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4. BULGULAR ve TARTIŞMA

4.4. Baş Boyu

Sobre o consumo de drogas existe toda uma literatura que se opõe à lógica monofocal proibicionista. Não queremos constituir estes discursos como verdadeiros, entretanto, daremos voz aos mesmos, não como verdades absolutas, mas como possibilidades de resgatar a pluralidade discursiva que serve como alternativa ao interdito institucional para o uso de drogas. Deste modo, ao apresentar possibilidades de regulamentação ao uso de drogas que fujam a lógica da repressão policial, pretendemos demonstrar o mito do discurso único da repressão como único meio de se regulamentar a relação entre seres humanos e as drogas.

MacRae (2000) argumenta, baseado na literatura das Ciências Sociais, sobre o consumo de drogas, sejam as consideradas lícitas, seja as consideradas ilícitas, que, para a correta compreensão sobre os efeitos do uso destas substâncias, deve-se considerar três fatores importantíssimos, quais sejam, a droga em si: fator diretamente relacionado a ação farmacológica onde se inclui a dosagem e a forma do uso. O set, relacionado ao estado psicológico do indivíduo usuário no momento em que se deu o consumo, estando ai incluídas suas características psicológica, seu estado de ânimo, as expectativas e todas as questões de natureza psicológica que influenciam na utilização de determinada substâncias. O Setting, ou ambiente, relacionado ao contexto em que a substância é tomada que incluem desde o lugar, as companhias e outros fatores culturais31 (MEACREA, 2000 p.111.). “Essa constatação a respeito da importância dos fatores psicossociais na determinação do efeito do uso de determinado psicotrópico e hoje reconhecido por grande parte dos pesquisadores do assunto (por exemplo, Bucher, Olievenstein, Zinberg, Grund, Well, etc.)”.

Um ponto importante foi diagnosticado por Zimberg, ao chamar a atenção para o fato da necessária distinção entre “uso controlado” e “uso compulsivo”, que nos indica a

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“a) a droga em si - isto é, a ação farmacológica da substância incluindo a dosagem e a maneira pela qual ela é tomada (endovenosa, aspirada, fumada por via oral, etc.); b) o set - isto é, o estado do indivíduo no momento do uso,incluindo sua estrutura de personalidade, suas condições psicológicas e físicas, suas expectativas; c) o settin (cenário ou ambiente social) - isto é, o conjunto de fatores ligados ao contexto no qual a substância é tomada, o lugar, as companhias, a percepção social e os significados culturais atribuídos ao uso” (MACREA, 2000 p.29).

importância da análise dos fatores set e setting. Assim, a diferença entre o uso controlado e o uso compulsivo, segundo o referido autor (apud MacRae, 2000 p.11), se dá:

O primeiro teria baixos custos sociais enquanto o segundo, disfuncional e intenso, teria efeito contrário. O que distingue estes dois tipos de usos e que o primeiro é regido por regras, valores e padrões de comportamento (rituais sociais) veiculados por uma subcultura desenvolvida entre grupos de usuários (MACREA, 2000 p.11).

A importância do cenário social (setting) se daria, pois, em virtude dele é que se poderia desenvolver um uso “controlado” segundo um determinado padrão, através do desenvolvimento de sanções sociais não institucionalizadas, valores e regras de conduta e de rituais sociais e estilos de comportamento, logo estes fatores seriam aquilo que constituiria os controles sociais informais.

Os rituais sociais seriam os padrões estilizados de comportamento prescritos em torno do uso de determinada substância. Estão incluídos nesses rituais os métodos de aquisição e consumo, a escolha do meio físico e social para o uso, as atividades associadas ao uso e as maneiras de evitar e lidar com efeitos negativos. Dessa forma, esses rituais serviriam como reforços e símbolos das sanções sociais (MACRAE, 2000 p.32)

Os controles sociais informais, aliados as técnicas de consumo, a percepção e apreciação dos efeitos da substância e a elaboração de categorias e de justificativas que seriam responsáveis pelo aprendizado e pela manutenção do individuo como usuário mantendo o seu padrão de consumo – este raciocínio já presente na obra de Becker, nos indica a influência cultural do consumo de drogas (MEACREA, p.32 2000). Assim, este aspecto cultural, regulador do padrão de uso, tende a ser

[...] o resultado do entrelaçamento de experiências através de redes informais de comunicação entre usuários. Portanto, para que essa informação circule, é necessário que os consumidores estejam ligados entre si por um determinado período de tempo e mantenham um sistema de relações, através do qual se articulam uma série de entendimentos comuns sobre determinada substância e as melhores maneiras de utilizá-la.

É claro que estas variáveis, como dito adiante, se entrelaçam com a substância farmacológica e suas propriedades, sendo, a conjugação destes fatores, fator de extrema importância para a compreensão do fenômeno do uso de determinada substâncias32. A

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“Há criticas sobre a necessidade de se buscar uma nova ortodoxia para estes conceitos, que para não retornar ao erro que pretendem superar, instaurando assim uma nova dicotomia que poderia ser interpretada como absoluta, devem ser vistos com cautela, entretanto constituem um elemento fundamental de análise que

ausência de uma percepção de caráter social na estruturação da política de drogas, pois com a repressão, em um ambiente de guerra às drogas, os fatores individuais e o cenário social do consumo se darão de forma bem mais danosa do que se consumidos em um ambiente legalizado. Além da ausência de observações referentes ao set e setting, as próprias qualidades farmacológicas das substâncias foram desconsideradas pelas práticas proibicionistas, haja vista haverem poucos estudos sob os quais se fundamentaram a repressão às drogas ao longo da história do proibicionismo no século XX.

A completa desconsideração de cada um destes fatores na estruturação da política proibicionista nos mostra o quão ilógica tem sido as práticas advindas da mesma. Conforme destacamos no Capítulo 2, é evidente o fracasso da guerra às drogas como forma de evitar os males advindos do consumo de substâncias entorpecentes tendo, além do mais, gerado mais males do que àqueles que visa combater.

3.3 Uma genealogia dos discursos médicos-jurídicos sobre drogas na lógica

Benzer Belgeler