A. MALİ VERİLER VE BÜTÇE GERÇEKLEŞMELERİ
1. Bütçe Uygulama Sonuçları
Esta etapa da pesquisa busca alcançar o objetivo de comparação das condições socioeconômicas e de gestão ambiental entre os municípios da BHRAM e a provisão de informações de advertência que facilitem o trabalho dos órgãos suplementares na fiscalização ambiental, por meio da análise de indicadores e índices. A comparação e a provisão de informações são funções dos indicadores e índices (TUNSTALL, 1994 apud MENDES, 2007).
Na elaboração de uma proposta de modelo para o monitoramento por meio de indicadores relacionados à sustentabilidade da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró, a análise da pressão socioeconômica e da gestão ambiental municipais, representa um esforço no sentido de se conhecer melhor como se relacionam, em linhas gerais, os padrões socioeconômicos municipais e seus reflexos na implementação da gestão ambiental local. Esta implementação tem início com a criação de alguma estrutura administrativa como, por exemplo, uma gerência ou uma secretaria municipal de meio ambiente.
Como citado em IBGE (2005), a criação de órgãos municipais de meio ambiente tem convivido com processos adversos, entre eles as fortes restrições impostas por crises econômicas, pela Lei de Responsabilidade Fiscal que impunha restrições a contratação de novos técnicos e, ainda, em razão da pressão social por serviços diversos sob a responsabilidade dos municípios.
Scardua (2003) aponta outros fatores que têm contribuído para dificultar e fazer com que a descentralização da gestão ambiental ocorra de forma descontínua no tempo e no espaço:
[...] falta de técnicos nos órgãos estaduais e municipais de meio ambiente; falta de capacitação e treinamento; salários defasados, quando comparados aos praticados pela iniciativa privada; instituições despreparadas para assumir atividades ambientais; carência de recursos financeiros e de infraestrutura; ausência de instrumentos de gestão ambiental ou instrumentos ultrapassados [...] (SCARDUA, 2003, p. 03).
Malgrado essas dificuldades, os municípios brasileiros seguem de forma lenta, porém progressiva, melhorando as condições e incrementando os mecanismos para contribuir com a gestão ambiental local.
A pressão socioeconômica, avaliada por meio dos indicadores propostos nesta tese, demonstra uma tendência geral de alinhamento ao incremento da gestão ambiental nos 51 municípios em estudo. Entende-se que os municípios, onde operem condições de maior pressão socioeconômica sobre a qualidade ambiental, devam ter uma resposta mais consolidada em termos de ações de gestão ambiental municipal como forma de buscar uma maior harmonização na relação entre a economia, a natureza e a sociedade.
Para demonstrar como se dá a relação atual entre esses dados nos municípios da BHRAM, serão apresentados, inicialmente, os resultados gerais obtidos com a aplicação da metodologia para alcançar os valores do Índice de Pressão Socioeconômica (IPS). Tabelas e mapas de distribuição em classes foram utilizados e guardam competência para apresentar um primeiro detalhamento desse índice. Posteriormente será apresentado o Índice de Gestão Ambiental Municipal (IGAM), em seus valores absolutos com o auxílio de mapas temáticos. A fase final da análise será desenvolvida por meio da interpretação de gráficos, integrando os dois índices. Nesse estágio, os valores absolutos do IGAM foram transformados em números percentuais para facilitar a comparação.
O texto apresentado a seguir foi publicado na Revista Científica Sociedade & Natureza. Optou-se, dessa maneira, pela apresentação do texto no formato em que foi divulgado para a comunidade científica.
Outros detalhes sobre o trabalho de pesquisa referente à gestão ambiental municipal na BHRAM podem ser consultados no texto: “Análise da gestão ambiental municipal na região da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró utilizando sistema de informações geográficas”, publicado no livro: “Gestão ambiental: estudos aplicados à bacia do rio Apodi-Mossoró” (APÊNDICE E).
4.3 Capacidade de suporte, desmatamento e IEMA dos municípios da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró, RN
A análise comparada entre os percentuais de áreas com capacidade de suporte baixa e áreas desmatadas nos 51 municípios da bacia do rio Apodi-Mossoró foi realizada obedecendo as divisões territoriais estabelecidas na metodologia, considerando o baixo curso, médio curso inferior, médio curso superior e alto curso.
