Por meio da análise das categorias podemos perceber que os fanzines são uma ferramenta de expressão da comunidade LGBTT, porque ajudam a reafirmar a identidade dos indivíduos ao se autodeclararem parte desta comunidade, uma comunidade que apesar da visibilidade ganha durante os 40 anos de luta do movimento, especialmente durante os anos 1990 nos quais foi objeto de campanhas de saúde voltadas ao combate do vírus da AIDS, vêm sofrendo com a perda de representatividade nas esferas legais de poder, cenário que se agrava com o fortalecimento de bancadas religiosas que combatem os direitos LGBTT abertamente na esfera pública e o número crescente de casos de homofobia noticiados.
A análise das categorias nos mostra que os assuntos abordados nas publicações estão interligados, num processo de conexão contínua que demonstra assim que a construção do perfil cidadão passa pela tomada de consciência do indivíduo de sua identidade, o que o faz engajar-se mais na luta por seus direitos e estabelecer relacionamentos mais estreitos com aqueles da sua comunidade formando assim uma rede social afetiva pujante, onde ele se sentirá seguro para assumir sua individualidade traçando estratégias para alterar sua realidade.
Os fanzines desde seu início têm dado voz a grupos sociais invisibilizados pela grande sociedade, mesmo na era digital ele se mantém como um porta-voz desses grupos. Quando um fanzine é criado e distribuído ele cria vida própria e assim começa sua caminhada por vezes indo a lugares jamais imaginados por seus autores como o foi com os fanzines da coleção “Só Babado”, o acaso promoveu esse encontro e assim sua mensagem chegou a mim e chegará a você. Escrevendo elas puderam mesmo em situação de reclusão se sentirem livres, pedir intercessão, comunicar assédios e abusos, falar sobre amores e amizades, ver a si mesmos como parte de uma sociedade que não as aceitava antes e conscientes de que carregam agora outro estigma, a de ex-presidiárias. Continuarão à margem porém, como notamos nas temáticas tratadas em suas publicações, percebemos uma voz ativa, consciente de sua luta não ser fácil, cientes de que o preconceito e a intolerância as seguem bem próximas, mas empenhadas em construir maneiras de mudar esse cenário.
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REFERÊNCIAS
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ANEXO A –FANZINE SÓ BABADO [MUNDO GAY] 2014
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/s__babado_2014>
54
ANEXO B –FANZINE SÓ BABADO Nº 02 [LGBTT]
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/s__babado_2-2015>
55
ANEXO C –FANZINE SÓ BABADO Nº 03 [ORGULHO]
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/s__babado_3-2015>
56
ANEXO D –FANZINE SÓ BABADO Nº 04
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/so_bababdo_4-2015>
57
ANEXO E –FANZINE SÓ BABADO EXTRA! Nº 06
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/so_babado_6-2015>
58
ANEXO F –FANZINE SÓ BABADO Nº 07
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/so_babado7-2015>
59
ANEXO G –FANZINE SÓ BABADO Nº 05
Disponível
em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/c_pia_de_so_babado10-2016>
61
ANEXO H –FANZINE SÓ BABADO Nº 09
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/so_babado_9-_2016>
62
ANEXO I –FANZINE SÓ BABADO Nº 10
Disponível em:<https://issuu.com/camilavasconcelos51/docs/so_babado10-2016_1_>