• Sonuç bulunamadı

ATUS parametre ayarlamaları, deneysel sonuçlar ve istatistiksel analiz

4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.5. Sürrenal Lezyon Segmentasyonu Çalışması

4.5.2. ATUS parametre ayarlamaları, deneysel sonuçlar ve istatistiksel analiz

No De Legibus, Cícero pretende escrever uma Teoria Geral do Direito, centran- do-se, sobretudo no Direito Público romano. Neste sentido, inicia a sua obra advertindo que o que se busca é a explicação da natureza do Direito por meio do estudo da natureza do homem, examinando, pois, “as leis pelas quais se deveriam reger os Estados, assim como as normas e as disposições concebidas e redigidas por cada um dos povos, e, entre estas, não deixará desfigurar o cha- mado direito civil de nosso povo.”

Cícero não abandona o ius civile que para ele é, de alguma forma, superes- timado pelos seus colegas, juristas contemporâneos, mas considera que este é apenas uma parte do que se pode entender como Direito. Assim ao responder

ao questionamento de seu amigo Ático sobre o que pensa do Direito Civil6,

Cícero afirma que “existiram homens eminentes que se dedicaram a interpretar esse direito para o público e a resolver casos jurídicos, mas que, apesar de suas grandes pretensões, só se ocuparam de pormenores sem importância” (Leg.

6 Ao explicar os três sistemas jurídicos que existiram em Roma, Bonfante, de forma absoluta- mente clara, esclarece que: “ o ius civile é o sistema primogênito, expressão fiel do espírito latino, ordenamento lógico e coerente em toda a sua parte, rigoroso e inflexível; é o único sistema verdadeiramente orgânico que tivemos dos romanos. Como diz a sua própria de- signação, traz uma relação com as cives. Apesar do termo análogo moderno significar con- vencional e discusso, a qualificação de civile diz sem mais que é o direito aplicado as cives (...) compreende o direito privado e aqueles que tem a cidadania romana.” (Pietro Bonfante, Storia Del Diritto Romano, vol. II, Milano — Dott. A. Giuffrè — Editore — 1959, p. 66).

I, 4 14). O direito civil é, na sua concepção, insuficiente sob o aspecto teórico, mesmo que seja necessário sobre o aspecto prático. Daí porque Cícero busca na filosofia grega e na religião romana as respostas aos seus questionamentos sobre a natureza do Direito, ao invés de se limitar as amarras do direito civil aplicado, isto é do pragmatismo jurídico romano.

Com efeito, em De Inventione, Cícero afirma que o (Inu. II, 160-161) Direito procede da Natureza, sendo atrelado a nosso ser moral, ao sentimento ínti- mo que temos da justiça, não é uma crença e sim uma potência inerente ao ser humano. Em torno dessa expressão primitiva, a experiência do tempo, o desenvolvimento da vida social e a vontade dos povos, o enriquece, mas em definitivo a lei escrita sobre a qual nos referimos aquele não é que expressão ulterior, o decalque de uma lei natural, o produto de uma força moral real que se trata da consciência humana (summa Lex).

Deveras, este pensamento é repetido por Cícero, no De Legibus, ao defen- der que a Lei é a razão soberana incluída na natureza que nos ordena o que nós devemos fazer e o que nos é proibido. Esta razão desde que apoiada e realiza- da no pensamento do homem, é ainda uma Lei (Lex est ratio summa, ínsita in natura, quae iubet ea quae facienda sunt, prohibetque contraria. Eadem ratio cum est in hominis mente confirmata et perfecta, Lex est) (I, VI, 18).

Assim, o Direito não se subsume ao ius civile. Muito ao contrário, é o ius ci- vile que se subsume ao Direito. Ele é a profunda expressão da Lei suprema que, comum a todos os séculos, nasceu antes que existisse alguma lei escrita ou que fosse constituída em nenhuma parte algum Estado (Constituendi uero iuris ab illa summa lege capiamus exordium, quae, saeclis communis omnibus, ante nata est quam scripta Lex ulla aut quam omnind civitas constituta) (I, VI, 19).

