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BÖLÜM: METNİN TRANSKRİPSİYONLU ÇEVİRİSİ

A escolha da turma observada deu-se a partir da indicação do diretor da escola, que sugeriu a professora de classe, por ter 38 anos de experiências.

Ao modo de Castanheira, “ao chegar à turma a ser observada, decidi explorar, sem privilegiar um único foco” (2007, p. 68). As salas de aula eram organizadas de modo tradicional: os alunos sentavam-se em fileiras, de frente para professora. Na sala60 03, a turma era heterogênea do ponto de vista de gênero, idade e da diversidade cultural e linguística. Tinham entre 6 a 11 anos de idade e totalizam 30 alunos (Masc. 11 e Fem. 19). Os dados coletados abrangem um total de 33 aulas (cada aula com a duração de 3h: 30min). No primeiro horário são lecionadas as disciplinas de português, ciências naturais e sociais e no segundo matemática, após o intervalo de 30min. O intervalo ocorre no segundo horário de aula.

FIGURA 6 – Alunos da Sala 3 da EEB

Na E9, a D3 manifestou a sua preocupação a respeito das idades dos alunos:

E9-D3

Temos algumas alunas com a idade maior como o caso da A1 que já tem 12 anos de idade / porque há aqueles que ficam em casa sem ir para escola / mas eu não sei quais são os seus motivos / a idade da A1 e da A2 que também tem 11 anos / não era para estar na 1ª classe /

Percebemos a inquietação na fala da professora, pois, a situação em que estas estudantes se encontram é preocupante, do ponto de vista da exclusão. A idade oficial para os alunos da 1ª classe é de 6 a 7 anos de idade. O conhecimento do mundo dessas alunas e as suas realidades são diferentes dos alunos que têm 6 a 7 anos de idade. A desmotivação e o desinteresse eram visíveis por parte destes alunos ou alunas. “É verdade que a realidade que se nos apresenta só por si é suficiente para prever quanto será violenta” (DIALLO, 1989, p. 204).

A variante idade deve-se muito aos fatores de ordem social e econômico, que levam os pais e encarregados de educação, desses alunos a matricularem seus filhos tardiamente na escola e muitas das vezes os pais são impossibilitados economicamente de colocar seus filhos nos jardins (creche). Então, esses alunos vão para a escola com idades já avançadas. Como ilustra a TAB. 15:

TABELA 15 Idade Idade Nº de alunos Entre 6-7 anos 9 Entre 8-9 anos 8 Entre 10-11 anos 13

Os alunos que têm entre 10 e 11 anos apresenta números superiores em relação aos alunos que têm entre 6, 7, 8 e 9 anos de idade, lembrando que a idade oficial de entrada na escola estabelecida pela Lei de Base do Sistema Educativo até 2009, é de 7 anos.

É de salientar que a maior parte dos alunos que frequenta a EEB pertence às famílias com as dificuldades financeiras e uma boa porção é órfã, meninos de criação e ainda de outras categorias similares e, que geralmente carecem de meios financeiros. Na E10, a D1 lastima:

E10-D1

Na Guiné-Bissau / não se pode culpar ninguém pelo fato de não ter colocado o seu filho no jardim infantil / é do nosso conhecimento que há muita carência em termos financeiros no país / os alunos que frequentam jardins (creche) antes de vir para cá / a maioria desses alunos sabem manejar o lápis e já escrevem / há também aqueles que os pais não têm condição financeira para pagar jardim e estes chegam aqui com nível zero / sem ter nenhum conhecimento / daí o professor tem que esforçar muito para ajudar aqueles que não sabem fazer nada e dando-lhes trabalhos para fazer em casa /

As dificuldades econômicas encontradas por pais ou responsáveis dos alunos não permitem que muitas crianças tenham o privilégio de passar pelo jardim, antes de fazer a 1ª classe, lembrando que, desde a reforma61 de 2010, o Ensino Pré-escolar está previsto para as crianças dos 3 aos 5 anos de idade, que funciona nos jardins de infância ou nas creches.

