3. SAYISAL DAMGALAMA YÖNTEMLERİNİN SINIFLANDIRILMASI VE
3.3 Uzamsal ve Frekans Boyutlarında Damgalama Yöntemleri
3.4.3 Ayrık Dalgacık Dönüşümü Tabanlı Görüntü Damgalama
O conjunto de dados financeiros foi coletado junto ao LEMTe/CEDEPLAR (Laboratório de Estudos sobre Moeda e Território) que compilou dados do Banco Central do Brasil através do documento de estatística bancária PCJS0006, que disponibiliza o balancete mensal dos bancos de municípios com mais de três agências bancárias para o período de 1989 a 2003. O período contemplado pelas variáveis financeiras e de emprego é dependente da complementaridade entre as duas fontes das variáveis. Os dados de emprego, disponibilizados pela RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), vão de
1985 a 2003; os dados financeiros são disponibilizados pelo Banco Central a partir de 1989 até os dias atuais. Devido a essas limitações temporais, a análise contida neste trabalho ficou restrita ao período composto entre 1989 e 2003. Em dezembro de 2003, os dados financeiros disponíveis relativos a municípios, com a restrição do número mínimo de três agências para todos os meses do período escolhido, totalizavam 990 localidades.
A restrição de número mínimo de agências é uma característica dos dados do LEMTe/CEDEPLAR que foi imposta pelo Banco Central. Para evitar problemas de identificação ou de dados faltantes escolheu-se selecionar municípios que apresentassem balancetes bancários em todos os meses do período, pois primeiramente evita-se a descontinuidade de algumas contas dos balancetes, o que poderia ocasionar problemas na análise quantitativa dos objetos de estudo e também porque o processo eletrônico de coleta destes dados não permitia a extração de municípios que apresentassem meses faltantes no período escolhido.
O dado bruto fornecido é o balancete bancário do correspondente município no mês escolhido. Isso significa que todas as variáveis e índices de desenvolvimento do sistema financeiro utilizados serão baseados nos lançamentos contábeis deflacionados do conjunto de bancos (bancos comerciais incluindo o Banco do Brasil, bancos múltiplos com carteira comercial, caixas econômicas federais e caixas econômicas estaduais) existentes nas cidades especificadas. O elenco de contas municipal é separado por contas pertencentes ao ativo e ao passivo. As contas selecionadas no ativo são as seguintes:
TABELA 2 – Contas pertencentes ao ativo dos bancos selecionados.
Conta Nome da conta: Função
1600 OPERAÇÕES DE
CRÉDITO Registrar as operações de créditos concedidos.
161 Empréstimos e títulos descontados
Registra as operações realizadas sob a modalidade de empréstimos e de desconto de títulos.
162 Financiamentos Registra as operações realizadas sob a modalidade de financiamento.
163
Financiamentos Rurais Agricultura-Custeio e
Investimento
Registra os financiamentos à agricultura (custeio e investimento) que estejam em conformidade com as normas específicas do crédito rural.
164
Financiamentos Rurais Pecuária-Custeio e
Investimento
Registra os financiamentos à pecuária (custeio e investimento) que estejam em conformidade com as normas específicas do crédito rural.
165
Financiamentos Rurais Agricultura- Comercialização
Registra os financiamentos à comercialização agrícola.
166
Financiamentos Rurais Pecuária- Comercialização
Registra os financiamentos à comercialização pecuária.
167 Financiamentos Agroindustriais
Registra as operações realizadas sob a modalidade de financiamento agroindustrial, a pessoas físicas e jurídicas que satisfaçam as condições
para a contratação de operações em espécie.
169 Financiamentos Imobiliários
Registra as operações realizadas sob a modalidade de financiamento imobiliário.
172 Outros Créditos
Registra os valores contábeis relativos a operações com características de concessão de crédito que não possam ser enquadradas como
operações de crédito ou de arrendamento mercantil.
1900 Outros Valores e Bens
Registra as participações societárias as aquisições de ações e cotas de capital de empresa de interesse socioeconômico da região, vinculadas a projetos de investimentos ou planos de assistência financeira; bens não de uso próprio; material em estoque (para uso e consumo corrente e bens de consumo duráveis) e mercadorias conta própria (adquiridas no
mercado físico, em bolsas de mercadorias ou futuros) FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL.
