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Başvurusu kabul edilmeyecek adaylar;

AFYON KOCATEPE ÜNİVERSİTESİ ULUSLARARASI ÖĞRENCİ KABUL YÖNERGESİ

B) Başvurusu kabul edilmeyecek adaylar;

61 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Habeas Corpus nº 160336/SP. Relator: Ministro Og

Fernandes. Julgado em 20/10/2011. Disponível em:

https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=1099396 &num_registro=201000125424&data=20120618&formato=PDF. Acesso em 25 de outubro de 2013

Os julgados do pretório Excelso têm uma uniformidade maior de teses, que é mais alinhada com a que historicamente vem sido levantada pela 5ª turma do Superior Tribunal de Justiça.

O primeiro julgado que merece destaque é o Habeas Corpus nº 101698 da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal de Relatoria do Ministro Luiz Fux. Neste caso, considerou o eminente relator que a mera circunstância de estar presente uma disputa automobilística irregular, popularmente denominada como racha, ou pega, autorizaria a caracterização do crime como praticado em dolo eventual. Nas palavras do ministro:

16. A cognição empreendida nas instâncias originárias demonstrou que o paciente, ao lançar-se em práticas de expressiva periculosidade, em via pública, mediante alta velocidade, consentiu em que o resultado se produzisse, incidindo no dolo eventual previsto no art. 18, inciso I, segunda parte [...]18. O art. 308 do CTB é crime doloso de perigo concreto que, se concretizado em lesão corporal ou homicídio, progride para os crimes dos artigos 129 ou 121, em sua forma dolosa, porquanto seria um contrasenso transmudar um delito doloso em culposo, em razão do advento de um resultado mais grave[...] 19. É cediço na Corte que, em se tratando de homicídio praticado na direção de veículo automotor em decorrência do chamado “racha”, a conduta configura homicídio doloso. Precedentes: HC 91159/MG, rel. Min. Ellen Gracie, 2ª Turma, DJ de 24/10/2008; HC 71800/RS, rel. Min. Celso de Mello, 1ªTurma, DJ de 3/5/1996. 62

O referido precedente, e a própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal como um todo, considera o contexto da prática de um racha como suficiente para objetivamente caracterizar o dolo eventual em um homicídio originário dessas circunstâncias.

Critério diferente a mesma turma adotou no julgamento do Habeas Corpus nº 107801. No caso concreto, a Relatora Ministra Carmen Lúcia manteve linha semelhante à adotada no julgado anterior, mas foi vencida por divergência aberta pelo Ministro Luiz Fux63. Vejamos primeiro o que foi dito pela eminente relatora:

62 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus nº 101698. Relator: Ministro Luiz Fux.

Julgado em 18/10/2011. Disponível em:

http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=1595332. Acesso em 25 de outubro de 2013.

63 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus nº 107801. Relatora: Ministra Carmen Lúcia. Redator do Acórdão: Ministro Luiz Fux. Julgado em 06/09/2011. Disponível em: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=1509910. Acesso em 25 de outubro de 2013.

Finalmente, deve-se mencionar que, na fase de pronúncia, vigora o princípio do in dubio pro societate, segundo o qual somente as acusações manifestamente improcedentes não serão admitidas. O juiz verifica, nessa fase, tão somente, se a acusação é viável, deixando o exame apurado dos fatos para os jurados, que, no momento apropriado, analisarão a tese defensiva sustentada nestes autos.

A tese fundamental do voto é novamente a supremacia dos vereditos do júri, a recorrência dessa tese em julgados das cortes superiores se justifica principalmente pelo seu caráter constitucional, o que dificulta qualquer argumentação em sentido contrário.

Contudo, o ministro Luiz Fux abriu divergência, justamente com o objetivo de evitar uma banalização do júri:

Com efeito, dispõe o artigo 419 do CPP que o juiz remeterá os autos ao órgão competente quando se convencer da existência de crime diverso e não for competente para o julgamento. Tal desclassificação, se omitida indevidamente, importa em graves consequências para a defesa, deslocando o processo ao Júri, cujo julgamento é sabidamente atécnico e, às vezes, até mesmo apaixonado, a depender do local onde ele ocorra. [...] No entanto, reconhecido na sentença de pronúncia e no acórdão que a confirmou que o paciente cometera o fato em estado de embriaguez alcoólica, a sua responsabilização a título doloso somente pode ocorrer mediante a comprovação de que ele embebedou-se para praticar o ilícito ou assumindo o risco de praticá-lo. A aplicação da teoria da actio libera in causa somente é admissível para justificar a imputação de crime doloso em se tratando de embriaguez preordenada, sob pena de incorrer em inadmissível responsabilidade penal objetiva.

