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Urgan I-285: (Keten, kenevir, pamuk gibi türlü dokuma maddelerinden yapılan

2.7.1. Aynen Tekrar Öbeğ

Os problemas verificados em relação à qualidade da castanha-do-pará poderiam comprometer a “boa publicidade” e o prestígio que o produto tinha adquirido no exterior. Contudo, nenhuma medida de grande alcance foi tomada nas duas décadas posteriores a retomada do mercado internacional, após a Segunda Grande Guerra, para solucionar os problemas relativos à conservação e ao beneficiamento da castanha-do-pará. Muitas das medidas que foram sugeridas e mostradas anteriormente, poderiam ter sido aplicadas, a fim de preservar o mercado externo para um produto que já tinha plena aceitação.

No início da década de 1950, a castanha-do-pará ocupava uma posição importante para a economia da Amazônia. Apesar de que, a nível nacional sua relevância fosse bem menor, uma política mais agressiva no sentido de promover melhoras na atividade pudesse

265 Em função do Acordo Comercial estabelecido com os Estados Unidos, em vigor desde 1936, os direitos tinham sido reduzidos de 4 ½ para 2 ½ cents por libra-peso (ou aproximadamente 450 gramas) da castanha- do-pará sem casca e de 1 ½ para ¾ de cent por libra-peso para a castanha com casca. Em 1947, de acordo com o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, celebrado em Genebra, esses mesmos direitos foram reduzidos para 1 1/8 de cent para a castanha descascada e 3/8 de cent para o mesmo produto com casca. De acordo com o responsável pelo relatório de 1952, o estatístico Edith Ewerton de Andrade, os importadores entrevistados para a confecção do documento não se queixaram do valor desses direitos de importação (Ibid., p. 20).

trazer resultados positivos para a balança comercial do país e melhorar a renda da região Norte. 266

Por outro lado, o mercado europeu, de tempos em tempos, têm se mostrado sensível ao problema da contaminação por aflatoxina. Um dos casos mais conhecidos ocorreu no final de 1975. Ao se aproximar a época das festividades natalinas, notícias divulgadas na cidade de Bonn, capital da antiga Alemanha Ocidental, davam conta das restrições impostas pelo governo alemão ao consumo da castanha-do-pará, que eram importadas em “quantidades significativas”, devido aos “fungos cancerígenos”. 267 O fungo em questão era o Aspergillus flavus, que, como já foi observado, se desenvolve sob certas condições de umidade (acima de

9%) e de temperatura (superior a 30 graus centigrados), produtor da aflatoxina, presente também no amendoim e derivados. A denúncia foi feita pelo Bureau de Contatos para a Informação dos Consumidores da Alemanha Ocidental. Tal fato ameaçava um item importante, na época, para a economia da Amazônia, sendo responsável pela entrada de aproximadamente 6,7 milhões de dólares na balança comercial brasileira.

O temor em relação à aflatoxina já havia produzido restrições dos países europeus, em relação ao amendoim. No ano de 1961, a Inglaterra cancelou toda a importação de farinha de amendoim do Brasil, devido à simples desconfiança de que esse artigo poderia conter essa mesma toxina, que foi detectada no amendoim de origem africana. 268 O transporte marítimo, quando feito em condições precárias também pode tornar propício o aparecimento desse fungo.269 Os especialistas afirmavam que os próprios consumidores poderiam perceber quando uma castanha se encontrava contaminada, através da coloração, pelo cheiro e pelas rachaduras onde os micro-organismos se instalavam.

266 Para termos uma comparação, em 1951, a castanha ocupou o 16º lugar no que dizia respeito ao volume físico e 14º no referente ao valor, no quadro de exportação dos produtos brasileiros. No que se referia à economia regional, naquele mesmo ano, a castanha-do-pará totalizou 24.820 toneladas e, em termos de valor, 218.761 mil cruzeiros, significando o equivalente a 46,63% para o total geral das exportações da Região Norte do Brasil, também em termos de valor (CEZAR, op. cit., 1952).

