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b) Çizilen Resimlerin Özelliği: Çocuk hikayelerindeki resimler,

Na cidade de Natal, conforme pesquisa piloto realizada nos bairros do Alecrim e Nova Descoberta, no ano de 2004 (BASE, 2004), seguida de nova pesquisa realizada 2006, juntamente com a pesquisa na Vila de Ponta Negra, uma grande quantidade de vilas foi construída, no final dos anos 60 e início dos anos 70, em bairros centrais e na periferia próxima, beneficiando-se pela demanda gerada pela população migrada dos municípios do estado do Rio Grande do Norte, em função da construção de quartéis militares na capital do Estado e de algumas fábricas alocadas em Natal e municípios vizinhos. Os proprietários das vilas de casas de aluguel encontram uma grande procura por essas habitações em Natal já nesse período (BASE, 2004). A nova etapa dessa pesquisa, realizada pelo mesmo grupo, cujos dados estão sendo utilizados na presente dissertação, aponta para um outro perfil de origem e utilização dessa forma de moradia.

Ao longo do tempo, a busca por essa forma de moradia se deu, em parte, pelo fato de que as habitações promovidas pelo governo, via BNH, por exemplo, não atendiam à necessidade dessa população, com renda em torno de dois salários mínimos, já que a renda média das pessoas beneficiadas pelos programas de habitação popular do BNH ficava em torno de cinco salários mínimos. Segundo França (1983), algumas iniciativas de promoção da habitação para população dos mais baixos rendimentos em Natal só vieram a acontecer de fato em 1980, com a implantação do Promorar, que construiu, via COHAB/RN, habitações para abrigar, inclusive, populações removidas de favelas em Natal. Porém, esses

conjuntos estavam localizados em áreas já segregadas na época, como Felipe Camarão, e não contavam com a infra-estrutura básica necessária implantada e os meios de transportes não possibilitavam uma mobilidade adequada. Muitos de seus moradores vendiam suas casas e procuravam maneiras de morar em áreas mais centrais da cidade (FRANÇA, 1983).

Por outro lado, como já foi discutido, o custo da produção habitacional é bastante alto, o que torna difícil para a população das menores faixas de renda o acesso a uma moradia de melhor padrão de qualidade e com uma localização que seja adequada às suas necessidades de mobilização, seja por meio do aluguel ou da compra do imóvel. Isso se dá, especialmente, em função dos baixos níveis salariais da grande massa de trabalhadores, que compõe a maior parte do déficit habitacional urbano, no Brasil e, da mesma forma, em Natal. (FJP, 2004).

Outro fato a ser destacado é que a cidade de Natal, na década de 1980, contava com uma certa abundância de terrenos passíveis de compra por um baixo preço, ou de apropriação por meio de posse, o que foi feito por muitos pequenos comerciantes, como tentativa de incrementar sua atividade, através da produção de casas em vilas para aluguel. O jogo de conveniências estava colocado: se, por um lado, o governo não provia adequadamente habitação para a classe de menor renda, por outro lado, os proprietários de vilas de casas de aluguel “resolviam” em parte o problema dessas pessoas, fazendo com que estas não pressionassem o poder público e, ainda, incrementavam o setor de vendas de material de construção na cidade.

Esse jogo todo acontece, conforme discutido, porque existe uma disputa pelo uso do solo urbano. As áreas da cidade que são dotadas de equipamentos urbanos e que constituem parte do interesse dos grupos de capital passam a ser valorizadas, tornando seletivo o seu acesso. A habitação, enquanto mercadoria, se insere nessa discussão e tem seu preço influenciado pela disputa do uso do solo urbano e pelas benfeitorias por ele incorporadas. O trabalhador, nesse contexto, busca na moradia não só um local onde possa se instalar e proteger a si e a sua família das intempéries e dos perigos que possam afetá-los. A moradia é, como bem avalia Ribeiro (1997), um instrumento para a realização do trabalhador. Ele precisa estar em uma área da cidade que lhe permita o acesso ao emprego, aos

meios de consumo coletivo (como hospitais, escolas etc.), ao comércio e serviços de que necessita.

Na cidade de Natal, a origem das vilas se deu um pouco diferente dos casos do Rio de Janeiro e São Paulo no início do século XX, onde a atuação do Estado favoreceu, mais diretamente, a ampliação dessa forma de moradia para a classe trabalhadora. Em Natal, essas habitações foram construídas, em grande parte, como uma estratégia rentista de pequenos comerciantes e outros de pequeno capital que se beneficiaram de condições favoráveis de aquisição de terrenos e compra de material, construindo as casas das vilas, geralmente, por etapas. A omissão do Estado, enquanto ator social, muito mais do que a sua ação direta, favoreceu iniciativas dessa natureza.

