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Başvuruların Değerlendirilmesi ve Seçilmesi

Belgede ÇUKUROVA KALKINMA AJANSI (sayfa 14-18)

2. BU TEKLĐF ÇAĞRISINA ĐLĐŞKĐN KURALLAR

2.3. Başvuruların Değerlendirilmesi ve Seçilmesi

Conforme o exposto, a experiência de Caucaia certamente não difere muito da que é verificada na maioria dos municípios brasileiros no que concerne à incipiente participação política e social da população nos destinos do lugar. Por outro lado, com vistas à emancipação dos diferentes grupos sociais, as políticas públicas poderiam valorizar mais o espírito colaborativo e cooperativo da população rural e de suas lideranças no sentido de ampliar suas forças ao encaminhar coletivamente a solução de seus problemas.

De acordo com Bastos (2006, p. 95-96):

[...] dessas atuações coletivas emergem marcos regulatórios e ajustes que se reproduzem historicamente em comportamentos e convenções, que podem resultar tanto na cooperação e reciprocidade como na resistência a estímulos contra o isolamento. Por outro lado, o Estado recebe influência da sociedade, na medida em que a sociedade organizada molda a política e esta determina a correlação de forças que age sobre as atuações do Estado.

Nesse cenário as políticas públicas deveriam conduzir à emancipação dos diferentes grupos sociais. Para tanto, poderia ser estimulado o espírito colaborativo e cooperativo da população rural e de suas lideranças no sentido de ampliar suas forças ao encaminhar coletivamente a solução de seus problemas. Mas o que geralmente acontece é que cada aparelho estatal gera políticas sociais que dão sustentação ao próprio modelo. Segundo Pinheiro (1995, p. 85), “as políticas sociais na América Latina, historicamente, foram concebidas e implementadas de maneira a operacionalizar os modelos econômicos vigentes”.

Na busca de um caminho mais autônomo de integração Estado-sociedade os grupos sociais, forjados, geralmente, sob a tutela do Estado, carecem de lideranças “na construção de uma tessitura democrática na interface entre Estado e sociedade.” (TELLES, 1999, p. 91, 95), que pressionem os governos a promover “debates públicos sobre os mínimos sociais a serem garantidos através de políticas públicas abrangentes”, com vistas à mitigação de suas vulnerabilidades sociais.

Assim, o Estado não pode se furtar do seu papel de, através de suas instituições e em meio ao conflito de interesses, “contradições e tensões entre os imperativos da reprodução do capital e as necessidades de reprodução da força de trabalho”, articular e organizar a sociedade no intuito de gerar bases de consenso. (JACOBI, 1989, p. 3).

Como enfatiza Yasbek (2004, p. 104), o que ocorre frequentemente é que:

as propostas em relação ao papel do Estado na esfera da proteção social são reducionistas e voltadas para situações extremas, com alto grau de seletividade e focalização, direcionadas aos mais pobres entre os pobres, apelando à ação humanitária e/ou solidária da sociedade.

Segundo Oakley e Clayton (2003), no processo de (re)ordenamento que vivencia a sociedade atual, há contínua intervenção das elites dominantes, que frequentemente se antecipam ao mais tênue sinal de mobilização social, alterando sua lógica, contornando suas demandas mais prementes e propondo alternativas mitigadoras. Isto faz com que o centro do problema se desloque do eixo político para questões mais imediatas, arrefecendo os movimentos de caráter mais emancipatórios, levando-os, em função de suas limitações e impossibilidades, a negociar precipitadamente soluções para problemas urgentes, como o atendimento às necessidades básicas. Faltam aos grupos sociais mecanismos de empoderamento, a fim de que possam projetar e planejar os caminhos para a superação de seus problemas estruturais, no sentido de “romper o ciclo da pobreza endêmica existente em grande parte do mundo”. Para Oakley e Clayton (2003, p. 12):

O desenvolvimento social como empoderamento não vê os indivíduos pobres como carentes de apoio externo, mas de uma maneira mais positiva, busca criar uma perspectiva de desenvolvimento interativo e compartilhado no qual se reconheçam as habilidades e conhecimentos das pessoas. O empoderamento não é simplesmente uma terapia para fazer com que os pobres se sintam melhores com a sua pobreza, nem é simplesmente apoio às ‘iniciativas locais’ ou fazer com que tenham mais consciência política. Em conseqüência, não assume que as pessoas estejam totalmente desprovidas de poder, ou que não existam redes prévias de solidariedade e resistência através das quais os pobres confrontam-se com as forças que ameaçam suas condições de vida. Ao contrário, o empoderamento está relacionado a uma ‘mudança positiva’ nos indivíduos e nas comunidades, e em um sentido estrutural, à organização e à negociação.

