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Avrupa Birliği ve Demokrasi Üzerine On Tez

Com relação à classificação, as normas jurídicas podem ser abstratas, concretas, gerais e individuais46.

A abstração e a concretude da norma se referem ao fato descrito em seu antecedente, ao passo que as características geral e individual são ínsitas do

conseqüente normativo, referindo-se aos destinatários do comando legal.

46 Hans Kelsen já explicava a diferença entre as espécies de normas em sua Teoria Pura (ob. cit. p.

248), apesar de não definir o que é abstrato, geral, individual e concreto: “A norma geral, que liga a um fato abstratamente determinado uma conseqüência igualmente abstrata, precisa, para poder ser aplicada, de individualização. É preciso estabelecer se in concreto existe um ato que a norma geral determina in abstracto; e é necessário pôr um ato concreto de coerção – isto é, ordená-lo e depois

executá-lo – para este caso concreto, ato de coerção, esse que é igualmente determinado in

abstracto pela norma geral. Portanto, a aplicação de uma norma geral e abstrata a um caso concreto consiste na produção de uma norma individual, na individualização (ou concretização) da norma geral. E, por isso, a função da norma geral a aplicar também pode consistir em determinar o conteúdo da norma individual que é produzida através do ato judicial ou administrativo, da decisão judicial ou da resolução administrativa”.

Uma norma será abstrata quando seu antecedente descrever uma classe de eventos do mundo social de possível ocorrência.

Será concreta quando o antecedente descrever fato que já se realizou no mundo fenomênico. Trata-se de fato passado, de existência concreta.

Geral será a norma que trouxer em seu conseqüente a regulação de um comportamento de uma classe de pessoas indeterminadas.

Individual, por fim, será aquela norma que contiver em seu conseqüente a regulação de um comportamento de certo indivíduo ou de pessoas determinadas.

Deve-se ressaltar que a generalidade ou a individualidade da norma fará surgir a relação jurídica correspondente.

Assim, da conjugação desses elementos, poderão surgir no ordenamento jurídico quatro espécies de normas jurídicas: - abstrata e geral; - concreta e geral; - abstrata e individual; e, concreta e individual.

Norberto Bobbio47 já ensinava:

“Normas generales y abstractas (de este tipo son la mayor parte de las leyes, por ejemplo, las leyes penales); normas generales y concretas (uma ley que declara la mobilización general se dirige a uma clase de ciudadanos y al mismo tiempo prescribe uma acción particular que, una vez cumplida, extingue la eficacia de la norma); normas particulares y abstractas (uma lei que atribuya a determinada persona uma función, por ejemplo la juez de la corte constitucional, se dirige a un solo individuo y le prescribe no una acción, sino toda aquellas acciones que son inherentes al ejercicio del cargo); normas particulares y concretas (el ejemplo más característico es el de la sentencia del juez)”.

Sem sombra de dúvidas, as normas que mais interessam ao cientista do direito são as normas gerais e abstratas e as normas individuais e concretas, eis que são as espécies mais comuns encontradas no ordenamento jurídico pátrio.

47 BOBBIO, Norberto.

Certo é, porém, que todas as espécies de normas jurídicas possuem estrutura hipotético-condicional48.

A norma geral e abstrata possui o operador deôntico (dever ser) neutro e tem por finalidade a prescrição de condutas para a sociedade. Por tal motivo é que “Dado um fato F, deve ser a conseqüência P”.

A norma individual e concreta, por seu turno, é regida pelo operador deôntico modalizado, em proibido, permitido ou obrigatório, eis que ela desencadeará a relação jurídica entre sujeito ativo e sujeito passivo determinados, proibindo, permitindo ou obrigando os indivíduos que estiverem no pólo passivo da obrigação a realizar determinada conduta.

Destaca-se, ademais, que toda norma jurídica geral e abstrata exige a edição de uma norma individual e concreta, para que possa alcançar seus objetivos. Isto porque, o fato somente existirá quando o acontecimento social previsto no antecedente de uma norma geral e abstrata for devidamente descrito no antecedente da norma individual e concreta, desencadeando, desta forma, a relação jurídica competente.

