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Bakmakla Yükümlü Olunan K işiler

B- GENEL SAĞLIK SİGORTASI HAK SAHİPLİĞİNİN OLUŞTURULMASI 1- Sigortalılar İçin Ödenmesi Gereken Prim Gün Sayıları

6- Bakmakla Yükümlü Olunan K işiler

Como vimos na seção anterior, o RPG, objeto deste estudo, não tem finalidade de articular competitividades, mas de emancipar os conhecimentos a partir do coletivo, de propor narrativas em conjunto tanto do imaginário como de visões da realidade próxima. Jogos competitivos causam a separação, desde a infância, entre o hábil e o inábil. Os jogos cooperativos incentivam a que o hábil auxilie o inábil a se equivaler e a se integrar.

Jogos nos quais os participantes são eliminados ou deixados de lado são particularmente brutais por punir aqueles menos experientes ou hábeis promovendo sentimentos de rejeição ou de incompetência. Pior ainda, a eliminação efetivamente extingue a oportunidade de ganhos adicionais de experiência e aumento de habilidades. Jogos realmente cooperativos eliminam a eliminação e rejeitam por completo a concepção de dividir os jogadores em vencedores e perdedores (ORLICK, 1989:6).

Lévi-Strauss (1993:324) relata a experiência de Kennethy Read com os GahUku-Kama da Nova Guiné em que os indivíduos dessa sociedade aprenderam com missionários europeus a jogar futebol. Na apropriação do esporte pelos nativos, a busca pela vitória foi substituída pelo esforço em atingir um equilíbrio entre vitórias e derrotas. A intenção não é, ao final da partida, apontar um vencedor, mas assegurar que não haja perdedores. Enquanto o jogo constitui-se, normalmente, como processo disjuntivo, o ritual se faz de forma conjuntiva, isto é, busca-se a comunhão entre os grupos. No caso dos GahUku-Kama, a simetria estrutural do ritual é, portanto, transposta ao jogo, garantindo a harmonia (LÉVI-STRAUSS, 2008:48).

Jogos, tanto no formato de competição como no de cooperação, dispõem de regras e modos de atuar. Antes do surgimento da área de estudos da cultura do jogo ou ludologia, a teoria dos jogos da economia buscava conceituar as circunstâncias que definem o jogo em termos de regras e estratégias, sendo cooperativo ou competitivo.

Na teoria dos jogos, um jogo é definido como um tripé composto por um conjunto de jogadores, um conjunto de estratégias para cada jogador e um conjunto de “payoffs” para cada jogador. Os “payoffs” para cada jogador são uma função das estratégias que cada jogador escolhe. Por sua vez, as estratégias disponíveis para cada jogador dependem dos movimentos disponíveis para cada um deles, da sequência dos lances (a ordem em que os jogadores se movem) e da informação disponível antes da cada jogada. Chamo de regras do jogo o conjunto de jogadores, o conjunto de movimentos permitidos, a sequência dessas jogadas e a informação disponível antes de cada jogada. Essa definição é congruente com o uso comum da palavra “regra”, mas torna explícito que as regras incluem todas as características de um jogo, exceto seus “payoffs”. As regras incluem sobretudo o conjunto de jogadores, bem como o conjunto de estratégias disponíveis para cada jogador (TSEBELIS, 1998:98).

As normas sociais podem, portanto, ser vistas como regras deste mesmo jogo, o jogo social, e, estabelecendo as relações entre as formas de jogar com as conformidades que a sociedade apresenta, pode ser útil na elaboração de alternativas de ação dentro dos grupos e das comunidades. Se a escolha estratégica do jogador for a da atuação coletiva, cooperativa, o nível dos payoffs será consideravelmente alterado em relação à escolha competitiva, individualizada. Dentro do corpo social, o jogo político depende também de payoffs e estratégias. A

margem de ação do indivíduo ou dos grupos depende da relação destes com as instituições. A tendência, dentro de modelos capitalistas, é que ocorra também a acumulação de poder, isto é, uma capacidade maior de alguns grupos de direcionar as instituições de acordo com seu interesse. Essas sociedades são o reino da competição.

