4. Bulgular
4.1. Başarı Hedef Yönelimleri Ölçeğinin Geçerlik Çalışmalarına Yönelik Bulgular
Ao contrário da deusa Ísis que já pertencia ao panteão tradicional egípcio456, Serápis apresenta-se como uma divindade cuja origem é ainda hoje sujeita a várias interpretações.
Em primeiro lugar, muitos autores, como P. Lévêque457, S. Morenz458 ou M. Lurker459, afirmam que o deus Serápis foi uma invenção da dinastia Ptolemaica, mais especificamente por Ptolemeu Sôtèr I (diádoco de 323-306 a. C.; rei do Egipto de 306- 285 a. C.) em Mênfis, com a finalidade de criar um deus de império que poderia ser adorado tanto pelos súbditos Gregos como Egípcios460. Serápis seria portanto herdeiro simultaneamente de Osíris-Ápis, deus funerário egípcio de Mênfis461 a quem deve o seu
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Apesar de pertencer ao panteão tradicional egípcio, Ísis já tinha sofrido uma longa evolução desde antes da chegada dos Gregos ao Egipto. Depois, no período helenístico, acabou por absorver as funções da maior parte das deusas gregas e egípcias (Préaux, 1978, p. 655).
457 Lévêque, 1987, p. 153. 458 Morenz, 1977, pp. 314-315. 459 Lurker, 1994, p. 199. 460
O autor clássico Plutarco também atribuiu a aparição de Serápis com Ptolemeu Sôtèr I (Brázia, 2011, p. 41).
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Segundo a lenda, quando Ísis e Neftis retiraram da água o cadáver de Osíris, sepultaram-no em Mênfis. Os menfitas confundiram depois o túmulo de Osíris com o de Ptah-Sokaris (López, 1993, p. 98).
nome462, e de divindades gregas, filantrópicas como Zeus ou Asclépio, e místico como Dioniso463 (combinação com os mistérios da Grécia464), que já Heródoto identificava com Osíris465. Para fixar a imagem do deus, Sôtèr manda transportar para Alexandria, por volta de 285 a. C., uma estátua que o escultor Briaxis tinha executado na segunda metade do século IV a. C. para o templo de Hades em Sinope. A reprodução desta estátua passaria a ser a imagem canónica desta divindade466 – representação de Serápis sob os traços de um homem de idade madura, com cabeleira e barba abundantes, a cabeça coroada por um toucado cilíndrico cingido de espigas (modius ou kalathos, semelhante a um açafate) e vestido de um khiton, sentado num trono, segurando um ceptro na mão esquerda e tendo num dos lados a presença do cão dos infernos, Cérbero467. De Mênfis, o culto estender-se-ia a Alexandria onde Ptolemeu III edificou um vasto santuário.
Por sua vez, J.-C. Grenier468, a partir do seu estudo sobre a estatuária do Serapeu da Villa de Adriano, propõe como hipótese que o deus Serápis seria na realidade uma entidade resultante da fusão de Osíris de Cânopo com o Ápis de Mênfis, transtornando algum tanto a interpretação tradicional segundo a qual a sequência Osíris-Ápis designaria o Ápis morto.
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Após a sua morte, o touro Ápis é como “absorvido” por Osìris; daì fala-se de Osíris-Ápis, tornando-se em grego Serápis (Lurker, 1994, p. 51). O nome do deus alexandrino representa portanto uma deformação de “Osìris-Ápis”, designando um touro sagrado que era adorado em Mênfis e que, após a sua morte, era enterrado junto dos seus congéneres numa cova gigantesca (Morenz, 1977, pp. 314-315), tornando-se num novo Osíris (Husson e Valbelle, 1992, p. 222).
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No Serapeu de Mênfis de Ptolemeu I, assistimos à primeira fusão sincrética entre Dioniso e Serápis (Osíris-Ápis). Sabemos através de Tácito e Plutarco (Tácito, Hist., 4, 80-84; Plutarco, De Iside et Osiride, 28) que é o próprio Dioniso que tinha, no tão instrutivo “Sonho de Ptolemeu I”, determinado a instalação no Egipto do sincretismo Dioniso-Serápis, prescrito pelo deus grego através uma epifania nocturna (Picard, 1951, pp. 77-80).
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Cumont, 1906, p. 93.
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Considerado como o soberano das necrópoles e do mundo inferior (López, 1993, p. 96), o culto de Osíris estava estreitamente ligado ao culto dos mortos no Egipto (Burkert, 2003, p. 29). No Império Médio, a capacidade de se tornar num Osíris após a morte, até aqui reservada aos reis, propagou-se pouco a pouco, em todo o Egipto, a todos aqueles em que o corpo tinha sido mumificado segundo os ritos (Préaux, 1978, pp. 655-656). É preciso relembrar que durante muito tempo se reservou a religião funerária solar aos reis e aos membros de suas famílias, enquanto que o osirianismo se propagou entre os camponeses e as gentes modestas até o dia em que obteve a adesão fervorosa de toda a população (López, 1993, p. 90).
