O poeta e escritor Sérgio de Castro Pinto foi o terceiro entrevistado. A entrevista foi realizada na casa dele em 14 de janeiro de 2016. Como já foi dito, foram feitos alguns questionamentos básicos de maneira geral para cada pessoa, complementando com questões pontuais sobre sua arte e seu envolvimento na cultura local. Para fazer as perguntas ao escritor, li o livro Sanhauá: Uma ponte para modernidade, de Hildeberto Barbosa Filho, que fala do grupo do qual o poeta fez parte na década de 1960 e de grande importância histórica para a cultura local. Outro ponto que precisamos destacar é como a internet facilita o acesso a entrevistas, matérias e a história de cada artista. Através dessa ferramenta, pude ter aproximação com os poemas do escritor, programas de TV dos quais ele participou e até alguns estudos sobre sua obra.
Tendo como local de encontro a residência do escritor, se pode construir um cenário, a imagem da sua própria personalidade e de seus gostos. O poeta me presenteou com dois de seus livros ―A Flor do Gol” e ―O Leitor que Sou”, além do seu mais recente trabalho, que foi gravado em CD, intitulado ―Muito além da Trobapana e de
Pársagada – Sérgio de Castro Pinto por Sérgio de Castro Pinto”. Esse último trabalho
me fez ter acesso à boa parte de sua poesia, além de me dar margem a criatividade e me permitir usar trocadilhos com as palavras Trobapana e Pársagada para a construção do texto.
Bandeira idealizou Pasárgada, como um local de paisagem fabulosa, um país das delícias. Buscou uma espécie de paraíso para vivenciar os atos comuns da vida. Pasárgada representa o mito da felicidade. Onde se apresenta a realidade de dois mundos distintos, o presente e o imaginário; o que se nega e o que se deseja. O poeta, que procurava seu paraíso particular no mundo das palavras, o significado da vida diante das coisas simples, encontrou Bandeira. Bandeira o impressionava por extrair o novo de dentro do velho. Mostrava a tradição com ares de renovação. E nas longas estradas da poesia, o poeta escolheu Bandeira como tema do seu mestrado em Letras. (CORREIA, 2016, p.45-46)
Na construção do perfil, ao utilizar elementos do Jornalismo Literário para construir a narrativa, pode-se perceber uma linha tênue que separa o escritor do jornalista/repórter. Seria possível separar um do outro? Isso diferenciaria um romance de uma reportagem? Primeiro é necessário entender qual a diferença entre escritor e jornalista/repórter.
Creio que o escritor habita um abismo existente entre a imaginação e a realidade. O escritor, eu diria, tem um pé na imaginação, outro no real a se oferecer, para usar uma imagem de Rilke, como um espécie profana de anjo, que se lança no abismo na esperança de tapá-lo. O escritor é um habitante privilegiado desse abismo entre o destino e a liberdade de escrever para tentar preenchê-lo, num esforço para ligar as duas partes – tarefa que, na verdade, jamais conseguirá cumprir. O jornalista, ao contrário, tem por princípio o apego radical à realidade. ele a privilegia e sua tarefa, igualmente impossível, é escavá-la, trazê- la à luz e jamais traí-la. Nesse sentido, jornalismo e literatura são atividades absolutamente distintas, embora estejam marcadas pela mesma impossibilidade. Por mais que se agarre ao real, o jornalista jamais deixará de estar lidando, também e sempre, com aspectos imaginários, ou ilusórios – e nesse sentido, sobretudo nas mãos dos grandes jornalistas, daqueles que já perderam as ilusões a respeito da ‗verdade absoluta‘ e da ‗pureza dos fatos‘, o jornalismo pode se aproximar sim, um pouco da literatura. Mas jamais será literatura. (BRITO, 2007, p. 109)
O jornalismo, tradicionalmente em sua forma teórica e prática, tem como objetivo transmitir a informação de forma objetiva, mostrando os fatos por ordem decrescente de importância – conforme o conceito do lead, que responde a seis perguntas básicas para ter o resumo do que vai ser noticiado: O que? Quem? Quando? Onde? Por que? e Como?. O Jornalismo Literário veio como uma forma mais radical desse estilo de jornalismo, impondo melhorias estéticas com a adesão de elementos literários. Nesse sentido, é difícil visualizar onde termina o jornalista ou o escritor. Será possível uma reportagem, perfil ou biografia ser um trabalho literário? É necessário perceber que um fato verdadeiro dentro de um romance pode levar a crer que todo o resto é legítimo, como também algo ficcional pode dar margem à reportagem ser apenas um texto literário.
O escritor, na criação literária, concede-se uma certa liberdade, desconhecida do jornalismo. Esta atividade continua bastante conservadora: existem leis sobre difamação e calúnia, e o que se pode escrever nos jornais fica limitado. Eu mesmo nunca tomo liberdades com os fatos quando sou jornalista... Nunca escrevi um conto ou um romance no qual uma linha, um episódio, não compreenda uma parte da realidade. Mas a diferença entre jornalismo e a literatura não provém daí. Uma grande reportagem pode ser um trabalho literário. O leitor é quem diferencia radicalmente o que lê. Imagine um único fato inexato basta para desqualificar um artigo, enquanto um único fato verdadeiro dentro de um romance leva a crer que todo o resto é autêntico. (BRITO, 2007, p. 76)
Permiti-me ainda testar outros elementos na construção desse perfil. Até mesmo tentando ritmar o texto em forma de poesia, tentando traçar um pouco das características
personagem. Assim como na narrativa de Adeildo Vieira, foi colocado no texto um pouco da sua obra, citando trechos ou poemas do escritor.