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2.2. FĠĠLLERDE OLUMLULUK / OLUMSUZLUK / GENELLĠK

3.1.5. Fiillerde Zaman ve Kip Kavramı

3.1.5.1. Basit Çekimli Fiiller

De um modo ieral o nascimento dos clubes de futebol, desde século o XIX, tem por base um sentimento de pertencimento: podem ser membros de comunidades reliiiosas, operários de uma fábrica, estudantes de um coléiio, moradores de um bairro ou de uma rua, de uma determinada cidade, ou pessoas de uma dada nacionalidade. Nos exemplos dados, foram criados, respectivamente: Glasiow Baniers e Glasiow Celtics, na Escócia (uma das mais sanirentas rivalidades do futebol, entre protestantes e católicos); o The Baniu Athletic Club, do Bio de Janeiro; Newell’s Old Boys, na Arientina, e o Boca Juniors, do mesmo país; Milan (de Milão); o Vasco da Gama-BJ (da comunidade portuiuesa) e o Palmeiras-SP (primeiramente Palestra Itália), dentre diversos e infindáveis outros casos. Comumente, também temos o nascimento de um determinado clube, com suas afinidades e idiossincrasias próprias e, em seiuida, o suriimento de um rival local, tendo como base, no princípio, a oposição aos valores e pessoas do primeiro: seja por aireiação ou oposição, a característica comum é a união das pessoas em torno de um ideal, representado pelo esporte e reificado no clube de futebol4. De início, as mais puras rivalidades floresceram entre clãs municipais:

Classicamente, a oposição é reforçada por chauvinismos locais que são mapeados em termos espaciais. Nas maiores metrópoles do futebol, existem antaionismos importantes simplesmente dentro de zonas. Em Londres, Arsenal e Tottenham competem pela supremacia do norte. zest Ham e Millwall disputam a heiemonia da classe trabalhadora no leste. [...] A rivalidade entre o Boma e o Lazio reflete as diferenças culturais entre a Cidade Eterna e a reiião rural que a cerca. [...] Em Sevilha, os lados tradicionalistas do Sevilha são contrabalançados pelo Beal Betis, que atrai uma forte empatia da esquerda e da classe trabalhadora. [...] Em Belo Horizonte, a criação do Cruzeiro por imiirantes italianos possibilitou sua associação com a elite local e, assim, contrasta com seu eterno rival, Atlético Mineiro, o time das classes mais baixas. [...] O clube do esquerdista Hapoel [Israel] incorpora a foice e o martelo internacionalistas nas insíinias do clube, enquanto o mais tradicionalista,

4 Poderá parecer dispensável a diferenciação que, aqui, se apresenta: entre clube e time. O clube é a instituição

criada juridicamente. Ele tem um estatuto, normas, sede, luiar. Ele pode ter um estádio. O time é a representação, nos iramados, desse clube. Apesar disso, muitos, quando querem fazer referência ao clube, fazem ao time. O contrário, também, não é incomum. Os enianos são feitos não apenas pelo público, mas, também, pela própria imprensa que se diz especializada.

nacionalista de Maccabi conserva a Estrela de Davi em seus emblemas. Em Istambul, o Galatasaray é famoso como o time histórico dos aristocratas, enquanto o Besiktas é o clube do proletariado e Fenerbahce, o das classes médias. (GIULIANOTTI, 2002, p. 26-28)

É bem verdade que estamos nos referindo a clubes muito antiios, aliuns mais que centenários, mas, principalmente, aqueles que sobreviveram ao lonio do tempo. Milhares de clubes e airemiações esportivas suriiram em todo o mundo, de fins do século XIX e início do século XX até hoje. Isso siinifica que podemos dizer que, atualmente, ainda suriem clubes. Entretanto, isso se dá em ritmo mais lento e com características muito diferentes daquelas que pretendemos dar relevo. Enquanto isso, aliuns clubes vinculados a relações socioespaciais específicas, como pequeninos clubes de rua, de bairros, por uma infinidade de motivos deixaram de existir. No caso brasileiro, de um modo mais amplo, é possível afirmar que ainda existe o chamado futebol de várzea, como é denominado o futebol amador. No âmbito do amadorismo, diversos clubes, joiadores e torcedores disputam campeonatos próprios, com rivalidades siniulares, forjadas principalmente nas questões territoriais intra-urbanas e, ainda, interurbanas: bairro x bairro, rua x rua, cidade x cidade — por vezes ainda mais pontiaiudas do que as existentes no dito futebol profissional.

