Alguns estudiosos, como Davenport e Prusak (2003), Teixeira Filho (2000), Terra e Angeloni (2003), dedicaram suas atenções a aspectos relacionados à dado, informação e conhecimento. Segundo esses autores, existe uma sequência, uma dependência e uma relação lógica entre eles, pois se parte do pressuposto de que o dado é apenas um conjunto de sequência de fatos e de símbolos que, por si só, não têm sentido e podem ser quantificáveis através de bases numéricas. A informação é o dado com sentido, que passa a ter significado e relevância para seu usuário, já que tem valores agregados. Já o conhecimento envolve a subjetividade humana, em que as informações foram interiorizadas na mente do sujeito fazendo um mix com sua experiência prática, informação contextual, experimentação, observação e reflexão (RAMAL et al., 2012, p. 60).
Teixeira Filho (2000) diferencia os três termos dizendo que o dado é um elemento sem significado, a informação é um dado com sentido/significado, e o conhecimento é o elemento responsável pela decisão a ser tomada. Terra e Angeloni (2003) também avaliam a informação como uma organização de dados realizada pelo ser humano.
Os dados, apesar de não terem sentido por si sós, tornaram-se importantes para os sistemas de informação e o ponto de discussão em estudos voltados, principalmente, para a
Informática e a Ciência da Informação. O termo “dado”, segundo Miranda (1999, p. 285), é “um conjunto de registros qualitativos ou quantitativos conhecidos que, organizado, agrupado, categorizado e padronizado adequadamente, transforma-se em informação”. Já Davenport e Prusak (2003, p.2-3) entendem que
[...] é um conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos. Num contexto organizacional, dados são utilitariamente descritos como registros estruturados de transações... os dados não revelam nada sobre si, nem possuem significado inerente, no entanto, eles são importantes para as organizações, porque são a matéria-prima essencial para a criação da informação.
Quanto à “informação”, a terminologia da palavra é derivada do latim, que significa processo de comunicação. Miranda (1999, p.285) acredita que a informação tem um importante papel nos processos decisórios dentro das organizações, por se tratar de dados organizados de modo significativo e útil, que servem de subsídio para ações gerenciais precisas e confiáveis.
Nessa mesma linha de raciocínio, Davenport e Prusak (2003, p.4) expõem que a informação é uma mensagem que, geralmente, vem na forma de documento ou comunicação, com a finalidade de mudar o modo como o receptor percebe algo, exercendo um forte impacto sobre seu julgamento e comportamento. Já Drucker percebe a informação como uma chave para o sucesso organizacional, cuja utilização é a base da mudança de uma economia capital- trabalho para uma voltada para a informação e o conhecimento. Assim, quando os dados e os procedimentos são unidos e articulados com o capital humano e ferramentas tecnológicas, um sistema de informação é formado, e informações úteis e precisas são geradas para o desenvolvimento das atividades organizacionais. Porém, quanto mais próxima a informação representar a realidade da organização, mas flexível e competitiva ela será.
Quando se trata de “conhecimento”, vários são os conceitos que lhes são dados, porém existe uma unanimidade de que ele se tornou a principal fonte de competição e destaque entre as organizações, o bem intangível mais valioso na atual economia baseada no conhecimento.
No ambiente organizacional, o conhecimento encontra-se também em processos, rotinas, procedimentos e normas, bem como em bases de dados, repositórios e documentos, o que permite que os sujeitos colaborem com suas experiências e vivências no meio em que está inserido, proporcionando uma estrutura rica de informações e de conhecimentos organizacionais. O Quadro 7 apresenta várias definições de conhecimento dos principais estudiosos da área:
Quadro 7 – Definições de conhecimento
AUTORES DEFINIÇÃO DE CONHECIMENTO
Von Krogh, Ichijo e Nonaka (2001)
O conhecimento é um desses conceitos importantíssimos, positivos, promissores e de difícil definição. Caso se pergunte a um grupo de cientistas da cognição o que é conhecimento, talvez eles concordem que o conhecimento envolve estruturas cognitivas que representem determinada realidade. Mas, se um desses cientistas abordar questões de conhecimento com um gerente de uma empresa, ele poderá não concordar com tal definição. É muito mais provável que o gerente associe conhecimento a Know-how. Sveiby (1998, p.
