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Bandırma İlçesi Fidancılığının Teknik Durumu

Cumprindo um importante papel na reestruturação política e econômica imposta pelos interesses do capital aos países ditos periféricos, o BM através da venda e financiamento de projetos, especialmente nas últimas décadas, vem garantindo, sobremaneira, a concretização dos objetivos do governo americano, seu principal acionista - com cerca de 20% dos recursos alocados - historicamente detentor da presidência do Banco e um dos poucos países com direito a veto (SHIROMA, MORAES e EVANGELISTA, 2004).

Na verdade, o Banco Mundial tem se constituído em auxiliar da política externa americana. Para se ter uma idéia, cada dólar que chega ao Banco Mundial mobiliza em torno de 1.000 dólares na economia americana e cada dólar emprestado significa três dólares de retorno (idem, pp. 72-73).

Assim como já ocorria com o Fundo Monetário Internacional-FMI, os empréstimos e financiamentos de projetos, no âmbito do BM, foram vinculados a exigências de reformas dos sistemas político e financeiro, estendidas, posteriormente, ao educacional. A preocupação do BM com a educação vai estreitar-se a partir do momento em que esta passa a figurar como uma variante econômica, veículo de superação da baixa qualificação dos pobres, mecanismo de acomodação dos conflitos sociais e de erradicação da pobreza mundial, questões identificadas como prejudiciais ao movimento totalitário capitalista.

O diagnóstico realizado pelo Banco levou-o a firmar parceria com a Unesco, atribuindo à educação a missão de reverter o incômodo quadro existente e em vias de agravamento. Entretanto, como demonstram Leher (1998) e Mendes Segundo (2005), já de longa data a Unesco havia perdido para o Banco Mundial a gerência dos negócios educativos nos países periféricos do capitalismo. O BM, a seu turno, reorientara sua estratégia de atuação e sua percepção sobre a importância da educação. Leher lista alguns subsídios desta mudança:

A descolonização e a Guerra Fria, indubitavelmente, estão subjacentes à nova orientação. [...] McNamara reafirmou, em 1972, o propósito de “resguardar a estabilidade do mundo ocidental”. Nesta perspectiva, durante o seu mandato (1968-

1981), McNamara e os demais dirigentes do Banco, abandonaram gradativamente o desenvolvimentismo e a política de substituição das importações, deslocando o binômio pobreza-segurança para o centro das preocupações; é neste contexto que a instituição passa a atuar verdadeiramente na educação: a sua ação torna-se direta e específica (LEHER, 1999, p. 22).

Banco Mundial e Unesco uniram seus esforços para levar adiante um projeto de reestruturação da educação global, centralizada na resolução de conflitos sociais e no aumento da produtividade dos pobres (LEHER, 1998; FONSECA, 1998).

Nesse sentido, o BM e sua nova sucursal educativa, a Unesco, priorizaram a Educação Básica, que nas palavras do próprio Banco, ressaltadas por Shiroma, Moraes e Evangelista (2004, p. 75), “ajuda a reduzir a pobreza aumentando a produtividade do trabalho dos pobres, reduzindo a fecundidade, melhorando a saúde, e dota as pessoas de atitudes de que necessitam para participar plenamente na economia e na sociedade”.

Assim, contraditoriamente, a educação básica como nível de escolaridade foi avaliado como suficiente à adaptação do indivíduo à “sociedade do conhecimento”! Para esta etapa da escolarização o modelo pedagógico subscrito pode ser sintetizado no que Saviani denomina pelo lema do “aprender a aprender”, sobre o qual explicita:

O lema “aprender a aprender”, tão difundido na atualidade, remete ao núcleo das idéias pedagógicas escolanovistas. Com efeito, deslocando o eixo do processo educativo do aspecto lógico para o psicológico; dos conteúdos para os métodos; do professor para o aluno; do esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade, configurou-se uma teoria pedagógica em que o mais importante não é ensinar e nem mesmo aprender algo, isto é, assimilar determinados conhecimentos. O importante é aprender a aprender, isto é, aprender a estudar, a buscar conhecimentos, a lidar com situações novas. E o papel do professor deixa de ser o daquele que ensina para ser o de auxiliar o aluno em seu próprio processo de aprendizagem. (SAVIANI, 2007, p. 429). O modelo do “aprender a aprender” assumido pelo BM e Unesco tornou-se a referência pedagógica central das reformas educativas imputadas principalmente aos países periféricos do capitalismo, como é o caso do Brasil. Um dos documentos que retrata melhor a adesão a este modelo é o Relatório Jacques Delors (1998), elaborado por uma comissão oriunda da Conferência

Mundial de Educação para Todos e que estabeleceu os tão conhecidos quatro pilares da educação: aprender a ser, a fazer, a conhecer (ou a aprender) e a conviver, que deveriam dirigir o pensamento e a política educacional dos novos tempos.

Mais uma vez, reportando-nos a Saviani, este lembra oportunamente que

a exigência de educação ao longo de toda a vida para responder “ao desafio de um mundo em rápida transformação” (DELORS, 2006, p. 19) já se vinha impondo faz algum tempo, mas “só ficará satisfeita quando todos aprendermos a aprender” (idem, ibidem). Esse entendimento vai explicitando- se ao longo do texto, deixando claro qual seria o desiderato da escola: transmitir cada vez mais “o gosto e prazer de aprender, a capacidade de ainda mais aprender a aprender, a curiosidade intelectual” (idem, p. 19) (SAVIANI, 2007, p. 431). Vale lembrar que a Unesco, nas palavras de seu representante brasileiro anteriormente citadas, ao encomendar Os sete saberes a Morin, tinha entre seus objetivos “aprofundar a visão transdisciplinar de educação” que o Relatório Delors já vinha indicando. Sendo o texto de Morin, enquanto encomenda da Unesco, um aprofundamento do modelo educacional assumido para a escola do século XXI, perspectivada pela “sociedade do conhecimento”, não resta dúvida de que mesmo não exibindo igual teor, os Sete saberes comungam do mesmo espírito do Relatório Delors, tornando-se, igualmente, um importante veículo de propagação do ideário educativo da Unesco que, como vimos anteriormente, assumiu o projeto da educação voltada para o mercado, sua lógica e suas necessidades, como propunha o Banco Mundial, por sua vez, uma agência a serviço do projeto de reprodução do capital, não é demais insistirmos!.

3.5 Difusão da pedagogia do capital em crise: aproximações entre o

Benzer Belgeler