As regras do jogo político ou social regulam a relação entre: 1. Atores políticos. São exemplos as relações entre o governo e oposição e os artigos constitucionais que definem se é possível (sistemas parlamentares) ou impossível (sistemas presidencialistas) substituir a coligação no poder. 2. Atores institucionalizados. Os exemplos incluem as relações entre governos estaduais e federais, ou entre o legislativo, o executivo e o judiciário. 3. Atores institucionalizados e cidadãos individuais. São bons exemplos as leis tributárias e as definições dos direitos do homem e do cidadão que figuram em posição proeminente em toda constituição. 4. Cidadãos individuais. O direito à propriedade ou os regulamentos contidos no código civil e no código penal, bem como as convenções de coordenação social (como o período do horário de verão ou dirigir no lado direito da estrada) ilustram esse tipo de relação (TSEBELIS, 1998:99).

Neste ponto, chegamos à proposição, ainda não definitiva, de que as intersecções entre competição e cooperação bem articuladas e as suas interações podem trazer importantes contribuições para o desenvolvimento dos corpos sociais. A esses processos dialéticos e dialógicos podemos anuir o conselho de Morin (1999:201) de que o pensamento “deve recusar e combater a contradição, mas ao mesmo tempo assumi-la e alimentar-se dela”.

[...] a cooperação é um conceito aprendido no RPG de mesa. Este conceito está na estrutura essencial deste jogo. Não dá para jogar o RPG de mesa sem cooperação entre os jogadores. Ou melhor, pode até ser possível, mas o jogo perde a sua essência, então vira outro jogo (COSTA, 2008:9/10).

Costa defende a importância e validade do RPG em uma educação cooperativa baseada no modelo piagetiano que relaciona o processo produtivo com o pensamento produtivo. A vivência de conceitos por parte dos jogadores possibilita a sua maior compreensão. Costa acredita que, por esses motivos, a utilização do RPG em sala de aula, seja em qualquer disciplina, pode levar a um maior aprofundamento, à medida que “estes objetos de conhecimento possam ser vivenciados pelos personagens do jogo” (COSTA, 2008:72).

A prática da utilização de jogos em educação determina que a decisão sobre o uso de modelos cooperativos ou competitivos deve ser construída na contingencialidade:

Já trabalhei com grupos nos quais era importante valorizar a competição, visto que o excesso de cooperação, sentida até como obrigatória, tornava alguns jogos monótonos, pois eram sentidos como pouco desafiadores. Em outros grupos ocorria exatamente o contrário, visto o excesso de competitividade que, muitas vezes, beirava a violência. Em qualquer um dos casos, o alto grau do desafio (cooperar ou competir) é o que proporciona os melhores desequilíbrios, aqueles necessários para se andar para frente. Essa possibilidade de escolha sempre pode atuar no sentido de se esclarecer quais os limites de cada polo, valorizando-os nos seus melhores aspectos (CASCO, 2008:46).

Axelrod (1984) analisou várias perspectivas dos processos que levam ou mitigam a cooperação. Partindo-se da existência de um homem movido pelo egoísmo, Axelrod utiliza-se de uma extensão do “dilema do prisioneiro”, denominado “dilema do prisioneiro iterado34”, para defender o altruísmo como um mecanismo de autopreservação da espécie. Nesta concepção, os prisioneiros podem tomar atitudes egoístas, cooperar, mas há uma memória das atitudes anteriores e a possibilidade de existir o perdão ou a punição. Após um longo período de jogo, as estratégias egoístas mostraram ser menos eficientes do que as estratégias altruístas.

É notório que a estrutura de recompensa para um jogo afeta o nível de cooperação. [...] Evidências experimentais demonstram que quanto maior o conflito de interesses entre os jogadores, maior a probabilidade destes, de fato, escolherem a traição (AXELROD & KEOHANE, 1985:228, tradução nossa).

