4.2. Konsept Sanat ve Türkiye’deki Uygulama Durumu Üzerine / Uzman
4.2.5. Büyük Bütçeli Filmlerin Yapımları Öncesi Kullanılan Hazırlık
Os entrevistados são abordados quanto às “estratégias mais utilizadas pelas Organizações para os integrantes exercerem o direito de participar”.
6.4.2.1 No Centro de Educação Profissional
A principal estratégia utilizada pelo Centro de Educação Profissional, para a concretização da participação sistemática, ocorre por meio de seis aspectos, conforme percepções de F1 e F2:
a) primeiramente por meio do Conselho Operacional, do qual participam apenas algumas coordenações, porque não podemos ter um conselho muito extenso, até pela prática que requer;
b) os Planejamentos Anuais, que são realizados com pelo menos uma representação participativa de cada setor, até porque são muitos colaboradores, e não haveria como nessa primeira instância termos uma representação participativa mais global;
c) as reuniões mensais, instrumento que permite que passemos nos setores, ouvindo decisões já tomadas, conversando sobre idéias e sugestões;
d) pesquisa de satisfação com os educandos, e acredito que esse seja um instrumento interessante para podermos analisar o próprio andamento da entidade;
e) o feedback, o mais importante, pois independentemente da marcação de tempo e de horários, no qual se consegue, com certa freqüência, ouvir e extrair muitas sugestões; sugestões essas que
podem também ser feitas por escrito, para melhorias na instituição. (F1)
f) o SPM (Sugestão Para Melhorias), que é o instrumento de participação mais conhecido e que se encontra disponível para todos os colaboradores. É um dos meios que se utiliza e pelo qual as sugestões são documentadas, registradas analisadas, divulgadas e por fim é dado o retorno para a pessoa que sugere. (F2)
Nos documentos da Organização, são apontados projetos que envolvem outros planos de ações e estratégias, principalmente relacionados à busca de parcerias, como: a intensificação da parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), com o objetivo de obter auxílio na capacitação e manutenção dos cursos; a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Social (SENAI), com o objetivo de aprimorar a parceria atual; o aprofundamento das relações com o Ministério do Trabalho, com o objetivo de aumentar o número de bolsistas e cotistas; a organização de encontros com empresários, visando a criação de grupos de amigos do Centro e o convênio com a prefeitura de Porto Alegre, com o objetivo de obter passe livre para os educandos, entre outros.
O planejamento das ações e estratégias é elaborado com a participação de todos, mas
[...] existem algumas equipes mais atuantes dentro Centro, com as quais são definidas estratégias em várias áreas. Depois é realizado todo um trabalho de controle dessas informações, definindo-se em conjunto com os participantes quais as ações que serão implementadas e quais as áreas em que se vai atuar. (F2)
A participação dos colaboradores se manifesta diretamente, na percepção de F1, por meio do diálogo e por canais de comunicação, como formulários com sugestões e caixinha de sugestões, as quais “[...] posteriormente são coletadas e encaminhadas para uma avaliação; e sempre é dado um retorno ao colaborador, se a sua sugestão vai ser implementada e qual é o prazo”. (F1)
Parcerias, troca de informações, canais abertos de comunicação são “condições fundamentais da participação” (PATEMAN, 1992, p. 130). E à medida que esses itens estão presentes, conforme Hegner (1986), constituem o altruísmo (serviço para o bem-estar alheio), a lealdade (coordenação de ações orientadas pelo coletivo) e a reciprocidade (baseada em relações de trocas). Sobottka (2002)
posiciona as organizações filantrópicas no âmbito do altruísmo ou serviço para o bem-estar alheio.
Nas parcerias com outras Organizações circulam também dádivas. Para os seguidores do cristianismo, apregoa-se o dar a outrem sem esperar retorno. Já entre os habitantes da Melanésia, e da Polinésia, e, atualmente, em muitas outras regiões, a circulação das dádivas faz parte de um sistema que mantêm grupos unidos e bem relacionados por meio do dar, receber e retribuir. As dádivas são recebidas, depois são retribuídas, não imediatamente, pois seriam objetos de desprezo, mas constituem uma espécie de intercâmbio “nobre, cheio de etiqueta e generosidade” (MAUSS, 2003, p. 140), são retribuídas ao longo de um tempo que tem sentido para os envolvidos. Mas o sentido das trocas não termina ali pois concretiza relações sociais duradouras, que sempre recomeçam e se atualizam entre as Organizações Civis Solidárias.
