2.3 Biyodizel Üretimi
2.3.2 Atık Bitkisel Yağlardan Biyodizel Üretimi
Esta pesquisa nos permitiu observar as principais tarefas que demandam mão-de-obra na fruticultura da uva, quais sejam: adubação de fundação, momento em que são feitas escavações onde se coloca adubo que posteriormente
é coberto com a terra anteriormente retirada; pulverização, que pode ser feita com pulverizadores costais ou mecanizada, roço ou capina e poda; o amarrio verde, que conforme o próprio nome indica, tem a função de amarrar os galhos sobressalentes. Essas são atividades consideradas mais pesadas e tradicionalmente desempenhadas pelos homens. As atividades consideradas mais “leves” e tradicionalmente desempenhadas pelas mulheres são a desbrota, que consiste na retirada das gemas não produtivas, para eliminar a concorrência por nutrientes, possibilitando, assim, definir a quantidade de cachos desejada, por galho da videira; o raleio, onde inicialmente são retiradas algumas bagas para deixar as outras crescerem e num segundo momento as bagas são retiradas para dar uma forma simétrica ao cacho. A primeira fase do raleio, também conhecida como pinicado é feita com as próprias mãos; e a segunda, com a tesoura de raleio, como mostram as Figuras 19 e 20.
Fonte: Pesquisa de campo (2006).
Figura 20 – Menina de 13 anos fazendo o segundo raleio.
Outra etapa consiste na desfolha, na qual se retiram as folhas que estão penduradas abaixo da linha dos arames de sustentação do parreiral, misturando- se com os cachos de uvas. Por fim, vem a colheita e a embalagem. Esta é realizada no packing-house, onde a uva passa por um processo que tem a seguinte seqüência: limpeza dos cachos, que consiste na retirada das bagas ruins e de qualquer outra impureza; a classificação dos cachos; o acondicionamento em pequenas sacolas onde cabem de um a dois cachos – se a uva for destinada aos Estados Unidos ou à Inglaterra, essas sacolas são de plástico, mas se for destinada para o restante do mercado externo, as sacolas são de papel –; a embalagem das sacolas contendo os cachos em caixas de papelão e, por último a pesagem e controle de qualidade. Todavia, se a uva for destinada ao mercado interno, ela é embalada em caixas de papelão forradas com uma folha de papel
especial, sem o acondicionamento em sacolas. Tudo isso acontece como em uma linha de montagem, onde cada mulher tem uma atividade definida.
Através de observações in loco nos packing-house das empresas, podemos constatar que as tarefas mais “leves” – menos pesadas – são desempenhadas pelas mulheres. Não obstante serem consideradas mais “leves”, atividades em que elas para desempenhá-las precisam permanecer o tempo todo em pé.
Em pesquisa de campo verificou-se que nas médias e grandes empresas, onde existe uma infra-estrutura de packing-house, as mulheres que ali trabalham na parte da limpeza e da embalagem são obrigadas a usar bota, touca e luvas; entretanto, entre os pequenos empresários e os colonos, a grande maioria não dispõe da estrutura de um packing-house e, por essa razão, a embalagem da uva muitas vezes é realizada no próprio parreiral ou em pequenos galpões.
Constatou-se ainda que o mercado importador paga melhor preço pelo produto, mas também impõe exigências como a existência de packing-house e o controle mais rigoroso das condições de higiene no processo de embalagem.
Verificou-se também juntamente aos produtores pesquisados, que a partir de 2006, a condição essencial para que as frutas sejam aceitas pelo mercado externo é a certificação do produtor com o certificado EUREPGAP4. Aqueles que não adquirirem essa certificação ficarão impedidos de enviar seus produtos para o mercado externo.
Para que o produtor adquira tal certificação, a empresa certificadora exige que a empresa a ser certificada seja dotada de toda a infra-estrutura de
packing-house, com área de embalagem, banheiros, local de refeições, local para
lavar as mãos, galpão para guardar defensivos e adubos, com banheiro exclusivo para quem lida com esses produtos, além de exigir que todos trabalhadores, a
4 EUREPGAP – Associação privada, sem fins lucrativos, que se originou da organização de grandes varejistas europeus (Euro Retailer Produce Working Group Eurep) preocupados em assegurar a qualidade de produtos destinados ao consumo humano. Criado em 1997, o foco inicial era com
partir da colheita, trabalhem devidamente uniformizados, devendo usar bata, touca e luvas, entre outras exigências.
Observamos in loco que a grande maioria das empresas ainda não dispõe de espaço próprio para os trabalhadores fazerem suas refeições, ou seja, não há restaurante ou refeitório, não havendo também lugar para esquentar a comida, que é trazida pronta de casa, como mostra a Figura 21. Basicamente a marmita contém arroz e feijão, esporadicamente algum tipo de mistura (carne, ovo etc.).
Fonte: Pesquisa de campo (2006).
Nesse aspecto, particularmente, os trabalhadores da uva se assemelham aos demais bóias-frias encontrados na produção de cana de açúcar em várias regiões do país.
A senhora Girassol, de 45 anos, desabafa:
Não tem como a gente esquentar a comida, o jeito é comer fria mesma, senão fica com fome... o pior é quem não tem nem a comida fria para comer.
Confirmando o que já havia sido denunciado por Bloch (1996), das mulheres entrevistadas nesta pesquisa que trabalham na cultura da uva, todas raleando, responderam que não usam roupas e instrumentos de proteção nas tarefas nos campos de uva; todavia, somente 15% confirmaram já ter tido problemas com agrotóxicos, como dor de cabeça, tontura e dor de barriga, enquanto na pesquisa de Didier Bloch a maioria já ter sentido tais sintomas.
A senhora Margarida, de 32 anos, em um dos seus desabafos:
Eu achava que aquelas dores de barriga eram da água que não era tratada e as dores de cabeça porque ficamos praticamente o dia todo expostas ao sol... depois que fui ao hospital me consultar descobri que era por causa do agrotóxico, por isso eu uso este pano no rosto, tentando me proteger do veneno.
Estes dados indicam que houve uma melhor conscientização e/ou maior conhecimento quanto ao uso e manipulação dos agrotóxicos, uma vez que na pesquisa realizada em 1996 por Didier Bloch e, posteriormente por Sueli Granja em 2003, no próprio núcleo de análise, a quase totalidade de mulheres e de homens entrevistadas àquela época responderam já ter sentido algum tipo de mal- estar após a pulverização de produtos químicos nos parreirais.
Quanto à carga horária, confirmamos com os empregadores e também com as trabalhadoras entrevistadas que as mulheres que trabalham na fruticultura da uva cumprem em média, 8 horas diárias – na época do segundo raleio e da colheita, essa média sobe para 10 a 12 horas diárias – cumprindo uma cota diária de 450 a 500 cachos de uva; sendo que pequenas, médias e grandes empresas propõem o cumprimento de horas extras em determinados processos e períodos da produção e muitas mulheres se sentem atraídas pela possibilidade de uma renda maior, chegando a fazer o raleio de 800 cachos por dia.
Das mulheres entrevistadas, a grande maioria está na faixa etária de 22 a 37 anos (Figura 23).
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31 a 35 anos 22 a 25 anos 36 a 37 anos 38 a 50 anos 26 a 30 anosFonte: Pesquisa de campo (2005).
Figura 23 – Faixa etária das mulheres entrevistadas.