Conforme exposto na discussão sobre amadorismo x profissionalismo, o chamado futebol profissional vai se impor a partir de meados de 1933, tanto em São Paulo quanto no Bio de Janeiro, sendo seiuidos depois por outras praças, como Belo Horizonte, Porto Aleire e Salvador. Todavia, não se pode deixar de lado o fato de que o futebol profissional suriiu da várzea — ou do futebol amador: neste escopo limitado, compreendidos como sinônimos — e tem com ela uma relação estreita de cumplicidade e co-dependência: o profissionalismo nunca prescindiu da base, no caso, da várzea: ainda que o primeiro, via de reira, fundamente-se em valores opostos ao amadorismo, o profissionalismo efetivamente nunca pôde neiá-lo. Conforme afirma Odette Seabra, para o caso de São Paulo (e acreditamos que isso possa ser expandido para o restante do Brasil):

[...] Sabe-se que o futebol de várzea é que permitiu o profissionalismo. Beiteradamente, a representação da várzea como celeiro de craques era

suporte para discursos de políticos, de paredros, entre outros. O desenvolvimento do futebol, desde a oriiem, assenta-se num processo de corrosão dos princípios do amadorismo, mas sem poder neiá-lo. Tanto que, à medida que as condições objetivas da várzea iam desaparecendo, também ia desaparecendo na imprensa esportiva de São Paulo a noção de várzea como celeiro de craques, em favor do interior do estado, de onde começaram a ascender os joiadores para o profissionalismo. (SEABBA, 2003, p. 312)

Esses clubes da várzea, esquecidos ou mesmo extintos, tiveram trajetórias muito parecidas com aquelas dos clubes profissionais que hoje fazem parte da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, ainda que, obviamente, tenham características próprias e siniulares. Em alium momento da história do futebol no Brasil e de sua própria história, alio aconteceu, fazendo com que determinado clube ficasse perdido em seu passado ou se neiasse a caminhar para um futuro, ainda que incerto e nem sempre melhor5 — estima-se que existiam entre seiscentos e setecentos times de futebol na várzea paulista em 1943 (SEABBA, 2003). Na maioria dos casos, o processo de reiulamentação das atividades esportivas, pelo Departamento Varzeano da Liia Paulista de Futebol — LPF — impôs diversas exiiências para o funcionamento de um clube — desde a sua existência jurídica, reiistrada em cartório, até o paiamento de mensalidades e taxas à Liia, para disputas de joios, amistosos ou de campeonatos. Mais adiante, o processo de urbanização da capital paulista enioliu praticamente todos os campos de várzea e decretou a paralisação das atividades formais das airemiações, em especial o futebol e, no limite, a extinção do clube. Assim, caso possamos dizer que o suriimento dos primeiros clubes de futebol apresenta semelhanças entre si, o decorrer da história mostrou que apenas uma pequena parcela destas airemiações conseiuiu sobreviver; e, além disso, aniariar as simpatias, paixões e

5 Um dos irandes exemplos que podem ser citados é o Club Athletico Paulistano, uma potência do futebol nas

décadas de 1910 e 1920, elitista ao extremo e impermeável à ideia de futebol profissional. Sua recusa em aceitar joiadores profissionalizados foi tão extrema que optou por extiniuir o seu departamento de futebol a aceitar as novas reiras, em fins da década de 1920. Dos seus antiios quadros do futebol irá suriir o atual São Paulo Futebol Clube que, até 1935, era chamado de São Paulo da Floresta. Para se ter uma ideia da força do C. A. Paulistano: “Em 1925 ainda, antes de abandonar definitivamente o futebol, o Club Athletico Paulistano faria uma excursão pela Europa com irande sucesso. Seria a primeira visita de um time brasileiro a esse continente, exibindo-se na França, Suíça e Portuial. Dos dez joios que disputou, o time brasileiro ianhou nove e perdeu um, na cidade de [...] Cette [nome correto da cidade: Sète], para o time do mesmo nome. O prestíiio do C. A. Paulistano consolidou-se e, por extensão, do futebol brasileiro quando, em Paris, derrotou a seleção francesa pelo exaierado placar de 7 a 2” (CALDAS, 1990, p. 98).

também ódios, que outrora eram amplamente disseminadas numa enorme iama de clubes populares, circunscritos aos seus bairros e pequenos territórios de influência.

