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7.KAYSERİ KENTİ KONUT ARAŞTIRMASI ANKET ÇALIŞMASI DEĞERLENDİRME

7.7. BÖLÜM SONUCU VE DEĞERLENDİRME

A primeira questão metodológica que se nos colocou foi a escolha do próprio título do trabalho. A nossa opção final pela designação “pré-romano” prendeu-se com duas oredens de razões: em primeiro lugar, com o facto de ser o termo utilizado na generalidade das publicações e estudos realizados sobre o tema a nível mundial; em segundo lugar, com a constatação de que, apesar de ser uma realidade histórica que, efectivamente, os Romanos são contemporâneos de grande parte dos materiais estudados, todos os trabalhos/estudos sobre vidro romano realizados que conhecemos incidem, apenas, sobre os materiais vítreos com cronologia posterior aos finais do século I a.C. e, geralmente, com particular ênfase nas peças produzidas a partir de meados do século I da nossa Era, altura em que foi introduzida a tecnologia do soprado.

Prosseguindo na nossa explicação metodológica, no sentido de tentar responder ao questionário traçado, optámos pela realização do levantamento, tão exaustivo quanto possível, de todos os materiais vítreos existentes na região passíveis de se enquadrarem no âmbito cronológico do nosso estudo e fizemos a sua análise morfo-tipológica e estatística no sentido de recolher dados que possibilitassem, conjuntamente com os dados bibliográficos, responder a algumas das questões colocadas e ter uma melhor

noção das problemáticas existentes no que concerne às restantes. Por exemplo, relativamente à proveniência/origem dos materiais vítreos (no sentido duplo de centro produtor e de qual o povo responsável pela sua chegada ao território peninsular), uma das questões centrais do presente trabalho, apenas poderemos colocar hipóteses, pois uma resposta mais definitiva, exigirá a eventual realização de análises químicas. Tal determinação, associada à definição da cronologia dos materiais e ao quadro de dispersão dos mesmos, poderá trazer nova luz às teorias relativas aos contactos e dinâmicas comerciais deste período e à forma como estes ajudaram a moldar as sociedades do Noroeste Peninsular e contribuíram para o desenvolvimento da singularidade da “Cultura Castreja”.

Também importante, a nível metodológico, foi a definição da área geográfica em que incidiu o trabalho, a que já aludimos acima. A nossa opção seguiu, essencialmente, os critérios definidos por López Cuevillas (Lopéz Cuevillas, 1933, 1953) e aceites por outros investigadores (Queiroga, 1992: 11), que consideram que o limite Sul da “Cultura Castreja” é definido pelo rio Vouga e o Este pelos rios Tua e Rabaçal (a partir daqui consideram os autores que se verificam influências mais sensíveis das culturas mesetenhas). A Norte optámos por um limite que obedece a critérios geográficos (rio Minho) e políticos (fronteira entre Portugal e Espanha), mas não culturais, na medida em que a “Cultura Castreja” integra a totalidade do território galego. O limite ocidental não colocou qualquer problema pois corresponde ao Oceano Atlântico.

Relativamente à investigação propriamente dita, o nosso trabalho passou por várias fases que passamos a referir:

- Pesquisa e consulta bibliográfica geral e específica sobre o vidro, bem como sobre a Pré-História Recente portuguesa e europeia (com ênfase entre os finais do II milénio e os finais do I milénio a.C. e no Noroeste peninsular), nas bibliotecas e na própria Internet (incluindo a base de dados Endovellico do IGESPAR, IP);

- Trabalho de campo que passou pela obsevação directa (sempre que possível) dos

materiais e pela recolha de toda a informação que considerámos necessária, essencialmente, de cariz morfo-tipológico. O trabalho implicou:

 Preenchimento de fichas descritivas previamente elaboradas com os critérios considerados relevantes (descrição morfo-tipológica, contexto, proveniência, etc.);

 Registo fotográfico das peças.

O, já referido, desconhecimento existente relativamente aos materiais de vidro pré- romanos, em particular das contas de colar, que constituem mais de 99% dos materiais inventariados, forçou-nos a uma opção metodológica, particularmente trabalhosa, que foi a de realizar o levantamento da totalidade destes materiais existente nos sítios a que nos deslocámos, de modo a podermos obter uma base de dados mais alargada sobre a qual pudéssemos alicerçar as nossas observações. Esta opção acabou por se revelar a mais correcta pois, ao analisar as várias colecções de materiais existentes, foi possível detectar várias peças que correspondem a tipos da Idade do Ferro, inéditas que vieram alterar, consideravelmente, o quadro de dispersão conhecido para estes materiais. Directamente relacionada com esta situação, esteve a nossa escolha de apresentar, no anexo respectivo, a totalidade dos materiais que inventariámos, independentemente da cronologia das peças, opção que consideramos justificar-se pelos motivos mencionados tendo, nesse sentido, sido nossa intenção criar uma base de informação para futuros investigadores e investigações relacionadas com estas matérias.

