1. EKLERDE GÖRÜLEN ARKAĠK ÖRNEKLER
2.1. ATASÖZLERĠ
Os resultados da estimação para leishmaniose são apresentados na Tabela 13 e nas Figuras 10 e 11. A equação inclui além das faixas de temperatura (TEMP) e precipitação (PREC), os efeitos fixos para municípios e estados/ano22, os quais captam o impacto de variáveis não incluídas no modelo sobre a leishmaniose, sendo muito deles significativos, ou seja, caso não fossem incluídas, poder-se-ia obter resultados viesados para os coeficientes estimados de TEMP e PREC.
Ao analisar a Tabela 13, percebe-se que tanto a temperatura como a precipitação possuem impacto positivo sobre as internações por leishmaniose, o que era esperado pelo fato de serem variáveis importantes para o desenvolvimento do mosquito transmissor. No entanto, apenas as variáveis correspondentes as faixas de precipitação PREC3, PREC4 e PREC5 foram significativas. Apesar deste resultado,
esperava-se que faixas mais baixas de temperatura e precipitação tivessem efeitos negativos sobre o número de casos, o que não foi observado, o que pode ser justificado pelas limitações de dados do estudo.
Deste modo, no presente estudo, níveis de precipitação acima de 50mm são os que mais favorecem a proliferação da leishmaniose em relação ao período base (1992-2002). Conforme mostra a literatura, a precipitação é fundamental para o desenvolvimento do mosquito transmissor, pois nos períodos chuvosos há um ambiente favorável que permite elevar a densidade do mosquito transmissor (BRASIL, 2007; REY, 2008). Segundo Rey (2008), cerca de 90 dias após os períodos de chuva, começa a haver um aumento do número de casos de pacientes infectados por leishmanioses.
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Tabela 13 – Resultado dos coeficientes estimados da temperatura e precipitação sobre as internações de leishmanioses
Variáveis Coeficientes Estatística t
TEMP1 0,006 0,400 TEMP3 0,032 0,950 TEMP4 0,004 0,080 TEMP5 0,041 0,380 PREC1 0,023 0,330 PREC3 0,151 3,370** PREC4 0,170 3,190** PREC5 0,194 2,960** Constante -0,470 -0,840 R2 within: 0,031 R2 between: 0,003 R2 overall: 0,009 F = 36,46*
Fonte: Resultados da pesquisa.
Nota: Para maiores detalhes sobre o resultado ver Apêndice A.
TEMP1 = número de meses, por ano, com temperatura média abaixo de 20ºC. TEMP3 = número de meses, por ano, com temperatura média entre 23 a 26ºC. TEMP4 = número de meses, por ano, com temperatura média entre 26 e 29ºC. TEMP5 = número de meses, por ano, com temperatura média acima de 29ºC. PREC1 = número de meses, por ano, com precipitação média abaixo de 10mm. PREC3 = número de meses, por ano, com precipitação média entre 50 e 100mm. PREC4 = número de meses, por ano, com precipitação média entre 100 e 150mm. PREC5 = número de meses, por ano, com precipitação média acima de 150mm. (*) significativo a 1%, (**) significativo a 5%, (***) significativo a 10%.
A faixa de temperatura 20-23ºC e a de precipitação de 10-50mm foram as variáveis controle da estimação.
As Figuras 11 e 12 mostram claramente a relação que a doença possui com a temperatura e precipitação. Em faixas de temperatura mais baixas, como menor que 20ºC e de 20 a 23ºC, o número de internações da endemia tende a ser menor. No entanto, em faixas maiores, passa-se a ter uma quantidade de internações cada vez maior, como a partir da faixa 26-29ºC, que corresponde as temperaturas que são mais favoráveis para o crescimento dos vetores. Contudo, como apresentado, os resultados para temperatura não foram significativos.
Em relação a precipitação, esta apresenta um efeito maior sobre a leishmaniose que a temperatura, sendo de grande importância para que o mosquito transmissor deposite os seus ovos e se desenvolva, uma vez que a falta de água prejudica este processo. Por meio da Figura 12, percebe-se que para faixas maiores de precipitação, em relação a faixa base (10-50mm), o número de internações se
eleva. Assim, a partir do momento que se tem uma quantidade média de meses com precipitação superior a 50mm, há um impacto crescente nas internações.
Neste sentido, para um mês com quantidade de chuvas nas faixas de 50- 100mm, 100-150mm e acima de 150mm, tem-se uma elevação do número médio anual de internações, tudo o mais permanecendo constante, de 0,15, 0,17 e de 0,19 por AMCs, respectivamente, em relação a faixa base de 10-50mm.
Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos resultados da pesquisa.
Figura 11 – Resultados dos coeficientes estimados do impacto da temperatura sobre as leishmanioses.
Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos resultados da pesquisa.
Figura 12 – Resultados dos coeficientes estimados do impacto da precipitação sobre as leishmanioses.
Estudos como o de Elnaiem et al. (2003) que realiza um mapeamento da leishmaniose visceral e o papel das variações da chuvas na região leste do Sudão, mostram que a precipitação tem papel preponderante sobre a incidência da doença na região, ou seja, favorece a proliferação da leishmaniose. Os autores calculam a correlação entre variáveis ambientais e climáticas e verificam que há uma correlação forte e positiva entre a incidência da leishmaniose nas regiões do Sudão e a precipitação.
Além deste autor, outros como Werneck et al. (2006), Silva et al (2007), Vieira (2007), que analisam regiões específicas do Brasil como Piauí, São Paulo e Minas Gerais, também apresentam a existência dessa relação entre chuvas e incidência de leishmaniose, corroborando assim o resultado do presente estudo de que a precipitação tem efeito significativo sobre a proliferação da doenças nas regiões brasileiras.
No trabalho de Werneck et al. (2006) os autores mostram que há uma relação positiva entre precipitação e umidade em relação ao meio ambiente que favorece condições propicias para a abundancia do mosquito transmissor. Já Silva et al. (2007) apresentam que dada a grande variação pluviométrica nos meses de fevereiro, março e abril dos anos de 2004 e 2005, após quatro meses, o número de vetores aumentou consideravelmente dada uma variação média de 315mm de chuva no estado do Piauí. Reforça-se deste modo a relevância das chuvas na incidência da doença não somente em regiões específicas mas, como se aborda no presente estudo, em todo o país.
É importante ressaltar que, apesar de as chuvas terem papel relevante na disseminação da doença, a temperatura também tem sua participação. Em conjunto essas duas variáveis fazem elevar ainda mais a quantidade de mosquitos transmissores, isto é, não basta apenas haver chuvas se não houver uma temperatura adequada para que os vetores se desenvolvam23. Assim, o que o resultado da Tabela 13 mostra é que há diferença significativa para o número anual de internações de um mês na faixa 20-23ºC, período base, e meses com temperaturas mais elevadas.
23 Deve-se ressaltar, que realizou-se estimações considerando a interação entre temperatura e precipitação, bem como outros tipos de estimativas, como considerar a variável precipitação defasada. Contudo, nenhuma dessas estimações foram significativas, não sendo inseridas no presente estudo.