6.4.2.2 No Sindicato dos Gráficos
O Sindicato dos Gráficos também realiza diversas estratégias para ampliar a sua e a participação dos associados. A primeira delas tem como meta exercer o poder de atração de novos elementos e o maior comprometimento dos associados. A atração dá-se por meio de seminários, cursos, e esportes, como futebol, torneios, campeonatos, festas e da aquisição de uma sede campestre, em 1997, “que é um crescimento que nós tivemos, porque o lazer também é de suma importância para os membros da categoria”. (S1)
Apesar das iniciativas citadas, o entrevistado lamenta a falta de participação:
[...] já não se consegue mais, como em tempos atrás, e acho que é uma questão de consciência trazer as pessoas para as assembléias, até mesmo para seminários. É uma dificuldade, a pessoa sempre tem um compromisso, sempre tem uma história ou outra, e o sindicato acaba ficando em segunda opção. (S1)
Mesmo assim, segundo Escouto (2003, p. 103), que também estuda este Sindicato dos Gráficos, apesar das dificuldades encontradas, “a atuação dos trabalhadores no movimento sindical continua sendo fator concorrente para o despertar da cidadania”. (ESCOUTO, 2003, p. 103)
Mas não se pode esquecer que essa não-participação remete à reflexão de que a esfera do consumo do trabalhador é atingida por dificuldades surgidas na prática do capitalismo, pois, como também explica Antunes, o capitalismo faz do tempo livro do trabalhador um tempo sujeito aos valores do sistema produtor de mercadorias: "O ser social que trabalha deve somente ter o necessário para viver, mas deve ser constantemente induzido a querer viver para ter ou sonhar com novos produtos”. (ANTUNES, 2000, p. 100)
Diante disso, não existe outro caminho senão a persistência das lutas sociais em seus antagonismos no confronto entre o capital social total e a totalidade do trabalho, embora assumam as características de cada país ou região. E para tanto a participação nas assembléias e outras atividades do Sindicato são de fundamental importância.
Por outro lado, é preciso considerar que algumas pessoas não compreendem da mesma forma essa luta coletiva. Então, quando S1 lamenta a dificuldade de obter a participação dos associados, o que é perfeitamente compreensível, precisa considerar também, possivelmente, as histórias pessoais daqueles que não comparecem. Sugere-se, como se disse anteriormente, investigar os significados que eles dão à realização das assembléias, dos encontros e reuniões do Sindicato. Ao realizar esse levantamento, possivelmente, surgirão indicações de novas formas de vivenciar o sindicato hoje. O que há em comum entre o Sindicato e o associado é a mesma necessidade de participação e de mobilização para garantir os direitos sociais de modo coletivo, talvez seja ainda necessário encontrar uma estratégia específica para que os encontros (assembléias, seminários, etc.) sejam vivenciados por todos.
6.4.2.3 Na Federação das Associações dos Moradores
Na Federação das Associações de Moradores, uma das estratégias básicas utilizadas é a motivação da participação interna, ou seja, que “as diretorias promovam as eleições nos tempos determinados e não fiquem usufruindo da entidade além do que faculta o estatuto”. (A2). Além disso,
[...] existe [por parte das lideranças] um esforço muito grande de fazer com que as associações e as uniões municipais tenham as suas instâncias funcionando efetivamente, que impulsionem a realização de
assembléias de moradores para que, efetivamente, a comunidade se envolva na construção das soluções. (A2)
Novamente é demonstrado o esforço de A2 para que as reuniões coletivas se realizem. E A1 relata algumas atividades: congressos a cada dois anos, nos quais participam as delegações representantes de cada município do Brasil, e nos quais é eleita uma diretoria. Além disso,
[...] nós realizamos assembléias em mais ou menos 500 municípios brasileiros. Cada município possui um critério de código de participação, cada município tem contato com a confederação, com a sua federação estadual, municipal. E dali saem os delegados. (A1)
A1 diz que utilizam ainda como estratégias os encontros estaduais, que depois se transformam em encontro nacional. Uma outra alternativa dos encontros estaduais é a pauta, que se refere a itens, como saúde, habitação, saneamento, meio ambiente, educação, enfim ao conjunto de equipamentos que são públicos e que são comuns para todos, e que muitas vezes não são acessados por todos.
