• Sonuç bulunamadı

Durante o Congresso Internacional sobre Financiamento Eleitoral e Democracia, realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 11 e 12 de junho de 2015, foi lançado o Manual de Financiamento de Campanhas, resultado do entendimento entre o TSE e o Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA) Internacional.236

Especialistas de diversos países trocaram experiências sobre os modelos de custeio das campanhas eleitorais pelo mundo. O encontro foi promovido pelo TSE e ocorreu, em Brasília, nos dias 11 e 12 de junho. No Congresso, destacou-se que todos os países têm problemas relativos ao financiamento político, há necessidade da adoção de medidas para que haja transparência nas eleições, tais como:

a) financiamento 100% público de campanhas;

b) a existência de contribuição empresarial sem limites; c) a equidade nos acessos aos meios de comunicação; d) os limites de gastos eleitorais;

e) a fiscalização de gastos;

f) o uso abusivo dos recursos do Estado, em contexto de reeleição;

g) os mecanismos de controle e sanções aos candidatos e partidos políticos.

Magnus Ohman destacou o segundo capítulo do Manual, que discute sobre os regulamentos de financiamento e como reformá-los, tendo em vista o conjunto político de cada país relativamente à influência do dinheiro na política.

236MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015 Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

O objetivo é evitar erros políticos com regras que realmente funcionem. Esperamos que as próximas gerações discutam como a regulamentação deve ser aplicada e como a transparência pode ser alcançada.237

Magnus Ohman fez um histórico do modelo de financiamento público, originário da América Latina, sendo que o modelo adotado pelo Uruguai foi o mesmo posteriormente adotado, também, pela Alemanha. Prossegue afirmando que o financiamento público, em geral, favorece o partido do governo que tem acesso aos recursos públicos.

Segundo Dias Toffoli, Presidente do TSE, a troca de experiências é importante, exatamente no momento em que o Congresso brasileiro põe em votação a reforma política.

O Professor Bruno Speck discorreu sobre as modalidades do financiamento público, que não contempla a igualdade da participação entre cidadãos e poder público. As empresas devem ser excluídas do processo de financiamento das campanhas.

Temos modalidades interessantes que incluem e que fortalecem o cidadão. Esse sistema complementar fortalece o cidadão na sua capacidade de influenciar na campanha política. É um mecanismo inteligente que repassa os recursos públicos via interesse dos cidadãos.238

Ainda de acordo com Bruno Speck, é possível preservar a independência dos representantes eleitos em relação aos poderes econômicos. Citou como exemplo o Canadá, em que o Estado restitui por meio do imposto de renda as doações feitas pelo cidadão a determinado político.

O Estado assume o custo total de todas as doações, porém, cada eleitor recebe um bônus por meio do qual decide onde o dinheiro vai ser alocado. Ou seja, o cidadão decide para qual candidato o Estado deve encaminhar determinada quantia.239

237MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

campanhas-eleitorais-e-lancado-em-congresso-da-justica-eleitoral>. Acesso em: 18 jul. 2015. 238MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da

Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

campanhas-eleitorais-e-lancado-em-congresso-da-justica-eleitoral>. Acesso em: 18 jul. 2015. 239MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da

Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

Henrique Fontana, Deputado Federal (PT-RS), defendeu que o Brasil adote um sistema que sintonize a vontade do cidadão com o resultado eleitoral.

É crescente a influência do poder econômico no resultado das eleições e o poder econômico não faz escolhas democráticas, mas sim pragmáticas, que coadunam com o seu interesse, e não com o interesse do cidadão.240

Piero Ignazi, italiano, lembrou que a relação entre dinheiro e política é muito antiga. Citou exemplos desde a Roma Antiga e falou sobre os modelos adotados na Europa Ocidental e no Leste Europeu. Na Itália, a quantia de fundos públicos nas campanhas significa 50% do total do financiamento eleitoral.

A Índia foi representada por S. Y. Quraishi, que citou problemas como a militância, o terrorismo e a violência nas eleições, destacando, porém, que essas questões foram resolvidas. O maior problema reside na questão financeira das campanhas.

S. Y. Quraishi terminou sua exposição destacando que o poder do dinheiro nas eleições é um problema mundial que continua a desafiar soluções. Em sua opinião, encontros similares aos do Congresso Internacional sobre financiamento eleitoral e Democracia favorecem o debate na busca de respostas.

Henrique Neves, Ministro do TSE e Relator dos Debates, afirmou que nenhum país está só nessa questão.

