Installed geothermal electricity capacity in Europe per type of turbine (MWe)
4. AVRUPA’DA JEOTERMAL ÇEVRES EL RİSK DEĞERLENDİRMESİ
A sociedade em rede transformou a Internet em sua grande ferramenta de comunicação global, fixando-a como novo meio de interconexão planetária das sociedades humanas. Com o auxílio das mídias digitais, a Internet possibilita que as pessoas troquem mensagens e informações de variados conteúdos, com grupos e indivíduos próximos ou distantes.
A chegada do computador pessoal aos diversos lares e o desenvolvimento da informática e das telecomunicações, evidenciaram o poder dos indivíduos em resolver problemas comuns, sendo o ciberespaço o ambiente propício para a evolução dessa dinâmica. “O que não podemos saber ou fazer sozinhos, agora podemos fazer coletivamente”, nos garante Jenkins (2009, p. 56).
A partir das ferramentas trazidas pelo avanço tecnológico, diferente de outras épocas de transformações e evolução humana, vivemos um momento em que podemos pensar coletivamente. Com essas ferramentas, nos tornamos capazes de decidir em qual direção ir e como queremos chegar nesta nova fase da história humana.
Neste ponto perigoso de virada ou de encerramento, a humanidade poderia reapoderar-se de seu futuro. Não entregando seu destino nas mãos de algum mecanismo supostamente inteligente, mas produzindo sistematicamente as ferramentas que lhe permitirão constituir-se em coletivos inteligentes, capazes de se orientar entre os mares tempestuosos da mutação. (LÉVY, 1994, p. 15).
Lévy (1994) nos orienta em um percurso histórico da humanidade rumo à chegada do “espaço do saber”. Anterior a este, existiram três outros espaços antropológicos: a terra, o território e o espaço das mercadorias. Para o autor, o primeiro espaço que o homem se apropriou, produzindo neste, foi a terra, “a humanidade inventou a si própria, desenvolvendo a terra sobre os seus passos e em torno dela, a terra que alimenta e lhe fala, a terra que ela perpetuamente recria por meio dos seus cantos, seus atos rituais” (1994, p. 115). Nesse período, o modo de conhecimento predominante eram os mitos e ritos, representados pela junção dos animais, vegetais, homens e deuses, e o cosmo.
O segundo espaço foi o território. Este se inicia com o neolítico e a criação da agricultura, da cidade, do estado e da escrita. Neste espaço o modo de conhecimento se deu através da escrita, “a escrita lhe abre outro tempo” (1994, p. 117), trazendo também o que a humanidade chamou de hierarquia. O terceiro espaço, o das mercadorias, surge com a criação da moeda e do alfabeto, e se auto-organizou a partir do grande número de trocas e fluxos de todos os tipos. O capitalismo nesse momento transformava “em mercadoria tudo o que conseguia incluir em seus circuitos” (1994, p. 119). Entretanto, quando este espaço adquiriu autonomia, ele não excluiu os anteriores:
[...] supera-os em velocidade. É o novo motor da evolução. A riqueza não provém do domínio das fronteiras, mas do controle dos fluxos. Daí por diante reina a indústria, no sentido amplo de tratamento da matéria e da informação. A ciência experimental moderna é um modo de conhecimento típico do novo espaço ... Desde o fim da Segunda Guerra Mundial ela passa a dar lugar a uma „tecnociência‟, movida por uma dinâmica permanente da pesquisa e da inovação econômica. (LÉVY, 1994, p. 24)
Daí surge o quarto espaço, o espaço do saber, amparado pela inteligência e pelo saber coletivo. Nele, as tecnologias digitais de informação e de comunicação nos possibilitam criar e percorrer suas infovias, e nos fazem não só refletir sobre a existência humana, mas principalmente, influenciá-la. Para Lévy esse novo espaço deveria nos permitir “compartilhar nossos conhecimentos e apontá-los uns para os outros” (1994, p. 18), o que segundo o autor, é a condição elementar da inteligência coletiva.
