Anonim Şirketlerde Rekabet Yasağı (TTK m. 396)*
C. Yasağın Uygulanma Şartları
2. Aynı Tür İşlerle Uğraşan Bir Şirkete Sorumluluğu Sınırsız Ortak Olarak Girmek:
À medida que o conceito de encouraçamento vai sendo investigado mais profundamente por Reich, tanto no espaço terapêutico como no campo social, a couraça deixa
18 Uma discussão completa da desconexão perceptiva e da estrutura de defesa baseada nela, do ponto de
vista da orgonomia, ainda não foi publicada e, evidentemente, não seria possível no âmbito deste trabalho. Para uma descrição mais detalhada desse funcionamento no contexto do trabalho do ator, ver trabalho anterior do autor (GARCIA, 2004).
de ser vista apenas como um problema individual. Ela passa a ser uma questão no âmbito da convivência, tema para a sociologia, e até um dilema da própria existência, assunto para a filosofia.
A transmissão social da couraça é um fenômeno fundamentalmente humano. Embora possa ser observado em outros seres vivos, no homem, o encouraçamento toma uma dimensão única, interferindo em todos os campos de sua vida e integrando a cultura de uma forma tão ampla e complexa que torna difícil a sua detecção e correta avaliação. O ser humano, além de criar e desenvolver formas particulares de se encouraçar, é capaz de transmitir essa estrutura crônica para os outros por meio da educação e do convívio. Em seus experimentos biológicos, Reich (1938/1979) observa que uma ameba é capaz de endurecer-se na periferia para se proteger de estímulos desagradáveis, porém, isto só é possível por um tempo limitado e se ela permanecer muito tempo nesse estado acabará por morrer. Ao que parece o mesmo acontecerá com os animais na natureza selvagem. A exceção fica por conta do humano e de seus animais domados. Pense-se nas personalidades neuróticas de cães e gatos domésticos. Estes, porém, parecem depender do homem para a perpetuação de suas formas de couraça.
Reich estabelece duas hipóteses para o surgimento histórico da couraça no mundo humano. A primeira foi exposta em seu livro A invasão da moralidade sexual compulsória (1932/1974), que teve sua versão para o inglês revista pelo próprio Reich em 1951. Nesta obra, ele situa o início da utilização da repressão sexual na passagem do matriarcado para o patriarcado quando se torna necessário controlar o casamento das mulheres e o relaciona com o nascimento da diferença econômica de classes sociais. A hipótese se liga diretamente às idéias do materialismo dialético com o qual Reich está envolvido no período, tendo o seu livro sido inspirado claramente em A origem da família, da propriedade privada e do Estado de Engels (1884/1984). A relação entre a repressão à sexualidade da mulher, a obrigação da virgindade, e a propriedade privada com seu sistema de heranças se popularizou se tornando praticamente um lugar comum.
Mais tarde, em seu livro A superposição cósmica (1951/2003), Reich levanta a hipótese de que a couraça teria surgido diante do susto causado ao homem quando este percebeu que tinha consciência de si e do universo ao seu redor. Dessa forma, o encouraçamento seria uma consequência da passagem do ser humano de animal inconsciente de si mesmo para o estado de autoconsciência. Assim, a couraça seria um produto colateral da humanização. Isto é, ao mesmo tempo em que o homem estivesse se humanizando ao tomar consciência se si mesmo, ele também estaria se encouraçando, como defesa ao terror
provocado pela percepção de si e de seu lugar no cosmo. Ao formular esta hipótese, Reich parece estar impressionado com a forte angústia apresentada por seus pacientes diante do contato cósmico, fenômeno que se observa muito ligado à angústia orgástica já que “... o anseio cósmico está ancorado nos movimentos expressivos do reflexo do orgasmo” (REICH, 1945/1990a, p. 394), e relacionado ao tema do medo da morte – diluir-se no cosmo.
Sem dúvida, é possível imaginar o salto para a consciência determinando uma especificidade para a couraça humana. Porém, se animais domésticos podem ser encouraçados por seus donos, mais importante do que delimitar o momento em que a couraça teria surgido será compreender os mecanismos que permitem a ela se propagar da experiência individual para a coletiva, ultrapassando a barreira do tempo e das gerações.
De qualquer forma, o ser humano parece ser o único animal que resiste e prolifera sem ajuda externa mesmo quando encouraçado, exatamente por ter uma imensa e complexa capacidade de adaptação que lhe permite paralisar parte do funcionamento de seu organismo enquanto outras partes permanecem em metabolismo, vivas. Além disso, ele goza do apoio de seus pares em uma convivência social que muitas vezes permite àqueles que seriam incapazes de sobrevivência se estivessem sozinhos não só de se preservarem como de se reproduzirem e influenciarem aos demais.
O encouraçamento é um fenômeno que acaba por impedir o homem de desenvolver plenamente seu potencial. Ele limita a sua experiência da realidade. Evita que ele perceba plenamente a si mesmo, aos seus iguais e ao mundo. Também restringe suas realizações e sua inventividade.
Examinando o funcionamento da couraça, Reich percebe que ao se colocar entre os impulsos internos (desejos, emoções, expressão afetiva) e sua realização exterior ela se torna um impedimento para a expressão humana. Toda a vez que o indivíduo encouraçado tenta atravessar a couraça para chegar ao mundo ele precisa fazê-lo com esforço, com violência. Daí nasce a raiva neurótica, a destrutividade. Para Reich, a couraça inaugura o “reino do Diabo”.
Cada impulso de amor encontra a barreira da couraça. Para se expressar, precisa abrir caminho para atravessar a parede rígida pela força; deste modo, transforma-se inevitavelmente em crueldade e ódio (REICH, 1949/2003, p.137).
Diante da percepção da importância da couraça na deterioração da saúde psíquica emocional individual e coletiva, bem como do seu significado pernicioso para a existência humana, Reich passa a discutir a necessidade de se compreender o papel da cultura e da
educação na formação da couraça. Assim como a ação da couraça nas relações sociais, políticas e históricas. Serão os temas do próximo capítulo.