Todas as contas do ativo refletem valores que se configuram como bens e direitos de propriedade dos bancos e administrados por eles. As operações de crédito (conta 1600) são contas que geram receitas para os bancos e refletem os níveis de oferta total de recursos bancários (crédito) para o município. O grupamento contábil “Operações de Crédito” divide-se em nove sub agrupamentos (contas 161, 162, 163, 164, 165, 166, 167, 169, 172)26, cada um com sua particularidade e função específica conforme consta na TABELA 3. Os empréstimos e títulos descontados (conta 161) se referem ao crédito cedido diretamente aos correntistas. Em sua maioria se configuram como empréstimos a pessoas físicas e jurídicas do tipo cheque especial, crédito direto para consumo, capital de giro para empresas, descontos de duplicatas de operações mercantis, descontos de notas promissórias e adiantamentos a depositantes.
26
As contas de crédito relativas à agricultura e pecuária (163 a 166) não serão utilizadas diretamente neste trabalho, pois os arranjos produtivos selecionados referem-se apenas ao setor secundário de atividades econômicas. Apesar disso estão presentes nos indicadores de preferência pela liquidez utilizados na mesma análise.
TABELA 3 – Composição das contas de crédito em 2004 separadas por finalidade.
Empréstimo e títulos descontados 161 Empréstimos (90%) e títulos descontados (10%).
Financiamentos 162 Financiamentos produtivos (93%), exportação (1%) e importação (5%).
Agricultura - custeio e investimento 163 Custeio (49%) e investimento (51%). Pecuária - custeio e investimento 164 Custeio (30%) e investimento (70%). Agricultura - comercialização 165 Comercialização (100%).
Pecuária- comercialização 166 Comercialização (100%).
Financiamentos agroindustriais 167 Capital de giro (83%) e investimento em beneficiamento (12%) e investimento em transformação (3%).
Financiamentos imobiliários 169 Financiamentos habitacionais (92%), financiamento em infra- estrutura e desenvolvimento (7%).
Outros créditos 172 Relacionados a operações cambiais (60%), créditos tributários (19%) e devedores por depósitos em garantia (11%).
FONTE: CAVALCANTE, CROCCO e BRITO (2005).
Todas as contas que se denominam “Financiamentos” captam operações de crédito que normalmente possuem prazo mais dilatado, origem e destinação específica dos recursos. Nessas contas são lançados os valores de repasses do governo para programas de financiamento industrial e agrícola como o FINAME e os créditos rurais fornecidos, por exemplo, pelo Banco do Brasil. A conta 162, denominada simplesmente Financiamentos, registra principalmente os repasses e empréstimos a pessoas jurídicas para o financiamento do processo produtivo do setor industrial. A conta 167 tem como destino específico a agroindústria; a conta 169, intitulada Financiamentos Imobiliários, contempla os lançamentos relativos aos empréstimos para habitação e empréstimos para obras de infra- estrutura (providos em quase sua totalidade pelo BNDES). Por fim a conta 172 denominada Outros Créditos, representa em sua maioria a concessão de crédito voltada para o comércio exterior, via negociações cambiais e créditos relacionados a isenção de alguns tributos.
A TABELA 4 apresenta as contas constantes do passivo dos bancos que foram coletadas para o exercício quantitativo deste trabalho.
TABELA 4 – Contas pertencentes ao passivo dos bancos.
Conta Nome da conta: Função
4100 DEPÓSITOS A VISTA- SETOR
PRIVADO Registra os depósitos à vista mantidos pelo setor privado 4200 DEPÓSITOS DE POUPANÇA Registra os depósitos de poupança
4300 DEPÓSITOS INTERFINANCEIROS
Contabiliza os recursos recebidos em depósito de outras instituições do mercado
431 DEPOSITOS INTERFINANCEIROS
Contabiliza os recursos recebidos em depósito de outras instituições do mercado
432 DEPÓSITOS A PRAZO
Registra os depósitos sujeitos a condições definidas de prazo e de encargos, com ou sem emissão de certificado de
depósito bancário. FONTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL.