Como explicação ao que é a nova inteligência coletiva Lévy (1994, p. 28) afirma ser “uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências” e que tem por objetivo o enriquecimento mútuo e reconhecimento entre as pessoas.
Esclarecendo cada período desse conceito, o autor explica que (1) a inteligência individual existe até onde se proclama não existir, cada um possui algo a acrescentar ao outro, (2) havendo uma corrente que passa a dissipar essa inteligência, (3) e que desterritorializa e possibilita a mobilização, (4) reconhecendo dentro de um coletivo o conhecimento que o outro tem a oferecer.
Lévy (1994) coloca em perspectiva a reconfiguração da inteligência coletiva construída no ciberespaço. A partir da interligação de saberes diversos, complementares uns aos outros, a inteligência coletiva contribui para a criação de um laço social, que parte da consciência que “se os outros são fontes de conhecimento, a reciproca é imediata” (LÉVY, 1994, p. 28), havendo a valorização das competências indivíduas, até mesmo aquelas construídas com base apenas em suas experiências cotidianas.
A inteligência coletiva acontece de forma espontânea, sem as diretrizes ou as formas de regulação que possuem outras formações sociais. Ela mesma se autorregula, permitindo a cada um, dentro de um grupo, a responsabilidade de responder por suas ações, pois o que se espera é que as inteligências individuais sejam somadas e compartilhadas, visando o aprendizado e conhecimento comum.
Convém lembrar que a existência da inteligência coletiva é anterior ao aparecimento da sociedade em rede e da cibercultura. “O ciberespaço não determina automaticamente o desenvolvimento da inteligência coletiva, apenas fornece a esta inteligência um ambiente propício” (LÉVY, 1999, p. 30). Ela ganhou tanta importância, que passou a ser essencial para o crescimento da rede.
Lévy (1999) encara a inteligência coletiva como remédio, mas também como um veneno, no contexto da cibercultura. Ela torna-se o novo pharmakon, pois é vista como veneno para aqueles que não participam das dinâmicas da cibercultura, sendo estes considerados excluídos; e é remédio quando possibilita que outros participem do desenvolvimento desta nova corrente tecnológica e social.
Outros autores trabalham também com a definição da inteligência coletiva, porém atribuem denominações diferentes, segundo Santaella e Lemos (2010) há termos como: “pensamento coletivo” de (Nyíri), “cérebro global” de (Heylighen) entre outros. Sobretudo, Santaella prefere usar o termo “ecologia cognitiva”, pois, para a autora, a palavra
“inteligência” está “sobrecarregada culturalmente”, estando ela mais voltada para racionalidade.
Ainda conforme a autora supracitada, o termo ecologia cognitiva melhor representa a ideia de: “diversidade e a mistura entre razão, sentimento, desejo, vontade, afeto e o impulso para a participação, estar junto”. Ou seja, para Santaella e Lemos (2010, p. 25) o que mais importa não é só os fatores compartilhamento e reciprocidade, mas também o prazer de estar com o outro.
Apesar disso, continuaremos a usar o termo trabalhado por Lévy (1994), pois são principalmente os seus estudos e reflexões que nortearão toda a nossa pesquisa, e além do mais, não encontramos, necessariamente, divergência entre os outros termos citados, pois essencialmente trata-se da mesma coisa.
O conceito de inteligência coletiva tornou-se essencial para a cibercultura, pois passou a representar um novo plano para existência social fundamentado na confluência do saber coletivo. A disseminação do conhecimento acompanhou as possibilidades que as tecnologias digitais trouxeram para a sociedade em rede, o que potencializou diretamente as ações coletivas.
A principal força que influencia a inteligência coletiva é a utilização compartilhada do saber humano. Tendo isso em vista, tentaremos demostrar como as inteligências são melhores aproveitadas quando as capacidades individuais funcionam em torno de um bem comum, e também como as possibilidades de participação e de colaboração fazem com que a edificação de um cérebro global esteja nas mãos de cada um de nós.