3.4. Bartın Mutfağında Tüketilen Bazı Bitkiler
3.5.5. Salata Ve Mezeler
3.5.5.2. Bartın’da Üretilen Salata ve Mezelerin Standart Reçetelendirilmesi
Passadas duas semanas após a última reunião de coleta de dados nos encontramos novamente com os docentes, agora com a finalidade de devolver a eles a análise de todo o material que tínhamos até então, validando nossas observações e ainda, se necessário fosse, acrescentando outros dados provenientes da discussão desencadeada nesta oportunidade. Este aspecto também faz parte da metodologia de pesquisa-ação, proposta por Thiollent (1998) quando se possibilita aos envolvidos no estudo o conhecimento da direção que está seguindo, podendo reconsiderar algumas opiniões e ações delineadas.
Nesta ocasião participou um maior número de docentes, totalizando 16, sendo que alguns deles não haviam participado dos encontros anteriores, o
que não impediria sua contribuição neste momento, conforme apontamos no desenho metodológico e serviria até mesmo de uma oportunidade para que pudessem se envolver nas discussões, dado que o tema diz respeito à todos.
A fim de mobilizar os presentes, fizemos então, uma breve retrospectiva acerca da proposta do estudo e, a seguir, projetamos um relato, sob a forma de uma história que estava sendo contada para alguém, de todo o nosso percurso, desde as razões que nos motivaram a escolha do tema, a etapas que se seguiram até o presente momento (Apêndice D). Nela apontamos sucintamente os principais pontos analisados, sob o nosso olhar, encontro por encontro, além de uma reflexão um pouco mais abrangente que permitiu inclusive assinalar os assuntos que foram enfocados pelo grupo, procurando dar à ele feedback sobre o seu processo de construção de tomada de consciência relativo aos fundamentos éticos-humanistas, que se apresentaram nas reuniões desencadeadas por este estudo.
Considerando que as questões que observamos em cada encontro já foram apresentadas nos itens anteriores, trazemos na seqüência, uma análise mais global, enumerando as características que foram constantes em todos os encontros, tal e qual o fizemos para os presentes.
Características gerais
O grupo nem sempre segue as consignas dadas pela pesquisadora e acompanha seu próprio curso, refletindo o seu movimento de prolixidade nas discussões, além de saírem do tema com freqüência, embora alguns membros, ocasionalmente, o alertassem para o cumprimento da tarefa.
Em todos os encontros há um movimento individual dentro de grupo, não havendo um processo coletivo de construção. Parece que as pessoas começam se dar conta disto, ou seja, há partes e opiniões individuais que estão tentando se somar e, no entanto, não há conformidade de idéias, cada um continua interessado na sua parte. Não houve um exercício conjunto em discutir, em aproveitar a
oportunidade do que cada um tinha pensado em termos dos símbolos escolhidos no sucatário, talvez em decorrência do movimento de algumas pessoas que se sobrepõe às demais.
Falta clareza e consenso em relação ao referencial ético-humanista; a concepção é pulverizada, necessitando de instrumentação sobre esse tema.
Especialmente nos 1° e 2° encontros ficou bastante evidente a autoridade dentro do grupo, que discutiu o poder e liderança; observamos que no momento em que determinadas pessoas falam outras não falam, parecem constrangidas em dar sua opinião. No 3º encontro quando alguns membros não estavam presentes, muita coisa foi dita e pessoas que quase não se manifestam o fizeram mais.
Houve alguns impactos em todos os encontros, fato que nos leva a questionar se nossas relações não estão carecendo de alguns cuidados voltados aos princípios ético-humanísticos.
Foi abordada, especialmente no 3º encontro, uma certa insatisfação quanto à sobrecarga de trabalho, muita demanda para poucos docentes assumirem tantas tarefas ligadas à academia, especialmente sinalizando que as atividades da FEN/UFG aumentaram sensivelmente.
Um outro dado verificado é que quase não temos espaços de discussão em grupo, favorecendo que os encontros destinados a coleta de dados fossem transformados em momentos de trocas necessárias entre seus membros. Entretanto, temos a convicção que discutimos questões férteis e importantes a serem aproveitadas em outras ocasiões.
Os encontros propiciaram visibilidade ao movimento do grupo, facilitando se perceber como ele funciona. Neste sentido, foram altamente significativos, embora reconheçamos que esse não era o objetivo central da nossa pesquisa.
