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Bölge İdare Mahkemelerinin İş Yükü ve İçtihat Birliği Sorunu

B- Yine aynı maddenin önceki halinde “Dava daireleri ile idari ve

VI- Bölge İdare Mahkemelerinin İş Yükü ve İçtihat Birliği Sorunu

É importante salientar como os espaços colonizados – Cabo Verde e Moçambique – são constituídos numa ótica inversa pelas protagonistas, com relação a Portugal. Marina, nascida em Cabo Verde, projeta o espaço português a partir de um olhar exógeno (externo), comungado pela autora do romance; enquanto Gita, até a independência de seu país, irá conhecer um Portugal com olhar moçambicano, embora sendo filha de portugueses.

Teolinda Gersão, portuguesa, constitui sob sua ótica o espaço moçambicano, enquanto Vera Duarte, caboverdiana, constitui sob sua ótica o espaço português, ocupado como vivência diaspórica. Entretanto, podemos apontar como dissonância essa inversão de olhares, já que a autora portuguesa desnuda um espaço com a visão arraigada do estrangeiro; enquanto a autora caboverdiana adota Portugal como a décima primeira ilha do arquipélago.

Dessa forma, o locus do discurso ganha relevância, uma vez que, por meio das experiências de Vera Duarte e Teolinda Gersão, os espaços em dissonância – Moçambique (AAP) e Portugal (AC) serão projetados nos romances, focando a inversão sugerida acima. Contudo, vale lembrar que Portugal é representado como espaço de fomento de discussões e movimentos

contra o poder colonial, pois não podemos esquecer que Teolinda Gersão projeta o espaço moçambicano a partir das terras do colonizador, ou seja, os próprios portugueses também almejavam o fim da ditadura salazarista para, enfim, reestruturarem-se enquanto nação.

Dessa forma, as identidades em “projeto” de Cabo Verde e Moçambique continuaram em “processo” após as independências; bem como Portugal, que, com a revolução dos Cravos, livrou-se das amarras salazaristas e também continuou a construir o seu ‘espaço’ como nação não mais imperial, mas da semiperiferia europeia, como ensina Boaventura Santos (2005).

Posto isso, nessa dissertação, procuramos analisar as questões identitárias como grandes arquiteturas de pensamento, já que

a Idéia em arte é sempre um modelo, porque ela reconstitui uma imagem da realidade [e] sabemos que a história da humanidade não pôde organizar-se sem produção, sem conflitos sociais, sem lutas políticas (LOTMAN, 1978, p. 28 e 41),

Visto que Teolinda Gersão e Vera Duarte produziram suas obras a partir de uma estrutura artística, temos, então, imagens de realidades que recuperam o passado para apresentar o presente e projetar o futuro, já que dos espaços habitados e/ou percorridos pelas protagonistas podemos destacar uma multiplicidade de sentidos, com destaque:

sobre ‘ a nação’, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas (Hall, 2003, p. 51).

Em A árvore das palavras, por exemplo, a recuperação de histórias acumuladas no espaço moçambicano pela memória da narradora favoreceu a construção de identidades (tanto de Gita quanto de Moçambique) a partir da relação espaço-memória.

As imagens caboverdianas apreendidas pela protagonista em A candidata, por sua vez, além de recuperarem muito do passado das ilhas de Cabo Verde, o que favoreceu a construção identitária da personagem e da

nação, apresentam uma África ainda não “visitada” pelo olhar de Marina, a ser melhor compreendida a partir da distância:

o sentido da antítese que desde sempre a habitara, a sede das viagens, o sonho antigo da vertigem na floresta. Não África na sua plenitude sonhada porque ela talvez já não exista. Ou talvez longe, longe das estepes e das savanas, longe na negra e densa floresta, num sítio encantado, para toda a eternidade, ainda viva e floresça, um povo, uma tribo, umas gentes, algo a ficar, a permanecer, a ser realidade perene, o que sonho e ficção, ânsia e justificação lhe dizem ter existido (AC, p. 58). Ao retornar a Cabo Verde, Marina encontrará “sentidos” nessas imagens e o desejo de se candidatar à presidência da República, em busca do cumprimento de uma nova etapa de seu projeto identitário e de sua nação, fortalece quando verificou, entre outras desilusões, as intenções particulares dos comandantes do PAIGC pós-independência e como “em vários processos revolucionários as mulheres eram rapidamente esquecidas assim que o poder era conquistado” (AC, p. 72).

Desse modo, ao pensarmos no título dessa obra, o ato de se candidatar, desejo ainda não realizado, remete-nos, primeiramente, à aspiração de Marina em representar seu país e, no início de um novo século, dimensionar a figura feminina frente a um cargo de magistratura; no entanto, a nosso ver, esse título ainda pode ser lido como a proposta de um trabalho inovador no cânone literário caboverdiano: a autoria feminina.

Em A árvore das palavras, o título da obra pode ser lido a partir da ideia de que “a vida era uma árvore crescendo e, lá onde os ramos se apartavam, havia um tempo que chegava ao fim” (AAP, p. 135), já que os países colonizados (metonímia dos ramos), após as independências, apartam-se do colonizador (metonímia da raiz), voltando-se para as suas próprias problemáticas em busca da consolidação da nação, representada em A árvore das palavras como:

A prima de África, que viveu outras coisas e vem de lugares onde se fala uma língua mestiçada em que a gramática rebenta porque o pensamento acontece de outro modo e tem de ser livre de acontecer (AAP. p. 188).

Bachelard nos ensina que “O espaço habitado transcende o espaço geométrico” (1989, p. 62); sendo assim, as lembranças das casas moçambicana e caboverdiana protegem e aconchegam Gita e Marina, respectivamente, bem como constituem espaços de questionamento para o amadurecimento das protagonistas. E não só, os espaços de outros países, principalmente Portugal, também dão seu contributo para que esta geometria se refaça constantemente.

Em suma, o espaço, concebido como casa/nação, é vivido pelas protagonistas de A árvore das palavras e A candidata como palco de reconstrução das identidades moçambicana e caboverdiana pós- independentes.

Benzer Belgeler