O passivo dos balancetes bancários engloba as obrigações dos bancos frente a terceiros. Dentro dessas obrigações aparecem os depósitos à vista, o passivo de maior liquidez dos bancos; os depósitos de poupança, inicialmente separados dos depósitos à vista por serem remunerados, apesar da alta liquidez desses recursos; e os depósitos interfinanceiros, de menor liquidez, que são separados em depósitos interfinanceiros (obrigações junto a outros bancos) e depósitos a prazo (obrigações dos bancos junto a terceiros com prazos e encargos definidos).
Todas as contas estão sujeitas a regras e determinações previstas pelo Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional e todos os lançamentos e suas contrapartidas obedecem a regras padronizadas de contabilização. No entanto uma observação merece ser feita. É sabido que o sistema financeiro brasileiro apresenta alta concentração espacial de agências bancárias e conseqüentemente de serviços bancários nas principais capitais brasileiras, principalmente do crédito (PUGA (1999), PAULA (2001), MENEZES E CROCCO (2005), MICHEL et al. (2005)). Essa é uma limitação real dos dados que apresenta ligeira interferência nas variáveis e nas análises decorrentes. Os maiores municípios, sedes de bancos nacionais e estrangeiros, registrarão a disponibilização de crédito para uso próprio assim como o crédito destinado a repasses para agências filiais no interior.
Notadamente em operações de grandes bancos, suas filiais interioranas podem agir como simples intermediárias no processo de repasse do crédito ou podem assumir um papel mais ativo dentro desse processo, gerenciando clientes e coletando recursos frente a terceiros independentemente das matrizes. Os dados não são capazes de captar qualquer um destes padrões de comportamento, fornecendo apenas o nível da oferta de crédito presente no município. Apesar disso, em se tratando especificamente de municípios, é esperado que a concessão de crédito bancário seja registrada no devido balancete municipal, permitindo verificar o nível de oferta pertinente àquela localidade.
Com relação ao número de agências e sua dispersão espacial, de 1989 a 2003 percebe-se, no GRÁFICO 1, diferentes padrões conforme os distintos ambientes macroeconômicos periódicos da economia brasileira. A reforma bancária de 1988 acelerou a expansão das agências em todo o Brasil. Com o advento do Plano Real e a estabilização monetária força- se uma tendência decrescente na quantidade de agências existentes no Brasil, fruto da política de privatizações, fusões e abertura do setor promovida pelo governo federal. A linha vermelha da esquerda no GRÁFICO 1 marca o ponto equivalente à implementação
do Real. O período compreendido pelas duas linhas indica a tendência de redução do número de agências no país. Percebe-se que essa tendência é marcante para todas as regiões do Brasil. A partir do segundo semestre de 1998, com o plano de privatizações praticamente consolidado, tal tendência se inverte e o número de agências passa a ser crescente, principalmente na região Sudeste, única que acompanha a variação nacional. GRÁFICO 1 – Evolução do número de agências bancárias por grande região.
7000 8000 9000 10000 11000 12000 13000 14000 15000 16000 17000 18000 19000 07 1988 07 1989 07 1990 07 1991 07 1992 07 1993 07 1994 07 1995 07 1996 07 1997 07 1998 07 1999 07 2000 07 2001 07 2002 07 2003 7 2004 Anos N úm er o de A gênc ias B ras il e S udes te 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 N úm er o de A gênc ias das outr as r egi ões
Brasil Sudeste Sul Centro-Oeste Nordeste Norte
FONTE: LEMTe – LABORATÓRIO DE ESTUDOS SOBRE MOEDA E TERRITÓRIO.
A concentração do sistema financeiro nacional, principalmente na região Sudeste, também é refletida nos dados segundo as diferentes proporções de agências bancárias por grande região, visualizada na TABELA 5 abaixo:
TABELA 5 – Distribuição Relativa de Agências por Grandes Regiões2.
