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4. BATARYALAR

4.2. Ni-Cd Bataryalar

A grande área das ciências sociais no Brasil, à qual a comunicação está afeta, teve sua institucionalização dividida em dois períodos: o primeiro de 1930 a 1964 e o outro de 1964 ao período recente, o que, de acordo com Miceli (2001, p. 91), estaria vinculado ao: “[...] impulso alcançado pela organização universitária e [...] à concessão de recursos governamentais para a montagem de centros de debate e investigação que não estavam sujeitos à chancela do ensino superior”.

Consideramos importante fazer algumas considerações preliminares sobre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão criado em 1951, no segundo governo de Getúlio Vargas, com a denominação de Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, e que vem, desde então, atuando para o desenvolvimento da pesquisa e da pós-graduação no país. Na ocasião, teve como seu primeiro secretário-geral o professor Anísio Teixeira e objetivava “[...] assegurar a existência de pessoal especializado em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos empreendimentos públicos e privados que visam o desenvolvimento do país”. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2015a).

A Capes desempenhou papel importante no desenvolvimento da pesquisa e da pós-graduação brasileiras. Em 1965 eram 38 cursos de pós-graduação reconhecidos no país, sendo 27 de mestrado e 11 de doutorado, em diversas áreas do conhecimento, que ganharam regulamentação com o Parecer nº 977 daquele mesmo ano. Atualmente, os programas reconhecidos pela Capes são 3.667 e estão assim distribuídos pelas regiões do País: Norte 168, Nordeste 720, Centro-Oeste 317, Sudeste 1678 e Sul 784. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2015a).

A instituição ganhou papel relevante na formulação das políticas de pós- graduação, com “[...] novas atribuições e meios orçamentários para multiplicar as ações e intervir na qualificação do corpo docente das universidades brasileiras”. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2015a).

Nos anos 80 do séc. XX a Capes é reconhecida como órgão responsável pela elaboração do Plano Nacional de Pós-Graduação Stricto Sensu e como agência executiva do Ministério da Educação e Cultura junto ao Sistema Nacional de Ciência

e Tecnologia, “[...] cabendo-lhe elaborar, analisar, acompanhar e coordenar as atividades relativas ao ensino superior”. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2015a).

As tabelas de áreas do conhecimento foram criadas com “[...] finalidade eminentemente prática objetivando proporcionar aos órgãos que atuam em Ciência e Tecnologia, uma maneira ágil e funcional de agregar suas informações” (SOUZA, 2004, p. 6), além de possibilitar

[...] o mapeamento criterioso e confiável do desenvolvimento de C&T para atender a diferentes perspectivas de demandas e interesses específicos de informação é considerado de importância inquestionável para gestores e administradores de C&T. (SOUZA, 2004, p. 3).

A tabela de áreas do conhecimento faz uma:

[...] hierarquização em quatro níveis, do mais geral ao mais específico, abrangendo nove grandes áreas nas quais se distribuem as 48 áreas de avaliação da Capes. Estas áreas de avaliação, por sua vez, agrupam áreas básicas (ou áreas do conhecimento), subdivididas em subáreas e especialidades. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2014).

De acordo com a tabela de áreas do conhecimento da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (TAC/Capes) a comunicação constitui uma área do conhecimento que se encontra institucionalmente vinculada à grande área das ciências sociais aplicadas I (CSA I), juntamente com as ciências da informação e a museologia. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2015b).

Na referida tabela, a área de conhecimento da comunicação, tem 13 subáreas (Quadro 5):

Quadro 5 – Área de conhecimento da Comunicação – CAPES/CNPq

Código 60900008

Grande Área: Ciências Sociais Aplicadas Área do Conhecimento: COMUNICAÇÃO

60901004 TEORIA DA COMUNICAÇÃO 60902000 JORNALISMO E EDITORAÇÃO 60902019 TEORIA E ÉTICA DO JORNALISMO 60902027 ORGANIZAÇÃO EDITORIAL DE JORNAIS 60902035 ORGANIZAÇÃO COMERCIAL DE JORNAIS

60902043 JORNALISMO ESPECIALIZADO (COMUNITÁRIO, RURAL, EMP. CIENTIF.) 60903007 RÁDIO E TELEVISÃO

60903015 RADIODIFUSÃO 60903023 VIDEODIFUSÃO

60905000 COMUNICAÇÃO VISUAL 61201006 PROGRAMAÇÃO VISUAL 61202002 DESENHO DE PRODUTO Fonte: CAPES, 2015.

Como pode ser observado (Quadro 5), há uma única subárea para relações públicas e propaganda, para a qual não são apresentadas subdivisões de acordo com as especificidades de cada uma. O que se constitui um paradoxo em relação à realidade do mundo acadêmico, caracterizado pela segmentação e a alta especialização dessas subáreas, semelhante ao que acontece no mercado de trabalho.