44) “[...] a capacidade que uma pessoa tem de agir continuamente é criada por um processo de saber”. Portanto, é contextual e não pode ser separado de seu contexto. Stewart (1998) Fazer o conhecimento avançar em forma de ação é o grande desafio contemporâneo, dando início a uma sociedade pós-capitalista, na qual a riqueza é produto do conhecimento, componente básico da economia.
Morin (2000, p.
35) O conhecimento do mundo, como o mundo, é necessidade, ao mesmo tempo, intelectual e vital. Segundo ele, “é o problema universal de todo cidadão do novo milênio: como ter acesso às informações sobre o mundo e como ter a possibilidade de articulá-las e organizá-las? ”.
Davenport e
Prusak (2003, p. 6) O conhecimento é uma mistura fluida da experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentando, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e a incorporação de novas experiências e informações. Tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, o conhecimento está embutido não só em documentos de repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais.
Probst, Raub e Romhardt (2002, p. 29)
O conhecimento é o conjunto total, que inclui cognição e habilidades que os indivíduos utilizam para resolver problemas. Ele inclui tanto a teoria quanto a prática, as regras do dia a dia e as instruções sobre como agir. O conhecimento baseia-se em dados e informações, mas, ao contrário deles, está sempre ligado a pessoas. Ele é construído por indivíduos e representa suas crenças sobre relacionamentos causais.
Crawford (1994, p.
21) O conhecimento “é a capacidade de aplicar informações a um trabalho ou a um resultado”. Fonte: Adaptado de Souza (2009, p. 57).
É oportuno salientar que o conhecimento é uma capacidade inerente a cada sujeito, e quando em contato com outros indivíduos, é transformado, disseminado e reutilizado. Porém, Omar e Rowland (2004) enfatizam que muitos indivíduos ainda são resistentes para compartilharem seus conhecimentos, pois acreditam que eles são propriedade exclusiva sua e que o compartilhamento dos seus conhecimentos é um caminho de mão única, em que a transferência do capital intelectual resultará numa ida sem volta. Esses autores salientam que o conhecimento é um ativo intangível que, quando compartilhado, irá crescer em força e tamanho, diferentemente dos ativos tangíveis que, ao serem usados, depreciam e se desvalorizam com o tempo.
Diante dessas inúmeras definições e entendimentos sobre os termos dados, informação e conhecimento, Davenport (2001) resume bem, no Quadro 8, a diferença entre eles e suas principais características.
Quadro 8 – Diferenças entre dados, informação e conhecimento
DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO
Simples observações sobre o estado do mundo;
Facilmente estruturado; Facilmente obtido por
máquinas;
Frequentemente quantificado; Facilmente transcrível.
Dados dotados de relevância e de propósito;
Requer unidade de análise; Exige consenso em relação
ao significado;
Exige a mediação humana.
Informação valiosa da mente humana;
Inclui reflexão, síntese, contexto;
De difícil estruturação;
De difícil captura em máquinas; Frequentemente tácito;
De dífícil transferência. Fonte: Adaptado de Davenport (2001, p.15).
Todas essas concepções denotam que as três terminologias estão fortemente interligadas, pois, para tomar decisões corretas, é preciso conhecer o que está pretendendo fazer, e para conhecer, é necessário ter a informação real, na qual foi originária de um dado verdadeiro e confiável. Assim, as organizações precisam ter sistemas de informações (por exemplo: hardware, software e procedimentos manuais adequados), para que os dados obtidos sejam analisados corretamente, o que permite que eles sejam utilizados com a finalidade de melhorar e maximizar as operações.
Conforme as perspectivas apresentadas sobre dado, informação e conhecimento, percebe-se a necessidade de abordar, de maneira mais específica, as concepções existentes sobre GC aplicadas à administração pública, tendo em vista que uma das principais queixas do mau funcionamento das instituições públicas encontra-se nas dificuldades de caráter gerencial.