No baixo curso, as áreas com capacidade de suporte baixa dos municípios apresentam-se modestas, com maior expressão apenas no município de Grossos, chegando a 41% (Figura 32). O índice de desmatamento ultrapassa 50% nos municípios de Baraúna e Mossoró, chegando a 80% na área abrangida pelo município de Serra do Mel. Entretanto, este último não possui áreas com capacidade de suporte baixa inseridas na BHRAM.
Constata-se que 52% da área total do baixo curso apresenta-se desmatada, sendo algo em torno de 2008 km2. O mapa da Figura 32 aponta que grande parte das áreas desmatadas ocorre nos ambientes considerados como de capacidade de suporte alta, porém, podem ser notados grandes desmatamentos associados às áreas de planície do rio Apodi-Mossoró e rio do Carmo. Deve-se considerar também a área das salinas como um dos focos de desmatamento do setor de planície flúvio-marinha.
Os municípios do médio curso inferior, inseridos entre a chapada do Apodi, a depressão periférica e a depressão sertaneja, apresentam poucas áreas com capacidade de suporte baixa, sendo elas vinculadas, especialmente, a planície fluvial do rio Apodi-Mossoró e do rio do Carmo. O desmatamento fica entre 20 e 50% (Figura 33). Cabe lembrar que a maioria desses municípios, assim como alguns municípios do baixo curso, possui extensas áreas territoriais. Sendo assim, os percentuais de desmatamento têm, em geral, uma maior contribuição para a degradação do bioma caatinga no Nordeste do Brasil.
Figura 25 – Percentual de áreas com capacidade de suporte baixa e desmatamento nos municípios do baixo curso da bacia do rio Apodi-Mossoró.
Fonte: Elaborado por Rodrigo G. de Carvalho.
Constata-se que 35% da área total do médio curso inferior apresenta-se desmatada. Apesar de um percentual menor, a área total desmatada é aproximadamente a mesma do baixo curso, algo em torno de 2175 km2. Os principais polígonos de desmatamento estão dispostos na planície fluvial do rio do Carmo, no município de Upanema, e na depressão periférica do município de Caraúbas e, especialmente, no município de Apodi, onde as áreas desmatadas circunscrevem a bacia hidráulica de rios subseqüentes e obsequentes.
A maior parte das áreas desmatadas ocorre em ambientes considerados como de capacidade de suporte moderada, porém, também podem ser observados desmatamentos concentrados em áreas com capacidade de suporte alta, como ocorre nos municípios de Apodi, Felipe Guerra e Caraúbas e Upanema.
Figura 26 – Percentual de áreas com capacidade de suporte baixa e desmatamento nos municípios do médio curso inferior da bacia do rio Apodi-Mossoró.
Fonte: Elaborado por Rodrigo G. de Carvalho.
No médio curso superior, os municípios associados aos maciços residuais apresentam elevados percentuais de áreas com capacidade de suporte baixa, se aproximando de 100% em Portalegre e 80% em João Dias (Figura 34). Em Portalegre, o desmatamento também atinge um patamar elevado, cerca de 75,27%.
Outros municípios com elevado desmatamento são Olho d’água dos Borges e Rafael Godeiro, em torno de 80%, não apresentando, todavia, áreas com baixa capacidade de suporte. A maioria desses municípios apresenta extensões territoriais pequenas se comparadas com os municípios do médio curso superior.
Constata-se que 26% da área total do médio curso superior apresenta-se desmatada, correspondendo, em valores absolutos a 1090 km2, aproximadamente a metade do desmatamento tanto do médio curso inferior, quanto também do baixo curso.
Figura 27 – Percentual de áreas com capacidade de suporte baixa e desmatamento nos municípios do médio curso superior da bacia do rio Apodi-Mossoró.
Fonte: Elaborado por Rodrigo G. de Carvalho.