A originalidade do pensamento ciceroneano reside justamente neste abandono às regras do ius civile como elemento formador do conceito de Di-

reito. O direito romano, grosso modo, desenvolveu-se entre a fundação7 da ci-

dade até o advento do corpus iuris civilis8 de Justiniano. Santos Justo separa as

7 Ihering compara o nascimento do Direito em Roma a cosmogonia do Antigo Testamen- to. Em suas palavras: “La primera Del mundo romano ofrece el espectáculo general de

la historia em su origen: la arbitrariedad y violencia entre hombres enérgicos sin patria ni derecho ni dioses comunes. La fase siguinte es la de una comunidad, uma liga para prac- ticar el bandolerismo, que no por esto deja de constituir el origen Del Estado. La família la consolidación de la dignidad real, la alianza com um publo extranjero, vienen después. Con Numa aparecen la religión y la moralidad: bajo Túlio Hostillo revive el antiguo salvajismo, pero solo hacia el exterior, y el sucesor de este Rey, fundador del derecho internacionales restaura el espíritu de la época de Numa. Com esto termina la génesis del mundo romano, muy semejante em la leyenda a la cosmogonia Del Antguo Testamento, porque Roma hace nacer sucesiva y separadamente lãs diversas partes según um orden natural desde um caos original hasta el derecho internacional que es la conclusión. ( El espíritu Del Derecho Romano. Abreviatura por Fernando Vela. Marcial Pons. Madrid. 2005, p. 57).

8 O Corpus Iuris Civilis só receberá este nome muito tempo depois quando da sua publicação

épocas do direito romano segundo o critério jurídico interno em época arcaica que decorre entre os anos 753 e 130 a. C. e que se caracteriza pela mistura do jurídico com a religião9, e a moral e pela existência de instituições jurídicas ru-

dimentares, época clássica situa-se entre os anos 130 a.C. e 230 compreende a época pré-clássica de 130 à 30 a.C. onde há um desenvolvimento do que se denominou de ciência jurídica (iurisprudentia); clássica central, de 30 a.C. a 130 que é marcada pelo esplendor da iurisprudentia que se manifesta na perfeição da sábia estilização da casuística e na criação de novas actiones que integra- ram e modernizaram o ius civile e a clássica tardia que decorre entre os anos 130 e 230 e assinala o início da decadência da iurisprudentia que, “esgotada, se volta para a elaboração monográficas do ius civile e para o desenvolvimento do ius publicum com destaque para os direitos administrativos, militar, fiscal, penal e processual civil” (2010,pp10-11).

Após a época clássica o direito romano modificou-se entre o período com- preendido aos anos de 230 e 530 para o que se convencionou chamar de di- reito romano pós-clássico, que é dividido por Santos Justo em duas etapas. A primeira compreende os anos de 230 a 395 e é marcada pela confusão de ter- minologia, conceitos e de instituições e pelo advento da Escola que substituiu a iurisprudentia que se dedica à elaboração de glosas, glosemas e resumos de textos que revelam uma ciência simplista e elementar. A segunda etapa com- preende o período entre os anos 395 a 530 e se caracteriza no Ocidente pela vulgarização do direito romano que se revela na simplificação de conceitos, na confusão de noções clássicas e no predomínio do aspecto prático sem atenção as categorias lógicas e no Oriente pela reação antivulgarista (classicismo) que é alimentada pelas Escolas de Constantinopla, Alexandria e Beirute. (ibidem)

Por fim, a época Justiniana (entre os anos 530 e 565) é também marcada pelo classicismo e pela helenização, tendo sido produzida a maior compilação jurídica jamais feita: O corpus iuris civilis que atualizou o direito romano e o transmitiu para as gerações subseqüentes.

Sob este aspecto, Cícero escreve o De Legibus, no auge do direito romano clássico central e ainda sob a influência dos eventos ocorridos na fase pré-clás- sica. Apesar de adotar o modelo aristotélico de diálogos, tal como utilizado em sua obra precedente De Res Publica, e mesmo seguindo a ordem dos assuntos nos moldes do filósofo grego, Cícero se afasta do idealismo platônico que criou leis para uma República imaginária, na medida em que propõe para a sua Repú-

9 Ensina Marques Gonçalves que: “Durante os primeiros séculos da História de Roma, a cons- trução do direito esteve nas mãos dos sacerdotes, ou seja, dos pontífices. Eles foram os res- ponsáveis por definir o comportamento social dos patres, isto é, dos chefes das “gentes”, das famílias extensas que formaram os primordiais núcleos sociais da Roma Antiga. Deste modo, a pronúncia do ius, do direito, foi atribuída inicialmente a um círculo de sacerdotes, o chamado colégio dos pontífices, componente essencial da religião romana arcaica”.

blica real leis práticas, positivas e de inspiração racional, sendo a Summa Lex10 fruto da razão humana de inspiração divina (Leg. I,6, 18).

