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Başvuru Sahiplerinin Uygunluğu: Kimler Başvurabilir?

2. DOĞRUDAN FAALİYET DESTEK PROGRAMINA İLİŞKİN KURALLAR

2.1. Uygunluk Kriterleri

2.1.1. Başvuru Sahiplerinin Uygunluğu: Kimler Başvurabilir?

Na segunda semana de aula, Murilo, outro orientando de Cristiano, aproximou-se de mim e de Ricardo, na cantina. Fomos apresentados e Ricardo o provocou: “aí Murilo, vai estudar o ensino superior...”. Disse isso apontando para mim e sorrindo para o colega. Murilo respondeu: “eu quero fazer minha pesquisa, terminar essa porra e ir embora, de preferência sem ser notado”.

Murilo é professor universitário no interior do estado. Sua forma de encarar a pós-graduação é uma das mais comuns entre as observadas durante a pesquisa.

Usando sempre a expressão “se queimar”, ele faz parte de um grupo significativo de discentes que tem receio das conversas, de expressar suas opiniões, tem medo de problemas no “percurso”; é um daqueles alunos que evitam polêmicas, especialmente com professores.

O problema da distribuição de bolsas estava em evidência, em especial a suposta agressão do professor Vitor a um dos discentes da comissão de bolsas, e professores próximos a nós (Ricardo, Murilo e eu) haviam tomado posição em favor do referido professor, nossos orientadores haviam assinado a carta que denunciava vários problemas da instituição. “Querer sair despercebido” poderia ser um aviso a mim, que começava a me declarar observador do programa.

A cultura dos discentes tem inúmeras faces, mas uma bastante comum é a do não querer “se sujar”, análogo ao “não se queimar”, não desagradar aos que estão hierarquicamente acima. Tal visão tem uma conotação de medo do que a política universitária pode fazer com as pessoas que discordam das políticas hegemônicas, especialmente aqueles que o fazem publicamente. A universidade não está alheia à cultura local, e desta maneira, traz consigo muitos dos aspectos e costumes que a cercam.

Antes da observação, já ouvia a máxima que, ao orientando, cabe obedecer ao orientador, e que se deve evitar “se queimar” neste ambiente; que professores universitários são cruéis e temperamentais, mas, sobretudo, não se pode enfrentá-los. Pode-se dizer o que quiser, mas nunca publicamente: críticas nos corredores ou em voz baixa, para não serem escutadas pelos interessados e nem mesmo pelos seus orientandos.

Na segunda semana de outubro, a “carta” de protesto dos docentes, questionando várias políticas da instituição, e da qual Cristiano foi signatário, ganhou repercussão em alguns grupos de conversa. Nas aulas de Cleber, tal episódio não teve repercussão, mas na de Cristiano a reação foi diferente. O professor não levou o assunto para a sala abertamente, mas, a partir do episódio, as críticas dele ao PEE tornaram-se ainda mais frequentes, especialmente no que dizia respeito aos trabalhos “miseráveis”, que dali saíam.

Em outra conversa com Murilo, quis saber sua opinião sobre o episódio da “carta” e como ele via a repercussão daquilo no programa. Ele disse:

“Cara, eu to aqui e não conheço ninguém. Não tô a fim de problemas, quero entrar e sair daqui o mais simples possível, sem me estressar ou aparecer. Vai por mim, tu deveria fazer o mesmo. Sou experiente, sei o que eu digo. Aqui é cobra engolindo cobra, deixa tua orientadora brigar, mas não se meta, escute o que eu to dizendo”.

Nesse momento, Rodrigo aproximou-se e quis se inteirar da conversa. Expliquei o assunto e Murilo pediu a opinião de Rodrigo, que concordou com o colega. Falei que estava fazendo diário de campo e pretendia escrever sobre o programa. Os dois reprovaram meu intuito, sendo Murilo mais claro, afirmando que eu deveria ter cuidado para não “me sujar”. Quis mais explicações dele sobre a expressão, e sua resposta foi “nesse ambiente tem muita vaidade e quanto menos você mexer, melhor”.

Na semana do drama causado pela “carta” de apoio ao professor Vitor, fui alertado que meu objeto em construção e minha vontade de escrever sobre o PEE era um “suicídio”, e que eu deveria “esquecer o doutorado”. Quem me advertia era Almir, um mestrando que fazia pesquisa etnográfica, mas que me fez este alerta no estacionamento, me chamando inclusive para falar do assunto longe dos outros.

Perguntei a ele se tinha feito a publicação de capítulos com Cleber. Disse que não, pois fez a disciplina com outra professora, mas que “todo mundo faz isso, é certeza, pode contar”. As posturas de Rodrigo e Almir, que fizeram críticas, mas seguiram um protocolo de eufemismos e dissimulações, coadunam com a tentativa de não “se queimarem” com o programa, ou seja, fazerem política dentro do curso e passarem despercebidos para não terem problemas. Algo semelhante aAcrísio e Murilo, que também alertaram para eu ter calma e cuidado, como se houvesse uma hierarquia de assuntos e temas, e o escolhido por mim era um que não poderia ser feito por alguém que ainda estava sendo comandado pelos sujeitos que seriam investigados.

Tânia e Paulo, ao contrário, encorajavam e perguntavam sobre detalhes metodológicos e como estava minha relação com a orientadora. Eles vinham espontaneamente dizer suas impressões sobre o PEE e não estavam preocupados com qualquer retaliação, aparentemente. Paulo chegou espontaneamente para mim e disse:

“Fui até meu departamento na universidade e falei das reuniões de linha que são feitas aqui. Disse a eles que aqui se fala de Filosofia Africana. O que é isso? Filosofia Africana? Outra coisa, as reuniões não são planejadas, a gente chega e fica sentado vendo pessoas que mal são apresentadas falarem sobre

pesquisas que nada acrescentam e que terminam sempre como debates sobre nada”.

Tânia, inclusive, foi certa vez repreendida por Rodrigo por fazer crítica parecida no momento da reunião da linha de pesquisa. Ela disse aos membros que aquelas reuniões eram perda de tempo e que nada acrescentavam ao conhecimento. Novamente a advertência à possibilidade de ser “queimada”. Ela e Paulo estão no doutorado, são professores de nível superior, concursados. A decepção deles em mudar- se para outro estado e não verem suas aspirações intelectuais atendidas era demonstrada muitas vezes.

Almir, Rodrigo e Murilo são aspirantes a professores universitários, desejos expressos pelos três quando perguntados sobre seus destinos profissionais. Isso os deixa em uma situação de cautela maior do que Paulo e Tânia, que já conseguiram um contrato vitalício e estão no PEE para melhorar o salário, mas também crescer em bagagem de conhecimento.

Benzer Belgeler