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* Bölüm 2: Zararların tanımı

Trata-se de princípio que visa não somente a densificar, ao lado do

princípio da universalidade, o sobreprincípio da igualdade, mas também a

adequá-lo à realidade e às nuances da proteção social, em especial, da previdência social.

171

Tem evidente raiz histórica na desigualdade existente até a promulgação da Carta da República de 1988 entre os segurados da

previdência social urbana e da previdência social rural, até então sujeitos a

regimes jurídicos distintos.

Essa desigualdade de tratamento também tem suas raízes na própria

gênese do seguro social, que nasceu como resposta de Bismark ao movimento

operário tedesco por ocasião da Revolução Industrial172. Justifica-se, assim, o

alijamento do homem do campo da proteção social ao longo da História.

No Brasil, a efetiva proteção aos rurícolas surge somente com o

PRORURAL173, instituído pela Lei Complementar n° 11, de 25.05.1971, ou

seja, quase 50 anos depois da Lei Elói Chaves (Decreto Legislativo nº 4.682, de 24.01.1923) — considerada o marco inicial da proteção previdenciária no

Brasil, mas ainda apresentando possuía graves desigualdades. Na verdade, no

interregno entre esses dois diplomas foi editado o chamado Estatuto do

Trabalhador Rural (Lei n° 4.214, de 02.03.1963), sendo elucidativos os comentários do saudoso Feijó Coimbra sobre este diploma:

“Dita lei pretendia levar aos rurícolas a proteção das leis trabalhistas e previdenciárias, o que não logrou, entretanto, pelo divórcio da legislação em tela com a realidade social a que se voltava, consoante anotou, judiciosamente, um dos autores do projeto. A previsão desse ilustre jurista, quanto à ineficácia da lei promulgada, não foi desmentida. Especialmente no tocante ao amparo previdenciário, já em 1967, limitava-se, pela legislação editada, o amparo ao rurícola à assistência médico-social, suspenso o pagamento de benefícios em dinheiro, até que novos estudos

172

Supra, p. 19.

173

fossem feitos.”174

O Constituinte de 1988 determinou o fim dessa discriminação, impondo

a promoção de uma realidade na qual os benefícios e os serviços devidos aos

trabalhadores urbanos e rurais sejam uniformes e equivalentes, o que foi

cumprido pelas Leis nº 8.212 e 8.213, ambas de 1991, que unificaram o tratamento entre eles.

Para Marly Cardone, “uniformidade é igualdade quanto ao aspecto objetivo, isto é, no que se refere aos eventos cobertos. Equivalência é quanto

ao valor pecuniário ou qualidade da prestação”175.

Como ressaltado inicialmente, esse princípio não só busca solidificar o

ideal igualitário, mas também adequar o sistema às diferentes realidades em

que vivem os trabalhadores urbanos e rurais, não sendo outra a razão da opção

do constituinte pelos vocábulos “uniformidade” e “equivalência”, em

substituição à simples enunciação da isonomia.

Equivaler significa ter o mesmo valor, mas não significa ser igual. Até

mesmo na matemática igualdade e equivalência possuem símbolos diversos.

Esse vocábulo foi utilizado pela sua fluidez, sendo certo que o valor dos benefícios pagos pela previdência aos rurícolas não deve ser obrigatoriamente

igual ao dos benefícios pagos aos trabalhadores da cidade, não sendo também,

portanto, necessária a mesma contribuição.

174

No próprio texto constitucional encontramos sinais dessa equivalência, como no art. 195, § 8°, in verbis:

“Art. 195. (...)

§ 8º. O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei.”

Comentando o princípio sob análise, leciona Marcelo Leonardo

Tavares que o dispositivo acima citado

“permite que, apesar de poderem passar anos sem contribuir, se beneficiando das prestações previdenciárias. Isto porque, como a atividade rural para esses trabalhadores é basicamente de subsistência, quase nunca há venda do produto obtido e, mesmo assim, eles se mantêm protegidos pelo sistema, a título de seguro (e não de assistência social).”176

O Plano de Benefícios do RGPS (Lei nº 8.213/91), em obediência ao

mandamento constitucional, criou a figura do “segurado especial” (art. 11,

VII)177 , que, diante de suas especificidades, faz jus somente a benefício de

175

Previdência, Assistência, Saúde: o não trabalho na Constituição de 1988, p. 30. 176

Direito Previdenciário, p. 4. 177

“Art.11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...)

