das datas de publicação de alguns dos manuais, pois alguns poderiam ser arranjados em períodos históricos diferentes. Contudo, o que se mostrar não é a relação cartesiana entre a publicação da obra e o período histórico e sim recuperar o espírito colecionista de determinada época que reverberou em cada uma das áreas. Dessa forma, o arranjo busca analisar objetos similares para possibilitar uma análise representativa de determinada época. Outra distinção importante a se pontuar se refere aos critérios de escolha de determinado manual em detrimento do outro. Evidentemente que haveria outras possibilidades de arranjo, mas o que se busca alcançar é o que de mais representativo do ato colecionador em cada período abordado possa se apresentar. Para tanto buscou-se referência em artigos que abordam a influência destes autores para cada uma das áreas e, no caso dos manuais “renascentistas” a referência mais remota encontrada em cada uma das

áreas que fosse digna de relevância (citada por outros autores da área e detentora de certa influência no campo). No caso dos manuais “iluministas” a referência é a influência e relevância que estes manuais tiveram para o desenvolvimento de seus respectivos campos científicos para além do aprimoramento de melhores práticas nos arquivos, museus e bibliotecas. Dessa forma, foram escolhidos: Dewey para a Biblioteconomia, o Manual dos Arquivistas Holandeses para a Arquivologia e a Museografia (que inaugurou o termo à época) do Jencquel (Neickel). Em relação aos contemporâneos a ideia foi buscar as instituições internacionais de cada uma das áreas que notoriamente exercem grande influência em suas áreas de atuação. Assim, espera-se que os caminhos para a análise dos manuais, tendo como referência o ato colecionador, estejam abertos no capítulo que segue.

4 REPRESENTAÇÕES DO COLECIONISMO E DO COLECIONAR

Tendo apresentado as bases para a análise dos manuais parte-se para a efetiva tarefa de estudo dos mesmos. Porém, antes de proceder ao exercício da compreensão da representatividade dos manuais frente ao seu tempo e contexto cabe definir alguns parâmetros de análise para os mesmos. Dessa forma, apresenta-se as referências norteadoras para análise dos manuais tendo como fundamento os conceitos apresentados sobre o colecionismo (mais precisamente do ato colecionador) e os aportes epistemológicos fundamentais pontuados no capítulo 2 (dois) deste trabalho:

 Buscar definições de coleção ou colecionismo no intuito de estabelecer comparações entre os manuais no que diz respeito à sua concepção de coleção e/ou de colecionismo dependendo do caso;

 Avaliar critérios de seleção dos objetos que possam compor as coleções, pois dessa forma pode-se perceber qual a concepção de formação (origem) da coleção é trabalhado pelo manual;

 Avaliar, quando possível, critérios de acesso à coleção, pois dessa forma busca-se a noção do ato colecionador em relação ao contexto social dos bens, ou seja, coleciona-se para quem?

 Por fim e não menos importante busca-se a percepção dos arranjos destas coleções, pois o arranjo diz muito sobre o ato colecionador no que diz respeito às possibilidades de acesso e concepção categórica do “conhecimento” (ou potencial de) colecionado.

Benzer Belgeler