• Sonuç bulunamadı

3. MÜDAHALE, KAMUSAL MEKANA MÜDAHALE, KÜÇÜK ÖLÇEKL!

4.3. Atölyeler

Ninguém mais tem ilusão

No poder da autoridade

De tomar à decisão

E o poder da autoridade

Se pode, não faz questão

Mas se faz questão, não consegue

Enfrentar o tubarão

35

Falar sobre a metamorfose da cidade de São Paulo em metrópole e, por

conseguinte, em seu processo de urbanização acelerado, é não ignorar a ocupação das

regiões periféricas da cidade e a formação de suas favelas. A música de Gilberto Gil

ilustra bem o sentimento dos moradores das grandes periferias que se vêem sozinhos e

abandonados pelo poder das autoridades. Vemos isso na fala de um de nossos

colaboradores quando explica sobre a infra-estrutura de seu bairro e o lado positivo e

negativo de morar no distrito Grajaú:

O positivo é em relação ao poder aquisitivo, eu não tenho condição de

morar em outro lugar além daqui, por causa do poder aquisitivo. Mas o

negativo é que por ser periferia, a gente desfruta da sobra, do restante.

Para nós, quando chega algum beneficio é quando sobra de outros

bairros de centro, de classe média. Então, o ônibus é o mais simples, o

banco é aquele de final de linha, com o pequeno serviço, com o

equipamento que não serve mais em uma agência de classe média.

Então, a gente tem essa opção por questão financeira. Hoje nós temos

assim, uma extensão, na verdade uma extensão mesmo, porque a gente

paga por isso, a gente hoje não tem nada grátis, a gente tem que pagar

por tudo. Temos aqui um serviço médio. A gente paga por isso, mas

precisa melhorar

36

.

Esse morador da periferia é consciente de sua condição de marginalizado e da

precariedade dos serviços públicos para essa população, quando existem. “O município de

São Paulo tinha 1% de sua população vivendo em favelas no início de 1970, e quase 20%

34 CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de janeiro: Civilização

Brasileira, 2004, p. 8.

35 Musica de Gilberto Gil. “Nos barracos da cidade”.

36 Entrevista realizada no dia 3-7-2007. O colaborador é o senhor Ademar de 58 anos, morador da Zona Sul

no início de 1990

37

.” Uma obra de referência que aborda o processo de urbanização da

cidade de São Paulo e os fenômenos de periferização e favelização é a pesquisa de Tereza

Caldeira, que se baseia em depoimentos de moradores de diferentes bairros da cidade de

São Paulo. Os depoimentos foram colhidos entre os anos de 1989 e 1991, e o objetivo foi

analisar os discursos de criminalidade, instituições democráticas e os direitos civis. Mas o

que nos interessa é o esforço da autora em mostrar a segregação social vivida na cidade

de São Paulo, que se divide em três padrões marcados por determinadas épocas.

O primeiro padrão de segregação se desenvolve entre o final do século XIX e vai

até os anos de 1940. Neste período, a população se concentrava no centro da cidade. Ali,

a forma de diferenciação e, portanto, de segregação, era o tipo de moradia (mansões e

cortiços). O segundo tipo de segregação social vivido na cidade de São Paulo se estende

da década de 1940 até os anos 1980, quando se formava a contradição entre o centro e a

periferia. Ou seja, a população rica se concentrava no centro urbano e se separava da

classe pobre, uma vez que esses se concentravam na periferia. O terceiro padrão se inicia

nos anos 80, e modifica consideravelmente a cidade e sua região metropolitana. As

transformações recentes geram espaços em que aparentemente as classes estão próximas

umas das outras, mas ficam separadas pelos muros e sistemas de segurança. Como foi

colocado pela autora, “(...) o novo padrão de segregação espacial serve de base a um novo

tipo de esfera pública que acentua as diferenças de classes e as estratégias de

separação

38

.”

Tereza Caldeira aclara que, de 1890 até 1940, o espaço urbano de São Paulo foi

caracterizado por uma imensa concentração no centro da capital. Havia um crescimento

populacional com a constante chegada de trabalhadores para a cidade e o surgimento de

fábricas que se multiplicavam a cada dia. A elite vivia em mansões enquanto os

trabalhadores viviam em casas alugadas mais de 80% e em cortiços.

A elite começou a perceber que viver muito próximo da classe trabalhadora e dos

pobres não era muito limpo e saudável, passando a associar o pobre à sujeira,

promiscuidade e idéias ligadas ao crime. Em função disso, além de controlar os pobres, a

elite começou a separar-se dele. Temendo epidemias, a elite passou a mudar para regiões

37 CARLOS, Ana Fani Alessandri; OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. . (organizadores). Geografias de

São Paulo: a metrópole do século XXI. São Paulo: Contexto, 2004, p. 274Op. cit., p. 274.