Ano Sul Sudeste Centro-Oeste Nordeste Norte
1989 21,18 49,30 7,76 17,63 4,12 1990 20,82 49,72 8,01 17,32 4,12 1991 21,39 49,65 8,31 16,49 4,16 1992 21,61 49,94 8,35 15,95 4,14 1993 21,66 50,04 8,33 15,86 4,11 1994 21,6 50,35 8,33 15,63 4,10 1995 21,49 50,88 8,28 15,26 4,08 1996 21,26 51,34 8,19 15,14 4,06 1997 20,8 52,68 8,01 14,56 3,95 1998 21,23 53,44 7,65 14,01 3,67 1999 20,97 54,12 7,44 14,00 3,47 2000 20,65 54,28 7,32 14,33 3,42 2001 20,46 54,65 7,28 14,23 3,38 2002 20,25 54,94 7,34 14,09 3,38 2003 20,22 54,87 7,47 14,01 3,43
FONTE: LEMTe – LABORATÓRIO DE ESTUDOS SOBRE MOEDA E TERRITÓRIO. 2 Distribuição calculada a partir das médias mensais para cada ano.
A Região Sudeste aumenta sua concentração em detrimento das outras regiões, passando de 49% em 1989 para aproximadamente 55% em 2003. As regiões Nordeste e Norte são as que sofrem maiores impactos, com a maioria de seus estados perdendo participação ao longo do tempo. Além da perda relativa de agências para a região Sudeste (particularmente para o Estado de São Paulo), as regiões Norte e Nordeste apresentam uma reordenação interna na distribuição de suas agências, o que indica uma centralização interna a cada região, paralelamente à concentração das agências na região Sudeste. Enquanto o Estado da Paraíba perde participação relativa no Nordeste, o Maranhão e principalmente o Ceará aumentam sua fatia no conjunto total de agências nordestinas. A TABELA 6 ilustra esse fato.
TABELA 6 – Distribuição Relativa de Agências da Região Nordeste. Ano Bahia Sergipe Alagoas Pernambuco Paraíba Rio Grande
do Norte Ceará Piauí Maranhão
1989 30,21 5,54 5,13 18,63 8,01 6,41 12,37 5,36 8,34 1990 28,72 5,58 5,77 19,88 5,76 5,74 12,50 4,76 9,48 1991 27,60 6,18 6,04 20,35 6,98 4,97 13,34 4,06 10,48 1992 26,59 6,41 6,21 19,48 7,14 5,17 13,93 4,23 10,85 1993 26,52 6,38 6,19 19,27 7,04 5,16 14,33 4,23 10,88 1994 26,67 6,42 6,11 18,88 7,03 5,09 14,50 4,42 10,89 1995 26,12 6,46 5,96 19,09 7,34 5,12 14,44 4,49 10,98 1996 25,90 6,31 5,95 19,49 7,32 5,14 14,58 4,45 10,86 1997 25,39 6,34 5,52 19,71 7,46 5,19 14,79 4,61 10,99 1998 25,84 6,47 4,93 19,35 6,96 5,45 14,94 4,92 11,14 1999 27,96 6,42 4,82 18,26 6,99 5,46 14,55 4,61 10,93 2000 31,26 6,19 4,58 17,55 6,70 5,26 13,75 4,31 10,39 2001 31,11 6,12 4,63 17,64 6,56 5,34 13,95 4,31 10,33 2002 30,35 6,18 4,69 18,10 6,35 5,47 14,11 4,38 10,38 2003 30,13 6,23 4,72 18,04 6,37 5,43 14,22 4,46 10,41
A região Norte também sofre uma redistribuição interna de agências, com o Pará e o Amazonas aumentando suas participações relativas em detrimento principalmente do Estado de Rondônia.
TABELA 7 – Distribuição Relativa de Agências da Região Norte.
Ano Acre Amazonas Amapá Rondônia Roraima Pará Tocantins
1989 5,90 19,66 2,43 17,17 1,69 40,88 12,26 1990 5,50 20,63 2,12 16,15 2,14 40,76 12,2 1991 5,91 20,44 2,08 15,49 2,73 41,87 11,48 1992 5,83 20,43 2,19 14,78 2,84 42,37 11,56 1993 5,86 20,38 2,35 14,30 2,90 42,49 11,72 1994 5,82 19,73 2,53 14,19 2,98 42,48 12,28 1995 5,56 19,07 2,56 14,16 2,99 41,80 13,86 1996 5,26 18,64 2,54 14,26 3,07 41,16 15,06 1997 5,61 18,91 2,61 14,49 2,84 40,42 15,15 1998 5,07 20,75 2,62 12,87 2,26 42,99 13,43 1999 4,07 21,64 2,49 13,02 2,21 44,88 11,69 2000 4,21 21,60 2,35 13,23 2,27 44,56 11,79 2001 4,27 21,33 2,53 13,19 2,31 44,36 12,01 2002 4,28 21,97 2,70 12,86 2,35 43,85 12,00 2003 4,31 22,23 2,88 12,63 2,42 43,35 12,17
FONTE: LEMTe – LABORATÓRIO DE ESTUDOS SOBRE MOEDA E TERRITÓRIO.
