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Antes de ser tratada pelo CPC de 1973, essa matéria havia sido regulada pelo CPC de 1939. Esta norma previa, em seu art. 861, que qualquer dos magistrados da câmara ou turma poderiam requerer o pronunciamento prévio das câmaras reunidas sobre qualquer norma jurídica com o intuito de extirpar ou evitar divergência entre as câmaras ou turmas80. Esse

artigo 861 do CPC anterior teve inspiração no § 137 da Lei de Organização Judiciária da Alemanha81.

Podemos citar como precedentes ainda mais remotos no direito pátrio o Código de Processo Civil e Comercial do Estado de São Paulo, Lei 2.421 de 193082, e também o

77 BUENO, Cassio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. vol. 5. São Paulo: 2008, p.

370.

78 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Recurso Especial, recurso extraordinário e ação rescisória. 2. ed. São

Paulo: RT, 2009, p. 457. BARBOSA MOREIRA, José Carlos. O novo processo civil brasileiro. 28. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 181

79 THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. vol. I. 50. ed. Rio de Janeiro: Forense,

2009, p. 629; DIDIER JUNIOR, Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Curso de direito processual

civil. vol. 3. 9. ed. Salvador: JusPodivm, 2011, p. 574

80 Art 861. “A requerimento de qualquer de seus juízes, a Câmara, ou turma julgadora, poderá promover o

pronunciamento prévio das Câmaras reunidas sobre a interpretação de qualquer norma jurídica, se reconhecer que sobre ela ocorre, ou poderá ocorrer, divergência de interpretação entre Câmaras ou turmas”.

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“‘A câmara que conhece da causa pode, em questão de importância fundamental, suscitar a decisão da Grande Câmara, se, segundo se entende, o aperfeiçoamento do direito ou a segurança de jurisprudência uniforme o exige’” (Gerichtverfassungsgesetz, § 137: ‘Der erkennende Senat kann in einer Frage von grundsätzlicher Bedeutung die Entscheidung des Großen Senats herbeiführen, wenn nach seiner Auffassung die Fortbildung des Rechts oder die Sicherung einer einheitlichen Rechtsprechung es erfordert’. Foi esse texto que inspirou o Decreto nº 16.273. (PONTES DE MIRANDA. Francisco Cavalcanti. Comentários ao

Código de Processo Civil. tomo VI. 3.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 7). No mesmo sentido: SANCHES, Sydney. Uniformização da jurisprudência. São Paulo: RT, 1975, p. 15.

82 Art. 1126. “Quando ao relator parecer que já existe divergência entre as Câmaras, proporá, depois da revisão

do feito, que o julgamento da causa se effectue em sessão conjunta.

§ único - Decidida a questão de direito, a Câmara a que pertencer a causa, passará immediatamente a julga-la. Às partes não se dará então o recurso da revista”.

prejulgado instituído pelo Decreto 16.273/1923 para uniformizar a interpretação e aplicação sobre uma quaestio juris na então Corte de Apelação do Distrito Federal83.

Falando-se em prejulgado, verificamos ainda hoje, no Código Eleitoral a existência de dispositivo prevendo tal instituto (art. 263)84.

Não obstante, tal artigo foi declarado inconstitucional pelo TSE, no julgamento do recurso especial eleitoral nº. 9936-RJ85. Apesar disso, Paulo Henrique dos Santos Lucon e José Marcelo Menezes Vigliar lamentam o posicionamento do TSE sobre referido artigo, afirmando que:

Considerando que a segurança jurídica é um bem a ser preservado, considerando as regras que integram o devido processo legal, e considerando a necessidade de se emprestar maior credibilidade aos julgados, o art. 263 teria plena vigência, pois preceitua que o mesmo tratamento deve ser reservado aos jurisdicionados no trato, na interpretação do direito. Mostrando-se bastante atual, o dispositivo, lamentavelmente declarado inconstitucional, ainda veicula previsão inovadora para que nem mesmo o argumento do “engessamento” do Judiciário tenha condições de ser invocado, considerando que dois terços dos membros do pleno poderiam votar contra a tese até então solidificada86.

Voltando ao incidente de uniformização, verificamos que esse instituto tem inspiração no direito português antigo, como constata Barbosa Moreira87. Ele encontra similares em outras legislações, como por exemplo, na Itália (art. 37488) e em Portugal (art. 732-A89).

83 TUCCI, José Rogério Cruz e. Eficácia do precedente judicial na história do direito brasileiro. Revista do

Advogado. ano XXIV, n. 78: São Paulo: AASP, 2004, p. 45.

84 Art. 263. “No julgamento de um mesmo pleito eleitoral, as decisões anteriores sobre questões de direito

constituem prejulgados para os demais casos, salvo se contra a tese votarem dois terços dos membros do Tribunal”

85

Acórdão nº. 12.501, rel. Min. Sepúlveda Pertence, dou. 14.09.1992, v.u.

86 LUCON, Paulo Henrique dos Santos; VIGLIAR, José Marcelo Menezes. Código Eleitoral interpretado. 2.

ed. São Paulo: Atlas, 2011, p. 338

87 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil. vol. V. 15. ed. Rio de

Janeiro: Forense, 2009, p. 7

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Art. 374 “(Pronuncia a sezioni unite) La Corte pronuncia a sezioni unite nei casi previsti nel n. 1 dell’articolo 360 e nell’articolo 362. Inoltre il primo presidente può disporre che la Corte pronunci a sezioni unite sui ricorsi che presentano una questione di diritto già decisa in senso difforme dalle sezioni semplici, e su quelli che presentano una questione di massima di particolare importanza. In tutti gli altri casi la Corte pronuncia a sezione semplice”.

89 “1. O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça determina, até à prolação do acórdão, que o julgamento do

recurso se faça com intervenção do plenário das secções cíveis, quando tal se revele necessário ou conveniente para assegurar a uniformidade da Jurisprudência. 2. O julgamento alargado, previsto no número anterior, pode ser requerido por qualquer das partes ou pelo Ministério Público e deve ser sugerido pelo relator, por qualquer dos adjuntos, ou pelos presidentes das secções cíveis, designadamente quando verifiquem a possibilidade de vencimento de solução jurídica que esteja em oposição com jurisprudência anteriormente firmada, no domínio da mesma legislação e sobre a mesma questão fundamental de direito”.

Segundo Ada Pellegrini Grinover, é possível encontrar antecedente histórico ao incidente de uniformização de jurisprudência em Roma, no período imperial90. Destaca ainda

que nos séculos passados as tentativas de se evitar divergência nas decisões podiam ser enquadradas em dois critérios distintos: o primeiro, da unificação por meio da força normativa a determinadas decisões judiciais para casos futuros (Assentos); o segundo, que prevê a possibilidade de controle por um órgão jurisdicional sobre os demais (Cortes de Cassação).

Benzer Belgeler