3. BÖLÜM
4.5. Baş Etme Tutumu İle İlgili Bulgular
Nesta etapa do trabalho, traçamos um paralelo com a União Européia, identificando quais as principais diferenças entre os blocos em análise, com o intuito de mostrar um possível caminho a ser percorrido pelo Mercosul. Ressaltamos para isso que acreditamos que o modelo europeu, apesar de seus problemas atuais, apresenta-se como uma forma a ser seguida, em virtude dos seus resultados alcançados ao logo de quase meio século de processo de integração.
Os pontos mais profundos e merecedores de maiores críticas do Mercosul são, em primeiro lugar, sua debilidade institucional, e, em segundo lugar, o estado de espírito dos seus Estados-membros nas atuais negociações. Esses dois pontos sentenciam as maiores assimetrias diante da UE.
A debilidade institucional do Mercosul pode ser mostrada com algumas comparações:
o TAs deu personalidade jurídica ao Mercosul e preparou o terreno para a criação futura de uma organização internacional sem constituí-la de
imediato. Tem como encargo constituir um mercado comum, ao passo que o Tratado de Roma atribuiu à Comunidade Econômica Européia a missão de estabelecer um mercado comum. Como efeito, o Mercosul não é uma organização provisória e sim uma organização de vocação permanente, cujo quadro orgânico é, esse sim, de caráter provisório;
não há menção no TAs de todas as etapas de integração e seus respectivos prazos. O princípio da progressividade, tal como é previsto no contexto do Mercosul, concede grande mobilidade e subjetividade nas avaliações e comprometimento entre os Estados-membros. Ao contrário, os fundadores da Comunidade Econômica Européia tiveram a preocupação de determinar que um Estado-membro não poderia alegar o não-cumprimento de suas próprias obrigações para impedir a passagem à etapa posterior;
o quadro institucional neste período de transição é intergovernamental, baseado na unanimidade com a presença de todos os Estados-membros com poder de veto. A preponderância nessa modelagem, e contrariamente à UE, é diplomática. Esse aspecto reforça ainda mais a característica de que o Mercosul representa a soma das vontades nacionais, sendo portanto uma cooperação entre Estados-membros, e não a busca da vontade comum, como é o caso da UE, que assim se apresenta como uma integração entre os Estados-membros;
o funcionamento das instituições de integração na UE apóia-se numa dinâmica diferente das que caracterizam um Estado, como acontece no Mercosul. O sistema institucional europeu caracteriza-se por uma dissociação clara e marcante entre órgão e função, ou seja, nenhum órgão possui uma função exclusiva, assim como nenhuma função é exercida por apenas um órgão;
o Mercosul é regido pelo princípio da subsidiariedade, que basicamente consiste em diferenciar o que é atribuição da coletividade daquilo que deve permanecer como competência dos Estados-membros no processo
de integração. Isso consiste, na prática, numa regulação. Na UE, o princípio utilizado é inverso, ou seja, ele atribui competências em vez de regulá-las;
a construção do Mercosul está galgada em uma estrutura psicológica que não permite a possibilidade de um exercício de soberania dividida. Ao contrário, temos o cenário europeu, calçado num pós-guerra lançado posteriormente na Guerra Fria, sempre desejando estabelecer meios que evitassem a eclosão de um novo e devastador conflito bélico. A aproximação dos países envolvidos tem como pano de fundo uma questão de sobrevivência inexistente no Mercosul;
o Mercosul não possui orçamento próprio; somente a Secretaria Administrativa possui financiamento por parte dos Estados-membros. A UE conta com um sistema de arrecadação independente da vontade política e econômica dos seus Estados-membros.
No que se refere ao estado de espírito nas negociações dos Estados- membros, temos inúmeros casos reais que demonstram haver despreparo e imaturidade nas relações internacionais. Os jornais e revistas dos quatro países estão fartos de casos que comprovam e descrevem esse “espírito”. Vamos relatar apenas um caso bastante comentado e que demonstra bem como se encontra o Bloco, como pensam os políticos e empresários em relação ao Mercosul. Trata-se do caso do “Porto de Belém”, que aconteceu em maio de 1998. Consistiu basicamente na demanda da empresa argentina Coagulantes Argentinos, no âmbito da jurisdição de Buenos Aires, sobre a retenção de mercadorias e a interdição, em caráter provisório, do Navio Santos Dumont, ancorado no porto de Belém do Pará. As medidas cautelares foram deferidas pela jurisdição Argentina, tendo como objetivo final a garantia das dívidas do dono do navio junto à empresa credora. Essa transposição de normas derivada do Mercosul foi objeto de uma decisão emblemática e polêmica do Supremo Tribunal Federal Brasileiro. Esse caso consistia da aplicação de um protocolo assinado pelos Estados-membros do Mercosul, no âmbito da Reunião de
Ministros da Justiça, aprovado pelo Conselho em 17 de dezembro de 1994. Trata-se de um protocolo de cooperação jurisdicional relativo à execução de medidas cautelares. A decisão do STF, para surpresa da maioria dos juristas, foi de, ao invés de resolver a controvérsia aplicando as condições da norma do Mercosul, concentrar-se em uma questão anterior: a de verificar se a norma em questão estava em vigor na ordem jurídica brasileira. Nunca antes a Suprema Corte brasileira havia-se referido de forma tão precisa ao procedimento de incorporação das normas internacionais. A decisão do STF ignorou totalmente o sistema de transposição e demonstrou claramente o estado de espírito, no caso brasileiro, ante ao Mercosul.
Podemos então afirmar que no cerne dessa questão encontra-se o estado atual de desenvolvimento do Mercosul em comparação à UE; o primeiro apresenta-se ainda em um compasso de integração econômico, ao passo que o segundo mostra-se, superada esta primeira etapa econômica, em compasso de integração política.