38 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

menos densas e com loteamentos exclusivos. Um exemplo disso é o bairro de

Higienópolis.

A separação cidade-periferia veio da idéia “de isolamento, a abertura e a limpeza

como solução para o meio urbano caótico e suas tensões sociais

39

.” Quatro são as

principais influências que transformaram a cidade de São Paulo em uma zona de

segregação urbana, cidade-periferia. A primeira se refere às leis urbanas que surgiram no

início do século passado, estabelecendo algumas medidas como: o alargamento de

avenidas, abertura de ruas e reforma na zona comercial, entre outros. Essas medidas

estimulavam a especulação imobiliária, aumentando os preços de aluguéis. Assim, quem

não podia pagar os elevados preços era expulso do centro. A segunda diz respeito aos

industriais que também tinham interesse em organizar o espaço urbano e expandir suas

indústrias, reduzindo gastos. Sugeriram, então, que os trabalhadores tivessem suas casas

próprias, diminuindo as despesas com moradia e aumentando seu consumo. O terceiro era

referente ao movimento sindical, que, influenciado pelos anarquistas, propunha uma

organização para boicotar os aluguéis, mas que, mais tarde, com as mudanças políticas, o

problema de moradia passou a ser tratado individualmente. A quarta e última influência

acontece depois da Revolução de 1930. O Ministério do trabalho defendeu a oportunidade

da casa própria. Essa intervenção do governo causou uma diminuição no mercado de

aluguéis e isso “acelerou a partida de trabalhadores para a periferia, onde podiam

encontrar terrenos baratos (e irregulares) para construir suas casas

40

.” Esse novo padrão

de urbanização é disperso em vez de concentrado. As classes sociais vivem longes umas

das outras. As classes médias e altas vivem nos centros e as classes baixas na periferia.

Destes, a maioria tem casa própria, porém, a maior parte dos pobres faz construções

ilegais e/ou irregulares.

É denunciado que, para as construções e aquisições imobiliárias, a classe média e

alta pôde contar com o apoio de programas do governo: “ao contrário do que acontecia

com as camadas trabalhadoras, as classes média e alta receberam financiamento e não

tiveram que construir suas casas. Mudaram-se para prédios de apartamentos

41

” que muitas

39 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

Paulo: Editora 34/Edusp, 2000. p. 215.

40 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

Paulo: Editora 34/Edusp, 2000. p. 218.

41 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

vezes eram inacessíveis às camadas baixas: “os moradores da periferia também foram

negligenciados pelo fato de que nunca puderam contar com nenhum tipo de

financiamento para construir suas casas

42

.”

Outro ponto ressaltado pela autora é que a distância entre os pobres e ricos não

ficava somente nas questões geográficas. Pois, além da habitação ser melhor nos centros

da cidade em relação à periferia, a qualidade de vida e o saneamento básico eram também

radicalmente diferentes. A pesquisadora apresenta dados estatísticos que comprovam que

a qualidade de vida na periferia era muitas vezes inferior à classe média e alta: “em

resumo, nos anos 70, os pobres viviam na periferia, em bairros precários e em casas

autoconstruidas; as classes média e alta viviam em bairros bem equipados e centrais, uma

porção significativa delas em prédios e apartamentos

43

.”

Na terceira fase, entre os anos 80 e 90, a segregação centro-periferia ainda existe,

mas o processo é diferente:

A cidade de São Paulo hoje é uma região metropolitana mais complexa,

que não pode ser mapeada pela oposição centro rico versus periferia

pobre. Ela não oferece mais a possibilidade de ignorar as diferenças de

classes; antes de mais nada, é uma cidade de muros com uma população

obcecada por segurança e discriminação social

44

.

Nesses anos, houve na cidade de São Paulo uma redução na taxa de crescimento

populacional devido à baixa fecundidade e emigração. Neste mesmo período, muitos das

classes média e alta deixaram os bairros centrais para habitarem em bairros distantes,

antes habitados somente por pobres:

O deslocamento dessa classe média para loteamentos residenciais foi

natural e prazeroso, porque capaz de propulgnar que a vida fora da

cidade oferecia qualidade superior. O ponto de vista do morador é de

que morar um pouco longe de tudo é o preço que se paga por uma vida

melhor e, além disso, tem verde, tem ar puro!

45

42 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

Paulo: Editora 34/Edusp, 2000. p.221.

43 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

Paulo: Editora 34/Edusp, 2000. p.228.

44 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

Paulo: Editora 34/Edusp, 2000. p.231.

45 SEABRA, Odette Carvalho de Lima. São Paulo: a cidade, os bairros e a periferia. In: CARLOS, Ana

fani Alessandri; Oliveira, Ariovaldo Umbelino de(orgs). Geografias de São Paulo: representação e crise da metrópole. São Paulo: Contexto, 2004, p. 127.