Houve muitos momentos esclarecedores, no decorrer das discussões, onde percebemos a necessidade do grupo em retomar alguns objetivos do estudo ou especificamente de determinado encontro, quanto à metodologia ou apenas fazendo a leitura pontual do que estava ocorrendo naquela ocasião.
Observamos durante os encontros alguns aspectos impulsores e restritivos que influenciavam de alguma forma o encadeamento das discussões. Salientamos, durante a exposição que, os aspectos negativos podem ser exatamente aqueles que mais o ajudam a crescer, ou seja, os pontos mais saudáveis para o seu crescimento grupal. Explorando essa questão, de outra maneira, podemos dizer que as situações que mais trouxeram desconforto são, possivelmente, onde se encontram suas maiores dificuldades, podendo representar os pontos de resolutividade dos conflitos além de favorecer o aprendizado sobre ele mesmo.
A descrição a seguir visa facilitar a compreensão de como a tomada de consciência dos princípios ético-humanistas foram sendo construídos no seio desse grupo, bem como esse processo interferiu no desenvolvimento dele mesmo, enquanto entidade própria.
Aspectos impulsores
Percebemos que este grupo faz um grande esforço para a organização da sua aprendizagem, sem se dar conta disto. Não fosse assim, não conseguiríamos reunir um grupo de professores, enfrentando-se na busca de cumprir o objetivo da mudança curricular, tema diretamente relacionado ao nosso estudo, num bom nível de discussão como o que vivenciamos, movimento este diferenciado em toda a nossa universidade.
Os docentes reconhecem algumas de suas dificuldades e limitações, solicitando inclusive algum tipo de suporte, como por exemplo, outros encontros que visassem minimizá-los ou aprender sobre eles.
Parece ser um grupo que não tem receio do contato, mesmo que for desgastante e/ou conflitante, pois não deixa de comparecer aos chamados para as discussões, apesar de que este comportamento nem sempre é comum entre todos os seus membros. Na nossa visão este é um excelente sinalizador, pois ele possui, na sua essência, movimentos de enfrentamento diante das dificuldades.
Podemos refletir que o que sustenta de certa forma esta dinâmica, como força impulsora é o afeto, a resiliência e tolerância, porque apesar de não haver concordância em alguns aspectos profissionais, há um
movimento de cordialidade nos contextos sociais. Isto tem um valor, que nos parece que o próprio grupo não tem consciência dele. Diferentes correntes convivem bem. O confronto não neutraliza as relações afetivas existentes no grupo. Tudo isso pode advir pelo fato de ser um grupo heterogêneo, pois é composto por professores oriundos de várias partes do país, com formações distintas, em razão das diversas procedências acadêmicas. Quanto mais heterogêneo mais trabalhoso, mas também muito mais potencialmente criador e de idéias mais valiosas.
Do ponto de vista afetivo, não notamos grandes divergências, pois nos encontros sociais há uma grande aderência e convívio harmonioso, inclusive, envolvendo as famílias também nos espaços familiares. Percebemos, nesse sentido, um movimento muito próprio e salutar neste grupo.
Aspectos restritivos
Há uma grande dificuldade em constituir, construir e desconstruir, especialmente enquanto atividade grupal, no desprendimento de pontos de vista próprios, em considerar ou desconsiderar o do outro de forma natural, sem o receio de magoar as pessoas.
No coletivo as relações não estão permitindo que se avance em elaborar algo grupal. O grupo deixa muitas vezes a tarefa em função dos entraves sublineares. No individual, as tarefas fluem e, no entanto para uma composição coletiva aparecem as dificuldades.
Observamos evidentes problemas de comunicação, falta de objetividade na defesa de pontos de vista e a já citada prolixidade, a qual pode
impedir uma maior atenção nas mensagens emitidas pelos colegas, em situações coletivas.
A autoridade, assim como o poder presente no grupo, mesmo que nas entrelinhas, estão gerando os impactos e insatisfação no trabalho. Há conflitos latentes e complexos de serem abordados.
Dificuldade para lidar com os conflitos. Algumas relações fragilizadas não estão permitindo que se eles sejam enfrentados.
