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Com a desestruturação do mercado de trabalho, no período de transição do fordismo para a produção flexível, foi perceptível o crescimento da taxa de desemprego, impulsionada, principalmente, pelo setor industrial. No entanto, foi perceptível também o aumento do número de postos de trabalho relacionados à prestação de serviços, mudança que já era prevista na Sociedade Industrial.

O desenvolvimento tecnológico foi sempre necessário; em virtude dele houve, por exemplo, uma maior democratização do mercado de consumo. No entanto, também é fato que o investimento em ciência e tecnologia contribui para o desemprego permanente. O capital,

composto pelos meios de produção e pela força de trabalho, com o desenvolvimento da produtividade do trabalho, procura investir mais na parte constante (meios de produção) do que na parte variável (força de trabalho). Cada vez mais são necessários menos trabalhadores, o que contribui para a diminuição de postos de trabalho e o aumento do desemprego.

Entretanto, o desenvolvimento tecnológico não é o único responsável pelo desemprego, pois divide a responsabilidade com, por exemplo, as consequências advindas da globalização e o pouco ou nenhum crescimento econômico. Em períodos de expansão econômica, a produção e a renda crescem bastante, a taxa de desemprego é baixa e a demanda por bens de consumo também se eleva. Se há crescimento econômico, as empresas produzem e vendem e são competitivas, dão emprego e melhoram o nível de vida da população. Portanto, a expansão da quantidade de postos de trabalho depende muito mais do comportamento da economia do que qualquer outro fator.

O mercado de trabalho é implacável, pois, de um lado, está um número cada vez mais crescente de pessoas procurando emprego, de outro, o número de postos de trabalho disponíveis estão crescendo a um ritmo muito mais lento do que o número de postulantes. Isso acontece, especialmente, porque a tecnologia consegue, cada vez mais, suplantar o trabalho humano, tanto nas atividades físicas, como nas intelectuais.

Com o progresso da sociedade, o aumento de capital destinado à reprodução implica, cada vez menos, na situação do trabalhador. O acréscimo de capital variável significa, no capitalismo, muito mais um maior índice de mais trabalho do que um maior número de trabalhadores empregados. Desse modo, exploram-se os trabalhadores que ainda conservam seus postos de trabalho e se substituem os trabalhadores mais qualificados pelos menos habilidosos e trabalhadores experientes por trabalhadores inexperientes, em várias atividades oriundas da Sociedade Industrial:

Um capital variável maior põe em movimento maior quantidade de trabalho sem recrutar mais trabalhadores; um capital variável da mesma magnitude põe mais trabalho em ação, utilizando a mesma quantidade de força de trabalho, e, finalmente mobiliza maior quantidade de forças de trabalho inferiores expulsando as de nível superior (MARX, 1971, p. 738).

Marx explica que há uma tendência muito forte de o capitalismo desenvolver-se sem o trabalho humano. A qualidade de bens produzidos está cada vez menos ligada à quantidade de trabalho humano que os produtos incorporam e, sobretudo, à quantidade de trabalho executivo fornecido pelos cidadãos dos países desenvolvidos. Isso determina, nos países ricos, o fenômeno ainda mais acentuado do desenvolvimento sem trabalho, com desemprego crescente.

O fenômeno do desenvolvimento sem trabalho tende a atingir níveis intoleráveis de desemprego, mas não se refere à abolição de qualquer tipo de trabalho; refere-se àquele que se tornou a base da Sociedade Industrial e informou a teoria sociológica clássica. Trabalhadores sempre existirão, pois para haver a integralização do processo de acumulação de capital é necessário que haja consumidores e para que haja consumidores, é preciso que haja trabalhadores.

Verdadeiramente, o taylorismo e o fordismo, as ciências organizativas e a tecnologia foram primordiais para a Sociedade Industrial. Contribuíram para a sistematização dos processos de trabalho e para a geração de um número altíssimo de postos de trabalho, no entanto, postos de trabalho desqualificados. A máquina não libertou o trabalhador de seu trabalho, mas o trabalho de seu conteúdo. O trabalho intelectual de que o capital apropriou-se transformou-se em um poder do capital sobre os trabalhadores. O que restou ao trabalhador foi o trabalho de execução. Ele perdeu o conhecimento sobre o quê e como as coisas são produzidas e as habilidades necessárias para executá-las. A força física e as habilidades dos trabalhadores foram materializadas nas máquinas, enquanto o conhecimento deslocou-se para os cargos gerenciais. O taylorismo/fordismo até propiciou melhorias materiais na vida dos trabalhadores, no entanto, eles perderam suas competências profissionais.