Por outro lado, a aquisição de casa pela autoconstrução ficava cada vez menos

viável para o pobre trabalhador. Isso se explica devido ao empobrecimento contraído

decorrente da crise de 1980 e pelas melhorias urbanísticas na periferia:

Em outras palavras, enquanto as rendas diminuíram, a periferia

melhorou e tornou-se mais cara. Com resultado, muitos moradores

tiveram que colocar de lado o sonho da casa própria e cada vez mais

optar por viver em favelas ou cortiços, que aumentaram

substancialmente

46

.

A pesquisadora Ermínia Maricato, em seu artigo Urbanismo na periferia do

mundo globalizado: Metrópoles brasileiras São Paulo

47

, constata que nos anos de 1940 a

1980, o PIB brasileiro teve um crescimento superior a 7%, o que significa um dos maiores

crescimentos do mundo nesse período. Porém, essa riqueza gerada desembocou em uma

concentração de renda, ou seja, uma melhoria significativa na qualidade de vida para uma

parcela bem pequena da sociedade.

Prado explica que no final da década de 1950 houve um acordo importante para

a economia brasileira. A Instrução nº. 113

48

favoreceu o capital estrangeiro, que penetrou

na economia nacional de forma segura. Entram no Brasil produtos concorrentes dos

brasileiros, mas com um valor mais acessível. Para os industriais isso foi vantajoso,

embora perdessem sua autonomia e independência financeira. Mas o acordo parecia

vantajoso por possibilitar recurso financeiro para o crescimento de suas empresas. Essas

mudanças econômicas e políticas resultaram na terceirização industrial. Desse modo,

houve uma redução dos empregos. O Brasil viveu uma terrível contradição econômica,

houve ganho de produtividade e competitividade, mas perda de meio milhão de empregos

em curtíssimo prazo, resultando em um grande problema social

49

.

A partir das décadas de 1930 e 1940 houve um forte investimento no setor

imobiliário brasileiro, o que transformou as principais metrópoles em cidades verticais de

forma incrivelmente rápida. Em 1964 foi criado um banco nacional de financiamento de

habitação BNH (Banco Nacional de Habitação). Dessa maneira, a classe média brasileira

46 CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São

Paulo: Editora 34/Edusp, 2000. p. 231.

47 MARICATO, Ermínia. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras. São Paulo

Perspectiva. São Paulo, v. 14, n. 4, 2000. Disponível em: www.scielo.br. Acesso em: 30 Jan. 2007.

48 Instrução nº113 baixada pela Superintendência das Moedas e do Crédito em 17 de janeiro de 1955,

permitia ao Banco do Brasil emitir licença de importação sem cobertura cambial.

49 TASCHNER, Suzana; BOGUS, Lucia. São Paulo: O caleidoscópio urbano. São Paulo: perspectiva. São

foi ocupando sua nova moradia. Os apartamentos que eram financiados pelo BNH não

permitiam um acesso democratizado, visto que grande parte da população não tinha

acesso aos financiamentos, uma vez que estes eram prioritariamente direcionados às

classes média e alta.

O abandono por parte do governo e, por conseguinte, a falta de políticas

habitacionais que atendessem as necessidades dos mais pobres fez com que a massa de

trabalhadores mal remunerados e os desempregados fossem empurrados para periferia e,

por conseguinte, habitando em espaços com condições precárias de vida. Esse processo se

dá desde o final da década de 1960, intensificando-se nos anos 80. Segundo os autores

Eduardo César Marques e Renata Bichir, tal processo foi identificado como periferização,

ou seja:

A ação pulverizada dos produtores privados e a inação do Estado teriam

levado à construção de espaços metropolitanos caracterizados por um

gradiente decrescente de condições de vida, inserção no mercado de

trabalho e acesso à renda do centro para as periferias. Os espaços

periféricos seriam os mais distantes e de menor renda diferencial,

ocupados pela população de mais baixa renda e inserida de forma mais

precária no mercado de trabalho

50

.

O crescimento do município de São Paulo rumo à periferia tem seu início na

década de 1940. Essa estratégia de moradia se associa a todo tipo de carência urbana

possível, como, por exemplo, loteamentos irregulares, casas autoconstruídas, lotes

invadidos e formação de favelas. A metrópole vive, então, o que as pesquisadoras Suzana

Taschner e Lucia Bogus chamam de ‘estrutura dual’. Ou seja, as regiões centrais recebem

infra-estrutura, investimento financeiro e prédios luxuosos e uma constante

modernização, enquanto convivem com as franjas da metrópole, as regiões periféricas,

sem infra-estrutura pública básica e uma massa de desempregados vivendo em favelas.

