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Başkalarının İdeal Tip Davranışları Hakkında Bilgi Sağlamak

2.7. Dürtme ve Gıda

2.7.4. Başkalarının İdeal Tip Davranışları Hakkında Bilgi Sağlamak

Para estudarmos as estratégias de enfrentamento dos problemas no cotidiano das famílias em situação de risco e vulnerabilidade e a participação do PSF neste contexto, colocamo-nos diante de uma pesquisa que requer, pela sua natureza, uma abordagem de cunho qualitativo.

Na tentativa de reduzir as distâncias que permeiam as relações entre profissionais e usuários, no âmbito institucional, e nos aproximarmos do cotidiano das famílias participantes do nosso estudo, procuramos sair do nosso próprio percurso na Unidade de Saúde e caminhar em outros territórios que permitissem adentrar lugares até então desconhecidos.

Procuramos caminhos que nos conduzissem a espaços mais profundos das relações, conforme nos fala Minayo (1994) a respeito da pesquisa qualitativa, cientes de que entraríamos no universo de significados, motivos, aspirações, valores e atitudes, aspectos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

No campo da saúde, diante da complexidade dos objetos de estudo, a autora defende que se faz necessário mover-se no terreno das inter-relações e interconexões, tornando-se imprescindível a ampliação do conceito sociológico de saúde para uma abrangência da totalidade das relações sociais e dos investimentos emocionais contidos nessas relações e expressos no aspecto cultural. Nessa perspectiva, Minayo (2006, p.31) acrescenta:

Cultura não é apenas um lugar subjetivo, ela abrange uma objetividade com a espessura que tem a vida, por onde passa o econômico, o político, o religioso, o simbólico e o imaginário. Ela é o lócus onde se articulam os conflitos e as concessões, as tradições e as mudanças e onde tudo ganha sentido, ou sentidos, uma vez que nunca há nada humano sem significado e nem apenas uma explicação para os fenômenos.

Norteadas pelo método qualitativo de pesquisa, optamos pela realização de entrevistas semi-estruturadas, utilizando como ferramenta, a história oral.

A história oral permite conhecer o sujeito em sua singularidade, sua experiência social e o modo como constrói sua vida, envolvendo valores, crenças, costumes e práticas sociais. Buscamos histórias a partir das condições materiais de existência e dos acontecimentos diários na vida de pessoas comuns: o que fazem, o que pensam e como estão organizadas as relações familiares, considerando a vida cotidiana como fonte de conhecimento.

O uso da história oral proporciona a geração de documentos (entrevistas) que possuem uma característica singular: são resultado do diálogo entre entrevistador e entrevistado, entre sujeito e objeto de estudo. Ferreira e Amado (1996) enfatizam, que assim, o pesquisador é levado a afastar-se de interpretações fundadas numa separação abissal entre sujeito/objeto de pesquisa e a buscar caminhos alternativos de interpretação.

Consideramos, também, que a história oral funciona como ponte entre teoria e prática, estabelecendo e ordenando procedimentos de trabalho e que na área teórica, ainda conforme Ferreira e Amado (1996), ela é capaz apenas de suscitar, jamais de solucionar questões.

Ao discorrer sobre as contribuições da história oral, Thompson (1992) afirma que a evidência oral pode conseguir algo mais penetrante e mais fundamental para a história, à medida que transforma os “objetos” de estudo em “sujeitos”, contribuindo para uma história que não só é mais viva como também mais verdadeira. Acrescenta, ainda, que a influência recíproca entre família e economia é um tema que tem sido proposto por historiadores que estudam a criação dos filhos, o casamento e o trabalho feminino, relacionando-os diretamente à história das mulheres.

Compreendemos que na entrevista há um processo recíproco de aprendizado onde entrevistador e entrevistado têm a possibilidade de mudar um ao outro buscando diferentes conhecimentos. Desse modo, a fonte oral é uma fonte “viva e inacabada”, além de nos colocar em confronto com o outro. Como afirma Vilanova (1994, p.55), “as entrevistas tendem a indicar os pontos cruciais que prejudicam a independência ou a liberdade: ou apontam os bloqueios das consciências, ou sublinham o que mais dói”.

Para a realização das entrevistas, utilizamos um roteiro (Apêndice C) contendo tópicos que serviram de fios condutores para a interlocução, permitindo flexibilidade nas conversas e contemplando a abrangência das informações.

O estudo de campo ocorreu na área de abrangência da Unidade de Saúde da Família do Panatis, localizada no bairro Potengi – Região Norte do município de Natal. A referida Unidade funciona com quatro equipes de Saúde da Família responsáveis por duas mil, novecentas e dez famílias adscritas. A opção pelo local se deu em decorrência da nossa inserção neste campo desde 2001, aspecto que criou, na nossa opinião, situação favorável à interação para a proposta do estudo.

ao PSF junto às enfermeiras e agentes comunitários pertencentes às quatro equipes de saúde da família do Panatis.

Foram selecionadas dez famílias em situação de risco, considerando como risco as circunstâncias contextuais que envolvem essas famílias, ou seja, famílias carentes de condições socioeconômicas básicas, tendo em vista que tais circunstâncias comprometem a saúde e o desenvolvimento dos seus membros. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2001), essa identificação se dá em relação ao trabalho, renda familiar, alimentação, moradia, saneamento básico, acesso à educação, transporte e serviços de saúde. Associamos ao conceito de risco o conceito de vulnerabilidade, considerando que as privações das necessidades básicas afetam diretamente as capacidades de enfrentamento e de iniciativas próprias.

Para atender ao propósito do nosso estudo, decidimos entrevistar as mulheres, donas de casa. Responsável pela sobrevivência no dia-a-dia, em geral, é a dona-de-casa quem convive mais intensamente com os problemas no convívio familiar. Historicamente, segundo Vasconcelos (2001), a maior responsabilidade das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos, nas várias sociedades, é atribuída à mulher. É ela quem coordena as iniciativas para controlar os recursos existentes e constrói estratégias para garantir a sobrevivência de todos; monta redes de apoio com a vizinhança, fazendo trocas e empréstimos; é responsável pela limpeza da casa e pelo vestuário; enfrenta as filas nos serviços de saúde, levando as crianças para atendimento, e administra os medicamentos e tratamentos prescritos; toma iniciativas para superação das crises e assume o papel de mediadora nos conflitos entre os filhos.

Foram realizadas dez entrevistas seguindo os critérios de saturação que orientam a pesquisa qualitativa. Por critério de saturação, entende-se, conforme Minayo (2006), o conhecimento formado pelo pesquisador no campo, de que conseguiu compreender a lógica interna do grupo ou da coletividade em estudo.

Benzer Belgeler