A indústria era o núcleo dinâmico do sistema econômico no capitalismo e condicionava a expansão das demais atividades econômicas na Sociedade Industrial. Enquanto nessa sociedade houve uma passagem da predominância do setor primário para o setor secundário, na Sociedade Pós-Industrial a passagem deu-se do setor secundário para o terciário. Todavia, não se pode mais considerar a antiga divisão de setores (primário, secundário e terciário), pois hoje se diluem os limites entre os vários setores econômicos: a agricultura industrializou-se mediante a biotecnologia e a utilização de equipamentos mecânicos altamente sofisticados, os bens cada vez mais incorporam serviços e a imaterialidade dos serviços utiliza-se da materialidade dos bens, como, por exemplo, a conjugação de software e hardware.

É possível afirmar que a Sociedade Pós-Industrial não se apoiará mais sobre um setor único, centralizado, mas sobre uma pequena rede de setores e fatores no mesmo nível de importância (a informação, a ciência, os serviços, a própria indústria, entre outros). Entretanto, é no setor de serviços que se encontrará maior número de trabalhadores. Isso é demonstrado por De Masi (2000), com os seguintes dados: em 1870, de 13 milhões de empregados nos Estados Unidos, apenas 3 milhões estavam na produção de serviços; em

1940, dos 50 milhões de empregados, mais de 24 milhões já trabalhavam nesse setor. Entre 1960 e 1978, na Alemanha, a proporção de empregados no setor de serviços passou de 39% para 48%, na França, de 40% para 54%, na Grã Bretanha, de 47 % para 58%, no Japão, de 41% para 53%. Na Itália, passou de 34 % em 1960 para 51% em 1982. A General Eletric, em 1980, tinha 85% do seu faturamento em atividades nitidamente industriais e 15% em atividades terciárias. Em 1997, passou a ter 75% do seu faturamento proveniente das atividades de serviços. Atualmente, nas indústrias, os funcionários (colarinhos brancos) são em maior número do que os operários (colarinhos azuis), ao contrário do que acontecia na Sociedade Industrial. Na manufatora IBM Itália, em 1990, de 13.488 empregados, apenas 3.647 dedicavam-se à produção. Em 1996, dos dez mil empregados, apenas seiscentos executavam tarefas de algum modo semelhantes às de operário e, mesmo assim, eram tidos como funcionários tecnológicos, pois muitas das suas tarefas já tinham conteúdo característico de funcionários. Tais mudanças extinguem a ampla fábrica, empregadora de uma grande massa de operários, o ritmo da máquina imprimido à natureza do trabalho e as lutas operárias e faz preponderar uma sociedade de serviços.

A rápida contração do emprego industrial, depois de 1972, deu maior relevância ao rápido aumento do emprego em serviços, não apenas no varejo, na distribuição, nos transportes e nos serviços pessoais, mas também na assistência, nas finanças, nos seguros e no setor de imóveis, assim como em outros segmentos como, por exemplo, saúde e educação. Pode ser elucidado também pelo aumento das subcontratações e das consultorias. Além da necessidade de aumentar o tempo de giro de consumo ter provocado uma mudança de ênfase da produção de bens (que têm um tempo de vida substancial) para a produção de eventos (que têm um tempo de vida quase instantâneo). Contudo, o setor de serviços, por vezes, permanece dependente da acumulação industrial propriamente dita e, com isso, da capacidade produtiva das indústrias.

O sistema capitalista tem uma necessidade de exercer suficiente controle sobre o emprego da força de trabalho a fim de garantir adição de valor na produção, ou seja, lucros positivos para o maior número possível de capitalistas, o que torna o desemprego um fator inevitável.

Para se entender ainda melhor porque é impossível haver pleno emprego no capitalismo, Marx (1971) explica a lei da produção capitalista: “a relação entre capital, acumulação e salários é apenas a relação entre o trabalho gratuito que se transforma em capital e o trabalho adicional necessário para por em movimento esse capital suplementar” (p.

