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Existe um aspecto que pode ser considerado quando se fala de Valor Adicionado. Valor Adicionado, basicamente tem o mesmo conceito, mas pode representar formas de cálculos diferentes se compararmos as ciências econômicas e as ciências contábeis.

Em alguns aspectos a ciência contábil apresenta conflitos com outras ciências, tal como, a ciência econômica.

Nesse capítulo é exposto o que os autores falam das diferenças de conceito e cálculo entre Valor Adicionado econômico e contábil.

1.5.1 Valor Adicionado Econômico para Cálculo do PIB

As nações utilizam a métrica do PIB (produto interno bruto) para avaliar o crescimento ou decréscimo da economia do país.

É a forma que se encontrou para apurar a produção e a renda que um país sozinho consegue produzir.

Segundo Rossetti (2003, p. 542) ―o Valor Adicionado (ou de produto) está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional [...]‖.

Renda nacional compreende o montante que uma nação consegue arrecadar em decorrência da produção nacional menos os gastos necessários para a respectiva produção.

No cálculo da renda nacional é considerado o Valor Adicionado (ou agregado) que uma economia produz num período, geralmente, um ano.

Para Rossetti (2003, p. 544) ―Valor Adicionado e remunerações pagas aos fatores de produção são expressões equivalentes‖ na economia.

Os fatores de produção (trabalho e capital) são os valores gastos e pagos a terceiros em forma de salários, aluguéis, lucros e juros (DE LUCA, 1998, p. 53).

Uma das problemáticas encontradas no cálculo do PIB, considerando que o Valor Adicionado é representado pelo total de produção, é a contagem em duplicidade no cálculo do Valor Adicionado.

Para Passos e Nogami (2003, p. 376) o produto interno bruto ―refere-se ao valor agregado de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico do país [...] exclui as transações intermediárias, isto é, ele é medido a preços de mercado‖.

De Luca (1998, p. 28) ainda afirma que ―o conceito de Valor Adicionado (ou valor agregado) é utilizado na macroeconomia para avaliação do chamado Produto Nacional‖.

Produto nacional ou renda nacional, ―são os produtos gerados pelos recursos de propriedade de uma nação, os fluxos de rendas por ela apropriados e os dispêndios que ela realiza, independentemente das bases territoriais onde ocorram‖ (ROSSETTI, 2003, p. 563).

O conceito de Valor Adicionado pela produção pode levar a algumas análises e cálculos indevidos se não avaliar a exclusão da contagem de produção em duplicidade. Por exemplo, quando a empresa A vende parte de sua produção para a empresa B produzir um segundo produto, os itens produzidos em A que são levados no cálculo do valor agregado vão ser novamente considerados quando a empresa B entregar sua produção. Dessa operação, decorre a contagem múltipla, ou seja, um item que já foi contado para cálculo do valor agregado é contado novamente, no final da cadeia produtiva.

Como afirma De Luca (1998, p. 28) ―expressão ‗bens e serviços finais produzidos‘ mostra um dos principais problemas na formação do produto nacional: a contagem múltipla‖.

Para Dornbusch, Fischer e Startz (2003, p. 27):

O PIB é o valor dos bens e serviços finais produzidos. A insistência nos bens e serviços finais é simplesmente para assegurar que não faremos dupla contagem. Por exemplo, não vamos querer incluir o preço todo de um automóvel no PIB e depois também incluir o valor dos pneus que foram vendidos para os fabricantes de carros para ser utilizado no carro. Os componentes do carro que são vendidos para os fabricantes são denominados bens intermediários [...] Na prática, a dupla contagem é evitada trabalhando-se com o valor agregado. A cada etapa de fabricação de um bem, só se conta o valor agregado ao bem em tal etapa como parte do PIB [...]

Assim, para evitar a contagem de produção em duplicidade, no cálculo do Valor Adicionado, na economia, Dornbusch, Fischer e Startz (2003, p. 27) ―afirmam que a soma do valor agregado de cada etapa do processamento é igual ao valor final‖ (do produto vendido).

O conceito de Valor Adicionado na economia e na contabilidade é igual (DE LUCA, 1998, p. 32).

1.5.2 Racional para Cálculo do Valor Adicionado Econômico e Contábil

O racional para calcular o Valor Adicionado de uma empresa, tanto na economia quanto na contabilidade, leva em consideração a eliminação da contagem em duplicidade, vista no capítulo anterior.

Quando uma empresa fornece produtos para outra empresa, a contabilidade e a economia tomaram o cuidado de considerar apenas o Valor Adicionado em cada

etapa do processo de produção para não ―acumular‖ Valor Adicionado ou contá-lo em duplicidade na cadeia de produção.

A problemática no cálculo do Valor Adicionado em ambas as ciências é o ―fato gerador‖ para calcular o Valor Adicionado. Para De Luca (1998, p. 37) ―na ciência econômica, o conceito de Valor Adicionado é obtido em função da produção. Na ciência contábil, em geral, utiliza-se o conceito das vendas para obter-se o Valor Adicionado (riqueza criada) da empresa‖.

Para a economia o Valor Adicionado representa o quanto a sociedade (empresa ou nação) produziu, enquanto para a contabilidade, o Valor Adicionado representa o quanto a sociedade produziu e vendeu (consumiu), ou seja, é a diferença entre o valor de venda e o valor de custo total de produção que resulta o Valor Adicionado contábil. Por exemplo: se uma empresa gastou o total de R$10.000,00 para fabricar bicicletas num período, mas não conseguiu realizar venda de nenhuma bicicleta, para a economia houve o Valor Adicionado de R$10.000,00, mas se essa empresa não realizou venda de nenhuma bicicleta, para a contabilidade, o valor da venda é igual a zero, portanto, não houve Valor Adicionado, porque não há receita gerada ou como calcular a diferença entre a venda e o respectivo custo da venda.

Percebe-se que para a economia a produção de um determinado bem, independente de ter ocorrido a venda, já atende ao critério para formação do Valor Adicionado (agregado). O fator para determinar a criação de Valor Adicionado (agregado) é a produção final, como já mencionado por De Luca (1998, p. 37), anteriormente.

Nesse sentido, De Luca (1998, p. 29) afirma que ―produtos finais são aqueles que são produzidos e/ou comprados, mas não são revendidos ou consumidos, durante o período contábil corrente, ou seja, fazem parte dos bens e serviços finais produzidos no período‖.

Este é talvez um dos elementos mais importantes para a conciliação entre o Valor Adicionado calculado pela empresa e o Valor Adicionado calculado pelo IBGE. Vimos que o valor das vendas é a base de mensuração do Valor Adicionado das empresas e para fins de cálculo do PIB o IBGE utiliza o conceito de valor da produção.

O Valor Adicionado na economia e na contabilidade tem o mesmo conceito, mas a forma de chegar-se ao Valor Adicionado assume cálculo diferente nessas duas ciências.

Benzer Belgeler