Diante de tudo isso, cabe-nos confessar que, por vezes, ficávamos com algumas inquietações, chegando a nos questionar: - se deveríamos seguir as necessidades do grupo, no sentido de clareamento dos seus próprios movimentos e dificuldades; - ignorar estes aspectos; - verticalizar as discussões com vistas a atingir rapidamente os objetivos da pesquisa. Esta sensação foi se dissipando à medida que fomos compreendendo o momento do grupo e suas possíveis necessidades, além da convicção do papel esperado para um coordenador de grupo, nestas circunstancias, aspectos bastante discutidos por estudiosos de processos grupais (RIBEIRO, 1994; ZIMERMAN, OSÓRIO, 1997; CASTILHO, 1998 e ANDALÓ, 2001).
Refletindo diante dessas observações parecia-nos cada vez mais evidente que, os docentes que estavam participando da pesquisa, não tinham a percepção das implicações dos movimentos interacionais dentro do grupo quando da execução de uma tarefa. E mais, que os entraves que estavam vivenciando durante os encontros, de certo modo, se assemelhavam ao processo de elaboração de tarefas conjuntas, como por exemplo, a construção de um projeto político-pedagógico onde as atitudes e posições pessoais e coletivas mantêm direta relação.
Desta maneira, decidimos que era mais importante conversar um pouco sobre como ele funciona, ou melhor dizendo, era necessário entrar em contato com os dilemas ético-humanísticos dentro do grupo, seus próprios entraves ético-humanistas, do que refletir teoricamente acerca disso. Estando muito mais voltado para suas próprias questões, houve o favorecimento em se manifestar, permitindo-se deixar emergir os conflitos no grupo, deixando de atender somente a conceitos teóricos sobre o referencial em debate.
A esse respeito somos continentes à idéia de que a dimensão experiencial não é superada pela racional, mas ao contrário, ao permitirmos entrar em contato com nossos impasses, damo-nos a chance de aprender e descobrir que algo diferente é possível. Embora a busca de significado seja um reflexo humano, “a compulsão para o significado muitas vezes afoga a própria experiência” (POLSTER, POLSTER, p. 34, 2001, grifo dos autores). Destacam que a apreensão da significância emerge das experiências que existem por si mesmas e então se projetam num significado natural e evidente que ajuda a interligá-las.
O grupo participando ativamente nesse processo, torna-se mais capaz de dar a cada experiência um novo contexto com novas aplicações próprias, sem a necessária busca de explicações teóricas. Consideramos, deste modo, que o movimento que propúnhamos era saudável e importante para a situação que estávamos vivenciando, na medida em que ao voltarmos para o atendimento de questões internas ou de transitar nos próprios dilemas éticos, estaríamos facilitando a instrumentação no avanço destas questões para a formação do enfermeiro.
Durante os encontros de coleta de dados parecia haver um empenho muito forte nos presentes em expressar sua compreensão sobre o referencial ético-humanista, quer seja por meio da sucata ou de exemplos extraídos da prática docente. Vimos, desta maneira que, embora a conceituação teórica não estivesse muito clara, o seu significado surgiu através de linguagem simbólica ou metafórica que propiciou o debate. Esse resultado confirma nossa experiência anterior ao trabalhar com outras técnicas de expressão que não somente a verbal, obtendo resultados significativos, como os desta ocasião (ESPERIDIÃO, TEIXEIRA, STACCIARINI, 1996; ESPERIDIÃO, 1999).
Cabe dizer também que nossa formação no âmbito da Gestalt- terapia facilitou compreendermos o processo de conscientização do grupo em relação ao tema que estava sendo debatido, dando-nos condição de aplicar o seu corpo teórico que se fundamenta em pressupostos filosóficos do humanismo, existencialismo e fenomenologia, dispostos na literatura desta abordagem (RIBEIRO, 1985, 1994, 1997, 1999; PERLS, 1988; BUROW; SHERPP, 1985; GINGER, 1995; HYCNER; JACOBS, 1997; POLSTER; POLSTER, 2001).
Quanto aos entraves do grupo em desenvolver uma tarefa de forma coletiva, parece que as forças que gravitam no seu interior emergem deixando transparecer a presença de poder e autoridade de um lado e omissão e recuo do outro. Desta forma, as iniciativas individuais que buscam o trabalho grupal se enfraquecem e este acaba sendo boicotado. Vimos assim, dois movimentos dentro deste grupo: o que está explícito e visível nos encontros e desencontros e outro o qual permanece nas entrelinhas, que às vezes emperra e cria