Axelrod (1984) apresenta relatos de períodos de grande crise, como o da Primeira Guerra Mundial, que corroboram a ideia de uma necessidade vital, entre os homens, de colaborar. Comparando os homens com outras espécies, pode-se

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O dilema do prisioneiro é um problema de soma não zero da Teoria dos Jogos em que dois jogadores são instados a tomar uma determinada decisão sem que um saiba qual foi a escolha do outro. A tendência é que cada um busque levar vantagem sobre o outro, sem se importar com a sua escolha. Já no dilema do prisioneiro iterado, a continuidade do jogo faz com que os jogadores prefiram cooperar, pois a cada vez que isso não ocorre há uma retaliação pelo outro lado. Mesmo sendo incentivados os jogadores preferem a cooperação por receio de sofrer um castigo.

verificar e propor a ideia de que a colaboração tem caráter de controle ecológico nas espécies e entre elas.

Quando se sobe a escada evolucionária em complexidade neural, os comportamentos lúdicos tornam-se mais ricos. A inteligência dos primatas, incluindo-se entre eles os seres humanos, permite um número relevante de progressos: uma memória mais complexa; maior sofisticação no processamento de informações para determinar a próxima ação como uma função de interações no presente momento; mais amplas probabilidades de interações futuras com um mesmo indivíduo e habilidades mais desenvolvidas para distingui-lo entre diferentes sujeitos. A discriminação do outro deve ser uma das mais importantes habilidades, porque permite a alguém controlar interações com muitos indivíduos, sem dar a todos o mesmo tratamento, tornando possível, desse modo, a retribuição pela cooperação de um indivíduo e a punição por traição do outro (AXELROD & HAMILTON, 1981:1392, tradução nossa).

Em um grupo de RPG de mesa, ao qual pertenço, ao final de uma aventura em que dois dos personagens do grupo se agrediam, causando terríveis ferimentos em um deles, os jogadores – com grande experiência de RPG – passaram a discutir calorosamente sobre a regra fundadora do RPG, que o entende como um jogo expressamente cooperativo, não sendo condizente, portanto, uma agressão entre companheiros de aventura. O mais impressionante foi a paixão que movia os contendores nessa discussão, indicando que algo de terrível teria conspurcado o “verdadeiro RPG”.

Foi postado um tópico na comunidade RPG Brasil com o título “Jogos Cooperativos ou Competitivos?”35 em que se propunha a questão se o RPG é basicamente cooperativo, como podemos conviver com outras modalidades similares que são de teor competitivo? Abaixo está uma seleção de algumas falas.

A característica básica e inicial do RPG foi a de um jogo cooperativo. Com o tempo apareceram outras formas de RPG ou de jogos parecidos que usavam da forma de competição. Vcs acham que o modelo cooperativo é mais interessante ou a competição dá mais sabor ao jogo, ou atém mesmo os dois modelos podem conviver juntos? É que eu percebo uma tendência dos jogadores mais novos de começar jogando rpg de mesa, quando isto acontece, e transitando para as outras modalidades como vc mencionou, os cards e os MMOs. Vc acha que

35http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=34919&tid=5541606060976610214 entre 20 e 21/11/2010

existe uma separação de geração entre, digamos mais jovens que preferem competição e mais velhos que preferem o modelo tradicional de rpg. (SÉRGIO) Existem alguns RPGs que são competitivos, um que conheço bem é Agon, que é baseado na Grécia Antiga e que os personagens competem para ganhar maior admiração dos deuses e no fim de cada aventura há um vencedor. É divertido para one-shots, mas prefiro RPGs cooperativos para longas campanhas. (P.) Bom, no meu caso, eu sou economista e a minha área é justamente teoria dos jogos - eu praticamente respiro Equilíbrios de Nash, haha. Mas, respondendo o tópico: devido à identificação forte que ocorre com os personagens em algumas mesas de RPG, eu não sei se seria saudável haver competição. Em jogos de tabuleiro e similares, ficar no lado perdedor é tranquilo. Agora, quando a identificação é mais forte, ninguém gosta de ver o personagem perdendo para os outros... (D. S.)

Acho que rpg é um jogo essencialmente cooperativo, dá pra ver como um jogo de interpretação + também da pra ver como um grupo que resolve desafios propostos pelo mestre num conjunto determinado de regras (Qual a melhor combinação de habilidades e de personagens para enfrentar a maior diversidade possível de aventuras?) Mesmo que rpg seja um jogo cooperativo, no começo de toda mesa tem sempre aquele infeliz que quer ter o personagem + forte do grupo e quando as coisas começam a dar errado ele fica reclamando. +no fim quem nunca caiu na porrada com companheiro de grupo, e quem nunca sacaneou o orc bárbaro?? (Z.)