No alto curso, com a concentração de maciços serranos, a ocorrência de áreas com baixa capacidade de suporte é bastante acentuada. Dos cinco municípios com percentual de áreas com capacidade de suporte baixa próxima ou igual a 100%, Venha-Ver, São Miguel e Dr. Severiano apresentam percentuais de desmatamento igual ou superior a 50%, o que é bastante preocupante do ponto de vista da sustentabilidade ambiental. Outros municípios como Paraná, Major Sales e
José da Penha, apesar de não apresentarem um percentual alto de áreas com baixa capacidade de suporte, possuem percentuais de desmatamento entre 50% e 70% (Figura 35).
O percentual de desmatamento da área total do alto curso é de 44%, sendo que a área desmatada, em valores absolutos, equivale a 534 km2, algo em torno de ¼ do baixo curso e do médio curso inferior, e ½ do médio curso superior.
Ocorrem grandes manchas de desmatamento circunjacentes ao platô da Serra de São Miguel, se estendendo até o município de Dr. Severiano, assim como, nos municípios de Paraná, Major Sales e José da Penha, como pode ser observado no mapa da Figura 35.
O município de Luis Gomes, por sua vez, apresenta desmatamentos acentuados apenas na região onde está instalado o núcleo urbano, tendo assim, potencial para a realização de estudos que tenham como objetivo a avaliação de áreas para a criação de unidades de conservação da natureza.
Figura 28 – Percentual de áreas com capacidade de suporte baixa e desmatamento nos municípios do alto curso da bacia do rio Apodi-Mossoró.
Considerando o enquadramento dos dados para a formação do Índice de Estado do Meio Ambiente, é importante evidenciar que o percentual de desmatamento7 define se o município apresenta uma exploração territorial insustentável ou sustentável e o percentual de áreas com capacidade de suporte baixa define a intensidade destas categorias variando de 1 (menor intensidade) a 4 (maior intensidade).
Doze municípios (Figura 36) foram considerados como insustentáveis (I1, I2 e I4). Nesses municípios devem ser priorizadas políticas emergenciais de caráter reparador, que busquem corrigir práticas econômicas que têm conduzido a uma contínua degradação dos recursos ambientais. Entre estes, Mossoró e Baraúnas apresentaram grandes áreas desmatadas. Em função da sua grande área territorial, Mossoró ficou entre os 20 municípios do Nordeste que mais desmataram entre os anos de 2002 e 2008, segundo dados do MMA (2010a).
Vinte e cinco municípios ficaram na classe de sustentabilidade 4 (S4). Pode-se avultar que nestes municípios devem ser incrementadas políticas que ampliem a capacidade produtiva, observando estratégias de sustentabilidade.
Figura 29 – Distribuição de frequência das classe s de Insustentabilidade(I4, I2 e I1) / Sustentabilidade (S4, S3, S2, e S1) nos municípios da bacia do rio Apodi-Mossoró.
Fonte: Elaborado por Rodrigo G. de Carvalho.
No mapa apresentado na Figura 37 são destacados os níveis de Insustentabilidade / Sustentabilidade considerando-se a distribuição geográfica dos municípios da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró.
De um modo geral, o planejamento ambiental da BHRAM deve considerar uma sistemática de uso e exploração dos recursos naturais, sobretudo quando essas atividades resultarem em desmatamento, que leve em consideração que as áreas com capacidade de suporte baixa não apresentam condições para receber atividades de médio a elevado impacto ambiental. Nessas áreas, devem ser priorizadas atividades econômicas que desenvolvam o uso indireto dos recursos naturais, tais como atividades relacionadas à prática do turismo, envolvendo o aproveitamento da beleza cênica, dos atributos arqueológicos, culturais, gastronômicos, além de esportes de aventura, educação ambiental, entre outras atividades.
Nos municípios onde predominam contextos ambientais que representem uma maior capacidade de suporte, as atividades econômicas devem assumir uma maior importância, e primar pelo manejo sustentável dos recursos naturais. As áreas protegidas devem ser resguardadas do desmatamento, como, por exemplo, as Áreas de Preservação Permanente, as Reservas Legais e as Unidades de Conservação.
4.4 Matriz de integração e sistema de medidas de planejamento e gestão