O empoderamento, portanto, acontece através de um processo contínuo que visa à desconcentração do poder estatal e à ampliação do poder da sociedade civil numa redefinição da trama de relações onde o coletivo passa a interferir, e não apenas a ter participação homologatória. Espaços como o orçamento participativo, estatuto da cidade, conselhos escolares, entre outros, aumentam o sentimento de pertença e constituem o embrião de uma transformação social que tende a aproximar o Estado da sociedade.

Para que os grupos sociais subalternos consigam sair desse círculo vicioso são necessárias políticas estruturantes na perspectiva da intersetorialidade, cujos processos conduzam ao empoderamento e à inclusão social. Além disso, é indispensável a promoção de

níveis de segurança econômica que possam incentivar a participação cidadã e produtiva. Segundo Vanderborght e Parijs (2006), multiplicam-se em todo o mundo filósofos, cientistas sociais e intelectuais de renome que propõem e demonstram possibilidades quanto ao estabelecimento pelos governos de uma renda básica incondicional, a fim de promover a equidade social, ampliando a liberdade entre os seres humanos e contribuindo para erradicar a pobreza absoluta ao invés da distribuição de cestas de políticas compensatórias desintegradas e ineficazes.

Em entrevista, Ana Fonseca fala do Programa Bolsa-Família como eixo central das políticas sociais do Governo Federal, princípio, ainda que de modo seletivo, da implementação de políticas de renda básica de cidadania, configurando-se um caso de sucesso que hoje é tendência na América Latina. Ressalta o que chama de rotas de saída, cuja construção dará efetividade à proteção social às famílias envolvidas no Programa e lembra que vários países da Europa já implementaram políticas de renda mínima. (DOUTORA..., 2006).

Nesse contexto, faz-se necessária uma nova institucionalidade, fruto da organização social. Para tanto, o Estado, embora seja um instrumento de dominação, pode ser um árbitro na intermediação de demandas e conflitos, bem como na enunciação de propostas oriundas dos diversos conselhos e de outros espaços públicos que propiciam o exercício da cidadania e da democracia. Esse movimento promove a pluralidade, a transparência e a ética, segundo um projeto democrático onde a comunidade aprende a se autogovernar e a se autodeterminar, remetendo a um consequente e mais efetivo controle social. Um projeto democrático pressupõe, portanto, que a sociedade esteja representada no aparelho estatal; todavia, essa intermediação não é fácil, uma vez que as demandas sociais e aquelas impostas pela lógica da economia globalizada muitas vezes são concorrentes e conflitantes.

Apesar dessas limitações, as experiências de prática cidadã no Brasil são referência na América Latina, a exemplo do MST e de outros movimentos afirmativos relacionados a indígenas, mulheres, negros e remanescentes de quilombos. Há, ainda, as câmaras interministeriais, os fóruns para construção do Orçamento Participativo e do Estatuto da Cidade, além de uma diversidade de conselhos nacionais, estaduais e municipais que atuam tanto nas áreas urbanas quanto rurais, movidos pelos mais variados interesses como educação, economia, meio ambiente e infraestrutura. No meio rural, a partir da dinâmica criada pelas ações no âmbito do Pronaf, surgem articulações entre os beneficiários com o apoio de entidades de extensão rural, instituições de crédito e outros parceiros que os ajudam a ser

sujeitos sociais, ao passo em que reduzem sua vulnerabilidade. Neste sentido, Braga (2006, p. 107) enfatiza que:

a sinergia coletiva tem papel fundamental desenvolvendo ações compartilhadas em que várias famílias que vivem abaixo da linha de pobreza se concebam como sujeitos sociais num percurso emancipatório. A trajetória assentada na pedagogia participativa apresenta avanços e retrocessos, os quais devem ser encarados como parte do processo de aprendizado que supõe a participação continuada dos indivíduos e grupos sociais, reconvertendo olhares e ‘visões de mundo’ através de processos comunicativos. A interação dos vários sujeitos, envolvendo o poder público e a sociedade civil, demarcada pelas noções de direitos e responsabilidades, influenciará, de alguma forma, os rumos dos acontecimentos. Não se trata de percurso linear, devido aos diferentes interesses em jogo nas esferas de poder e às diversas perspectivas históricas em relação ao processo de transformação social.