A tabela de áreas do conhecimento, em vigor desde 1973, estava sendo avaliada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2005, que convidou a Compós a participar da discussão que visava a formular uma proposta de uma nova tabela para uso de todas as agências de fomento, já que a que estava em vigor não mais correspondia “[...] à realidade dos campos do conhecimento instituída no país”. (REIS, 2009, p. 44).

Ampla discussão deu-se nos fóruns acadêmicos e uma proposta para a criação de uma subárea que contemplasse a comunicação organizacional foi encaminhada à Compós e, como descreve Reis (2009, p. 44):

[...] a certa altura das discussões, desapareceu, da proposta da Compós para a área da Comunicação, a subárea que, sob qualquer rótulo que fosse, fizesse referência à produção de conhecimento específico sobre comunicação das/nas/no contexto das (práticas das) organizações (empresariais, governamentais/do terceiro setor). A direção da Compós, à época, afirmou ter sido um lamentável lapso.

Kunsch (2009c, p. 52) defende, entretanto, que, essas subáreas têm “[...] adquirido um status de institucionalização acadêmica no panorama mundial” e que “[...] possuem um corpus de conhecimento com literatura específica, teorias reconhecidas mundialmente, cursos de pós-graduação (lato sensu e stricto sensu), pesquisas científicas etc”. Isso significa que o processo de institucionalização precisa ser complementado com a inserção dessa subárea na TAC das agências de fomento. De acordo com dados da relação de programas de pós-graduação em comunicação reconhecidos pela Capes (ANEXO B), são 46 os programas42 no Brasil,

42 Esses programas oferecem cursos de mestrado acadêmico, doutorado e mestrado profissional.

nos níveis de mestrado, doutorado e mestrado profissional, que estão presentes em todas as regiões do país, vinculados a instituições de educação superior (IES) públicas e privadas, mantendo linhas de pesquisa que são atualizadas com o objetivo de acompanhar e contemplar novos objetos, problemas e perspectivas de pesquisa dessa área do conhecimento na contemporaneidade.

A pesquisa na área da comunicação no Brasil começou a se constituir a partir da criação dos programas de pós-graduação, do surgimento das associações científicas e das instituições de fomento à pesquisa que tiveram o importante papel de sistematizar, normatizar e criar meios de comunicação científica e instâncias de legitimação do conhecimento produzido, respeitando as normas elaboradas no interior da própria área.

Podemos também, com base em Lopes (2003a), inferir que a institucionalização da área ocorre paralelamente à crescente aceitação de seu estatuto transdisciplinar, da visão que busca ultrapassar os limites entre especialidades muito fechadas e hierarquizadas na direção da consolidação de discursos e práticas acadêmicas e sociais que deem conta de produzir explicações profundas, pertinentes e consistentes para os problemas apresentados, a cada período de forma mais complexa.

Sobre a transdisciplinaridade, Martín-Barbero (2004, p. 220) afirma que “[...] no estudo da comunicação não significa a dissolução de seus objetos nos das disciplinas sociais, mas a construção de articulações [...]”, que são muitas vezes resultantes dos “diálogos” com autores de outras áreas do conhecimento necessários à compreensão dos objetos do campo.

Ainda de acordo com o documento de área da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (2013), a comunicação apresenta os seguintes números de titulados. (Quadro 6).

Quadro 6 – Titulados da área da Comunicação

PERÌODO DOUTORADO MESTRADO

1996- 1997 109 290

1998- 2000 246 817

2001- 2003 455 1.398

2004- 2006 486 1.169

2010-2013 _ _

TOTAL 1.719 4.991

Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 2015a

Observamos que os dados revelam o crescimento da pós-graduação da área de comunicação até o ano de 2009, conforme dados apresentados no Documento de Área da Capes - 2013.

No tópico seguinte focalizaremos especificamente na pesquisa e pós- graduação em comunicação organizacional e relações públicas.

Benzer Belgeler