A análise das propostas da mais recente conferência municipal, de junho de 2015, revela a existência de propostas concretas que podem balizar a definição de critérios de uso do fundo.
Depreende-se do último relatório da IV Conferência Municipal que foram elaboradas propostas em torno de 4 (quatro) eixos temáticos: 1) Gestão; 2) Financiamento; 3) Participação; e 4) Sistema Nacional de Direitos Humanos.
A partir deles foram elaboradas 57 (cinquenta e sete) propostas, distribuídas conforme o Gráfico 21.
Gráfico 21 – Número de propostas da IV Conferência Municipal do Idoso, por eixo Fonte: Elaboração própria com base no relatório da IV Conferência Municipal dos Idosos.
No que tange ao primeiro eixo, que trata de gestão, as propostas aprovadas acentuaram a necessidade de a gestão basear-se na integração entre os diversos setores e serviços para atendimento da pessoa em sua integralidade.
Já o segundo eixo, que versa sobre o financiamento, reforçou a necessidade de regulamentar o Fundo Municipal do Idoso e propôs que as leis orçamentárias prevejam dotações destinadas ao funcionamento dos conselhos dos idosos, recursos para capacitação,
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Eixo 1 - Gestão Eixo 2 - Financiamento
Eixo 3 - Participação Eixo 4 - SNDH
além de metas gerais de ampliação e reformas de equipamentos públicos de atendimento à pessoa idosa.
No terceiro eixo, destinado a debater a participação, as propostas aprovadas, além de preverem a capacitação dos idosos para a participação social, também compreenderam ações que um pouco mais ampliadas, como expandir o canal de controle social no processo de gestão da assistência social, educação, cultura, etc.
Por fim, as propostas referentes ao quarto eixo versaram sobre acessibilidade, aumento da segurança, de lazer e fortalecimento de programas voltados para o idoso.
Apesar de as propostas estarem estruturadas em quatro eixos temáticos, verifica- se que não há o respeito à temática. Há propostas similares, ocorrendo de algumas delas, por exemplo, que deveriam estar em um eixo afeto à gestão, estarem alocadas no eixo de financiamento.
A novidade desta conferência municipal é o eixo específico nominado financiamento, no qual os participantes debateram o Fundo Municipal do Idoso e Orçamento Público. Este tópico poderia revelar as expectativas da sociedade civil quanto ao uso dos recursos do Fundo. Entretanto, a única proposta concretamente formulada foi exortar a Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP) a regulamentar o Fundo.
De qualquer modo, os participantes debateram o que querem em termos de financiamento, não necessariamente com os recursos do Fundo Municipal. Os idosos pretendem aportes orçamentários que garantam o funcionamento dos conselhos do idoso, sua capacitação para o processo participativo, a reforma e ampliação de equipamentos públicos (como Ursis, ILPIs, Vila dos Idoso, etc.) e recursos para a área de saúde voltada para o idoso.
A questão é que a PMSP deve se apropriar destas informações, de modo a proceder à distribuição das demandas da conferência às pastas competentes e estudar formas de implementá-las avaliando se o uso dos recursos do Fundo Municipal do Idoso pode ser útil.
Para tanto, necessário se faz implementar algumas mudanças que permitam que as conferências tenham continuidade, que dialoguem com outros documentos, como o relatório do Disque 100, e sobre ele procedam à avaliação, entre outros.
Ocorre, porém, que não se denota da última conferência municipal qualquer avaliação das propostas da conferência anterior. Não houve tampouco devolutiva por parte da PMSP acerca das propostas anteriores e nem prestação de contas sobre o plano de metas para o idoso.
Assim é que os autores da presente dissertação propõem as seguintes mudanças visando ao aperfeiçoamento deste espaço de participação:
1. Estruturar uma metodologia que permita que as conferências tenham espaços de avaliação das deliberações anteriores;
2. Garantir que haja um espaço para avaliação do uso dos recursos do fundo do idoso;
3. Estruturar um texto-base que sirva de subsídio para os debates nas conferências, a ser enviado com antecedência aos participantes de modo a garantir que possam formular propostas mais elaboradas;
4. Desenvolver formulário de inscrição que permita traçar um perfil dos participantes, possibilitando estudar permanentemente meios de se ampliar a participação social, incluindo diferentes grupos de idosos. Destaque-se que já há um modelo disponibilizado pelo CNDI. Sugere-se o uso deste modelo, seu aperfeiçoamento, bem como a implementação nas conferências posteriores; 5. Criar um espaço no site da PMSP para divulgar os encaminhamentos das
deliberações das conferências, de modo a permitir permanente prestação de contas aos participantes do evento e da sociedade civil;
6. Que os relatórios do Disque 100 sejam debatidos nas conferências municipais, de modo a coletar propostas da sociedade civil para atacar as violações de direitos apontadas no documento;
7. Que se garanta um espaço nas conferências municipais para prestação de contas da PMSP acerca da execução das metas do município referentes ao idoso.
As conferências podem ser espaços qualificados para avaliação e sugestões de prioridades pactuadas diretamente com a sociedade civil. Assim, documentos que retratem esta pactuação devem ser levados em conta e analisados conjuntamente. Dentro deste contexto, o Fundo do Idoso pode ser avaliado, como forma de se definirem as políticas a serem financiadas.
O que se evidencia pelo teor das propostas formuladas é que elas se configuram em um importante compêndio de demandas priorizadas pelos idosos destinatários destas políticas públicas, merecendo que sirvam de subsídios para se pensar a aplicação dos recursos do Fundo Municipal do Idoso em São Paulo.
Em última análise, o Fundo Municipal deve contribuir para a efetivação dos direitos previstos na Constituição Federal, guarda-chuva sob o qual todos os demais direitos dos idosos estão abrigados. A questão é saber como chegar à garantia dos diversos direitos elencados nas legislações, e nesse sentido é que as conferências podem ser um bom parâmetro.
Para este trabalho acadêmico, mais importante do que abordar as propostas propriamente ditas, é validar esta instância de participação (a conferência) como um mecanismo efetivo para subsidiar a aplicação dos recursos do Fundo.