VII - como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam suas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 14 (quatorze) anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo.”

valor mínimo, nos termos dos artigos 29, § 6°178, e 39179, ambos do mesmo

diploma, valendo ressaltar que, ressalvado o salário-maternidade, todos os

benefícios devidos aos segurados especiais independem de carência (art. 25,

III180, c/c art. 26, III181).

Também demonstrando a peculiaridade desse segurado, temos o

Enunciado n° 272 da Súmula de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual “o trabalhador rural, na condição de segurado

especial, sujeito à contribuição obrigatória sobre a produção rural

comercializada, somente faz jus à aposentadoria por tempo de serviço, se

recolher contribuições facultativas”.

178

“Art. 29. O salário-de-benefício consiste: (...)

§ 6º No caso de segurado especial, o salário-de-benefício, que não será inferior ao salário mínimo, consiste: I - para os benefícios de que tratam as alíneas b e c do inciso I do art. 18, em um treze avos da média aritmética simples dos maiores valores sobre os quais incidiu a sua contribuição anual, correspondentes a oitenta por cento de todo o período contributivo, multiplicada pelo fator previdenciário;

II - para os benefícios de que tratam as alíneas a, d, e e h do inciso I do art. 18, em um treze avos da média aritmética simples dos maiores valores sobre os quais incidiu a sua contribuição anual, correspondentes a oitenta por cento de todo o período contributivo”.

179 “Art. 39. Para os segurados especiais, referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, fica garantida a

concessão:

I - de aposentadoria por idade ou por invalidez, de auxílio-doença, de auxílio-reclusão ou de pensão, no valor de 1 (um) salário mínimo, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no período, imediatamente anterior ao requerimento do benefício, igual ao número de meses correspondentes à carência do benefício requerido; ou

II - dos benefícios especificados nesta Lei, observados os critérios e a forma de cálculo estabelecidos, desde que contribuam facultativamente para a Previdência Social, na forma estipulada no Plano de Custeio da Seguridade Social.

Parágrafo único. Para a segurada especial fica garantida a concessão do salário-maternidade no valor de 1 (um) salário mínimo, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao do início do benefício.”

180

“Art. 25. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência, ressalvado o disposto no art. 26:

(...)

III - salário-maternidade para as seguradas de que tratam os incisos V e VII do art. 11 e o art. 13: dez contribuições mensais, respeitado o disposto no parágrafo único do art. 39 desta Lei.”

181

“Art. 26. Independe de carência a concessão das seguintes prestações: (...)

III - os benefícios concedidos na forma do inciso I do art. 39, aos segurados especiais referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei;”

Esse enunciado tem fundamento não só na redação expressa do art. 39 da Lei nº 8.213/91, mas também na inevitável conclusão de que a técnica de

contribuição criada para o segurado especial redundaria na impossibilidade de

adimplemento dos requisitos para a aposentadoria por tempo de serviço (atual

aposentadoria por tempo de contribuição), em razão da sazonalidade e até

eventualidade de suas contribuições, amplamente justificadoras do discrímem.

Finalmente, cabe anotar que o benefício instituído em favor dos

trabalhadores do campo no § 1° do art. 48 da Lei de n° 8.213/91182, consistente em uma redução em cinco dos anos necessários para fazerem jus

ao benefício de aposentadoria por idade, concretiza o princípio em análise,

pois reconhece a árdua realidade do trabalho do campo, desempenhado em

condições que inevitavelmente aceleram o envelhecimento, o desgaste natural da saúde dos trabalhadores, como a prolongada exposição ao sol e a natureza

eminentemente física das atividades desenvolvidas, respeitando o postulado

da igualdade ao escolher como discrímen critério congruente (envelhecimento

precoce) com a finalidade da norma (amparar as pessoas que a lei presume encontrarem-se com sua capacidade laborativa significativamente reduzida

em razão da idade avançada).

182

“Art. 48. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)

§ 1º Os limites fixados no caput são reduzidos para sessenta e cinqüenta e cinco anos no caso de trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres, referidos na alínea a do inciso I, na alínea g do inciso V e nos incisos VI e VII do art. 11. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999)

§ 2º Para os efeitos do disposto no parágrafo anterior, o trabalhador rural deve comprovar o efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento do

4.3. Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e

Benzer Belgeler