2. ZİNCİRLİK
3.2. Balb
3.3.3. Balbın Elemanlarının Montajı
Visto que o Pedido de Suspensão e o Agravo de Instrumento são vias independentes e autônomas entre si (capítulo 8), e que a decisão do pedido de suspensão vigora até o trânsito em julgado da ação principal, cabe, nesse momento, analisar a eficácia das decisões quando ambos os instrumentos forem intentados pela Fazenda Pública.
Em princípio, o resultado de um não atrapalha nem condiciona as futuras decisões a serem proferidas no outro, porém, os efeitos dessas mesmas decisões nem sempre são produzidos no plano fático. Em outras palavras, embora o conteúdo da decisão do relator no agravo não esteja atrelado ao entendimento da presidência, e vice-versa, a execução do provimento judicial posterior pode não ser possível.
Isso ocorre quando o Pedido de Suspensão é deferido, e o agravo de instrumento é julgado improcedente, confirmando os termos da liminar suspensa. Essa decisão, apesar de apreciar o mérito da demanda, não terá validade nenhuma, pois não atinge a suspensão ultra- ativa.
Da mesma forma, o pedido de efeito suspensivo no agravo restará prejudicado caso a suspensão já tenha sido concedida anteriormente pelo Presidente do Tribunal, fazendo
desaparecer o interesse de agir relativo ao pleito baseado no artigo 558 do Código de Processo Civil, cujo resultado torna-se absolutamente desnecessário.
Nessa orientação, Leonardo José Carneiro da Cunha leciona:
Deferido o pedido de suspensão pelo presidente do tribunal, o agravo de instrumento não fica prejudicado. O que se prejudica, com o deferimento do pedido de suspensão pelo presidente do tribunal, é o pedido de efeito suspensivo a que alude o art. 558 do CPC. É que, nesse caso, o pretendido efeito suspensivo passa a ser desnecessário, afastado o interesse processual em sua obtenção.201
O doutrinador complementa:
Ajuizado, inicialmente, o pedido de suspensão e vindo a ser acolhido, não o atinge nem lhe retira a eficácia da decisão que vier a ser tomada no agravo de instrumento, ainda que seja para negar-lhe provimento. Por sua vez, o provimento do agravo de instrumento não pode ser afetado pela eventual decisão do Presidente do tribunal que indeferir o pedido de suspensão de liminar.202
Dessa forma, o Pedido de Suspensão não condiciona o agravo de instrumento. Porém, caso seja concedida a suspensão pelo Presidente do Tribunal, a decisão que nega o efeito suspensivo no agravo de instrumento, ou ainda seu julgamento de improcedência, não retiram a eficácia do incidente, posto que o mesmo caracteriza-se pela ultra-atividade, valendo enquanto o processo originário não transitar em julgado.
7.10.5.1 A questão no Tribunal Regional Federal da 5a Região
Como apontado acima, a ultra-atividade no Pedido de Suspensão é medida desproporcional e indevida, posto que a eficácia da suspensão somente deveria perdurar enquanto a própria liminar ou sentença suspensa existisse. Vale dizer que o julgamento de eventual agravo de instrumento ou apelação prevaleceria sobre a suspensão do presidente do tribunal, devido à apreciação do merito causae nesses recursos. Apesar disso, a lei traz a regra
201 CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Op. cit., p. 286. (grifo do autor) 202 Ibidem, p. 286.
de que, enquanto o processo principal não transitar em julgado, a suspensão concedida com base no artigo 4º da Lei nº 8.437/92 deve ser mantida eficaz.
O Tribunal Regional Federal da 5a Região, em sentido contrário, fixou, na sessão plenária realizada dia 21 de agosto de 2002, orientação de que a decisão no agravo de instrumento prevalece sobre aquela de competência da presidência da Corte. Até mesmo decisões proferidas pelo relator devem, segundo esse entendimento, prevalecer em detrimento da suspensão deferida na suspensão de liminar. Veja-se sua transcrição:
- As decisões do Relator, da Turma ou do Pleno são judiciais, prevalecendo sempre sobre as decisões do Presidente em Suspensão de Segurança ou Petição de Presidência, que são de natureza administrativa ou política. - Prevalecerá a decisão do Relator, da Turma ou do Pleno mesmo que posterior à do Presidente.
- A Seção de Distribuição certificará nas Suspensões de Segurança e nas Petições de Presidência, a existência de Mandados de Segurança, Agravos de Instrumentos ou Medidas Cautelares referentes aos mesmos processos de origem.
Agapito Machado, em trabalho publicado na internet, defende o posicionamento isolado do Tribunal:
A propósito da utilização concomitante, pela Fazenda Pública, do pedido de suspensão de segurança de que trata a Lei 4.348/64 dirigido que é ao Presidente dos Tribunais Inferiores e do Agravo de Instrumento, o TRF da 5ª.Região fez muito bem decidir que havendo divergência nas decisões (p.e, Presidente do Tribunal suspende a segurança enquanto que o Tribunal ou Turma, no agravo de instrumento, não a suspende) prevalece a decisão proferida no Agravo de Instrumento porque de natureza jurisdicional, enquanto que a decisão fundada na Lei 4.348/64 tem natureza política.203
Entendemos, porém, que apesar dessa orientação ser elogiável, devido aos motivos já explanados, o Tribunal tratou de matéria que não é de sua competência, pois somente a União Federal pode legislar sobre processo204. Além do mais, essa orientação viola frontalmente a previsão do §9º do artigo 4º da Lei nº 8.437/92, que prevê a ultra-atividade da suspensão.
203 MACHADO, Agapito. A nova reforma do Poder Judiciário: EC nº 45/04. Jus Navigandi, Teresina, a. 9, n.
600, 28 fev. 2005. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6378>. Acesso em: 29 jan. 2006.
204 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Art. 22. Compete privativamente à União legislar
sobre I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho.
Ao apontar a prevalência da decisão tomada em agravo de instrumento em relação às decisões exaradas pela presidência da Corte, também se está ferindo o dispositivo que prevê a não vinculação, não subordinação, nem condicionamento entre o agravo de instrumento e o Pedido de Suspensão. Nesse sentido, Leonardo José Carneiro da Cunha:
Com o devido respeito, tal deliberação do TRF da 5a Região está
equivocada, por permitir que uma decisão de relator ou de turma desfaça decisão proferida por seu presidente, usurpando a competência do Pleno do Tribunal. Ademais, o §6º do art. 4º da Lei 8.437/1992 dispõe, expressamente, que não há vinculação, subordinação nem condicionamento do agravo de instrumento em relação ao pedido de suspensão.205
Não se está a negar todos os fundamentos que fazem da ultra-atividade uma regra absurda, mas o meio utilizado pelo TRF-5 foi completamente inadequado para afastar sua incidência. Melhor seria que os desembargadores, ao analisarem os recursos contra as decisões que estejam suspensas, declarassem, até de ofício, a inconstitucionalidade da regra do §9º, posto que, no direito brasileiro, a aplicação da lei somente poderá ser feita pelo Judiciário, tendo em vista sua compatibilidade com o texto constitucional.206 Ou seja, “o Judiciário somente se abstém de aplicar uma norma, quando apresenta contra ela algum vício de inconstitucionalidade”207. Além disso, essa estipulação viola o princípio da separação dos
poderes, visto que o Poder Judiciário assumiu função típica do Poder Legislativo208.
205 CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Op. cit., p 287, notas de rodapé. 206 Ibidem. p. 287, notas de rodapé
207 Ibidem. p. 287, notas de rodapé 208 Ibidem. p. 287, notas de rodapé