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campus Mossoró

Inicialmente, situa-se que os cursos de qualificação profissional – cursos FIC no âmbito do PROEJA FIC/FUNDAMENTAL no IFRN são concebidos como oferta articulada que promove a elevação da escolaridade, desenvolvidos por meio de projeto pedagógico integrado único com o ensino fundamental na modalidade EJA (PPP-IFRN, 2013).

Para efeitos da articulação anunciada, esse modelo de curso é desenvolvido de acordo com o disposto no artigo 121 da Organização Didática, o qual determina que os cursos FIC integrados ao Ensino Fundamental na modalidade EJA “serão desenvolvidos de forma interinstitucional, conveniada com escolas da rede pública de ensino, por meio de instrumento firmado com as Secretarias Municipais ou Estadual de Educação” (NATAL, 2013, p.35). Ademais, o fluxo de aprovação e autorização de funcionamento segue o que determina o art.

164 desse mesmo documento institucional, sob força de resolução própria definida pelos colegiados competentes.

Oficialmente, o Curso de Formação Inicial e Continuada ou Qualificação profissional - FIC de auxiliar técnico em gestão e qualidade em serviços, na forma integrada ao ensino fundamental, na modalidade EJA, promovido pelo IFRN campus Mossoró, foi viabilizado pela Chamada Pública da SETEC/MEC, no ano de 2010.

Embasado nesse dispositivo e em atendimento ao convite formalizado pela Chamada Pública, o IFRN-campus Mossoró organizou uma proposta para o Curso, submeteu à avaliação da SETE/MEC e aprovou o projeto de funcionamento do Curso em tela para ser desenvolvido na PFMos. O referido Curso compõe, dessa forma, o rol dos poucos cursos do PROEJA FIC/FUNDAMENTAL, na esfera prisional, da rede federal de educação científica e tecnológica brasileira.

O curso teve sua gênese, portanto, no convite feito aos institutos federais localizados nos estados onde funcionam as penitenciárias federais de segurança máxima no Brasil. No caso do estado do Rio Grande do Norte, o IFRN-campus Mossoró foi o escolhido em razão da localização da PFMos naquele município. A possibilidade de realização de chamadas públicas nesse formato não acontece de forma aleatória.

Deste modo, o Curso foi instituído por meio de dois documentos: a Deliberação nº 07/2011-CONSEPEX/IFRN e a Resolução nº 12/2011-CONSUP/IFRN, emitidos pelos colegiados que integram os organismos de gestão do Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Rio Grande do Norte – IFRN, conforme mostram as figuras 1 e 2 a seguir.

Figura 1 - Deliberação de aprovação do Curso no âmbito do PROEJA FIC/FUNDAMENTAL - IFRN/MO

Figura 2 - Resolução de autorização de funcionamento do Curso no âmbito do PROEJA FIC/FUNDAMENTAL - IFRN/MO

Esses dois documentos foram emitidos em conformidade com as recomendações internas do Instituto para a criação de cursos no âmbito do PROEJA FIC/FUNDAMENTAL no IFRN. Além das recomendações e exigências para a realização desse projeto em articulação com as penitenciárias federais, as normas para a criação do Curso no IFRN obedece ao trâmite e às diretrizes institucionais próprias, em sintonia com o PPP institucional (IFRN, 2012) e a Organização Didática (IFRN, 2012). Legalmente criado no ano de 2011, o Curso investigado teve início em 2012 e finalizou no ano de 2013.

No que concerne à elaboração do PPC no IFRN, observam-se as recomendações contidas no artigo 165 da Organização Didática, o qual orienta essa construção. De acordo com esse dispositivo, a estrutura do PPC contempla: apresentação, identificação do curso, justificativa, objetivos (gerais e específicos), requisitos e formas de acesso, perfil profissional de conclusão do curso, organização curricular do curso, prática profissional, critérios e procedimentos de avaliação da aprendizagem, critérios de avaliação do projeto do curso, critérios de aproveitamento de estudos e de certificação de conhecimentos, instalações, equipamentos e biblioteca, perfil do pessoal docente e técnico-administrativo, certificados referências, anexos: ementas e programas e bibliografia básica e complementar.

2 EDUCAÇÃO DE ADULTOS ASSOCIADA À QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL: FLUXOS E CONTRAFLUXOS

Formar profissionalmente não é preparar exclusivamente para o exercício do trabalho, mas é proporcionar a compreensão das dinâmicas sócio- produtivas das sociedades modernas, com as suas conquistas e os seus revezes, e também habilitar as pessoas para o exercício autônomo e crítico de profissões, sem nunca se esgotar a elas. (RAMOS, 2007, p. 5).