721). De um lado, está a dimensão do capital, de outro, está o número de trabalhadores, ou seja, é a relação entre trabalho não pago e trabalho pago da mesma população trabalhadora. O alimento do capital é o trabalho gratuito. Sendo assim, toda vez que houver um acréscimo de trabalho gratuito, haverá, em decorrência, um maior lucro para os capitalistas. A única forma de os capitalistas transformarem esse lucro em capital é transformá-lo em trabalho pago, o que leva à criação de mais postos de trabalho. Havendo maior número de postos de trabalho, a classe trabalhadora irá exigir melhores salários, o que concorrerá para a diminuição da margem de lucro dos capitalistas, via trabalho não pago. A consequência disso tudo é a perda do alimento do capital, isto é, do trabalho excedente, enfraquecendo a lucratividade; daí surge uma pressão contra o movimento de elevação dos salários, que está, portanto, confinada a limites. A população excedente, ou exército industrial de reserva21, será sempre parte da Sociedade Capitalista, configurando-se uma contradição de que o aumento natural da massa de trabalhadores não sature suas necessidades de lucro e, apesar disso, ultrapasse-as.

A história econômica demonstra que a necessidade de controle do capitalismo não exclui a regulamentação e intervenção do Estado. Este atenua as falhas do mercado, evita excessivas concentrações de poder ou combate o abuso do privilégio do monopólio quando o mesmo não pode ser evitado, fornece bens coletivos que não podem ser produzidos e vendidos pelo mercado e impede falhas descontroladas decorrentes de surtos especulativos.

Mesmo com todas as consequências negativas para os trabalhadores, advindas da desestruturação do mercado de trabalho, ao contrário do que tem sublinhado alguns analistas, Lazzareschi (2008) afirma que o trabalhador jamais deixou de exercer certo controle sobre as condições objetivas do trabalho. Eles reagem, inteligentemente, às condições de trabalho impostas, obrigando que se faça um conjunto de modificações no interior das empresas que atendam, pelo menos parcialmente, aos seus interesses, como resposta ao enfrentamento permanente e manifesto entre capital e trabalho, do qual nem sempre se impõe a vontade do capital. Por vezes, o capital vê-se obrigado a fazer concessões para obter o consentimento e colaboração do trabalhador. Entretanto, é claro que essa interveniência dos trabalhadores acontecerá levando em consideração outros fatores, tais como: fatores de ordem econômica (situação do mercado de trabalho e do mercado de produtos nos níveis local, nacional e internacional) e fatores de ordem social e cultural (estágio do processo de democratização da educação).

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É a parte da população economicamente ativa de um país que não está empregada no núcleo capitalista do sistema, como assalariada, mas que se encontra disponível para uma imediata incorporação ao mesmo.

Resulta daí a conclusão da autora de que a introdução de novas tecnologias e de novas técnicas gerenciais do processo de trabalho somente poderá ser compreendida como: fruto de uma situação de crise da economia mundial; consequência do esforço intelectual de adaptação das tecnologias de informação, desenvolvidas, sobretudo, por razões políticas durante os anos de Guerra Fria e voltadas também para o processo produtivo e de prestação de serviços como instrumento de enfrentamento da crise; resultado da necessidade de expansão dos mercados, própria do regime capitalista de produção e fundamental em situação de crise; possibilidade, vislumbrada pelos próprios trabalhadores, de melhoria de suas condições de vida, que com ela têm consentido, apesar de todos os problemas dela provenientes (LAZZARESCHI, 2008).

Sabe-se que a introdução de máquinas faz com que o capital variável transforme-se em capital constante, contribuindo para o acréscimo do exército de reserva de trabalhadores, mas não é somente essa a causa. Marx (1971) explica que a superpopulação relativa formada assume três configurações distintas: flutuante, latente e estagnada.

A superpopulação assume a forma flutuante quando aumenta ou diminui conforme o crescimento econômico. Os trabalhadores ora são repelidos, ora são atraídos em maior número, de maneira que acaba havendo um aumento periódico do número de trabalhadores, embora sempre em proporção que diminui com o aumento da escala da produção.

Haverá uma população de trabalhadores supérflua sempre latente. Há uma contradição no capitalismo: o lamento contra a falta de força de trabalho quando existe um exército de reserva de trabalhadores, vítimas da divisão do trabalho que os acorrentou em um determinado ramo industrial. Constituem, também, a massa supérflua, os trabalhadores que atingiram uma média de idade não útil para o capital, que precisa de maior quantidade de trabalhadores jovens. Outros considerados supérfluos são os trabalhadores expulsos do campo após a produção capitalista apoderar-se da agricultura. Os trabalhadores que compõem esta população estão sempre ameaçados de serem despedidos.