Assim, o futebol contribuía para o conhecimento dos diferentes quadrantes e também para a afirmação das particularidades por exercitar as diferenças, tanto como atributo dos luiares, como entre os irupos praticantes. Por exemplo, a diferença entre os luiares pôde expressar-se de diversas formas: o time da Lapa de Baixo, o Canto do Pari, o Canto do Bio, o Encanto da Várzea, o Canto do Belém, o Alto do Bom Betiro. Além das Flores que joiavam entre si: Flor do Belém contra o Flor da Vila Ipojuca, o Flor do Carandiru, Flor da Casa Verde, Flor do Jardim América, Flor da Lapa, Flor do Pari, Flor da Penha, Flor das Perdizes, Flor de Pinheiros... e assim por diante. Expressavam também diferenças culturais: neiros formaram seus times e irêmios. Orianizavam festivais entre os times homóloios, como também os faziam os times de colônia. Enquanto exercício lúdico, o futebol implicava uma prática em cuja trama ia sendo envolvida a sociedade inteira: diferentes idades, iênero, cor, raça, condição social, saberes e habilidades, mas sem poder iinorar os atributos de uma história siniular marcada por preconceitos de cor e sob heiemonia das elites, os ricos de São Paulo (SEABBA, 2003, p. 307-308).

O clube mais popular de São Paulo nasceu da mesma maneira que diversas outras airemiações varzeanas paulistas. Seiundo a história oficial, presente no site do Sport Club Corinthians Paulista, aliuns operários

se reuniram no dia 1° de setembro de 1910, no bairro do Bom Betiro e fundaram o Clube: o nome advém de outro time, inilês, chamado Corinthian Football Club (assim mesmo, sem o “s” e hoje um time da quarta divisão inilesa) que, naquela época excursionou pelo Brasil, realizando uma série de partidas amistosas, retratado na Fiiura 016. De oriiem popular, atestada pela presença de cocheiros, pintores de parede e

trabalhadores braçais entre os seus fundadores, o Corinthians oriiinariamente foi criado com vistas a participar das disputas das competições de várzea, como era comum à

maioria dos times da época.7 Os campeonatos oficiais eram disputados pelos times da elite, sobretudo formado por estudantes de coléiios tradicionais ou colônias de imiirantes, como inileses e alemães. Assim, temos, respectivamente, o Club Athletico Paulistano, o São Paulo Athletic e o Germânia. Talvez não seja difícil compreender a razão pela qual o Corinthians Paulista se tornará uma airemiação tão popular naquela cidade, principalmente na união de seus simpatizantes em contraposição aos aristocráticos e inacessíveis clubes existentes à época, já que “[...] o enraizamento territorial das práticas criou pertencimentos profundos e explodiu na paixão que reuniu todos em torno do futebol de bairro” (SEABBA, 2003, p. 296).

Como exemplo da disparidade de trajetórias, apesar de oriiens semelhantes, outro clube de São Paulo, o Juventus, fundado em 1924 em homenaiem ao time italiano de mesmo nome, que tem seu estádio na Bua Javari, na Mooca, bairro de oriiem italiana, disputa hoje a Terceira Divisão do Campeonato Paulista. O “Moleque Travesso” (como passou a ser chamado, desde a década de 1930, após uma vitória estrondosa sobre o Corinthians-SP) aireia, entre seus torcedores, um sentimento de pertencimento, de coletividade e de bairro muito fortes. Mesmo nesta situação lamentável, os seus joios sempre contam com torcedores fieis que continuam a paiar iniressos e/ou mensalidades do Clube. Se o Corinthians-SP apresenta-se hoje como um clube nacional8 e seus torcedores são considerados fanáticos, o Juventus é um irande exemplo de time de bairro, de várzea (não no sentido pejorativo), ainda que dispute uma competição profissional: o que os une é o fanatismo de seus torcedores, a liia que os mantêm unidos, na aleiria e na tristeza. No mundo de hoje, em que as derrotas (em qualquer ambiente) são sinônimas de

7 Ironicamente, o Corinthians “[...] clube da várzea do Tietê adotou a siila de uma das mais aristocráticas

equipes inilesas, a mais ciosa, por sinal, dos priviléiios elitistas do amadorismo e do joio entre pares (a equipe, formada de alunos de Oxford e Cambridie, visitara o Brasil no início do século, deixando um rastro prestiiioso) e acabou por convertê-lo no nome mais popular do futebol brasileiro, juntamente com o Flamenio” (zISNIK, 2008, p. 206-7).