Paulo de Barros Carvalho49 bem demonstra tal explicação:

“Penso ser inevitável, porém, insistir num ponto que se me afigura vital para a compreensão do assunto: a norma geral e abstrata, para alcançar o inteiro teor de sua juridicidade, reivindica, incisivamente, a edição de norma individual e concreta. Uma ordem jurídica não se realiza de modo efetivo, motivando alterações no terreno da

48Pode-se afirmar que a estrutura hipotético-condicional não é uma arbitrariedade do legislador.

Na verdade, trata-se de uma exigência do sistema jurídico, pois, a partir do momento em que o direito positivo tem como finalidade regular as condutas intersubjetivas da sociedade, somente pode haver tal regulação com uma estrutura que faça com que a ocorrência de determinado acontecimento deflagre uma relação jurídica.

O direito regula o mundo do ser, mas para isso deve utilizar a linguagem do dever ser, pois somente aqueles acontecimentos que o legislador entender que têm importância efetiva para o direito é que desencadearão relações jurídicas respectivas.

Além disso, o destinatário da norma sabe que se realizar o fato descrito na hipótese normativa, fará com que nasça a relação jurídico-tributária, em que o direito positivo regulará a conduta desejada em permitida, proibida ou obrigatória. E, o direito positivo somente poderá regular o comportamento humano se, efetivamente, houve a realização do fato descrito na hipótese, ou seja, se o ocorrido no mundo social se encaixa perfeitamente à hipótese normativa.

49 CARVALHO, Paulo de Barros.

realidade social, sem que os comandos gerais e abstratos ganhem concreção em normas individuais”.

Percebe-se, por todo o exposto, que o entendimento sobre norma jurídica é de fundamental importância para o direito positivo, bem como para a ciência do direito.

Tendo como base as afirmações acima, será possível ingressar no tema específico deste trabalho, com certas premissas já fixadas.

No capítulo seguinte, será analisada a regra-matriz de incidência tributária e, posteriormente, a sujeição passiva no direito tributário brasileiro.

CAPÍTULO III

REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA

3.1. A Regra-Matriz de Incidência Tributária

O direito positivo tem como objetivo regular as condutas intersubjetivas praticadas pelos cidadãos.

Para atingir tal desiderato, os legisladores introduzem no ordenamento jurídico textos de leis, que trazem, em seu corpo, as condutas que estão sendo regradas.

No entanto, os enunciados prescritivos dos textos de direito positivo, não raras vezes, são imprecisos e contêm imperfeições sintáticas e semânticas.

A fim de eliminar tais vícios, os cientistas do direito, através de uma interpretação sistemática, analisam os enunciados prescritivos contidos no texto legal, conjuga-os com outros e, ao final, constroem em sua mente a norma jurídica.

As normas jurídicas são as significações que surgem na mente do intérprete da análise de enunciados prescritivos, podendo não coincidir com o entendimento expressado pelo legislador no texto de lei.

No campo do direito tributário, a ciência do direito desenvolveu uma teoria, já consagrada, que consegue atingir o conteúdo nuclear da norma jurídica tributária. Para tal construção científica, foi adotado o nome de regra-matriz de incidência tributária50.

Como toda norma jurídica, a regra-matriz de incidência tributária é composta de um antecedente e um conseqüente conectados pelo functor deôntico dever ser

(estrutura proposicional bimembre).

O antecedente traz um fato da realidade que contenha um conteúdo econômico, ao passo que o conseqüente desencadeia uma relação jurídica entre o Estado (sujeito ativo) e o contribuinte (sujeito passivo), sendo que o primeiro possui

50 Este tema foi apresentado de forma pioneira por Paulo de Barros Carvalho em sua tese de

Doutoramento, que resultou no livro intitulado Teoria da norma tributária, editado pela primeira vez no

o direito subjetivo de exigir o pagamento de certa quantia em dinheiro, ao passo que o segundo, tem o dever jurídico de efetuar o pagamento devido.

Para uma melhor análise da regra-matriz de incidência tributária, é necessário isolar o antecedente e o conseqüente normativos.

No antecedente encontram-se critérios distintos daqueles encontrados no conseqüente. Tais critérios, uma vez conjugados, formam efetivamente o vínculo jurídico tributário.

Na hipótese normativa é possível verificar a existência do critério material, do critério espacial e do critério temporal. Já na tese, encontram-se os critérios pessoal e quantitativo.51