Outra categoria de superpopulação relativa é a estagnada. São os trabalhadores sem uma profissão, ou seja, para nada específico formaram-se e, por isso, trabalham em qualquer lugar. Acreditam ser mais vantajoso serem explorados pelo capital, de alguma forma, do que não ter nem sequer a chance de sê-lo. Eles são obrigados a situações em que trabalham demasiadamente e ganham muito pouco.

Existe ainda uma categoria que não se enquadra em nenhuma das três anteriormente descritas. Esta categoria é formada pelos que não têm nenhuma chance de conseguir um emprego.

Ao que Marx (1971) explicou, pode ser acrescentada outra distribuição. Ou seja, diante de todas as mudanças ocorridas no mundo do trabalho, foram impostos regimes de contratos de trabalho mais flexíveis, preponderando-se a redução do emprego regular e o crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado, surgindo três grupos de empregados.

Os trabalhadores centrais, que trabalham em tempo integral, com condição permanente e posição essencial para o futuro de longo prazo da organização, são imprescindíveis para o negócio e, por isso, gozam de maior segurança no emprego, boas perspectivas de promoção e de reciclagem e outras vantagens indiretas. Em contrapartida, é exigido que esses empregados sejam facilmente adaptáveis, flexíveis e, geograficamente, móveis.

Outro grupo, que é denominado de periférico, é o que agrega empregados em tempo integral, com habilidades facilmente disponíveis no mercado de trabalho, como pessoal do setor financeiro, secretárias, pessoal das áreas de trabalho rotineiro e de trabalho manual menos especializado, caracterizando-se por uma alta taxa de rotatividade.

O segundo grupo periférico integra um número ainda maior de trabalhadores, em tempo parcial, empregados casuais, pessoal com contrato por tempo indeterminado, temporários, subcontratados e treinandos com subsídios públicos. Os trabalhadores desse grupo têm ainda menos segurança no emprego.

A tendência é de que se diminua o número de trabalhadores centrais e de que se empregue uma força de trabalho facilmente admitida e demitida sem custos, quando não mais é necessária para a empresa, explica Harvey (1992).

Logo, podem-se entender os tipos de desemprego da seguinte maneira. Ocorre desemprego estrutural em países subdesenvolvidos e dependentes. É provocado pela fraqueza dos investimentos produtivos e pela ausência de mecanismos institucionais de distribuição mais igualitária da renda. Ocorre desemprego tecnológico em países mais desenvolvidos. É provocado pela reestruturação produtiva, ou seja, pela introdução da mais sofisticada tecnologia de base microeletrônica conjugada à adoção de novas e sofisticadas formas de organização do processo de trabalho e tem como consequência imediata a redução de milhões de postos de trabalho em todo o mundo. Ocorre desemprego conjuntural em consequência da queda temporária dos investimentos produtivos em determinadas conjunturas econômicas, financeiras e/ou políticas nacionais e/ou internacionais, assinaladas especialmente pelo aumento dos preços dos insumos industriais, sobretudo, pelo aumento dos preços do petróleo, pelo aumento dos índices de inflação que diminui o poder aquisitivo da moeda, dos salários e

a credibilidade dos negócios. O desemprego friccional é provocado pela mudança de emprego ou atividades dos indivíduos em decorrência do desaparecimento de algumas ocupações e surgimento de outras, sobretudo, pelas transformações tecnológicas e organizacionais do processo de trabalho e da reestruturação dos mercados de trabalho. E, por fim, o desemprego temporário, causado pela sazonalidade de certas atividades econômicas, principalmente, as relativas à agricultura e ao turismo em algumas regiões.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego atingiu níveis recordes em 2009. Conforme o relatório de 2009 sobre as tendências mundiais do emprego, o número de desempregados no mundo alcançou cerca de 212 milhões. Em 2007, o mesmo relatório apontou para 178 milhões. Os países desenvolvidos e a União Européia foram os mais afetados, assinalando para uma alta de 2,4 pontos percentuais entre os anos de 2008 e 2009. Os países do Leste Europeu tiveram um aumento de 2% e a América Latina e o Caribe 1,2%, (MAGALHÃES, 2010).