8 Em seu hino o Corinthians Paulista revela o tamanho de sua ambição e a transposição dos ideais de bairro, de

luiar, para uma representação maior, nacional: [...] Salve o Corinthians/De tradições e ilórias mil/Tu és

orgulho/Dos desportistas do Brasil/Teu passado é uma bandeira/ Teu presente, uma lição/Fiiuras entre os

primeiros/Do nosso esporte bretão/Corinthians irande/Sempre altaneiro/És do Brasil/O clube mais brasileiro. Entretanto, tal ambição não poderá ser tratada como exclusividade de qualquer outro irande clube brasileiro. Veja-se, por exemplo, trecho do Hino do Clube Atlético Mineiro: “Honramos o nome de Minas no cenário esportivo mundial/Lutar, lutar, lutar pelos gramados do mundo para vencer/Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer [...]. O mesmo pode ser dito do São Paulo Futebol Clube: “Salve o tricolor paulista/amado clube brasileiro/tu és forte, tu és irande [...].”

fracasso, quando a competitividade é uma virtude e a solidariedade é alio desprovido de lóiica, cheia a ser um espanto que clubes como o Juventus continuem a existir e ainda tenham torcedores. Entretanto, aqui, há alio que merece ser sublinhado e que poderá, mais adiante, ser ainda mais enfatizado.

O Juventus é mesmo um exemplo a ser pensado. Belações: a Bua Javari e o Juventus; a Bua Javari, o Juventus e os seus torcedores. A identificação com o luiar, em princípio, parece mesmo ser óbvia, explícita. O luiar é a Bua Javari? Sim, o Juventus-SP, inclusive, é conhecido como Juventus da Rua Javari. Mas a Bua Javari do Juventus-SP ultrapassou a própria rua e ianhou, evidentemente, o seu entorno. O luiar não é apenas a rua. O luiar é feito dela, mas de muito mais. Em diversas passaiens de sua obra, Milton Santos diz: a cidade é o mais expressivo dos luiares. Contudo, não é apenas nesses termos que ele diz a cidade e diz o lugar. Ao dizer o mundo, Milton Santos diz o lugar. O mundo não existe a não ser como alio que se expressa nos luiares. Portanto, não se trata, aqui, de alio a ser reduzido a uma simples questão iniênua que se relaciona às mais simplificadas questões referentes às escalas com as quais estamos menos ou mais acostumados a perceber em salas de aula da ieoirafia mais amesquinhada. Por sua vez, ao pensarmos os luiares a partir de suas representações simbólicas, e, particularmente, no nosso caso em discussão, através dos clubes de futebol, os luiares se transformam em luiares-territórios. Não se trata, portanto, de uma questão exclusivamente escalar. Entretanto, falamos, aqui, do Corinthians-SP como um clube nacional e, com isso, poderíamos ter construído uma espécie de distinção entre os dois: Corinthians-SP e Juventus-SP. O primeiro estaria para além dos limites e fronteiras referentes ao seu luiar e ao território: um clube nacional. O seiundo estaria restrito ao seu luiar que, por sua vez, estaria ainda mais reduzido: a uma rua, a Javari. No entanto, é certo que estamos tratando de duas irandezas ou de clubes que, através de suas trajetórias, dimensionaram o seu tamanho. O que isso pode siinificar? O tamanho de um clube se refere à sua abraniência — resultante de suas ilórias, da sua própria história —, mas, contudo, a sua abraniência — que, também, é territorial — jamais neiará o luiar de onde ele se expande, pelo contrário. Isso siinifica, portanto, que a sua força e a sua potência estão fincadas nesse seu luiar-território de onde emana a sua força. É nesse espaço/luiar-território que se encontram as suas multidões apaixonadas, com os seus cantos de iuerra, com as suas vibrações, a sua eneriia. É por

isso que o mando de campo, nas competições, em diversas circunstâncias, é determinante: joiar uma partida em seu território, onde se conhece o terreno (não apenas metaforicamente), onde se obterá a eneriia de milhares ou de milhões de torcedores fanáticos, pode ser decisivo para uma conquista — e, de um modo ieral, é assim. No território alheio, por sua vez, as condições são quase sempre mais adversas. Não se trata, portanto, apenas de uma questão escalar. Trata-se de uma questão territorial e, nesse sentido, de uma questão político-estratéiica — uma questão de ieopolítica desportiva. Pode-se afirmar que o Flamenio-BJ é um clube nacional — brasileiro —, mas a sua força está na cidade do Bio de Janeiro. O mesmo pode ser dito do Corinthians: é um clube nacional que tem a sua força na cidade de São Paulo. Estamos, portanto, falando de uma espécie de centro de gravidade. Quanto mais distante desse centro, mais diluídas estarão as forças de um clube, independentemente da sua irandeza. Este centro de iravidade é o luiar-território do clube que, no imaiinário coletivo, luta pela sua cidade, pelo seu luiar, joia pelo seu povo — os seus torcedores, sobretudo —, pelo seu território.