As autoras analisam a contradição socioeconômica entre os “anéis” centrais e

periféricos e chegam aos resultados seguintes: no centro se encontra uma parcela maior da

população mais velha, enquanto na periferia os percentuais maiores estão entre a

população mais jovem. Outro dado apontado é o de que no anel central a população de

chefes de família é majoritariamente branca, com alta escolaridade (uma média de doze

50 MARQUES, Eduardo e BICHIR, Renata. Investimentos públicos, infra-estrutura urbana e produção da

periferia em São Paulo. São Paulo, 2007. Disponível em www.centrodametropole.org.br. Acesso em: 17 jan. 2007.

ou mais anos de estudo) e renda superior a 20 salários mínimos. Já no anel periférico se

encontra uma maior porcentagem de chefes de família não-brancos, ou seja, um maior

percentual de pretos e pardos, com baixa escolaridade (uma média de quatro anos de

estudo) e menor renda. Este estudo permite estabelecer uma relação entre renda, cor,

escolaridade e local de residência no espaço urbano. Conseqüentemente, evidencia a

discriminação sofrida por quem, além de negro, pobre e com baixa escolaridade, reside na

periferia.

A associação cor-pobreza-periferia afirma-se de forma clara, ainda mais

quando é verificada a proporção de negros e pardos nas favelas

paulistanas em 1991 (53% da população favelada). Há fortes indícios da

estigmatização de contingentes populacionais que, ao residir em

determinados locais, são discriminados por uma combinação de fatores

de classe e etnorraciais

51

.

A fala de uma de nossas entrevistadas deixa explícita, tanto sua consciência de

que sofre discriminação sendo estigmatizada por morar em uma favela, quanto sobre a

precariedade de infra-estrutura a qual está submetida, revelando uma ausência de status

social.

A região, eu gosto, por que é um local tranqüilo, a gente não tem

assalto, essas coisas. Mas tem desvantagens, sabe por quê? É terreno da

prefeitura, e é muito desvalorizado, as pessoas tem muito preconceito,

elas pensam que favelado é sinônimo de ladrão, entendeu? Tem córrego

perto, tem muita fofoca, tem muita discórdia. O povo não mexe com a

gente, todo mundo respeita todo mundo, mas eu queria morar num lugar

assim, que fosse mais verde e que não fosse terreno da prefeitura, só por

causa da discriminação. Quando eu era criança eu não pensava assim,

mas agora eu sinto na pele, às vezes você está conversando com uma

pessoa e ela fala assim “Mas o favelado...” com preconceito. Então nem

sempre eu falo com as pessoas que eu moro na favela, apesar de eu

gostar e ter orgulho da minha casa, e ter orgulho dos meus pais terem

me dado esse lugar para morar, eu sinto o preconceito, entendeu? Por

causa do preconceito do bairro, eu não falo nada, eu omito

52

.

De acordo com o novo mercado globalizado, os mais jovens e com menor

qualificação são os que mais sofrem em busca de emprego remunerado, e é justamente

essa parcela que reside no anel periférico. Enquanto se observa a verticalização no anel

central, no anel periférico se percebe um crescente número de conjuntos populares,

loteamentos irregulares e/ou ilegais e favelas. É possível, também, estabelecer uma

51 TASCHNER, Suzana; BOGUS, Lucia. São Paulo: O caleidoscópio urbano. São Paulo: perspectiva. São

Paulo, v.15, nº1, 2001. Disponível em: www.scielo.br. Acesso em: 17 jan. 2007.

relação entre o desemprego e a procura por loteamentos baratos. Com a crise financeira

dos finais da década de 1970 e início dos anos 1980, foi crescente o número de

desempregados, ao mesmo tempo em que houve uma redução na procura por imóveis

alugados, pois essa população buscou na periferia por meios de habitação.

Jane Souza Silva pesquisou especificamente o processo de favelização da

periferia da Zona Sul da cidade de São Paulo, e detectou seu início a partir da década de

1970. Como vimos acima, a criação do banco nacional para habitação (BNH), na década

de 1960, não foi acessível à população pobre da metrópole. O primeiro programa

alternativo para tratar da habitação popular foi em 1975, o PROFILURB (programa para

lotes urbanizados), criado pelo BNH. Em 1979, a PROMORAR foi um programa para

urbanização das favelas, e em 1983, o programa João de Barro foi destinado a financiar

autoconstruções. O programa de urbanização de favelas conseguiu que em 1993, 90% das

moradias da favela recebessem energia elétrica e 62% água encanada. Mas a rede de

esgoto ainda está ausente em mais de 77% das favelas, o que explica a grande quantidade

de dejetos que são lançados ao ar livre em córregos e represas

53

.

Benzer Belgeler