O principal fundamento do ministro é inaplicabilidade da teoria do actio libera in causa para os casos de embriaguez no trânsito. Explica o ministro que a referida teoria só tem aplicabilidade para os casos em que a embriaguez é preordenada, ou seja, tem o agente o objetivo de se utilizar da embriaguez para cometer crime, que em estado normal não cometeria. É o caso da pessoa que bebe para perder a inibição de cometer certo ato doloso.

Caso totalmente diverso é o do motorista alcoolizado, que não bebe para cometer crimes. No caso, o que por vezes ocorre é que o fato de o agente estar sob o efeito de álcool contribuir para a ocorrência do resultado danoso e não este ser utilizado como fator de estimulo para a prática de crime.

A segunda turma do STF, nos autos do Habeas Corpus nº 91159, de relatoria da Ministra Ellen Graice, adota posicionamento mais rígido em relação ao

réu quando analisa a presença de dolo eventual em homicídio praticado em contexto de racha;

A questão central diz respeito à distinção entre dolo eventual e culpa consciente que, como se sabe, apresentam aspecto comum: a previsão do resultado ilícito. No caso concreto, a narração contida na denúncia dá conta de que o paciente e o co-réu conduziam seus respectivos veículos, realizando aquilo que coloquialmente se denominou "pega" ou "racha", em alta velocidade, em plena rodovia, atingindo um terceiro veículo (onde estavam as vítimas). 6. Para configuração do dolo eventual não é necessário o consentimento explícito do agente, nem sua consciência reflexiva em relação às circunstâncias do evento. Faz-se imprescindível que o dolo eventual se extraia das circunstâncias do evento, e não da mente do autor, eis que não se exige uma declaração expressa do agente.64

O posicionamento acima demonstrado explicita a tese de configuração objetiva do dolo eventual em contexto de racha. O julgado vai mais além ao afirmar que de outra maneira não se pode aferir a presença do dolo eventual que não de forma objetiva das circunstâncias do ato.

Para finalizar, vejamos um último julgado da segunda turma do STF, que consolida tese de certa forma contrariamente ao que foi decidido no HC 107801 da primeira, trata-se do HC 115352 de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, vale destar nele apenas um único trecho:

Não tem aplicação o precedente invocado pela defesa, qual seja, o HC 107.801/SP, por se tratar de situação diversa da ora apreciada. Naquela hipótese, a Primeira Turma entendeu que o crime de homicídio praticado na condução de veículo sob a influência de álcool somente poderia ser considerado doloso se comprovado que a embriaguez foi preordenada. No caso sob exame, o paciente foi condenado pela prática de homicídio doloso por imprimir velocidade excessiva ao veículo que dirigia, e, ainda, por estar sob influência do álcool, circunstância apta a demonstrar que o réu aceitou a ocorrência do resultado e agiu, portanto, com dolo eventual.

65

Neste Habeas Corpus, o ministro considerou objetivamente a combinação ingestão de bebida alcoólica com velocidade acima da permitida para configurar o

64 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus nº 107801. Relatora: Ministra Ellen Graice.

Julgado em 02/09/2008. Disponível em:

http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=557287. Acesso em 25 de outubro de 2013.

65 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus nº 115352. Relator: Ministro Ricardo Lewandowski. Julgado em 16/04/2013. Disponível em: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=3707012. Acesso em 25 de outubro de 2013.

dolo eventual, afastando a tese da necessidade embriaguez preordenada sem maiores considerações.

Concluída essa exposição sobre o posicionamento dos Tribunais, bem como o levantamento doutrinário, além de um histórico da violência no trânsito no pais, passemos a nossa análise sobre o tema, enfrentando as questões que foram levantadas até aqui.

5 – PONTOS CONTROVERSOS DOS JULGADOS DAS CORTES SUPERIORES

Benzer Belgeler