Com esse tipo de estratégia foi possível, por exemplo, aprovar
[...] a nova lei de saneamento no Brasil. A lei foi aprovada depois que realizamos uma ampla mobilização nacional com as comunidades. No debate de 05 de janeiro de 2007, o Presidente aprovou a nova lei de saneamento no país. Transcorreram 20 anos sem que houvesse uma nova lei de saneamento, e graças ao fruto dessa participação popular, juntamente com outras organizações, nós garantimos uma nova lei para o aumento do saneamento no Brasil. (A1)
A Federação se preocupa também em “ajudar as pessoas a compreenderem que não se pode resolver um problema somente pensando na sua própria necessidade. Muitas vezes, somente se vai conseguir resolver o problema se fizer isso articulado com outros”. (A2)
A melhor estratégia de participação, na percepção de A1, é o exercício de participação, ou seja, na ajuda da solução do problema de outras pessoas que estão na mesma situação, acaba-se resolvendo os problemas pessoais. No âmbito da Federação,
[...] essa é a grande experiência do Orçamento Participativo: de pessoas que começam a perceber que outras também têm problemas, e que, muitas vezes, são problemas maiores do que os seus. Assim, torna-se uma escola, onde eu me preocupo com os outros, prioritariamente com quem tem problemas maiores do que os meus, como, por exemplo, a falta total de saneamento, quando na minha rua a discussão é pelo
calçamento; então primeiro vamos resolver o problema daquele que não tem nem o saneamento básico na sua rua, depois vamos tratar de qualificar a nossa rua.
De fato, o Orçamento Participativo é apresentado como conquista, pois, segundo Santos (2003), sua forma de administração pública procura romper com a tradição autoritária e patrimonialista das políticas públicas, “recorrendo à participação direta da população em diferentes fases da preparação [...]”.
Além disso prioriza-se a formação política na Federação, que é entendida como um meio de exercer a consciência crítica da lógica dominante, como explica A1:
[...] existe uma coisa importante que temos que retomar muito hoje, que é a formação política, a formação comunitária, porque somos condicionados, desde o seio materno, por uma lógica dominante que se entranha em nós muito profundamente e que precisa de alguma forma ser quebrada. Isso se faz tanto pela prática participativa, real, concreta, como pela discussão, no debate sobre esta mesma prática e sobre outras práticas alienadoras que nos oprimem. (A1)
Na percepção de A1, a Federação estimula seus representantes a não delegarem o poder de resolver problemas sociais, como estratégia de
[...] impulsionar de fato para a participação na sociedade, nos conselhos, nas juntas decisórias, no voto inclusive. O voto em si é algo limitado, mas é uma coisa importante. Que não pode ser nunca uma delegação de poder. Eu escolho representantes para exercer funções num período determinado, mas não abro mão do meu poder de estar ajudando a resolver aqueles problemas para os quais eu elegi aquele representante.
Escolher representantes não significa, portanto, delegação de poder. Pateman (1992, p. 60) alerta que “[...] a existência de instituições representativas em âmbito nacional não basta para a democracia; pois o máximo de participação de todas as pessoas, a socialização ou ‘treinamento social’, precisa ocorrer em outras esferas [...]”.
A Federação apresenta recentemente algumas propostas para o Rio Grande do Sul, no âmbito da “geração de renda e de trabalho, sim”; “tarifaço com aumento de impostos, não”. (FEDERAÇÃO, 2006). Entre as propostas destacam- se: o fim da guerra fiscal, o combate sistemático à sonegação tributária, a retomada do pacto federativo e a renegociação da dívida dos Estados com a União, uma verdadeira reforma tributária nacional e um Estado eficiente e eficaz que tenha uma política que “ajude os cidadãos a dar encaminhamento ágil na
solução dos seus problemas ou da implementação de projetos”, entre outros., como a formação política. (FEDERAÇÃO, 2006b, página avulsa)
A priorização da formação política é uma iniciativa importante. Bourdieu lembra que o capital político é uma forma de capital simbólico, “crédito firmado na
crença e no reconhecimento ou, mais precisamente, nas inúmeras operações de
crédito pelas quais os agentes conferem a uma pessoa – ou a um objeto – os próprios poderes que eles lhes reconhecem”. (BOURDIEU, 2002, p. 187-188). Esse capital político só existe porque quem está sujeito acredita que existe. Então, como diz Bourdieu (2002, p. 188), se o “homem político retira a sua força política da confiança que um grupo põe nele”, questiona-se: por que não modificar essa confiança por meio da formação política da Federação de Associações de Moradores?