Considerando-se que há estreito vínculo entre política e cultura, e vice-versa, as utopias podem ser preservadas a partir do momento em que se vislumbra a organização de movimentos populares, solidariamente unidos numa dimensão mais política que meramente comunitária. Eclodem localmente, porém em perspectiva planetária, fazendo-nos sonhar com um mundo mais justo, humano e feliz.

Neste sentido, Freire (1999, p. 58) corrobora:

Sei que as coisas podem até piorar, mas sei também que é possível intervir para melhorá-las. [...] Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu ‘destino’ não é um dado, mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo. Daí que insista tanto na problematização do futuro e recuse sua inexorabilidade.

Segundo o pensamento de Pochmann e Amorim (2003, p. 26):

Não há dúvidas de que a face do país pode ser outra, em que o plano geográfico seja capaz de apontar para a existência de uma sociedade menos desigual, ainda que plural, diversa e democrática. Entretanto, para que essa nova face seja possível, o efetivo combate à exclusão social, em toda sua extensão e complexidade, é absolutamente imprescindível.

Como sinalizou Ianni (2000, p. 58), diante da situação atual “cabe aos amplos setores nacionais mais prejudicados pela globalização pelo alto reconhecer que precisam mobilizar-se também em escala global, desde baixo”. Conforme o pensamento do teórico

Gramsci59, a sociedade talvez ainda possa vivenciar um socialismo conquistado não por assalto, mas a partir das bases sociais, onde seus líderes interferem e influenciam na qualidade de intelectuais orgânicos, qual fermento na massa, através de homens e mulheres que, organizados numa revolução molecular, vão minando determinadas estruturas, progredindo, passo a passo, rumo à autorregulação e à autodeterminação social.

59

Antonio Gramsci (1891-1937), co-fundador do Partido Comunista Italiano e uma das referências do pensamento de esquerda no século 20, foi jornalista notável e escritor de teoria política. Disponível em: <www.educaçao.uol.com.br/biografias>.

5 CONCLUSÃO

Depois de mais de uma década da implantação do Pronaf, a pobreza rural, principalmente no Nordeste, parece renitente, a despeito de que apenas em 2007, 11,9 milhões de brasileiros passaram para classes econômicas mais altas (CAMACHO, 2008) em consequência de um conjunto de políticas sociais adotadas especialmente pelo PBF e a estratégia governamental denominada “Fome Zero”.

Como bem enfatiza Bastos, os fracassos contabilizados no âmbito da agricultura, a exemplo do Sistema de Crédito Agrícola formatado nos anos 30 talvez possam ser creditados mais à tessitura das relações formais e informais que configuram o sistema financeiro do que ao desenho das políticas agrícolas. Segundo o autor, o sucesso do Pronaf, inclusive quanto à expansão de sua base de beneficiários, ainda não possibilitou aos agricultores mais pobres viver em melhores condições e com maior autonomia.

De outra forma, em termos nacionais, persiste a concentração de recursos nas regiões Sul e Sudeste que, juntas, absorveram 68,7% do montante aplicado no Plano Safra 2007/2008.

A população envolvida nesta pesquisa compõe o segmento mais pobre entre os agricultores familiares: o Grupo B do Pronaf. No entanto, há significativa desigualdade socioeconômica entre eles, porquanto existem famílias sem qualquer renda monetária, e outras que, além das receitas agropecuárias e não-agropecuárias, são beneficiárias do PBF e recebem até três aposentadorias ou pensão da Previdência Social. Nestes casos, a renda familiar fica em torno de R$ 1.500,00, ou seja, superior a três salários mínimos.

De um modo geral, essas famílias sobrevivem enfrentando muitas dificuldades, uma vez que as políticas públicas ligadas aos serviços básicos, como saúde e educação, são bastante precárias. Entre as famílias entrevistadas em Caucaia há as que se deslocam até 12 km no intuito de obter atendimento médico. Mesmo quando o posto de saúde funciona regularmente e eventualmente fornece parte da medicação necessária, está longe de atender as demandas cotidianas da população. Esta situação se agrava pelo fato de que as pessoas são impedidas de recorrer ao serviço médico-hospitalar existente na sede do município, a não ser que sejam encaminhadas pelo posto de saúde de suas respectivas localidades, o que raramente ocorre.

Igualmente crítico é o fornecimento de água: apenas 10,3% da população entrevistada, sob forma de censo, em diferentes distritos e localidades do município, dispõem

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