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BÖLÜM 10 – KİŞİSEL VERİ SAHİPLERİNİN HAKLARI; BU HAKLARIN KULLANILMASI VE DEĞERLENDİRİLMESİ

A partir de nossos achados e de nossa inserção no território, vislumbramos sugestões e potencialidades sob dois enfoques: o primeiro refere-se ao nosso lócus de atuação – academia –, fundamental no jogo de forças e interesses envolvidos no conflito ambiental relacionado ao Projeto Santa Quitéria; o segundo corresponde à atuação política de movimentos sociais, grupos, coletivos, associações e entidades interessadas junto à sociedade civil e ao Estado, instituições e políticos.

Quanto às pesquisas, sugerimos aprofundar a investigação das causas de desmobilização, pois é um elemento importante na configuração das forças, sendo por isso importante entender de modo hermenêutico o que fragiliza a atuação dos moradores da região em termos de participação.

Um segundo problema a ser investigado refere-se à demanda das comunidades em entender a distribuição dos casos de neoplasias na região e uma possível correlação destes com a proximidade da mina. Esta pesquisa já foi iniciada com o levantamento de alguns indicadores dos Sistemas de Informação em Saúde, no entanto esbarra na dificuldade metodológica no que diz respeito à seleção dos municípios a serem estudados devido aos diversos fatores (água, vento, etc) que influenciam na concentração, distribuição e dispersão do urânio.

Nossa discussão e achados já avança e nos permite sugerir essa investigação alinhada com a Vigilância Popular à Saúde. Uma idéia se refere ao trabalho junto com Agentes Comunitários de Saúde (ACS), atores sociais e profissionais de saúde importantes dentro das comunidades e do sistema de saúde.

Como os casos de neoplasias, em nossa temática relacionados à radiação ionizante, chamam atenção pela morbimortalidade e pela dificuldade em estabelecer nexo causal, sendo uma preocupação tanto em Caetité quanto em Santa Quitéria e Itatira. Acreditamos que a localização geográfica de pessoas acometidas no microterritório pode ser estudada por meio de técnicas de geoprocessamento.

A proposta visaria identificar uma possível correlação espacial entre adoecimento e áreas em abundância de urânio a partir do monitoramento comunitário e da inteligência popular de ACS. Para tanto, uma opção seria a triangulação de métodos entre geoprocessamento e elementos da Epidemiologia comunitária.

Esta última refere-se a nossa terceira e mais forte sugestão e sobre a qual nos deteremos a seguir. Destaque para pesquisa de doutorado em Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ) de Renan Finamore, sob orientação do pesquisador Marcelo Firpo de Souza Porto, com este enfoque realizada atualmente em Caetité.

Epidemiologia comunitária, definida como “um área muy exigente de experimentación de La capacidad y posibilidad de no condenar a las poblaciones a ser „objetos‟ de conocimientos” [...] “y que en nombre de la verdad antigua sean sujetos de derechos, de conocimiento y de vida”,propõe expandir a produção e o alcance do

conhecimento a quem precisa, pois a vida de grande parte da população não pode depender estritamente de regras científicas, assim como o conhecimento deve estar a favor de melhores condições de vida. Por isso, tem centralidade no cotidiano e no particular (TOGNONI, 1997, p. 17).

Outros estudos necessários e com potencial já estabelecido dizem respeito ao monitoramento comunitário da radioatividade, nos moldes do que tem sido realizado em Caetité pelo laboratório CRIRAD e organizada pela FIOCRUZ e EJOLT. Na Universidade do

Vale do Acaraú em Sobral há intencionalidade de desenvolver estudos que envolvem mensuração de radiação por um professor físico nuclear.

Por fim, um estudo que parece simples, mas de importância indiscutível seria a comparação entre a quantidade de trabalho gerado em potencial com as atividades produtivas locais da região e os que serão gerados pela mineração de urânio e fosfato. Há que se considerar ainda a qualidade do emprego gerado pela mineração e a do trabalho gerado pelo desenvolvimento e fortalecimento das atividades produtivas locais através do incentivo das políticas públicas. Estudo sobre esse tema foi iniciado por pesquisadores da Faculdade de Economia da UFC membros do Painel Acadêmico Popular da Mineração de Urânio e Fosfato. Nesse sentido, o Painel Acadêmico Popular da Mineração de Urânio e Fosfato prevista no PSQ precisa lembrado. Formado pelos movimentos sociais que compõem a Articulação Antinuclear do Ceará, lideranças comunitárias e especialistas de várias áreas do conhecimento – incluindo professores da Universidade Federal do Ceará, da Universidade Vale do Acaraú em Sobral e da FIOCRUZ –, vêm se reunindo e visitando o território de Santa Quitéria para analisar criticamente o EIA/RIMA.

Quanto à atuação política evidenciamos o fortalecimento das redes de movimentos sociais, civis e acadêmicos nos diversos encontros e desdobramentos entorno do cotidiano dos participantes deste grupo de pesquisa-ação; a tendência é o seu fortalecimento que em conjunto com o movimento que floresce envolvendo as comunidades de Santa Quitéria. Este trabalho já está em divulgação com os participantes do curso técnico em Meio Ambiente, FIOCRUZ.

Em âmbito regional e estadual o Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM) e a Rede de Pesquisadores e Movimentos Sociais do Ceará (RUMA) ligada a Rede Brasileira de Justiça Ambiental estão em fase de conformação. No Nordeste, Pernambuco já apresenta movimento Antinuclear, assim como a AACE, CPT Bahia e Movimento Paulo Jackson em comunicação com a Articulação Antinuclear Brasileira. No âmbito global, a FIOCRUZ, membro do EJOLT tem ampliado a articulação e o debate em torno da questão nuclear e da mineração de urânio.

Pesquisas no núcleo TRAMAS estão em construção. Além de Bruna Sarkis com a monografia de graduação, Manoela Frota, Rafael Potiguar e Danielli Costa estão envolvidas com o mesmo território em suas pesquisas de mestrado.

Acreditamos que o campo científico a ser desenvolvido no contexto de risco e vulnerabilidade socioambiental relacionada ao projeto de mineração de urânio e fosfato em Santa Quitéria ainda tem muito que responder as demandas das comunidades. Fica o desafio político e o compromisso ético de uma ciência sensível que se coloque ao lado dos que dela mais necessitam, atuando na redistribuição de poder e objetivando por meios democráticos o primado da justiça social.