Sabemos que, ainda que todos os alunos tenham seus conhecimentos de mundo, a prática de letramento dos alunos que fazem o jardim coloca-os em situação de vantagem em relação aos que não tiveram acesso à pré-escola. Essa questão foi notada em algumas atitudes da professora, como, por exemplo: ao final de cada aula, ela passava trabalho para casa nos cadernos dos alunos que tinham “dificuldades”. Notamos que essas dificuldades se referiam mais a aspectos relacionados à coordenação motora, ao uso de lápis e canetas, do que propriamente dificuldades relacionadas à dimensão cognitiva: Na E11, a D1 afirma:

E11-D1

Alguns alunos chegam com dificuldades sem saber segurar no lápis e outros com aprendizagem mais proveitosa / mas tenho que dar atenção para aqueles alunos que apresentam maior grau de dificuldades / não posso correr com aqueles que estão mais na frente /

Observe-se a preocupação da professora em não deixar nenhum aluno para trás. Sua ponderação confirma a importância da pré-escola para que as turmas de 1o ano sejam mais homogêneas.

Algumas crianças não terminam o ano letivo; desistem das aulas. Mas o caso mais frequente, que percebemos na Sala 03, é que sempre há um aluno que, ao sair para o recreio, não volta para sala de aula; sai diretamente para sua casa e sem que a professora o veja. Ao voltar do recreio, a professora percebe, pergunta aos colegas, eles confirmam que o colega foi para casa e a professora, por sua vez, lamenta dizendo: “é sempre assim todo o ano letivo”. A persistência destes problemas, ao longo do ano letivo, leva-nos a compreender as razões de

grau de dificuldade de assimilação da aprendizagem da leitura e da escrita por parte dos alunos. A FIG. 7 permite a visualização da Sala 03 que acompanhamos durante dois meses.

FIGURA 7 – Sala 03

Nesta imagem, é possível perceber os alunos sentados três em uma carteira dupla. A sala é bem espaçosa e arejada; do lado esquerdo há mais uma fileira de carteiras. A professora explica que, no ano passado houve por volta de 40 alunos nesta sala. Na E12, a D1 comenta:

E12-D1

Tenho o número um pouco menor em relação ao ano passado que tive 40 alunos matriculados / mas isso / deve-se ao fato das aulas iniciarem um pouco tarde por razão das greves / então alguns alunos foram para escola privada /

Como podemos perceber, os alunos estão sentados e a professora está no quadro passando os exercícios. É frequente ver, quando a professora passa alguns exercícios no quadro, os alunos saírem dos seus lugares para conversarem com colega, pedir emprestado lápis, caneta, borracha, etc., motivo causado por diferentes fatores, que podem ser de ordem social, econômica, etc. A TAB. 16 mostra a distribuição dos alunos por sexo da EEB.

TABELA 16

Distribuição dos alunos por sexo da Escola do Ensino Básico segunda classe, 2014

NÍVEL

Masculino Feminino TOTAL

F.E (%) F.E (%) F.E (%)

1ª Classe 42 3,39 79 6,3 121 9,42 2ª Classe 58 4,68 63 5,08 121 9,76 3ª Classe 63 5,08 114 9,20 177 14,28 4ª Classe 97 7,83 121 9,77 218 17,6 5ª Classe 92 7,43 139 11,2 231 18,63 6ª Classe 92 7,43 109 8,80 201 16,23 7ª Classe 62 5 107 8,64 169 13,64 TOTAL 506 41 732 59 1238 100

Fonte: Escola do Ensino Básico, 2014.

Os dados da TAB.16 mostram a distribuição dos alunos da EEB, nas diferentes classes e sexo. A TAB. 16 permite observar que, das sete classes registradas na escola, foram matriculados 1238 (mil duzentos e trinta e oito) alunos no ano letivo de 2014, sendo 41% do sexo masculino e 59% do sexo feminino. Analisando a frequência no seio das classes, nota-se que a proporção de mulheres que frequentam a EEB é maior em relação aos homens, o que muita das vezes não é comum como apresentamos no primeiro capítulo, que as mais elevadas taxas de analfabetismo situam-se principalmente em relação às mulheres. A 5ª classe apresenta maior porcentagem de alunos matriculados, que se situa em 18,63% do total. A 4ª classe situa em segundo lugar, com 17,6%. A 6ª classe em terceiro lugar com 16,23%. A 3ª classe em seguida com 14,28%. A 7ª classe com 13,64%. A 2ª classe e a 1ª classe, consideradas com menor percentagem dos alunos matriculados nesse ano letivo, e situa entre 9,76%, para 2ª classe, e 9,42%, para 1ª classe, do total dos alunos.

Conforme a TAB. 16, a escola possui 16 pavilhões com 48 turmas. Os alunos estudam no regime triplo horário de aulas (das 07 h às 11h, das 11h às 15h, das 15h às 19h). Normalmente as 1ª classes estudam no período de manhã, das 07 h às 11h.

Benzer Belgeler