BÖLÜM 1: AZERBAYCAN VERGİ SİSTEMİ
1.2. Azerbaycan Vergi Sisteminde Uygulanan Vergiler
A perspectiva da contribuição questiona, portanto, em que medida o processo comunicativo pode justificar as decisões coletivas. Considera-se, nesse intuito, como critério de avaliação a capacidade da comunicação pública de aprimorar (1) o valor epistêmico das decisões democráticas, (2) a sua probabilidade de levar a resultados que possam ser considerados moralmente justos e (3) a legitimidade das decisões coletivas. A comunicação pública pode, de fato, contribuir para se chegar a respostas sobre questões controversas, assim como para que os participantes do processo considerem as decisões tomadas, especialmente aqueles que se posicionaram contra a alternativa escolhida, aceitáveis – tendo em vista que as suas próprias posições foram levadas em conta e
tomadas em pé de igualdade no processo decisório. Todavia, tais resultados dependem de inúmeros fatores que não podem ser desconsiderados.
A ideia de se promover mais discussão, simplesmente, não seria a resposta mais apropriada do ponto de vista teórico para lidar com questões como a desigualdade de recursos e influência política – entre outros motivos, porque os cidadãos com menos recursos políticos, econômicos e cognitivos, por exemplo, são aqueles que menos possibilidade têm de se manifestar no espaço público. O que por vezes dificulta a deliberação não é tanto o que comumente se atribui a certa falta de disposição dos cidadãos para participar dos debates públicos ou para chegar a entendimentos mutuamente aceitáveis em temas controversos. De modo geral, o que enfraquece a legitimidade dos processo democráticos é, basicamente, a combinação de dois importantes recursos políticos: dinheiro e preferências intensas. Parece válida ainda a argumentação desenvolvida por Downs (1999) acerca da desigualdade de influência na democracia, que ele relaciona ao custo da informação política. Como a renda de utilidade (ou o benefício esperado) do voto é relativamente pequena em relação ao custo para obter mais informações sobre as alternativas políticas, os cidadãos poderão eventualmente fazer escolhas equivocadas no que diz respeito à congruência das propostas colocadas na mesa e os seus próprios interesses. Pessoas com preferências intensas fazem um cálculo distinto, pois estão dispostos a arcar com os custos da informação e da comunicação política, de modo a ter mais influência sobre o resultado do processo político (VITA, 2008: 141-2).
Ademais, os candidatos, os partidos, os financiadores de campanha e outros grupos de interesses fazem o possível para influenciar as crenças dos cidadãos a respeito, não tanto das preferências, por assim dizer, exógenas ao jogo político, mas sobre a relação entre os fins que desejam e as políticas que melhor concretizarão estes fins. Tais crenças, por serem endógenas ao processo político, são mais afetadas pela desigualdade de recursos informacionais e cognitivos. O mesmo pode ser dito a respeito da desigualdade de recursos no processo discursivo, pois as consequências da ampliação do debate público em um contexto marcado por vastas desigualdades de recursos políticos poderá levar a resultados altamente indesejáveis, como mostram os casos da votação sobre o sistema público de saúde no governo Clinton e sobre a taxação de heranças também nos EUA, em que pessoas com preferências intensas e recursos poderosos, principalmente econômicos, influenciaram fortemente a decisão por não alterar o status quo. Nos casos em questão, mesmo os cidadãos que seriam, teoricamente, mais beneficiados com as políticas propostas passaram a rejeitá-las com base em argumentos que não faziam parte do escopo de ideias inicial em discussão – ou, o que dá no mesmo, fez com que os representantes acreditassem que estas eram, de fato, as preferências dos cidadãos (Ibidem: 147).
A desigualdade na discussão pública está, então, relacionada à desigualdade na distribuição de recursos tais como renda e riqueza, de oportunidades e posições ocupacionais, de conhecimento, informação e cognição. Uma forma de oferecer oportunidades equitativas para a participação dos cidadãos nas deliberações políticas e para que exerçam influência de fato em os seus resultados seria obviamente minorar tanto quanto possível tais desigualdades. Parte da conclusão a que chega essa perspectiva sugere uma distinção entre a “democracia política” e a “sociedade democrática”. A primeira sustenta-se nas diversas interpretações sobre as regras do jogo mencionadas neste capítulo; já a segunda inclui considerações mais substantivas acerca dos resultados da operação desses mecanismos. A democracia política pode se instaurar e manter-se de pé mesmo em uma sociedade marcada por profundas desigualdades37. Nesse contexto, aparentemente, a comunicação pública não pode mais do que contribuir para a formação de opiniões no período pré-eleitoral, sendo, no mais das vezes, deletéria aos interesses dos cidadãos, porquanto manipuladas para favorecer interesses privados. O princípio da igual consideração pelo interesse de todos, que justifica e se materializa nas regras da competição política, dispensa uma preocupação maior com o contexto comunicativo da sociedade. As normas do jogo político, notadamente aquelas que governam a corrida eleitoral, bastam como mecanismo gerador da legitimidade política.
De modo geral, dado que as eleições são escolhas sobre quem vai tomar decisões, podemos dizer que o comportamento eleitoral segue dois modelos: (1) votos referidos a questões específicas e (2) identificação partidária. O eleitor, de qualquer maneira, deverá trabalhar com informações limitadas e lançar mão de atalhos informacionais no intuito de expressar as suas preferências através do voto. Boa parte da literatura discute a racionalidade do comportamento eleitoral a partir da matriz econômica da teoria democrática, que sugere que o eleitor vota racionalmente quando escolhe os candidatos ou partidos cuja plataforma eleitoral potencialmente maximizaria a sua utilidade percebida. Noves fora o fato de a definição acima conferir racionalidade a qualquer decisão do eleitor, é necessário indagar ainda se a maximização da utilidade é, realmente, racional. Definir racionalidade como maximização da utilidade só é coerente com decisões individuais, como nas escolhas de consumidores no mercado, não pode se estender às decisões coletivas. No entanto, essa não parece ser uma preocupação muito grande para as teorias minimalistas, uma vez que, do ponto de vista da democracia política, o ônus da racionalidade recai sobre os ombros dos representantes eleitos, não sobre os do eleitor (SARTORI, 1994a: 152-3).
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Como afirma Dahl (1970), as desigualdades sociais, econômicas e políticas, embora de natureza distinta, podem ser cumulativas e se reforçarem mutuamente.