Todos possuem dificuldades e soluções e cabe unirmos nossas mentes para tentar identificar a melhor solução para cada um dos países envolvidos. Entretanto, essa solução pode ser muito boa para um país e não ter o mesmo efeito para outros países.241

Acrescentou finalmente que o debate é importante, mas essas reformas:

(...) resolverão nossos problemas momentâneos e, em seguida, teremos outros problemas que exigirão soluções.

campanhas-eleitorais-e-lancado-em-congresso-da-justica-eleitoral>. Acesso em: 18 jul. 2015. 240MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da

Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

campanhas-eleitorais-e-lancado-em-congresso-da-justica-eleitoral>. Acesso em: 18 jul. 2015. 241MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da

Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

(...) A legislação evolui para enfrentar momentos históricos em que ela se faz necessária.242

Último a falar, Daniel Zovatto fez uma reflexão sobre as tendências e assuntos relacionados ao financiamento eleitoral na América Latina, destacando que, há 25 anos, esse tema não era pauta da agenda política.

Fraude e autonomia eram a grande onda. O financiamento eleitoral veio se tornando tema central de debates, sem resistências.

(...) o financiamento político é um tema global que constantemente enfrentará problemas.

(...) as crises sempre serão grandes parceiras das reformas.243

Para o Executivo, Congresso e partidos, a reforma política não era questão de prioridade até 2015. Reforma política teria sido, até então, o mesmo que reforma eleitoral. O único “lugar” para o debate era o Congresso e dizia respeito à “vida dos parlamentares” e, no máximo, aos partidos.

A mudança de concepção que está ocorrendo quando se coloca, em seu bojo, o debate de questões relativas ao processo de desigualdade no Brasil, as dimensões de classe, sexo, cor da pele, etnia e desejos sexuais.

Segundo as palavras do professor Fabio Comparato, temos uma Democracia sem povo, com processos democráticos que não são alicerçados na soberania popular. O País tem um poder masculino, branco e proprietário, como indica a sub- representação das mulheres, dos negros e índios, dos homossexuais, dos jovens das periferias, dentre outros.

Qual o alicerce de um sistema tão perverso e desigual? O Poder Econômico e a reprodução das desigualdades.

(...) nunca tivemos em nossa história política força suficiente para provocar rupturas. Sempre saímos de um “período histórico” para outro por meio da conciliação, e não de rupturas. E essa conciliação sempre foi feita tendo como sujeitos políticos hegemônicos as forças conservadoras e as elites. Foi assim com a “independência” do Brasil, com a “abolição” da escravidão, com a proclamação da República,

242MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

campanhas-eleitorais-e-lancado-em-congresso-da-justica-eleitoral>. Acesso em: 18 jul. 2015. 243MANUAL de financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais é lançado em congresso da

Justiça Eleitoral. JusBrasil, maio 2015. Disponível em: <http://tre- es.jusbrasil.com.br/noticias/197895300/manual-de-financiamento-de-partidos-politicos-e-

chegando à saída da ditadura militar, em que a hegemonia do processo foi das próprias forças que apoiaram o regime. Portanto, criar novas institucionalidades significa romper com esse passado conciliatório e provocar rupturas no sistema político.244

Votada pelo Congresso, a reforma deixou de lado a iniciativa popular via proposta da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político e a do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que propunha o fortalecimento dos instrumentos da Democracia direta e a criação de mecanismos democráticos de controle e fiscalização do processo eleitoral.

Recentemente (em 17.09.15), o Supremo Tribunal Federal resolveu por 8 votos a 3, declarar inconstitucionais as normas que permitem a empresas doar para campanhas eleitorais dessa forma, perdem validade as regras da atual legislação impedindo contribuições empresariais em eleições. Essa decisão, contudo não proíbe que pessoas físicas possam fazer doações às campanhas eleitorais.

No entanto no dia 29.09 sob os argumentos de que os princípios republicano e democrático confrontariam com a igualdade política, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei da Reforma Política aprovada pelo Congresso Nacional, mas vetou sete itens, incluindo o trecho que permitia a doação de empresas a campanhas eleitorais. Os vetos foram publicados em edição extra do "Diário Oficial da União”.245

Os desfechos dessa atitude certamente trarão resultados mais benéficos na questão da igualdade política, vez que há agora certa “tendência”, ou ao menos uma “tendência” ética da mediana, de que o poder econômico não mais atuará de forma inconsequente financiando eleições hoje para colher frutos amanhã, e de forma direta ou indireta quebrando o princípio da igualdade de participação política à aqueles que não tem condições de manter uma campanha política baseada no financiamento eleitoral envolvendo altas cifras de capitais.

244MORONI, José Antonio. Reforma do sistema político: Para onde vamos? Escola de Governo, Artigos, São Paulo. Disponível em: <http://www.escoladegoverno.org.br/artigos/3297-reforma-do- sistema-politico-para-onde-vamos>. Acesso em: 18 jul. 2015.

245 http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/09/dilma-veta-doacao-de-empresas-campanhas-eleitorais.html Acesso em: 29. set. 2015.

Benzer Belgeler