Com relação à região Sudeste, esse fenômeno concentrador apresenta maiores impactos para o Estado de São Paulo, que, conforme a TABELA 8, aumenta sua participação relativa aos outros Estados da região Sudeste, principalmente frente a Minas Gerais, que passa de 23% em 1989 para 19,7% em 2003.
TABELA 8 – Distribuição Relativa de Agências no Sudeste Ano São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais Espírito Santo
1989 57,47 16,13 23,03 3,36 1990 56,19 16,23 24,21 3,37 1991 57,76 16,88 21,72 3,64 1992 57,95 17,09 21,29 3,67 1993 58,19 17,12 21,02 3,68 1994 58,17 16,93 21,24 3,66 1995 57,70 16,75 21,92 3,63 1996 57,73 16,86 21,80 3,61 1997 57,59 17,36 21,58 3,47 1998 58,72 16,87 21,06 3,35 1999 59,21 17,10 20,46 3,24 2000 59,47 17,37 19,96 3,19 2001 59,05 17,78 19,97 3,20 2002 59,03 17,79 19,90 3,27 2003 59,27 17,67 19,78 3,28
FONTE: LEMTe – LABORATÓRIO DE ESTUDOS SOBRE MOEDA E TERRITÓRIO.
Com relação à conta operações de crédito, que agrupa o somatório de todas as contas de crédito disponíveis no balancete dos bancos, percebe-se uma distinção de tendências no
período anterior ao Plano Real e no pós-crise de 1998, com o interregno compreendido entre esses dois marcos apresentando alta variabilidade da conta (GRÁFICO 2). O patamar de oferta de crédito se eleva de um período analisado para o outro, sendo mais alto pós- crise de 1998, mas os padrões de variação são bastante distintos. As operações de crédito registraram de 1989 a 1994 uma tendência de crescimento, e a partir do segundo semestre de 1998, quando a variabilidade do crédito diminui, a tendência passa a ser inversa à registrada pré-Real.
Esse comportamento tem raízes macroeconômicas. Em 1989 verifica-se uma forte queda nas operações de crédito, fruto do ano eleitoral e da iminência da vitória de Lula nas eleições daquele ano. Collor vence as eleições e decreta, ao tomar posse em março de 1990, um plano econômico que impõe severa restrição monetária à economia (congelamento das poupanças). No decorrer de seu mandato a política monetária vai sendo afrouxada e as operações de crédito vão retomando o nível que possuíam no início de 1989. Com o Plano Real, o sistema bancário sofre forte reestruturação, com aumento das privatizações e fusões e readequação das estratégias bancárias, pois com o fim das receitas advindas do floating, o sistema bancário passa a procurar outras fontes de ganhos. Aliado a esses efeitos, o stop-and-go das taxas de crescimento da economia imprime alta variabilidade à oferta de crédito no País. Com a crise de 1998, o fim do câmbio fixo e de grande parte do processo de reestruturação bancária, o volume de crédito passa a responder fracamente ao desempenho da economia, já que os bancos adotam a transação de títulos do governo como fonte principal de lucros, com a concessão de crédito sendo relegada a um segundo plano.
GRÁFICO 2 – Evolução do volume de operações de crédito 0 120 240 360 480 600 720 840 07 1988 07 1989 07 1990 07 1991 07 1992 07 1993 07 1994 07 1995 07 1996 07 1997 07 1998 07 1999 07 2000 07 2001 07 2002 07 2003 7 2004 Anos B ilh õ es de R e ai s 0 50 100 150 200 250 B ilh õ es de R e ai s
Brasil Sudeste Sul Centro-Oeste Nordeste Norte
FONTE: LEMTe – LABORATÓRIO DE ESTUDOS SOBRE MOEDA E TERRITÓRIO.