As vilas estão localizadas, predominantemente, em bairros populares, porém centrais, que possuem uma boa oferta de comércio e serviços populares, sistema de transporte coletivo e possibilidades de acessos ao emprego com pequeno grau de especialização, como é o caso dos bairros pesquisados. As casas são construídas com material de qualidade inferior e, quando alugadas, isso é feito a preços altos, se considerados a qualidade do imóvel, as condições ambientais gerais – exigüidade espacial, péssimas condições sanitárias e de ventilação. Porém, a relação custo-benefício, em termos de mobilidade para o morador, tem sido a justificativa dada pelos residentes para a grande procura por essa forma de moradia na cidade de Natal.

No caso da Vila de Ponta Negra, foram identificadas muitas vilas construídas como estratégia de sobrevivência familiar, fato que não é regra geral, mas que ocorre eventualmente. A situação se apresenta da seguinte maneira: o pai de família tem uma casa com uma parte do terreno não edificada e, com o passar do tempo, acaba construindo pequenos cômodos para abrigar seus filhos, na medida em que estes vão se casando. Dessa forma, encontramos vilas onde só moram pessoas da mesma família. Com o passar do tempo, muitas dessas vilas acabam se transformando em vilas de casas de aluguel e sendo incorporadas ao mercado imobiliário.

Em nova Descoberta, ocorre um fato semelhante. Lá foram identificadas algumas vilas cujas casas eram ocupadas, em grande parte, por pessoas da mesma família, no entanto, essas casas eram todas alugadas. Havia, nesses casos, uma espécie de estratégia de ajuda mútua. Ficava mais propício àqueles que estavam em melhores condições, ajudar os familiares em dificuldade, assim como, permitia o estabelecimento de laços de solidariedade. Um “cuidava” da casa do outro (e, à vezes, dos filhos) em sua ausência. Ratifica-se com isso, que, o modo pelo qual estão estruturadas as casas nas vilas, favorece uma multiplicidade de situação que pode se reverter em benefício para seus moradores, o que não elimina a emergência de aspectos negativos.

No conceito contido no Plano Diretor de Natal, a vila é tida como “o conjunto de casas contíguas no mesmo lote, destinadas predominantemente à habitação de aluguel caracterizada pela implantação encravada no interior dos quarteirões ou no fundo de quintais” (NATAL, 1994). Embora tenham surgido de acordo com a definição do Plano Diretor, as vilas, de um modo geral, têm sofrido mudanças resultantes da adaptação à dinâmica da vida econômica e social do bairro em que se inserem (Ver RIBEIRO, 1997; VAZ, 2002), necessitando de estudos mais aprofundados para que seja possível compreender como se dá a dinâmica envolvendo um tipo de moradia que é tão utilizado na cidade de Natal. Os dados mais recentes sobre vilas na cidade (ver quadro 3) são de 1996, do antigo Instituto de Planejamento Urbano de Natal – IPLANAT, atualmente Secretaria Especial de Meio Ambiente e Urbanismo – SEMURB, e mostram a grande quantidade de vilas por bairro na cidade de Nata.

Quadro 3 - Vilas por bairro na cidade de Natal

REGIÃO ADMINISTRATIVA BAIRRO N.º DE VILAS

Redinha 14 Igapó 79 N.Sra Apresentação 07 Potengi 10 Salinas 17 NORTE Lagoa Azul 37 SubTotal 164 Candelária 09 Capim Macio 03 Lagoa Nova 154 Neopolis 03 Ponta Negra 26 SUL Nova Descoberta 108 Sub Total 303 Alecrim 270 Areia Preta 10 Cidade alta 23 Barro Vermelho 29 Lagoa Seca 56 Mãe Luiza 66 Petrópolis 05 Praia do Meio 23 Ribeira 02 Rocas 44 Santos Reis 09 LESTE Tirol 06 Sub Total 543 Bom Pastor 178 Cidade da Esperança 42 Cidade Nova 94 Nossa Senhora de Nazaré 142 Dix Sept-Rosado 207 Felipe Camarão 136 Guarapes 03 Nordeste 110 OESTE Quintas 295 Sub Total 1207 NATAL - TOTAL 2.217 Fonte: SEMURB, 2003.

Benzer Belgeler