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Diversos estudos foram realizados e publicados em journals importantes acerca da tomada de decisão ética de gestores, marketing e religião. Journals como o Journal of Business Ethics e o International Journal of Marketing Studies têm apresentado constantemente estudos ligados a essa área de pesquisa crescente em marketing. Para esta dissertação, serão apresentados dois estudos importantes na área. Vale ressaltar que existem outros estudos tão importantes quanto esses, mas que se tornam inadequados, considerando os objetivos definidos para esse trabalho.

- O estudo de Conroy e Emerson

Conroy e Emerson (2004) realizaram um estudo aplicando um survey em duas universidades no sul dos Estados Unidos: uma universidade privada com filiação religiosa e uma universidade pública. O instrumento de pesquisa apresentava 25 vinhetas, cujo objetivo era testar duas hipóteses: a) se as atitudes éticas eram afetadas pela religiosidade individual; ou b) se as atitudes éticas eram afetadas por cursos de ética, religião ou teologia. Duas hipóteses foram testadas: de que as atitudes éticas são afetadas pela religiosidade; de que as atitudes éticas são afetadas pelos cursos de ética, religião ou teologia.

Primeiramente, os autores do estudo buscaram definir o conceito de religiosidade adotado ao desenvolver a pesquisa, o qual foi baseado no conceito de church attendance (presença na igreja e em seus serviços). Para isso, estudantes de ambas as universidades de uma vasta gama de cursos foram recrutados para participar do estudo, cujas vinhetas se pautavam em uma variedade de dimensões éticas, tais como: meio-ambiente, contabilidade, ética em marketing, discriminação de gênero, oportunidades iguais, códigos éticos de conduta e suborno.

As vinhetas existentes nesse estudo foram baseadas em estudos clássicos realizados por Clark (1966) Fritzsche e Becker (1982), Longnecker et al. (1989) e Harris (1991), as quais se encontravam em questionários amplamente divulgados nesses estudos. A partir dessas vinhetas, os respondentes teriam que elencar em que grau o comportamento descrito na vinheta era eticamente aceitável, a partir do uso de uma escala tipo Likert, em que o 1 corresponderia ao “nunca aceitável” e o 7 ao “sempre aceitável”. Incluiu-se, também, no estudo, informações demográficas dos respondentes.

Quanto aos resultados, verificou-se que a religiosidade individual se apresentava como um indicador de respostas estatisticamente significante dentro de um cenário de tomada

de decisão ética. Para as 25 vinhetas existentes no estudo, no que diz respeito à primeira hipótese, sete delas tiveram a sua aceitabilidade reduzida quando associada à frequência do indivíduo aos serviços da sua igreja.

Apenas uma vinheta apresentou uma frequência alta – a de se contratar um empregado do sexo masculino – visto que, segundo os autores, os empregados poderiam se sentir “resentidos ao serem supervisionados por uma pessoa do sexo feminino”. Sendo assim, a primeira hipótese é descartada pelo estudo.

No que diz respeito à segunda hipótese, concluiu-se que o impacto geral em se ter aulas de ética ou religião é provável que seja mínimo e, por isso, falha em rejeitar a hipótese nula de que o término de um curso não afete a percepção ética.

Em suma, percebe-se que a religiosidade é significativamente correlacionada com a percepção ética individual, mas que terminar um curso de religião ou ética pouco interfere nas atitudes éticas do indivíduo.

Uma das fraquezas desse estudo recai sobre o ponto de que os resultados existentes em diversos estudos desse mesmo tipo são bastante divergentes. Enquanto alguns estudos apontam uma relação forte entre o término de um curso e a mudança de percepção ética, outros apontam que não existe nenhuma relevância significativa.

Os autores afirmam que futuros esforços em termos de pesquisa que busquem isolar ou identificar essas diferenças são necessárias.

- O estudo de Longnecker, McKinney e Moore

O estudo realizado por Longnecker, McKinney e Moore (2004) foi de caráter empírico, realizado através do envio de um questionário para uma amostragem randômica de 10 mil empresários e gestores nos Estados Unidos, os quais foram identificados como sendo grandes líderes empresariais por uma variedade enorme de revistas especializadas na área.

A partir dessa amostragem, foram recebidos de volta 1234 questionários respondidos. Os pesquisados responderam a perguntas de caráter ético inerentes a 16 decisões de negócios, as quais estavam descritas em vinhetas de uma a três frases que continham um amplo número de situações e que eram desenhadas para se dirigirem diretamente a problemas éticos de legalidade variada em diferentes áreas dos negócios.

Os respondentes, a partir daí, tiveram de avaliar a sua própria base de valores éticos e a qualidade ética das decisões tomadas por eles para responder o questionário. Este, foi desenvolvido em forma de escala tipo Likert, partindo do 1 – nunca aceitável – para o 7 –

sempre aceitável. Aqueles cujas respostas estivessem constantemente na casa do “nunca aceitável” apresentavam uma forte não-aprovação de tais decisões e um maior julgamento ético.

Nesse estudo, a natureza dos respondentes foi determinada, sendo solicitada que fosse identificado a sua crença e o quão importante ela era na vida de cada. As religiões enfatizadas no estudo são a católica, a protestante, a judaica, outras (muçulmanos, espíritas, hindus, xantoístas, etc.) e os sem religião.

Ao final do estudo, verificou-se que as resultados variavam de acordo com o modo que a variável ‘religião’ era mensurada. Sendo assim, verificou-se uma pequena relação entre o comprometimento religioso e o julgamento ético quando os resultados foram comparados com base nas religiões: católicas, evangélica, judaica, outras religiões e sem religião.

Entretanto, os respondentes que indicaram ter interesses religiosos estavam entre moderado e elevado demonstraram um nível de julgamento ético mais elevado, sendo os cristãos evangélicos os que têm o maior nível de julgamento ético. Os autores, porém, apresentam algumas limitações do estudo, sendo a mais ressaltada por eles o fato de que o estudo mede a percepção ética dos gestores, mas não os seus comportamentos éticos.

Ao se observar os dois estudos (CONROY; EMERSON, 2004; LONGNECKER; MCKINNEY; MOORE, 2004) vê-se que há uma forte ligação entre os fatores religião e religiosidade e a tomada de decisão ética dos gestores. A ambos os resultados mostraram que esses fatores são, de fato, relevantes para as pesquisas e para o processo gerencial das empresas, ressaltando de que forma ocorre essa percepção do ético/antiético dentro das empresas e como os gestores se comportam e reagem diante de dilemas éticos.

2.4.3 Estudos referentes a marketing, religião e tomada de decisão ética dos

Benzer Belgeler