3. TEZİN BÖLÜMLERİ
3.1. ÖN BÖLÜM
Após apresentar a teoria de Guba e Lincoln (2011), buscamos a perspectiva experiencial, considerando-a uma visão mais atual do ato avaliativo, como um paradigma com performance pós-construtivista: a teoria do texto e do contexto, proposta por Lejano (2012), que prima por um modelo de política baseado na experiência, valorizando a complexidade e a multidimensionalidade, respeitando o conhecimento, o sentimento e a autoridade moral. Segundo o autor, a análise reside na experiência concreta e na autenticidade, pautando-se na ideia de que o objeto complexo possui múltiplas facetas, ondulações e lados. Não é e não deve ser considerado um modelo linear de avaliação.
Na concepção de Lejano (2012), a respeito do sentido de avaliar políticas públicas, advoga-se a necessidade de novas abordagens que dialoguem com a complexidade das situações políticas. O autor considera que a experiência não é linear e apresenta múltiplos caminhos de saber e conhecer. Essa é a proposta de que precisamos para refletir sobre o desenho do MAPP: observar a complexidade que envolve essa ferramenta e suas consequências no contexto social.
Nesse ímpeto, Lejano (2012) enfatiza ainda que as hipóteses surgirão de um processo cíclico em que teoria e prática emergem de um contexto. Esse modelo, com base na experiência, considera a análise pautada na integração, ou seja, uma fusão de diferentes linhas de informações de modo a obter uma percepção mais completa do todo, em que o objeto é considerado na ação.
Lejano (2012) não desconsidera os paradigmas positivistas e as informações dele decorrentes como dados estatisticamente mensuráveis, mas aponta que os tipos de informações colhidas vão desde as estatísticas até a análise subjetiva e qualitativa do contexto. Assim, ele vai além dos paradigmas anteriores, valoriza os diversos dados que podem convergir e fornecer novas percepções comuns sobre determinado fenômeno, primando pela autenticidade da análise.
Lejano (2012) alerta que a análise positivista, por ele denominada de análise mitológica, não considera a intrínseca relação entre a análise e o campo de aplicação e não julga haver também nessa relação características abstratas. Essa análise é, para o autor, simples, reducionista e destituída da essência do contexto. O autor enfatiza ainda a importância dos atores nesse contexto mais geral e as configurações macroscópicas do sistema, considerando o “grande governo” menos dominante, primando pela descentralização, e descreve que:
Esses experimentos na construção de instituições giram em torno de tentativas de construir modelos de governança que sejam inclusivos, flexíveis, participativos, e que conduzam mais parcerias público- privadas. Um modelo desenvolvido em torno de acordos menos centrados no Estado propõe um grupo de atores políticos (individuais ou grupo) que se associam livremente, formando uma coalizão de agentes que cooperam para buscar um objetivo público mais amplo (LEJANO, 2012, p. 267).
Lejano (2012) salienta que as pessoas são complexas e as instituições são um rico complexo de diferenças; que a realidade se assemelha a um texto sujeito a várias análises e interpretações; e que, consequentemente, a política também está submetida a inúmeras interpretações. O autor destaca ainda que, em relação ao ponto analítico, pode focar na totalidade da narrativa política apresentada no texto e procurar, na linguagem do contexto, as narrativas que revelem minúcias da política. Em relação ao processo hermenêutico, o autor declara que:
[...] As interpretações iniciais que o leitor tira do texto, introduzimos o embasamento do contexto. Ou seja, testamos ou avaliamos nossas interpretações iniciais do texto buscando consistência com elementos do contexto da situação. Ou seja, se considerarmos aquela determinada parte de um texto como parte da situação como um todo, o contexto nos permite conectar essa parte ao todo. Esta ação pode ocorrer em diversos (ou muitos) estágios. Por exemplo, pode partir do texto para o contexto e usar o segundo para validar ou invalidar determinadas interpretações alternativas. Pode-se ir à direção contrária, do contexto ao texto, buscando-se uma interpretação mais profunda e renovada. Esse processo é chamado de círculo hermenêutico (LEJANO, 2012, p. 123).