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Brázia, 2011, pp. 41-42.
467
Brázia, 2011, p. 160, Lévêque, 1987, p. 153, Morenz, 1977, p. 315 e Lurker, 1994, p. 199.
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Cânopo, situada num ramo do Nilo, a uma vintena de quilómetros de Alexandria, era uma cidade célebre pelo seu templo de Serápis, onde os oráculos eram expedidos por incubação469 e os enfermos aguardavam curas milagrosas470. Antes do Serapeu, e segundo a análise de J.-C. Grenier471, já existia um culto dedicado a um Osíris local, figurado como um vaso pançudo contendo a água do Nilo e cuja tampa era uma imagem da cabeça do deus. Da tríade divina da mesma cidade, encontramos também Harpócrates, representado como um Hórus “triunfante” trespassando de sua lança o inimigo deitado no chão (assimilação de Harpócrates/Hórus com Héracles). Ísis estava igualmente presente, figurada como uma deusa “triunfante”472, calcando sob os
pés um crocodilo, brandindo na sua mão direita uma serpente473 e segurando uma sítula na esquerda. A sítula representaria a água do Nilo, seguramente uma alusão ao seu culto que se celebrava em Cânopo e que tinha dado sua imagem ao Osíris local. Por seu lado, o crocodilo e a serpente dominados pela deusa seriam o triunfo de Ísis sobre as forças hostis, conotando-se com uma função curadora da deusa474 que seria conforme ao seu papel “de esposa” do Serápis curandeiro de Cânopo.
Vamos reencontrar de facto esta representação de uma jarra contendo a água sagrada (e relembrando o Osíris de Cânopo) nos rituais isíacos de época romana. Podemos dar como exemplo a cena de uma cerimónia sagrada de tipo egípcio representada num fresco de Herculano475 (ver fig. 53), em que no alto do templo, num
pronaos limitado por esfinges, um sumo-sacerdote surge da cella levando consigo um
469 Rachet, 1994, p. 189. 470 Grenier, 1989, p. 954. 471 Grenier, 1989, pp. 952-955. 472
Esta Ísis “triunfante” é conhecida por algumas decorações de discos de lucernas, algumas figurinhas em terracota e sobretudo por uma estátua encontrada em Ras el-Soda, lugar situado entre Alexandria e Cânopo, datável de meados do século II d. C. e actualmente no Museu de Alexandria (Grenier, 1989, p. 952).
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O gesto desta Ísis domando de sua mão uma serpente lembra a lenda grega da esposa de Menelau, Helena, esmagando de sua mão a víbora que, na localidade de Cânopo, acabava de morder seu piloto Canopus o qual em morrendo deu o seu nome à cidade (Grenier, 1989, p. 953).
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Esta Ísis poderia ser a famosa Ísis Ménouthis na qual certas tradições vêem a associação da deusa egípcia e de Ménouthis, a esposa de Canopus, e em quem se acreditava ser uma deusa curadora (Grenier, 1989, nota 52 p. 954).
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Ver Burkert, 2003, fig. 8 e Mar, 2001, estampa XXXIX p. 167 (actualmente o fresco encontra-se no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles). Na obra de W. Burkert (2003, “Table des Illustrations”, fig. 8) temos uma gralha, referindo-se ao fresco da cerimónia da água sagrada como pertencente à cidade de Pompeia em vez da cidade de Herculano.
vaso (de ouro segundo R. Mar) contendo a água do Nilo (o Osíris segundo W. Burkert). Interessante é igualmente outro fresco pompeiano procedente do templo de Ísis476 (ver fig. 54), representando o Nilo transportando a jovem Io que toca com a sua mão direita a da deusa Ísis, relatando por este gesto simbólico o mito da origem da deusa nilótica venerada na cidade477. Ora, a Ísis representada neste fresco também segura, na sua mão esquerda, uma serpente, tal como a Ísis “triunfante” de Cânopo.
Por fim, temos a interpretação de C. Préaux478 que, ao contrário dos outros autores, não considera o deus Serápis como uma criação dos Lágidas, afirmando que nada autoriza a emprestar aos Ptolemeus a intenção de unir no culto deste deus seus súbditos Gregos e Egípcios. Para este autor, foi uma consequência do interesse que tiveram desde cedo os reis gregos pelo dito Serapeu egípcio de Mênfis479. A novidade na época helenística foi a expansão de Serápis no mundo grego, o antropomorfismo dado às suas representações e a sua adaptação à mentalidade grega. As virtudes que lhe eram atribuídas derivavam portanto de sua origem osiriana e eram assimiladas às de outros deuses helénicos, como Asclépio ou Zeus, e os Gregos depositaram nele as suas esperanças de salvação sob todas as formas.