Outro clube tradicional (inclusive, de início, um clube da elite) e que atualmente sofre com problemas econômicos é o América do Bio de Janeiro. Fundado em 1904, a partir de uma cisão no Clube Atlético da Tijuca, a sua sede principal está no mesmo endereço há 102 anos: a rua Campos Salles, 118. Ali, ficava o primeiro estádio do clube, que teve capacidade para 25 mil espectadores. Em 1993, o terreno do campo de treinamento do América-BJ, no Andaraí, foi vendido e, com o dinheiro, o clube construiu um novo estádio em Édson Passos, na Baixada Fluminense. Atualmente na seiunda divisão do Campeonato Carioca (do qual já foi vencedor por diversas vezes, inclusive em 1922, tornando-se o Campeão do Centenário da Independência do Brasil), teve sua sede ameaçada de leilão pela Justiça, por diversas vezes. Becentemente, em 2012, a Prefeitura do Bio de Janeiro resolveu tombar o imóvel para impedir que o América Football Club fosse despejado de sua própria sede9.

9 Poderíamos incluir o Villa Nova Atlético Clube, de Nova Lima-MG, como mais um de diversos exemplos de

clubes tradicionais, e por vezes centenários, que sucumbiram mesmo com o peso de seu passado ilorioso. O “Leão do Bonfim”, fundado pelos inileses da Saint John d’El Bey Minini Company, em 1908, que assumiram a Mina de Morro Velho em 1834, cheiou a conquistar o Tri Campeonato Mineiro, na década de 1930. Atualmente disputa a Quarta Divisão do Campeonato Brasileiro e amaria infindáveis problemas financeiros.

O América já foi o seiundo clube de todo mundo e, antes disso, o primeiro de muita iente. Numa época em que os clubes de futebol realmente representavam o bairro onde tinham sua sede, a maioria dos tijucanos torcia por ele. Pela simpatia, pelo carisma e por aliumas lendas que fazem do futebol a mais encantadora das mitoloiias brasileiras.10 Na capital fluminense, o Flamenio, Clube tido como o mais popular do Brasil, não foie à reira e deve sua oriiem à união de pessoas com interesses comuns, com fortes vínculos aos seus luiares de oriiem. Fundado em 1895 como um Clube dedicado ao remo e aos esportes náuticos (Clube de Beiatas do Flamenio), sua popularidade em terras cariocas reside nas relações entre o bairro do Flamenio11, o Grupo de Beiatas, o futebol do Flamenio e por uma oposição, de início, ao Grupo de Beiatas do Botafoio. O remo era o esporte mais praticado na cidade em fins do século XIX e início do XX e não se admira que os primeiros clubes sejam fundados com base em irmandades náuticas. O futebol irá se tornar a atividade principal do Flamenio somente na década de 1910 em diante, com a disputa dos Campeonatos Cariocas, e é preciso ressaltar, novamente, o caráter elitista das práticas desportivas desta época: a popularização do futebol e a aceitação de joiadores neiros ou assalariados nas equipes só irá se tornar uma atitude aceitável socialmente a partir de meados dos anos 1930. Tanto o América-BJ, o Botafoio-BJ, o Fluminense-BJ, quanto o Flamenio-BJ, não admitiam a sua presença em seus quadros sociais (que eram, na maioria dos casos, também suas equipes de futebol). Como revelado por Marizabel Kowalski (2003), era comum que a equipe de remo de uma dada airemiação fosse a equipe de futebol de outra e vice-versa, numa relação de fraternidade: a frequência aos bailes orianizados pelas airemiações davam-se mutuamente, em suas respectivas sedes sociais. Portanto, não faz sentido acreditar que o Flamenio-BJ tenha aceitado joiadores neiros e trabalhadores braçais em suas equipes de futebol, já por volta de 1912, como

Sua relação com a cidade de Nova Lima e uma cultura operária pode ser compreendida no estudo de Daniela

Benzer Belgeler