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Ataşehir İlçesi AVM’ler Hakkında Genel Bilgi

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BÖLÜM 3 GENEL VE BÖLGESEL VERİLER

3.4. Perakende Sektörü Analizi

3.4.1. Ataşehir İlçesi AVM’ler Hakkında Genel Bilgi

Como já foi mencionada, a Religião Católica foi oficial no Brasil Colônia e em todo o Império, por isso todos que aqui nascessem, casassem, ou morressem, deveriam ter seus dados registrados na paróquia em que estavam residindo.

O Concílio de Trento (1545-1563) tornou obrigatório o registro desses eventos, definindo normas para padronizar e regulamentar os assentos de batismo, casamento e óbito, marcando, assim, todas as passagens da vida de um cristão católico.

Posteriormente, o Rituale Romanum (1614) tornou o registro paroquial obrigatório e estabeleceu normas ainda mais rigorosas sobre como fazer os assentos314.

Dessa forma, o último evento vital dos escravizados elencados nessa dissertação é o de óbito. Nesses registros é possível identificar o nome do morto, a data do falecimento e o estado civil. No caso dos solteiros, deveria constar o nome dos pais, caso casados, estaria presente o nome do cônjuge, e, sendo cativo, incluía-se o nome do proprietário. Informações como a naturalidade, a idade e a profissão que exerceu, também poderiam constar. As condições do enterramento poderiam ser mencionadas, ressaltando o local e a cor das mortalhas315. Essas referidas normas foram asseguradas aqui no Brasil mediante as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, as quais apresentavam um modelo básico para o registro dos óbitos, como podemos observar a seguir:

Aos tantos dias de tal mez, e de tal anno falleceo da vida presente N. Sacerdote Diacono ou Subdiacono; ou N. marido, ou mulher de N. ou viúvo, ou viúva de N., ou filho, ou filha de N., do lugar de N., freguez desta, ou de tal igreja, ou forasteiro, de idade de tantos anos, se (commodammente se puder saber) com todos, ou tal Sacramento, ou sem eles: foi sepultado nesta, ou em tal igreja: fez testamento, em que deixou se dissessem tantas missas por sua alma, e que se fizessem tantos Officios; ou morrco ab intestado, ou era notoriamente pobre, e por tanto se lhe fez o enterro sem levar esmola316.

Segundo Sant‟Ana317

, o óbito tinha uma importância fundamental, pois se o batismo era a porta de entrada do novo cristão ao universo do cristianismo, o óbito e os seus rituais significavam a entrada ao universo celestial, por isso a importância de receber o sacramento da extrema unção. De acordo com Faria318, a Igreja considerava

“inocente” a criança até os 7 anos de idade, aproximadamente, a qual estaria

impossibilitada de pecar, dispensando-a, assim, de receber os sacramentos.

Entretanto, para os registros dos óbitos, as regras não eram tão rigorosas e iguais aos assentos de batismo e casamento, uma vez que estes eram efetuados no momento da

314

MARCÍLIO, Maria Luiza. Os Registros Paroquiais e a História do Brasil. In: Varias Histórias, v.31. UFMG, p. 2004, p.12.

315Ibidim, p. 14.

316CPAB, (1853 [1707]), Livro IV, Título XLIX, p.292.

317PETIZ, Silmei Sant‟Ana. Enfermidades de escravos: contribuições metodológicas para estimativas da

mortalidade (Rio Grande de São Pedro. 1790-1835). In: PORTO, Angela. Doenças e Escravidão; sistema de práticas terapêuticas . Rio de Janeiro: Fio Cruz, 2007, p. 08.

318FARIA, Sheila de Castro. FAMÍLIA E MORTE ENTRE ESCRAVOS. XI Encontro Nacional de

realização do sacramento, diferentemente dos de óbito, que, necessariamente, não precisavam ser realizados na presença do morto e nem precisava ser presenciada pelo sacerdote, podendo ser relatada por terceiros e assentada em data posterior.

No que se refere ao sepultamento dos escravizados em seu livro quarto319, as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia ordenavam aos senhores que cuidassem do enterramento dos cativos. Mas, de acordo com Lacet320, nem sempre os senhores seguiam os preceitos da Igreja. As Constituições determinavam que:

É alheio da razão e piedade Christã que os Senhores, que se servirão de seus escravos em vida, se esquecam deles em sua morte, lhes encomendamos muito, que pelas almas de seus escravos defuntos mandem dizer Missas, e pelo menos sejam obrigados a mandar dizer por cada um escravo, ou escrava que lhe morrer, sendo de quatorze anos para cima, a Missa de Corpo presente, pela qual se dará a esmola acostuada321.

Dessa forma, as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahiagarantiam que todos os fiéis fossem “enterrados dignamente” sob solo cristão, podendo ser sepultados nas capelas ou nos cemitérios, ambos sob a guarda da igreja. Neste caso, os escravizados tinham o direito de serem sepultados em locais sagrados para a tradição cristã, chegando a sofrer punições aqueles senhores que, por ventura, negassem esse direito aos cativos falecidos. Esses senhores poderiam ser excomungados ou obrigados a pagar multa de 50 cruzados à paróquia na qual residia.

As CPAB também determinavam que nenhum defunto poderia ser sepultado antes do nascer do sol e nem depois do pôr-do-sol. Nos casos de morte repentina não poderia ser sepultado antes de decorridas vinte e quatro horas, com exceção para os períodos de epidemias e doenças contagiosas. Dessa forma, Reis322 destaca que os cortejos fúnebres deixavam o local do velório ao pôr-do-sol, “como se o fim do dia fosse uma metáfora para o fim da vida”.

319CPAB, (1853 [1707]), Livro IV, p.237-310. 320

LACET, Juliana Lemos. Os Rituais de Morte nas Irmandades de Escravos e Libertos: Vila Rica, século XVIII. 2003. P. Dissertação (Mestrado em História).Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2003.

321

CPAB, (1853 [1707]), Livro IV, Título LI, p.294.

322

REIS, João José. O Cotidiano da Morte no Brasil Oitocentista. In: Alencastro, L. F. Historia da vida

Ao estudar algumas freguesias do Sudeste, durante os séculos XVIII e XIX, Faria323 afirma que são poucas as pesquisas que tratam da morte de escravizados durante o período colonial e imperial brasileiro, no entanto, ela admite que:

Dos registros paroquiais, os de óbito são, por certo, os menos confiáveis, já que a morte não precisava, necessariamente, ser assistida por padres, elemento fundamental em batizados e casamentos. Moribundos e seus familiares poderiam, simplesmente, prescindir da sua presença. Era, na realidade, uma escolha. Pode-se imaginar que muitas pessoas, em particular escravas, morreram e foram enterradas sem conhecimento dos párocos. Não podemos, entretanto, maximizar os sub-registros. Muitos que morreram “sem

sacramentos” mesmo “por não procurarem” tiveram seus óbitos

anotados324.

Infelizmente, os registros de óbito nem sempre apresentam o diagnóstico e a causa da morte, indicando mais os sintomas e as características principais das doenças. No próximo item, destacaremos as principais doenças que levaram a morte dos escravizados na Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, entre os anos de 1850 e 1872, destacando os fatores ambientais, de trabalho e alimentação, a fim de configurar mais um elemento adjacente às análises sobre a vida dos escravizados.

3.2- DOENÇAS E MORTES DE ESCRAVIZADOS NA FREGUESIA DE NOSSA

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