267 O ESTADO DE S. PAULO, São Paulo, p. 18, 29 nov. 1975.

268 Em 1960, dez mil perus morreram nas granjas inglesas após terem sido alimentados com tortas preparadas a partir de amendoim contaminado com aflatoxina. Nessa mesma época, duas pessoas morreram envenenadas por essa mesma toxina, uma no Canadá e outra na Alemanha Ocidental. Uma descoberta também alertou os europeus a respeito dos perigos da aflatoxina, a alta incidência de câncer hepático entre os negros do grupo africano bantu. A doença teria ocorrido devido à ingestão de amendoim e milho mofado e contaminado com aflatoxina. Para mais detalhes ver: Castanha suspeita (VEJA, São Paulo, p. 55, 10 dez. 1975).

269 De acordo com o professor Durval Mazzei Nogueira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 29.11.1975, tanto a castanha- do-pará quanto o amendoim, não apresentavam qualquer tipo de substância nociva à saúde em seu estado natural. Ele destacou que o problema se encontrava na fiscalização do armazenamento e no transporte desses produtos, portanto, passível de ser controlado e solucionado (O ESTADO DE S. PAULO, São Paulo, p. 18, 29 nov. 1975. Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/>. Acesso em: 25 out. 2012).

Contudo, para os produtores brasileiros, as denúncias provenientes da Alemanha seriam apenas “uma manobra destinada a fazer baixar o preço da castanha no mercado internacional”. Na opinião dos mesmos, veiculada pela imprensa na época, o produto estava sendo exportado em condições perfeitas de beneficiamento e acondicionamento. Em Belém, os setores ligados à exportação da castanha, também consideravam “um sensacionalismo sem sentido” a notícia vinda da Alemanha Ocidental de que o produto poderia causar câncer. O diretor da Divisão de Defesa Sanitária do Departamento Nacional da Produção Vegetal, Hélio Teixeira, em Brasília, considerava que a questão era mais um problema comercial do que de saúde. Segundo ele, no ano anterior, na mesma época, ocorreu um fato parecido, uma vez que a safra de produtos similares coincidia com a exportação da castanha brasileira na Alemanha Ocidental. Por outro lado, o diretor da Divisão de Defesa Sanitária admitiu a existência do perigo de contaminação, que estava no solo e na atmosfera, mas não nas castanhas, exceto quando estas não eram bem armazenadas. 270

Posteriormente, no início do mês de dezembro de 1975, as autoridades alemãs retificaram a informação referente ao perigo da castanha-do-pará, afirmando que o produto era nocivo apenas quando consumido estragado e em grande quantidade. A Associação de Vendedores de Frutas Secas da Alemanha assegurou que as castanhas importadas do Brasil estavam também livres da aflatoxina e a comercialização das mesmas era controlada. 271

Em 1978, no 1º Encontro dos Investidores da Amazônia, sob a coordenação da SUDAM foi destacada, mais uma vez, a necessidade de promover o beneficiamento local da castanha-do-pará, nas proximidades dos centros de produção, como por exemplo, na cidade de Marabá. Uma das justificativas apresentadas para a proposta era o fato de que a coleta era realizada na época das chuvas, fazendo com que a estocagem do produto ocorresse em condições desfavoráveis, em função da presença de umidade, principalmente nos depósitos próximos aos castanhais. Portanto, a castanha chegava nas capitais, onde se localizavam a maior parte das usinas de beneficiamento, com uma alta taxa de deterioração, que chegava a quase 40%. 272

270 Ibid., p. 18.

271 O ESTADO DE S. PAULO, São Paulo, p. 21, 5 dez. 1975. Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/>. Acesso em: 25 out. 2012.

272 O beneficiamento nos próprios locais de produção da castanha-do-pará teria também a vantagem de reduzir os custos de produção e também de permitir que o produto pudesse permanecer por mais tempo estocado, até aguardar o embarque para os centros de exportação, como Manaus e Belém (ENCONTRO DE INVESTIDORES DA AMAZÔNIA, 1., 1978, Belém, Oportunidades industriais na Amazônia. Anais…

Em mais de três décadas, os institutos de pesquisas não estabeleceram estudos ou trabalhos direcionados para solucionar esses problemas. Tampouco os produtores mostravam um interesse em prevenir essas ocorrências, providenciando medidas mais eficazes para corrigir o armazenamento e transporte do produto, alegando razões "comerciais" ou "especulativas" para as denúncias que surgiam, de tempos em tempos, no exterior.

8. A DOMESTICAÇÃO DA CASTANHEIRA E A PERMANÊNCIA DO

Benzer Belgeler