• Sonuç bulunamadı

Freitas et al. (2000) afirmam que o método de pesquisa survey é normalmente utilizado quando se deseja produzir descrições quantitativas de uma população, utilizando um instrumento de pesquisa, geralmente um questionário estruturado ou entrevistas, para obtenção dos dados. Os autores ainda descrevem que a escolha do instrumento de pesquisa deve considerar o custo e o tempo disponíveis para realização das entrevistas e consolidação das análises dos dados.

Como instrumento de coleta de dados, adotou-se um questionário estruturado com perguntas fechadas, elaborado pelo autor, que pode ser lido e respondido sem a

intervenção do pesquisador e, a partir disso, o link (endereço eletrônico) para acesso ao questionário foi enviado ao e-mail do entrevistado, após prévio contato telefônico ou contato via redes profissionais (Linkedin).

Para Synodinos (2003), o número de questões de um questionário estruturado não deve ser grande e os pesquisados ou respondentes deverão ser capazes de entender as alternativas sem a ajuda de um mediador. A linguagem utilizada deve ser simples e cada questão deve ser somente relativa a uma pergunta, evitando, dessa forma, ocorrência de ambiguidades. A esse respeito, Rea e Parker (2002), Forza (2002) e Gil (1991) também relatam suas orientações, as quais são:

- Para questões fechadas, as alternativas devem possuir todas as possíveis respostas; - A implicação das perguntas para com a análise dos dados deve ser considerada; - Somente devem ser elaboradas questões relacionadas ao problema de pesquisa;

- As perguntas devem ser redigidas de forma clara, evitando dupla interpretação por parte do entrevistado;

- Não devem ser elaboradas perguntas incômodas que possam constranger o entrevistado; - O número de perguntas deve ser limitado;

- A sequência de perguntas deve ser considerada de forma a não induzir a resposta do entrevistado.

Segundo Forza (2002), as principais vantagens de utilizar esta técnica de pesquisa são os baixos custos envolvidos, a economia de tempo de deslocamento, a possibilidade de assegurar o sigilo entre respondente e pesquisa e também a expectativa da redução de um viés do entrevistador. Entretanto, por outro lado, pode resultar em um tempo maior para retorno e em uma menor taxa de resposta, além de estar sujeita às interpretações pessoais do entrevistado.

As vantagens do instrumento utilizado foram fundamentais para atingir a população almejada, visto que, pela maior abrangência geográfica propiciada, conseguiu-se enviar, concomitantemente, o questionário estruturado a várias empresas de bens de capital seriados, de médio e grande porte, situadas em diferentes regiões do estado de São Paulo.

Uma importante etapa do desenvolvimento do questionário foi a realização do pré-teste, o qual, segundo Rea e Parker (2002), contribui para a avaliação da clareza do questionário, da sua abrangência (conteúdo das perguntas) e da sua aceitabilidade. Synodinos (2003) também afirma que o teste é essencial, pois é possível identificar questões importantes que ainda não foram formuladas, questões a serem reformuladas e também identificar a necessidade de reestruturar o corpo do questionário, a fim de reduzir o número de questões.

A primeira versão do questionário foi aplicada e testada em três empresas, sendo duas de médio porte e uma de grande porte. Para realização deste pré-teste, entrou-se em contato com as empresas e respondentes para explicar a necessidade de que, qualquer dúvida ou sugestão a respeito do questionário, fosse mencionada após preenchimento ao pesquisador. Assim, as poucas sugestões foram registradas e posteriormente colocadas em prática, como a retirada de uma questão que estava presente no primeiro bloco do questionário.

Após esta etapa, chegou-se ao questionário definitivo (expresso no Apêndice A), composto por 49 perguntas categorizadas da seguinte maneira (4 blocos):

- Bloco A - Dados da empresa: 14 perguntas que levantam informações da empresa e o engajamento com programas da qualidade;

- Bloco B - Presença e aplicação do Pensamento Estatístico na unidade: 13 perguntas versando sobre como a unidade trata a variabilidade de seus processos e qual a importância dada ao tratamento de dados e aos sistemas de medição.

- Bloco C - Uso de Técnicas Estatísticas na empresa: sete questões (total de 22 itens) abordando a utilização de TE básicas/intermediárias e avançadas e também levantando a existência ou não de barreiras à utilização dessas técnicas. Neste bloco do questionário, para as empresas que relataram não utilizar as TE, indagou-se sobre os motivos, elaborando alternativas de respostas com base na literatura pesquisada, como Sinclair e Sadler (2004) e Makrymichalos et al. (2005).

- Bloco D - Resultados percebidos com a aplicação de PE e TE: 15 questões indagando sobre a percepção dos gestores a respeito de resultados com a aplicação do PE e TE e o impacto desta aplicação na gestão da qualidade e eficiência industrial.

O questionário definitivo foi elaborado com a preocupação de atender a algumas orientações de Forza (2002), de forma a aumentar a qualidade das respostas e a taxa de retorno, as quais são: informação a respeito do objetivo da pesquisa; clareza em relação à confidencialidade e segurança das informações fornecidas; e informação da duração aproximada de conclusão do preenchimento do questionário. A fim de atender essas regras, foi elaborada uma mensagem de apresentação para ser enviada ao entrevistado juntamente com o questionário. Essa mensagem encontra-se no Apêndice B.

O questionário foi desenvolvido em formulário eletrônico, com o auxílio da ferramenta Google Drive e que, após o contato com as empresas entrevistadas, o link para acesso foi enviado via e-mail, no qual continha texto introdutório sobre a pesquisa realizada.

Para elaboração do questionário, foram definidas variáveis de pesquisa, as quais foram organizadas em independentes (que afetam outras variáveis) e em dependentes (que sofrem influência das demais), de maneira que se identifique a percepção dos representantes das empresas participantes da pesquisa, em uma escala de intensidade. Como variáveis independentes foram consideradas a existência ou não de programas da qualidade implantados, a utilização do Pensamento Estatístico na organização e o grau de aplicação de Técnicas Estatísticas básicas/intermediárias e avançadas. Como variáveis dependentes, considerou-se a percepção dos entrevistados sobre os resultados obtidos com a utilização do PE e das TE. Para identificar a ocorrência ou não de relação entre as variáveis, foram utilizadas análises multivariadas, que estão descritas no tópico seguinte.

Benzer Belgeler