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Serão definidos a seguir alguns termos básicos na área de SST como: acidentes e doenças profissionais; incidente e quase acidente; perigo e risco. Assim também como o tema SST será contextualizado dentro do ambiente empresarial.

2.3.1.1 Acidentes e doenças profissionais: caracterização

Segundo o art. 19 da Lei n. 8.213/ 91 “acidente do trabalho é aquele que ocorre no exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho”. Conforme Cerqueira (2010) equiparam-se aos acidentes de trabalho:

a) O acidente que acontece quando se está prestando serviço por ordem da empresa fora do local de trabalho;

b) O acidente que acontece quando o colaborador está em viagem a serviço da empresa;

c) O acidente que ocorre no trajeto entre a casa e o trabalho ou do trabalho para casa;

d) A doença profissional – que são as doenças provocadas pelo tipo de trabalho; e) A doença do trabalho – são as doenças causadas pelas condições do trabalho.

Portanto, de acordo com a referida lei, somente os acidentes que provocam lesão no empregado a serviço da empresa é que são considerados para fins de benefícios da Previdência Social. Já do ponto de vista prevencionista, todos os acidentes, independentemente de causar lesão, devem ser considerados para investigação das causas e fins estatísticos (SALIBA, 2010).

A visão prevencionista foi agregada às normas e guias do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST), sendo inserida na definição de acidente apresentada pelas normas BSI-OHSAS -18001 e BS-8800, como sendo: “evento indesejável que resulta em morte, problemas de saúde, ferimentos, danos e outros prejuízos”. Diante da visão prevencionista, deve-se considerar como causa de acidente qualquer fator que poderá provocá-lo. A importância deste conceito reside no fato de que os acidentes não surgem por acaso, mas sim são causados e, ainda, são passíveis de prevenção, através do conhecimento e eliminação, a tempo, de suas causas (BENITE, 2004).

Conforme Guimarães; Costella (2004) acidente “é o incidente que tem como consequência a ocorrência de lesão corporal, com perda ou redução da capacidade, permanente, temporária ou morte”. A doença profissional ou do trabalho equipara-se ao acidente do trabalho para fins legais. De acordo com o art. 19 da Lei n. 8.213/ 91 “a doença profissional é aquela produzida ou desencadeada no exercício do trabalho peculiar em determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social”, enquanto doença do trabalho “é aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente”.

A redução dos acidentes é um dos maiores desafios à inteligência do homem. Têm sido aplicado muito trabalho físico e mental e grandes somas de recursos em prevenção a acidentes, porém eles continuam ocorrendo e desafiando todos esses esforços. Aparentemente, o homem dispõe de recursos mais do que suficientes para evitá-los, pois o progresso científico e tecnológico criou métodos e dispositivos altamente sofisticados, em diversos campos de atuação humana, inclusive na prevenção de acidentes. Contudo, o objetivo principal não tem sido atingido satisfatoriamente e temos assistido perplexos e inermes a perdas de vidas e de integridade física (CARDELLA, 2010).

2.3.1.2 Incidente e Quase acidente

Incidente é o “evento relacionado ao trabalho no qual uma lesão ou doença (independentemente da gravidade) ou fatalidade ocorreu ou poderia ter ocorrido”. Assim sendo, uma situação de emergência é um tipo particular de incidente (Norma OHSAS 18001:2007). De acordo com o guia ILO-OSH da OIT incidente é “uma ocorrência insegura que surge do trabalho ou ao longo deste, em que não são gerados danos pessoais”.

Já um “quase-acidente” é um incidente no qual não ocorre lesão, doença ou fatalidade, podendo ser denominado também como “quase-perda”, “ocorrência anormal” ou “ocorrência perigosa” (OHSAS 18001:2007).

Segundo Guimarães e Costella (2004), incidente e quase-acidente são eventos distintos. Deste modo, incidente “é toda ocorrência não desejada que modifica ou põe fim ao andamento normal de qualquer tipo de atividade” e quase acidente “é um incidente que interrompe o processo normal de uma atividade, provocando perda de tempo ou de material, mas sem provocar lesão corporal ou perturbação funcional”.

Conforme Benite (2004) o conhecimento dos quase acidentes fornece informações para as organizações identificarem deficiências e estabelecerem as medidas cabíveis de controle, permitindo assim eliminar ou reduzir a probabilidade de que se tornem acidentes reais em uma situação futura.

Portanto, os quase-acidentes devem ser entendidos como ocorrências inesperadas que apenas por pouco deixaram de se tornar um acidente, devendo ser considerados como avisos daquilo que poderá ocorrer. Com isso, as placas de uma empresa que indicam o número de dias em que não há registro de acidentes, bastante utilizadas em diversos países, inclusive no Brasil, e nos mais diferentes tipos de organizações, não podem ser consideradas suficientes para retratar o real desempenho de SST, visto que pode estar ocorrendo um número crescente de quase-acidentes e que a qualquer momento levará a uma explosão no número de acidentes (BENITE, 2004).

2.3.1.3 Perigo e Risco

A Norma OHSAS 18001 define “perigo” como a “fonte, situação ou ato com potencial para provocar danos humanos em termos de lesão ou doença, ou uma combinação destas”. E o termo “risco” é a “combinação da probabilidade de ocorrência de um evento perigoso ou exposição (ões) com a gravidade da lesão ou doença que pode ser causada pelo evento ou exposição (ões).

Na concepção de Fischer (2005) perigo é “a fonte (agente físico, fator humano, situação ou condição, etc.) que tem o potencial para contribuir ou causar um evento indesejado (lesão, morte ou dano material) quando não controlado”. E risco é “uma função da natureza do perigo e sinaliza a chance de ocorrência de perda de seu controle”.

Do ponto de vista de Benite (2004) o conceito de perigo é igual a soma dos atos inseguros e condições inseguras, ao passo que o termo “risco” deve ser entendido como sendo um adjetivo que caracteriza os perigos, ou seja, um perigo pode ter risco alto ou baixo. O autor atenta para o fato do uso dos termos “perigo” e “risco”, ressaltando que em diversos casos, inclusive em algumas leis e normas, eles costumam ser aplicados inclusive como sinônimos, sem qualquer tipo de distinção.

Benzer Belgeler