Com efeito, Cícero entendia que a lei não retirava a sua força no simples fato de ter sido promulgada e sim nas tradições do povo romano e na inspira- ção dos deuses. Com este pensamento, Cícero trouxe o conceito de legitimida- de do imperium ao centro do debate político, ao criticar, desde o início de sua carreira, as medidas ilegais impostas por Sila e por todos aqueles que tentavam usurpar indevidamente o poder do Senado e por consequência do povo ro- mano, assim como criticava as atitudes populistas dos Gracos. Proclamava-se, assim, como inimigo feroz das leis da violência, das leis de circunstâncias e das leis de exceção, em nome da defesa da res publica (coisa pública) protegida pela tradição e pela qualidade moral dos seus governantes (De Legibus, I, VIII, 24). Não haveria nenhum homem que fosse incapaz de alcançar a virtude, uma vez que esta era conforme a natureza, por isso os homens teriam o dever de perceber que haviam nascido para a justiça e que o Direito encontrava-se na Natureza e não em suas convenções. Dessa forma, os homens que receberam a razão da Natureza também receberam a Lei, que nada mais é do que a justa

razão no campo das concessões e proibições (De Legibus, I, X, 28)11

O De Legibus é sua obra de maturidade em que Cícero pensa na formação das instituições do povo Romano, sem utopias e idealismo, pois não concebe a criação de uma cidade utópica, reconhecendo a falibilidade humana e se afi- nando com o discurso pragmático dos estóicos, marca, também, da tradição romana de se adaptar a realidade. Reconhece, porém, a conquista histórica do povo romano e a realização positiva do seu regime político representado pela República, enquanto não usurpado pelos discursos populistas daqueles que misturavam a coisa pública com o interesse privado. A República, como prote- ção do interesse do bem que a todos pertence, é o ideal do exercício do poder. Expõe Cícero o que ele chama de leis autênticas de Roma, que seriam aquelas que melhor se adaptam ao bom funcionamento do “Estado” inteligen- temente organizado e preparado para a proteção da coisa pública. Instigado pelo seu melhor amigo, Ático, e por seu irmão, Quinto, Cícero desenvolve o seu pensamento jurídico ao diferenciar a lei fruto dos éditos e das normas escritas (a lei civil) da Lei objeto da razão humana (Summa Lex) (II, V. 11). Na constru- ção ciceroniana o ser humano se iguala aos deuses na sua natureza divina e tal como estes busca a virtude de realizar algo bom e válido em sua vida ativa.

10 Lex est ratio summa, ínsita in natura, quae iubet ea quae facienda sunt, prohibetque contra-

ria. Eadem ratio cum est in hominis mente confirmata et perfecta, Lex est.

11 “quam plane intellegi, nos ad iustitiam esse natos, neque opinione sed natura constitutum

esse ius. Id iam patebit, si hominum inter ipsos societatem coniunctionemque perspexeris” — esta verdade que nós somos nascidos para a justiça a qual o direito se funda, não sobre a opnião, mas sobre a própria natureza (...).

Nesta linha afirma que: “a natureza criou o homem para que todos partici- passem do Direito e o possuíssemos em comum. É este o sentido que Cícero atribui ao Direito quando “afirmo que se baseia na Natureza; mas, tamanha é a corrupção proveniente dos maus costumes que destrói o que poderíamos cha- mar de lampejos que nos foram dados pela Natureza, fomentando e reforçando os vícios contrários.

Se os homens ajustassem seus pensamentos à Natureza e confirmassem o dito do poeta de que “nada humano lhes é estranho”, todos respeitariam igualmente o Direito. Assim, os que receberam a razão da Natureza, também receberam a justa razão e, consequentemente, a Lei, que nada mais é do que “a justa razão no campo das concessões e proibições”. E se receberam a Lei receberam também o Direito.

A concepção de Cícero de que a lei não está fundada na lei escrita, mas sim na justa razão compartilhada por todos, é, basicamente, para Dyck, a adap- tação da velha escola estóica. O filósofo do direito tem que ser um filósofo da natureza humana, ma medida em que a justiça está na natureza (2004,p.47).

Na “constituição republicana,” defendida por Cícero, os antigos ocupam o poder por meio da figura dos magistrados, que teriam o poder de imperium sobre a cidade e sobre os cidadãos e que exercem, cada um no limite da suas competências e por prazo previamente estabelecido, a plenitude do seu poder e da sua autoridade.

O Estado é, assim, submetido a uma sorte de direções compostas por magistrados inferiores e superiores, sendo cada um autônomo na sua esfera e nos seus poderes. Mas para todos, mesmo para o ditador, magistrado extraor- dinário com prazo de duração da sua responsabilidade, há limites. Estes limites, a proteção última da República, compensariam o caráter “quase divino” do exercício da autoridade pelos magistrados. O limite entre público e privado é para Cícero a base que sustenta um Estado republicano.