Vc acha que existe uma separação de geração entre, digamos mais jovens que preferem competição e mais velhos que preferem o modelo tradicional de rpg (coioperação)?Não sei. Acho que iniciantes no RPG tendem a ser mais competitivos, pois ainda não abandonaram o paradigma dos jogos convencionais, onde vc compete para ganhar. Quem joga há mais tempo já se acostumou a jogar sem a necessidade da vitória como ela aparece nos demais jogos. (L.)

L., também acho que o aprendizado dos jogos cooperativos seja mais demorado principalmente pela necessidade de se quebrar o paradigma social do aprendizado da competição pela vida. No fim a coisa é bem ideológica, tanto que as pessoas estranham quando a genta tenta explicar que neste jogo mninguém ganha, mas todos ganham. O que prevalece é a ideia da soma zero. (SÉRGIO) Acho que um jogo muito apropriado para competitividade é Vampiro: A Máscara. Cada personagem eventualmente tem objetivos próprios, apesar de atuar junto. Cheguei a narrar uma pequena campanha assim: embora fossem parte do mesmo círculo da Camarilla, os PJ's tinham objetivos díspares e eventualmente agiam pelas costas uns dos outros. O Tremere e o Brujah do grupo eram os mais traiçoeiros neste sentido, pois o primeiro era leal à Capela enquanto o grupo pertencia à facção do Príncipe. Já o Brujah era um Anarquista infiltrado. Os demais competiam pela atenção do Príncipe e da Primigênie. O problema é que narrar isto é muito cansativo e complicado. Não se trata do clima de paranóia e intriga dentro do grupo, mas da questão mais prática mesmo. Uma narração assim consiste de muitos bilhetinhos trocados entre narrador e jogador, narrações "à parte", em que eu e o jogador saíamos da mesa e íamos para outro cômodo, ou mesmo situações em que o grupo era separado, e eu tinha que dividir o tempo entre uma parte e outra. Isto cansa bastante, e acaba ficando chato para todo mundo. Por isso, e não pela competição em si, que a campanha acabou meio que sendo abandonada. Os jogadores resolveram reutilizar seus personagens, mas de um modo mais cooperativo. Algo do desafio se perdeu, entretanto a diversão foi garantida. (P. J.)

Eu não jogaria RPG competitivo. Me parece algo mais semelhante a Banco Imobiliário que RPG, e não me interessa. Para começar, jogar competitivamente poda o RPG. Você não vai querer um personagem burro, afinal seu foco principal não é Roleplay, e sim, vencer. Eu vejo isso em muitos jogadores Gamistas; Pelo combo, eles sacrificam qualquer roleplay. (I.)

Eu sempre achei o rpg algo social e que incentiva a interação próxima com outras pessoas,tanto q a maioria dos meus amigos de adolescência(e ainda hj) foi pelo rpg,mas o rpg competivio atrapalhava a amizade. Por muito tempo meu grupo jogava com um querendo trair o outro,jogar pedra e tudo mais. Seja por algum tipo de antipatia pessoa ou sei lá. Se tu olhasse torto p outro fora da mesa isso se refletia no jogo...e lá ia o mestre resolver esse pipino. Com o tempo fomos ficando amigos e deixando de lado tanta competição. Ainda tinham jogadores q gostavam de fazer personagens traidores,egoistas e cia,mas ai isso só tornava melhor a história,pois sempre se sabia q tinha alguém q poderia te trair então quanto mais aliados verdadeiros vc tivesse mais chance de viver teria. (A.)

Como se pode perceber, o objetivo da maioria dos membros que participaram da discussão, mesmo que alguns apreciem também as modalidades competitivas, é o de produzir o roleplay, isto é, de construir coletivamente uma história que seja agradável para todos os participantes e que esta atividade contribua para a sua socialização. A ideia de amigos estarem juntos por vários meses ou até mesmo anos divertindo-se e criando elos foi desde o começo o grande atributo do RPG.

Figura 14 – Comunidade “RPG Brasil – Enquete Jogos cooperativos ou competitivos?”

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=34919&tid=5541606060976610214 (referente à nota n. 35)