Com o objetivo de retratar a realidade do mercado de trabalho no Brasil, a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade –, em colaboração com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese –, tem divulgado, sistematicamente, os resultados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Trata-se de uma pesquisa domiciliar que, a cada mês, investiga uma amostra de, aproximadamente, 3.000 domicílios, localizados nas regiões metropolitanas brasileiras. A qualidade de seus indicadores e as inovações metodológicas introduzidas fazem da PED uma das principais fontes de referência sobre a conjuntura do mercado de trabalho metropolitano.

A análise do comportamento nos últimos doze meses (novembro de 2008 a novembro de 2009) do conjunto das regiões pesquisadas - Distrito Federal, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo – demonstrou que a criação de 114 mil ocupações não foi suficiente para absorver a entrada de 170 mil pessoas no mercado de trabalho, decorrendo no aumento de 56 mil pessoas no contingente de desempregados. Tais dados confirmam os prognósticos de que o século XXI será o século do desemprego.

Quanto ao fator nível de ocupação, a pesquisa demonstrou o seguinte: 164 mil postos de trabalho foram criados no setor de Serviços; 120 mil na Construção Civil; e 65 mil no Comércio. No mesmo período (novembro de 2008 a novembro de 2009) foram eliminadas 220 mil ocupações na Indústria e 15 mil no conjunto Outros Setores. Esses dados sancionam a tendência de que no século XXI mais postos de trabalho sejam criados no setor de Serviços, em detrimento do setor da Indústria.

A taxa de desemprego total, nos últimos doze meses, apresentou relativa estabilidade: variou de 13% (novembro de 2008) para 13,2% (novembro de 2009). A taxa de desemprego aberto22 variou de 8,9% para 9,3% e a de desemprego oculto23 diminui de 4,2% para 3,9%. Seu comportamento foi regionalmente diferenciado: cresceu em Belo Horizonte e São Paulo, permaneceu relativamente estável em Porto Alegre e diminuiu em Salvador, Recife e no Distrito Federal (Tabela 1).

Tabela 1 - Taxas de Desemprego Total

Regiões Metropolitanas e Distrito Federal Novembro/08-Novembro/09

Em porcentagem

Regiões Nov-08 Out-09 Nov-09 Variação

Nov-09/Out-09 Nov-09/Nov-08 Total 13,0 13,7 13,2 -3,6 1,5 Distrito Federal 15,7 15,1 15,3 1,3 -2,5 Belo Horizonte 8,3 10,0 9,8 -2,0 18,1 Porto Alegre 10,2 10,4 10,0 -3,8 -2,0 Recife 18,2 19,2 17,7 -7,8 -2,7 Salvador 19,9 18,7 17,8 -4,8 -10,6 São Paulo 12,3 13,2 12,8 -3,0 4,1

Fonte: Convênio Seade – Dieese, MTE/FAT e convênios regionais.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), para 2010, o Brasil apresenta uma oferta de 24,8 milhões de profissionais, todavia, nem todos têm qualificação necessária para o ingresso imediato no mercado de trabalho. São 6,526 milhões de desempregados, 1,667 milhão de novos ingressantes e 16,616 milhões de profissionais demitidos por força da rotatividade. Dentre os desempregados, apenas 1,902 milhão apresenta qualificação e experiência profissional. No somatório de ingressantes, somente 45,1% tendem a apresentar qualificação e experiência profissional para o imediato exercício do trabalho. O

22 Desemprego aberto: pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos trinta dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum trabalho nos sete últimos dias.

23Desemprego Oculto pelo Trabalho Precário: pessoas que realizam algum trabalho remunerado eventual de auto-ocupação, ou seja, sem qualquer perspectiva de continuidade e previsibilidade, ou realizam trabalho não- remunerado em ajuda de negócios de parentes e que procuraram mudar de trabalho nos trinta dias anteriores ao da entrevista, ou que, não tendo procurado neste período, fizeram-no, sem êxito, até doze meses atrás.

Desemprego Oculto pelo Desalento e Outros: pessoas que não possuem trabalho nem procuraram nos últimos

trinta dias, por desestímulo do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos doze meses.

Instituto vê como medida contra a exclusão dos trabalhadores sem qualificação (22,2% do

Benzer Belgeler