Como se pode constatar, o nosso trabalho assentou na caracterização morfo-tipológica das peças, algo que consideramos como sendo basilar para o desenvolvimento de qualquer trabalho de investigação sobre materiais arqueológicos. No entanto, é de ressalvar que o estabelecimento de “tipos” não deve ser um fim em sí mesmo, mas sim um ponto de partida para chegar a outro tipo de asserções ao nível do conhecimento e caracterização das sociedades e populações em estudo.

A nível de ensaios tipológicos, como referimos acima, baseámo-nos, essencialmente, nos trabalhos de dois autores: a obra de referência, para as contas de colar, continua a ser a “Classification and Nomenclature of Beads and Pendants” publicada por Horace C. Beck, em 1928 e reimpressa em 1973 (Beck, 1973); o outro trabalho é o de W. G. N. Van der Sleen, intitulado “A Handbook on Beads” (Van Der Sleen, 1973) que, apesar de baseado no primeiro, é de mais fácil consulta e aplicação do ponto de vista prático. Ainda a este nível, poderíamos ter optado pela proposta elaborada por Encarnación Ruano Ruiz com base nas contas do Museo Arqueológico de Ibiza y Formentera. No entanto, a mesma parece-nos demasiado esquemática e simplista, ainda que tenha sido fundamental para calibrarmos algumas observações, por se tratar da única existente, especificamente, sobre a realidade peninsular. Uma última referência para a dissertação de Rebecca Ingram (Ingram, 2005) que incide sobre o estudo das contas de vidro e

faienza, provenientes da intervenção arqueológica realizada na embarcação naufragada

em Uluburun, ao largo da costa turca, nos finais do séc. XIV a.C.. Trata-se de um trabalho incontornável e particularmente relevante para tratar das questões do comércio do vidro e do enquadramento tipológico das contas cronologicamente balizáveis no Bronze Final, encontradas na área de estudo.

Ainda quanto à questão tipológica, importa deixar uma última nota no seguimento do que dissemos anteriormente. Relativamente às contas de colar é, claramente, necessário distinguir a tipologia puramente formal, que obedece a critérios de cariz geométrico, temática, de resto, tratada com grande rigor pelos autores em que nos baseámos (Horace C. Beck e W. G. N. Van der Sleen) e uma tipologia de cariz mais técnico e estético, em que se distinguem diferentes produções, ou mesmo cultural (por exemplo, no caso das contas ”oculadas”). É possível estabelecer a relação entre estas duas categorias, verificando que tipos formais estão mais frequentemente associados a determinados fabricos ou produções, mas a primeira sem a segunda é quase desprovida de significado, o que não é válido no sentido inverso. A título de exemplo, se dissermos, apenas, que uma determinada conta apresenta forma globular ou anular, do ponto de vista cronológico tal significaria que, a mesma, poderia ser balizada entre os inícios da produção do vidro e os nossos dias. No entanto, se dissermos que se trata de uma conta

“gold-in-glass”, ou “oculada”, ou ainda “Chevron”, dependendo, obviamente, também

estaremos a falar de materiais que terão, muito provavelmente, cronologia romana, da Idade do Ferro e da época Moderna, respectivamente.

Neste sentido, os dados que apresentaremos privilegiarão a questão do tipo de produto independentemente da sua forma, ainda que a componente formal acompanhe as nossas análises do ponto de vista descritivo, sendo um auxiliar e um indicador adicional.

Prosseguindo, no que diz respeito aos vasos fabricados sobre núcleo de areia ou argila, a sua tipologia foi definida por D. B.Harden (Harden, 1981) no seu “Catalogue of Greek

and Roman Glass in the British Museum”.

Ainda relativamente aos critérios utilizados na descrição dos materiais optámos, no que concerne à indicação das cores, por seguir, genericamente, a proposta de Mário Cruz (Cruz, 2009: 93) relativamente aos vidros romanos por nos parecer a mais pragmática e que consta na Tabela 1, de resto, decalcada da obra do referido autor.

Tabela 1

Terminologia adoptada Terminologia equivalente em uso Pantone

Amarelo Amarelo canário, amarelo limão Process yellow Amarelo acastanhado Amarelo ocre, mel, âmbar Pantone 132-A

Azul Process cyan

Azul claro Azul "Caran d´Ache", azul turquesa, azul agua Pantone 297-A Azul escuro Azul ultramarino, azul cobalto, azul marinho Pantone 294-A Azul esverdeado Azul gelo, azulino esverdeado Pantone 306-A

Branco Opaque white-A

Castanho Pantone 168-A

Incolor (ausência de cor)

Incolor esverdeado (cor visível nas fracturas ou em vidros espessos) Tingido de... (cor levemente detectada à transparência)

Preto/negro Opaque black-A

Verde Verde relva, verde esmeralda Pantone 347-A

Verde acastanhado Verde azeitona (mais correctamente v. azeite) Pantone 399-A Verde amarelado Verde maçã, verde amarelo Pantone 380-A

Verde amarelado escuro Verde musgo Pantone 370-A

Verde azulado Verde gelo, verde azul, verde azulino, Pantone 338-A Verde claro Verde relva amarelado, verde pálido Pantone 372-A

Verde escuro Verde sombrio Pantone 341-A

Vermelho Pantone 180-A

Violeta Pantone 266-A

II - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA EM ESTUDO