Esse círculo hermenêutico apresenta a possibilidade de análise tanto partindo do texto para o contexto, quanto do contexto para o texto, proporcionando assim um processo dialógico interpretativo.
Lejano (2012) apresenta o modelo positivista e suas características, tais como: define-se pelo aspecto da linearidade; confina o conhecimento a formatos padronizados mediante pesquisas formais; testa-se a realidade para verificar algo, sendo a estatística o elemento essencial desse modelo. Em contrapondo a esse paradigma, a perspectiva experiencial não adota o modelo linear: surgem as hipóteses no processo circular, em que a teoria emerge da prática; valoriza os vários tipos de informações; pauta-se em diferentes linhas de informações com vista a proporcionar uma visão mais completa do todo; caracteriza-se, também, pelo compartilhamento de conhecimento e reflexões.
A abordagem pós-construtivista nos leva a acreditar numa nova perspectiva de avaliação. Partindo do contexto, numa análise compreensiva, chegamos ao texto e consequentemente a uma interpretação cíclica do contexto. Compreendendo política como construção social, instiga-nos a olhar e valorizar a criatividade, a transparência e a troca democrática de ideias. Essa é a grande lição que Lejano (2012) nos leva a refletir sobre os paradigmas positivistas do MAPP, sobretudo sobre a necessidade de compreender e interpretar o texto e o contexto da aplicação da ferramenta de planejamento e gestão MAPP.
3 DESENHO DO MAPP NO ESTADO DO CEARÁ
Nas últimas décadas, observaram-se mudanças gerenciais e tecnológicas na administração pública brasileira. Proveniente dessas mudanças, emergiu a metodologia de gerenciamento de projeto, a qual requer informações ágeis, precisas e objetivas dos projetos em execução no âmbito governamental, focalizando a eficiência, a eficácia e a efetividade das ações projetadas, promovendo, dessa forma, a ênfase na gestão de projetos, na perspectiva de monitoramento e avaliação de programas e projetos sociais. Conforme citam Gubermam e Knopp:
Nos últimos anos, o monitoramento e a avaliação (M&A) de políticas, programas e projetos vêm ganhando notoriedade e relevância no setor público brasileiro, a reboque da modernização da Administração Pública empreendida a partir de meados da década de 90 do século passado, calcada nos princípios de um Estado orientado para o cidadão, focado em resultados, accountable, eficiente, eficaz e efetivo. Isso, somado à própria complexidade dos problemas modernos, maiores pressões da sociedade, experiências bem sucedidas pelo mundo e influência de organismos multilaterais, traz à tona a necessidade de se avaliar o desempenho da Instituição Estado (GUBERMAM; KNOPP, 2009, p. 2).
Nessa perspectiva, o estado do Ceará, em 2007, buscou uma ferramenta de gestão e planejamento para atender ao controle da implantação dos projetos pelos níveis superiores de decisão do Estado. Dessa forma, surgiu o MAPP.
O MAPP é considerado uma ferramenta de planejamento e gestão de projetos no âmbito governamental. Nos manuais de orientação da ferramenta, está exposta a intenção política de proporcionar eficiência ao planejamento e agilidade à execução das ações e processos dos programas de governo. Assim, fica evidente que há uma busca pela otimização de resultado. Na concepção original da ferramenta MAPP, o cidadão é tratado como cliente, e as inspirações metodológicas são pautadas na iniciativa privada, com o foco na gestão eficiente de recursos financeiros, humanos e na redução de tempo.
Em razão da existência de uma quantidade considerável de projetos prioritários no governo e da necessidade de uma estrutura permanente de acompanhamento nas secretarias e órgãos do Estado, a SEPLAG, em 2009, após avaliação do MAPP, com o apoio de uma consultoria externa, a Portfólio,