Essa epígrafe traz considerações importantes para a reflexão sobre a formação profissional dos cidadãos. Em que medida as iniciativas estatais brasileiras, gestadas para o desenvolvimento da qualificação profissional15, articulam-se à elevação da escolaridade? Tomando essa indagação como fio condutor do debate esse capítulo apresenta os fluxos e contrafluxos da EJA associada à qualificação profissional. Objetiva construir uma síntese acerca da configuração de duas ofertas educativas na esfera educacional brasileira,

Essa historicização se faz necessária em razão de elencar ações instituídas pelos governos brasileiros no século XX e na primeira década do século XXI, com o fito de identificar aproximações prováveis entre EJA e qualificação profissional, sob o viés da elevação de escolaridade, buscando-se cotejar as mediações desses processos com o PROEJA FIC/FUNDAMENTAL.

Sobre o uso do termo ‘qualificação profissional’ cabe aqui uma ressalva. O sentido da expressão qualificação profissional nesse estudo restringe-se ao termo utilizado oficialmente na legislação brasileira e nos programas de governo para institucionalizar uma das ofertas de EPT. Esse sentido se distancia de uma concepção mais ampla do termo que é difundida na academia. A exemplo da discussão teórica difundida pelo sociólogo francês Pierre Naville, Rocha (2011, p. 238) conceitua a qualificação profissional em sentido amplo, compreendendo-a como

15Encontram-se, tanto na literatura como na legislação, diferentes terminologias para esse tipo de oferta.

Nomenclaturas como cursos básicos, cursos de curta duração, cursos de formação do trabalhador, cursos de qualificação profissional, foram algumas denominações utilizadas ao longo da História. A mais recente alteração adveio da Lei nº 11.741/2008, legislação nacional que altera dispositivos da Lei nº 9.394/1996, criada com a finalidade de redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica (BRASIL, 2008b). A partir da inclusão dos dispositivos dessa nova Lei à LDB, a denominação ‘formação inicial e continuada de trabalhadores’, em vigor até o ano de 2008, figura no aparato legal atual como ‘formação inicial e continuada ou qualificação profissional’. Deste ponto do texto em diante será empregada a denominação qualificação profissional-cursos FIC.

[...] uma intrincada relação de fatores tais como o salário (a retribuição do trabalho executado por aqueles que não têm meios de produção), a divisão das tarefas nos ramos produtivos (ou divisão técnica das operações), a repartição das capacidades (forma como a mão de obra se distribui mais em razão da dinâmica social que das vocações), a hierarquia dos trabalhos (importância social dos tipos de atividades – manuais, intelectuais, ligada a gênero), a habilidade (capacidade operatória do trabalhador) e o tempo necessário para aprendizagem do ofício, um dos fatores mais fundamentais.

Essa referência, além de ultrapassar a ideia de qualificação profissional sob a alegação de necessidade do ‘mercado’, também supera a qualificação para o trabalho enquanto responsabilidade exclusiva do sujeito para o desempenho de uma determinada ocupação. Dimensionada em uma categoria conceitual mais ampla, a concepção de qualificação idealizada no pensamento da autora estrutura-se em âmbito coletivo, atrelando-se ao conjunto das necessidades inerentes às profissões constituídas histórica e socialmente, motivada muito mais por critérios éticos e políticos do mundo do trabalho do que por critérios técnicos da profissionalização. Mesmo reconhecendo a amplitude dessa categoria teórica, cabe reiterar que a intenção de discutir qualificação profissional nessa pesquisa restringe-se ao que está postulado no aparato legal brasileiro, na qualidade de oferta educacional vinculada à EPT.

Esse capítulo organiza-se em duas partes. Na primeira, elabora-se uma síntese histórica das trajetórias da EJA e da qualificação profissional no Brasil ao longo do século XX. Na segunda, apresenta-se uma breve exposição de algumas iniciativas de governo desenvolvidas na primeira década do século XXI. Trata, mais especificamente, de três medidas de governo implementadas na primeira década do século XXI: o Plano Nacional de Qualificação - PNQ, o Programa Nacional de Inclusão de Jovens - ProJovem e o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA16.

16 O objetivo não é analisar todas as ações de governo instituídas na primeira década do século XXI. O que se

busca, dentro desse recorte temporal, é cotejar apenas medidas de qualificação profissional-cursos FIC, instituídas na esfera federal e que estabeleçam conexões com a modalidade EJA, nos anos finais do ensino fundamental, a fim de perceber as mediações com o PROEJA FIC/FUNDAMENTAL, objeto deste estudo. O fato é que existem iniciativas que ofertam apenas cursos FIC ou outras que oferecem apenas a alfabetização. Têm ainda as ações que, apesar de unir EJA e qualificação profissional-cursos FIC, delimitam idades mínima e máxima do público ou associam-se à EJA no ensino médio. Por estas razões, não se configuram em objeto da análise em curso, em razão de não firmar conexão direta com o PROEJA FIC/FUNDAMENTAL (um Programa extensivo ao público de jovens e adultos com baixa escolarização, sem faixa etária determinada, e que se dá no âmbito da modalidade EJA - ensino fundamental). O intuito é compreender, em linhas gerais, em que medida há associação entre as ações implementadas com a elevação da escolaridade, por intermédio dos anos finais da EJA/EF.

2.1 RECUPERAÇÃO HISTÓRICA DA EJA E DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Benzer Belgeler